À espera da grande estreia

POR GERSON NOGUEIRA

Contra o Iraque, hoje à tarde, espera-se que o Brasil finalmente estreie no torneio de futebol da Olimpíada. Cotado como favoritíssimo muito mais por exclusão do que por méritos técnicos, a seleção dirigida por Rogério Micale fez uma apresentação capenga contra a África do Sul, reacendendo as desconfianças que acompanham a equipe canarinho desde aquela chinelada contra os alemães na Copa do Mundo.

É verdade que agora é uma disputa mais amena, pois o torneio nem de longe lembra o grau de dificuldades do mundial de futebol, mas o país da bola está representado da mesma maneira. E Neymar, grande esperança do título há dois anos, continua como o trunfo para levantar o ambicionado ouro olímpico.

unnamed (5)Ninguém pode esquecer que as maiores seleções do mundo não trouxeram seus ícones. A Argentina vem sem Lionel Messi. Portugal não terá Cristiano Ronaldo. A Espanha não trouxe o cerebral Iniesta e a Suécia vem desfalcada do craque Ibrahimovic.

O fato óbvio é que a maioria das confederações não dá muita bola para o torneio olímpico, visto com certo desprezo até pela própria Fifa.

Por tudo isso, imaginava-se que o inexperiente Micale teria a chance privilegiada de chegar à conquista inédita sem passar por grandes dissabores. Ledo engano.

O confronto com os sul-africanos deixou evidente o desentrosamento da seleção nacional, cujos principais jogadores (Gabigol, Gabriel Jesus) continuam excessivamente intimidados pela presença de Neymar. Este, por seu turno, não abre mão da condição de dono do time, o que poderia ser saudável se ele estivesse em grande forma.

Pelo que se viu nos dois tempos da partida de estreia, Neymar sofre as consequências dos rigores da temporada europeia e mostra-se ainda fora de ritmo. Não perdeu o jeito fominha de jogar, mas lhe falta a adequada condição atlética para levar a cabo algumas manobras mais ousadas. O cérebro manda, mas o corpo desobedece. Tanto que errou 27 passes contra a África do Sul.

Que Neymar é um jogador diferenciado, ninguém tem dúvida disso. Mas precisa entender que a Seleção (olímpica ou principal) exige mais do que habilidade individual. Espera-se que o craque resolva tudo, mas que também seja humilde o suficiente para dividir as honras da casa com os companheiros. Jamais pode pegar a bola e botar debaixo do braço, como se fosse resolver tudo sozinho.

Em 1970, Pelé era o número 1, indiscutivelmente. No apogeu, tinha o mundo a seus pés, mas, ainda assim, sabia partilhar o jogo com Tostão, Jairzinho, Clodoaldo e Gerson, principalmente. Jogava para o time e dele extraía a força necessária para empreender lances inacreditáveis.

Aos 24 anos, Neymar sofre, ainda, da natural antipatia que pessoas de sucesso costumam atrair no Brasil. Mestre Tom Jobim costumava dizer que este não é um país para amadores – e sabia o que dizia.

O craque do Barcelona jamais pode esquecer que sua fortuna e fama de nada valem na hora em que entra em campo pela Seleção. Pelo contrário, qualquer erro que cometa será impiedosamente vaiado, como ocorreu na primeira partida.

Quando entender melhor essas atribulações da vida, contendo o ímpeto para as firulas desnecessárias, certamente será mais útil à Seleção e dará um passo importante para conquistar o coração do torcedor.

—————————————————

Expurgos no Papão têm aval de Dado

Dado Cavalcanti assumirá o Papão na próxima segunda-feira já com a casa saneada. Em miúdos: receberá um elenco mais enxuto, com pelo menos seis jogadores dispensados. Até sexta-feira, três já haviam sido liberados – Fabinho Alves, Christian e Rafael Luz.

Mais três devem sair durante o fim de semana, incluindo um dos homens de área – Betinho ou Ruan. É claro que o técnico foi consultado sobre as dispensas.

Ao longo dos dois meses que ficou afastado do clube, Dado teve tempo e tranquilidade para analisar com cuidado tudo o que atrapalhou seu trabalho no começo da Série B.

A incrível sequência de contusões – 12 atletas entregues ao DM nas quatro primeiras rodadas da competição – certamente foi objeto das elucubrações do treinador. A falta de comprometimento de vários atletas não deve ter escapado à sua avaliação.

O comportamento do time diante do Criciúma, sob o comando do auxiliar técnico Rogerinho, também deve ter deixado lições para Dado. Ninguém, em juízo perfeito, pode crer que um grupo de jogadores muda de postura repentinamente, atuando em altíssimo nível depois de três jogos bisonhos.

—————————————————

Bola na Torre

O programa terá o comando de Guilherme Guerreiro, com as participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião.

Começa logo depois do “Pânico”, por volta de 00h20, na RBATV.

—————————————————

Olimpíada: show perfeito e um nome esquecido

 

Ao ver a portentosa cerimônia de abertura da Olimpíada, com direção de Fernando Meirelles e participação destacada de vários monstros sagrados da música brasileira (Caetano, Gil, Benjor, Melodia), ficou a certeza de que o evento começa em altíssimo nível.

Estava tudo lá. Samba, carnaval, cultura nativa, ritmo e tropicalismo. Teve até os bois de Parintins e o tecnobrega da Gang do Eletro.

Ficou faltando apenas o reconhecimento obrigatório ao homem que permitiu que o Rio de Janeiro se tornasse por 21 dias o centro das atenções do planeta. Sim, ele mesmo: Lula.

No lugar onde nasci, gratidão é moeda sagrada.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 07)