‘Taison ou Messi’ surgiu com Tite no Internacional

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“O Taison está em um momento iluminado”. A frase é do dia cinco de fevereiro de 2009, e foi falada por Tite enquanto o treinador se encaminhava para conquistar o Campeonato Gaúcho pelo Internacional.

Com treinamentos específicos, Taison deixou de ser um coadjuvante no elenco do Inter. Na época, ele realizava exercícios de finalização e de embates no um contra um com os goleiros. Tite ainda pediu para o então departamento de tecnologia e sua comissão desenvolverem um plano para que o jogador crescesse na frente do gol.

Aos 21 anos, recebeu vídeos com lances e explicações que ajudaram em sua evolução. E o resultado apareceu.

O atacante colorado que ‘encantou’ o novo técnico da seleção marcou 15 gols e foi o artilheiro isolado do Gaúcho de 2009. Liderado por um Taison inspirado, o time vermelho de Porto Alegre venceu as duas fases do Estadual – uma sobre o Grêmio e a outra com um 8 a 1 sobre o Caxias – e conquistou a taça.

A fase era tão boa que causou uma das comparações mais surreais dos últimos anos no futebol. Semanas depois da conquista, o colunista Wianey Carlet, do jornal gaúcho ‘Zero Hora’, escreveu um texto que terminava com uma questão: “Dentro de uns 10 anos, será possível questionar: quem foi melhor, Messi ou Taison?”.

Sete anos depois, Taison reencontrará o treinador que o comandava na época em que surgiu para o futebol profissional no Brasil. Foi novamente Tite o responsável por dar espaço ao jogador. Agora com 28 anos, ele foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira e estará com o grupo que enfrentará Equador e Colômbia nos dias 1 e 6 de setembro.

Taison não se tornou Messi, nem dividiu espaço nas manchetes dos principais clubes europeus com o astro argentino. Mesmo assim, o rendimento do atacante na Ucrânia foi suficiente para garantir a primeira convocação de sua carreira.

No Metalist, time que defendeu entre 2010 e 2012, fez 20 gols em 83 jogos. Já no Shakhtar Donetsk, equipe que desembolsou R$ 52 milhões (na conversão atual) para tê-lo em janeiro de 2013, fez os mesmos 20 gols em 132 partidas até então.  (Da ESPN)

O adeus de Geneton

DO COMUNIQUE-SE

Escritor, documentarista, blogueiro do G1 e apresentador da GloboNews, Geneton Moraes Neto morreu na tarde desta segunda-feira, 22, no Rio de Janeiro. Aos 60 anos, o jornalista estava internado desde maio na Clínica São Vicente, no bairro carioca da Gávea, após sofrer aneurisma na aorta. Nos meses em que o comunicador esteve sob cuidados médicos, amigos e colegas da imprensa chegaram a usar as redes sociais para pedir doação de sangue.

Ao noticiar a morte do jornalista, a reportagem do G1 enfatiza que Geneton tinha mais de 40 anos dedicados à comunicação social. Ele trabalha desde a década de 1980 no Grupo Globo no Rio de Janeiro, onde foi editor do local ‘RJTV’, editor do ‘Jornal Nacional’, repórter e editor-chefe do ‘Fantástico’ e editor-chefe e editor-executivo do ‘Jornal da Globo’. Nos últimos anos se dedicou a gravação reportagens exibidas pela GloboNews.

Pernambucano do Recife, o jornalista iniciou a carreira em seu estado natal, sendo repórter do Diário de Pernambuco. Ainda no Nordeste, passou pela sucursal do Estadão e pela emissora local da TV Globo, de onde saiu para atuar no Rio de Janeiro. Além das experiências no impresso e na televisão, Geneton se dedicou ao trabalho de escritor. Entre os mais de 10 livros publicados por ele estão Dossiê 50: Os Onze Jogadores Revelam os Segredos da maior Tragédia do Futebol Brasileiro e Dossiê História: um repórter encontra personagens e testemunhas de grandes tragédias da História mundial.

Entusiasta do que chamava de “jornalismo autoral”, Geneton estava cada vez mais dedicado à produção de documentários. Em conversa com a reportagem do Portal Comunique-se em outubro de 2015, ele destacou seu trabalho como documentarista. No modelo, ele dirigiu “Cordilheiras no Mar: A fúria do Fogo Bárbaro” (que conta a história do cineasta Glauber Rocha) e “Boa Noite, Solidão” (em que apresenta histórias de moradores de Solidão, cidade do sertão pernambucano).

