Carta aberta aos dirigentes do Remo

POR VICTOR PALHETA 

Eu deveria ter dez anos ou doze anos. A sede campestre em Benfica estava recém-inaugurada, meu pai era (é) sócio remido e fomos desembestados rumo ao novo lugar, que tinha piscinas, lagos, campos de futebol, restaurantes, tobo água e muito espaço.
Eu lembro de encontrar um tio meu, torcedor do Paysandu, sentado com amigos remistas em pleno restaurante daquela sede. Todos felizes. O lugar estava lotado, as crianças estavam malucas correndo de um lado pro outro, andando de canoa ou jogando bola.
O Remo tinha acabado de ser 7º colocado do Campeonato Brasileiro da Série A. Depois de ter sido semifinalista da Copa do Brasil. Como não há decisão de terceiro lugar, poderíamos até dizer que ele foi, juntamente com o outro time eliminado, terceiro colocado. E eliminado pelo time campeão, quando Felipão ainda ganhava Copas e não levava goleadas humilhantes em casa.
Era o auge de um time que no papel foi um dos melhores da história do clube.
Eu lembro do jogo contra a Portuguesa no mangueirão em 93, e depois aqui em São Paulo, onde os torcedores não deixaram a equipe da Rede Bandeirantes entrar para transmitir, porque sabiam que um árbitro amigo iria apitar aquele jogo. No somar dos resultados, fomos para o quadrangular principal.
Era o auge. Em 94, disputamos a última vez a Série A do Brasileiro. Desde então, 21 anos. Desde então, o que houve?
Ah, mas você pode me dizer que o Remo foi campeão estadual da década de 90.
Você também pode afirmar que foi quando houve o tabu de 33.
Você pode me lembrar ainda que o nosso maior título foi em 2005. O campeonato da Série C.
Mas há 21 anos, estávamos no auge.
E agora, onde estamos?
Fomos campeões da Série C em 2005, mas nunca tínhamos disputados antes esta competição, sendo o único clube do estado a não ter sido rebaixado até então.
Fomos campeões da Série C, mas ninguém se recorda que foram adiantados mais de meio milhão de reais de patrocínio dos anos posteriores, em 2006, e quando o presidente seguinte assumiu, já assumiu endividado para disputar uma série B que já estava num nível de profissionalismo bem maior do que era na década de 90. Não teve outro jeito, caímos de novo em 2007.
Em 2008, com um time mais ou menos, um atabalhoado Raimundo Ribeiro, resolve trocar de técnico antes da última e mais importante partida do ano, que ao menos nos garantiria a permanência na série C. Fomos eliminados e teríamos que conquistar a vaga da Série D. A sede campestre se foi nesse meio, pra pagar as dívidas que se acumularam por má gestão.
Desde 2009, atolados na Série D, sem conseguir sair desse martírio.
Ficamos indignados com o presidente da picareta, que derrubou o pórtico do nosso estádio, singelo, mas pé quente. Não aconteceu nada com ele e passamos por cima.
Tentaram vende-lo pra pagar dívidas acumuladas por má gestão. Não conseguiram, graças a Deus. E quando pensamos nos livrar dos devaneios de mentes alucinadas, eis que vem um presidente pior e resolve derrubar meio estádio, prometendo a reconstrução com o que há de mais moderno. Sem um real no bolso pra pagar tijolo, cimento ou areia. E ninguém falou nada, e nada se fez.
E agora, tentam levar a área do Carrossel para pagar dívidas com a justiça por conta de má gestão. Desde 2009 que se monta um time no início do ano sem saber se vai poder utilizar o mesmo time no segundo semestre.
E todos os presidentes desde então não conseguem entender que pra se ter um time é preciso ter dinheiro, e pra ter dinheiro é preciso ter um lugar para se jogar futebol. O feirante que vende tucupi lá na feira da 25 sabe que ele só pode gastar o dinheiro que ele ganhar e não contar com o dinheiro que pode ser que venha no dia seguinte.
Será possível que não dá pra perceber que neste momento, os campeonatos que estamos disputando são disputados de fevereiro a maio e de julho a outubro? Fora desses meses se tem que pagar jogador com o que se ganhou nos momentos de bonança. Nenhuma conta fecha se não houver o mínimo de controle.
Parece idiotice escrever isso, mas hoje, todos os dirigentes que passaram ao longo dos últimos 21 anos não se lembraram dessa matemática. Todos. E hoje, 21 anos depois, o clube tem em quase toda a sua arrecadação, bloqueios da justiça justamente por gastar mais do que se ganha. Em outras palavras: má gestão.
E vamos jogar o próximo campeonato sem torcida nos primeiros três jogos, de quatro, em casa, na primeira fase. Se passarmos, teremos mais duas batalhas em casa pra sair desse martírio. Por conta e culpa da torcida organizada que nenhum de vocês soube peitar.
Vamos precisar dessa grana, vamos precisar dessa torcida. Mas e agora?
Só um milagre de Nossa Senhora de Nazaré nos tirará deste martírio.
A única solução plausível é que todo remista, de repente, passe a virar sócio-torcedor pra alavancar o time e tirá-lo dessa situação.
Mas sabe por que nós temos um número tão baixo de ST?
Porque ninguém confia em dirigentes como estes.
Porque ninguém dá dinheiro pra quem não sabe se utilizar dele. Ou por incompetência, ou por má fé. Portanto, senhores dirigentes, se você não age de má fé, por favor, entenda o meu apelo: SAIAM DO REMO.
Peguem suas coisas, não olhem pra trás, apenas saiam.
Em mais de 20 anos, olha o que você e seus pares fizeram para o clube.
Bote a mão na consciência e pense. Você vai se perguntar: mas quem vai assumir? Somos todos abnegados, somos todos apaixonados.
Eu te digo: Tanto faz. Não dá pra ficar pior. Deixe que a torcida cuide. Deixe que a torcida eleja pessoas que tirem o Remo desta situação.
Mas, por favor, saia. Não há mais nada o que você possa fazer aí.
O Remo pode ser reconstruído a partir de agora através do programa sócio torcedor, obviamente se o torcedor sentir vantagem de que está agregando. E só se agrega com poder de decisão, e sabendo que as pessoas que estão à frente do clube têm competência para tal. Que se dê poder ao sócio-torcedor de escolher o presidente. Como é nos maiores clubes do país, como no Inter, por exemplo.
E que se crie uma cultura de boa gestão, independentemente de qualquer outra coisa.
Torcedor é apaixonado, não burro.
Mas é preciso que cada dirigente agora faça a sua parte e deixe que novas pessoas, com a cabeça mais moderna, com ideias e valores alinhados com o que é o futebol profissional do século XXI.
Só assim, poderemos reconstruir e reconquistar aquilo que hoje é apenas terra devastada.
O Remo é maior que todos nós e sempre será.