Geneton deixa a mulher, duas filhas e netos.

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Pobre país idiotizado pela mídia e doente de ódio

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POR BEPE DAMASCO, no Brasil247

Está ficando difícil ser otimista quanto ao futuro do Brasil. O que esperar de um país onde boa parte de sua população vive a repetir, tomando como verdades absolutas, as idiotices, manipulações, mentiras e canalhices divulgadas pelo monopólio da mídia?

O que esperar de um país cujo déficit de consciência democrática faz com que um golpe de estado tramado e executado pela bandidagem da política seja assistido passivamente pela maioria da sociedade?

O que esperar de um país cujos trabalhadores permanecem inertes, mesmo diante do brutal corte de direitos e conquistas históricas, já anunciado como prioridade pelo governo golpista, que fará o país retroceder quase 100 anos em termos de bem-estar social?

O que esperar de um país no qual expressiva parcela dos beneficiários dos programas sociais e e inclusivos dos governos Lula e Dilma não se cansa de matraquear o discurso conservador criminalizando o PT?

O que esperar de um país doente de ódio e intolerância inoculados no organismo social pela mídia venal e inconsequente?

O que esperar de um país em que as classes média e alta (incultas e preconceituosas) cultivam valores escravagistas, xenófobos, racistas, sexistas e homofóbicos?

O que esperar de um país com instituições apodrecidas pela politização e pelo golpismo, tais como Congresso Nacional, TCU, Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário?

O que esperar de um país cuja Suprema Corte trai sua função republicana de zelar pela Constituição e adere a um golpe midiático- judicial-parlamentar que rasga a própria Carta Magna?

O que esperar de um país dotado de um sistema de justiça que persegue adversários da plutocracia, enquanto protege os que se dedicam à defesa dos ricos e poderosos?

O que esperar de um país que oferece terreno fértil que para que viscejem políticos e líderes religiosos que defendem ditadura, tortura e estupro?

Leão avança e lidera

POR GERSON NOGUEIRA

Foi um jogo estudado e controlado muito bem pelo Remo. Posicionado corretamente no setor defensivo e com dinamismo no setor de criação, o time não cedeu espaços ao Confiança, que só ensaiou pressionar no começo do segundo tempo. O placar final de 2 a 0 espelha a superioridade azulina, sendo que Edno, Ciro, Eduardo Ramos e Wellington Saci tiveram oportunidades para ampliar o escore.

unnamed (6)No primeiro tempo, Edno se movimentou mais entre os zagueiros e foi premiado com dois cruzamentos perfeitos, um de Levy e outro desviado por Eduardo Ramos. Junto à linha da pequena área, usou a boa impulsão para desviar para as redes. Vale dizer que o jogador atuou no sacrifício, pois não se recuperou plenamente de contusão.

Eduardo Ramos e Marcinho se revezam na aproximação com o ataque, que tinha apenas Edno como referência e contava com as subidas de Levy pela direita. Fernandinho ficava mais preso ao meio-campo, ajudando na marcação, sem avançar muito.

Como o Confiança pouco agredia, a zaga remista teve tranquilidade para jogar, embora Saci tenha tido uma atuação mais defensiva. Michel fechava no meio, com Yuri flutuando mais. Como as tentativas pelo chão, com triangulações não deram muito certo, o Remo investiu nos cruzamentos para surpreender a defesa adversária.

Depois do intervalo, com a entrada de Rogerinho e reforço no comando do ataque, Roberto Fernandes tentou levar o Confiança para o jogo do abafa, apertando a saída de bola do Remo. Não funcionou bem porque os homens de meio não conseguiam acertar a trocar de passes.

Os dois ataques mais agudos produzidos pelo Confiança nasceram de indecisões no lado direito da zaga remista e de uma falha dos zagueiros de área na marcação ao centroavante Leandro Kivel. No segundo lance, o goleiro Douglas Borges mostrou competência e conseguiu evitar o gol no cabeceio de Kivel a 15 minutos do final.

Apesar de dispor de um corredor para explorar pelo lado esquerdo, o Remo concentrou as ações no meio, com Eduardo Ramos cadenciando as jogadas e segurando o jogo. Quando a equipe ia à linha de fundo com Saci (e depois Jussandro), sempre criava boas situações, mas os atacantes não souberam aproveitar.

Ciro, que substituiu Fernandinho, perdeu grande oportunidade, após passe de Ramos. E Edno custou a chutar, aos 32 minutos, permitindo que a defesa bloqueasse a finalização. Instantes depois, o próprio Ramos entrou livre na área, mas preferiu tocar para o meio, facilitando a marcação.

O tranquilo triunfo azulino pode ser explicado pelo trabalho incessante dos volantes Yuri e Michel, a intensidade de Levy na direita, a ofensividade dos meias Eduardo Ramos e Marcinho (que também voltavam para auxiliar na marcação) e a excelente participação de Edno no jogo aéreo.

No aspecto coletivo e na distribuição em campo, o Remo mostrou evolução e amadurecimento. Podia apenas ter sido mais agressivo no segundo tempo, buscando ampliar a artilharia.

A vitória por dois gols põe o time pela primeira vez na liderança na chave A, ficando a seis pontos de garantir classificação para o mata-mata da segunda fase.

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Convocação da Seleção repete os velhos vícios

Quando Tite foi escolhido pela CBF, observei aqui que a Seleção Brasileira finalmente tinha um técnico no comando. A premissa continua válida, mas a convocação inicial para o recomeço das Eliminatórias dá margem a inquietações quanto ao trabalho do novo comandante. O anúncio do grupo que vai enfrentar Equador e Colômbia em setembro surpreendeu negativamente.

Para quem assumiu sob justas expectativas de mudanças nos métodos de trabalho e, principalmente, nos critérios de convocação de jogadores, Tite surpreende pelo motivo inverso. Esperava-se que fossem abolidas as velhas práticas de chamar atletas desconhecidos para dar um lustro na Seleção e valorizar para negociações futuras.

Os nomes anunciados ontem ficam entre a obviedade das últimas listas de Dunga e novidades um tanto mirabolantes, como Taison, Giuliano, Fagner e Paulinho. O lateral corintiano está longe de ser um primor de regularidade.

O meia Giuliano é outra aposta confusa. Nunca exibiu recursos que o credenciem para a meia-cancha do escrete. Taison, revelado pelo Internacional, andava sumido e foi ressuscitado por Tite. Coincidência ou não, defende o Shakhtar, origem de grande parte dos convocados de Felipão e Dunga.

De todos, porém, Paulinho é o caso mais surpreendente. Depois da Copa de 2014 entrou em total decadência. Passou um chuvisco no Tottenham, sem conseguir emplacar no futebol europeu, e sumiu das vistas do público refugiando-se no futebol chinês. Tite parece estar pensando naquele Paulinho que encantou a todos nos tempos de Corinthians, esquecendo-se que a realidade atual é bem diferente.

Entre os esquecidos, Paulo Henrique Ganso é o nome mais óbvio. Na comparação direta com Giuliano e Lucas Lima, o paraense vive um momento melhor.

De toda sorte, é a primeira chamada de Tite, que terá tempo para ajustes.  A destacar, sua sensibilidade em prestigiar sete campeões olímpicos e a lembrança de Rafael Carioca, que há muito tempo merecia uma chance.

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Uma correção

Vários leitores da coluna, sempre atentos aos detalhes, apontaram um equívoco na coluna “Vira-latas em fuga”, do último domingo. Citei no texto que somente a Alemanha havia, antes do Brasil, sediado Copa e Olimpíada em intervalo de dois anos – no caso, 1972 e 1974. Não é bem assim, como observa o Wilson Santana:

“Eu lhe afirmo com 100% de certeza de que você está enganado, porque os Estados Unidos também já sediaram em intervalo de 2 anos os dois maiores eventos esportivos do planeta: a Copa do Mundo, em 1994, e as Olimpíadas de Atlanta, em 1996”. Na mosca.

Peço desculpas pela lomba, mas é bom confirmar que conto com leitores bem informados e críticos, a quem agradeço pela colaboração.

Por outro lado, o raciocínio exposto na coluna domingueira segue válido, pois o Brasil está lado a lado com duas das maiores potências mundiais. Obviamente, graças a Luiz Inácio, Lula-san, o cabra bom.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 23)