Gols bonitos e decisivos

POR GERSON NOGUEIRA

Um gol pode mudar a história de um jogo e até a postura de um time em campo. Foi o que se viu ontem à noite no empate entre Náutico e Papão na Arena Pernambuco. Depois de perder o primeiro tempo, atuando com pouca movimentação no meio-de-campo e apanhando na marcação à frente da zaga, o time paraense se recobrou na etapa final graças a um lance isolado, executado com perfeição e brilho por seu melhor jogador. Aos 15 minutos, Pikachu cobrou falta rente à barreira e enganou o goleiro Júlio César.

Com muitas dificuldades para criar jogadas e muitos erros de passe, o Papão precisava desesperadamente de um lance redentor. Coube a Pikachu transformar em realidade as expectativas da equipe. Em situação normal, com a bola no chão, tentando enfrentar a forte postura defensiva do Náutico, seria difícil chegar ao gol.

O Timbu pernambucano marca com intensidade quase bovina. Recua praticamente o time inteiro quando está sem a bola. Briga o tempo todo para recuperá-la e parte com determinação e vontade. Mesmo com os desfalques no meio e no ataque, o técnico Lisca escalou um time agressivo.

No primeiro tempo, levou a melhor sobre a marcação do Papão e procurou explorar bem as subidas de Pikachu, que não contava com a devida cobertura. Foi por ali que chegou ao gol, com Pedro Carmona. Tinha em Wiltinho um meia-atacante insinuante, que criava alvoroço com dribles e arrancadas.

Do lado bicolor, sobressaía a personalidade do volante Fernando, que substituiu Fahel. Com bom posicionamento, distribuía passes, combatia e ainda tentava ajudar o ataque. Seus outros companheiros de marcação, Jonathan e Augusto Recife, não mostravam o mesmo desempenho e contribuíam para a intranquilidade da zaga, que andou se atrapalhando em lances bobos durante todo o primeiro tempo.

Depois do intervalo, Leandro Cearense se contundiu e abriu caminho para que Dado lançasse Misael. Rápido e habilidoso, Misael deu a dinâmica que faltava ao ataque e ajudou Aylon a aparecer melhor no jogo. Pena que ambos não tinham a necessária colaboração do setor de criação. Carlos Alberto foi peça decorativa no primeiro tempo e não foi notado no segundo.

O árbitro ignorou pênalti claro de Diego, botando a mão na bola em lance com João Lucas, mas o Papão tinha imensas dificuldades para criar lances de área.

Por sorte, havia Pikachu.

Seu gol – tão decisivo quanto o de sexta-feira em Natal – estimulou a equipe a reagir e acreditar. Animado, o Papão passou a buscar a vitória. O Náutico acusou o golpe e os ataques do time paraense se sucediam. Por volta dos 30 minutos, Dado trocou Jonathan por Edinho, mas deixou para substituir Carlos Alberto por Carlinhos quando o jogo já se encaminhava para o final.

Os donos da casa ainda tentaram aplicar um sufoco, mas não havia mais fôlego, nem consistência ofensiva.

Atuação apenas razoável do Papão, mas resultado excelente.

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De cochilo em cochilo, o Leão afunda

Cacaio pode deixar o Remo a qualquer momento. A notícia trouxe novas preocupações à torcida azulina. Não faltam motivos ao treinador para pedir o boné. Não recebe salários e seu contrato sequer foi assinado – dorme na gaveta do presidente Pedro Minowa, que vive ausente do Baenão.

O técnico, responsável pelo título paraense e a excelente campanha na Copa Verde, também está insatisfeito com privilégios no pagamento de auxílio-moradia a alguns poucos jogadores do elenco. Já foi sondado por Santa Cruz e Paraná.

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Baile argentino à beira do campo

Como citei aqui na semana passada, o Brasil perde de goleada para a Argentina quando o assunto é técnico de prestígio internacional. Só nesta Copa América os argentinos aparecem no comando de seis das 12 seleções. Gerardo Martino (Argentina), Jorge Sampaoli (Chile), José Néstor Pékerman (Colômbia), Gustavo Quinteros (Equador), Ramón Díaz (Paraguai) e Ricardo Gareca (Peru).

Domínio absoluto e incontestável.

A conversa mole dos nossos ditos professores não sensibiliza nem os vizinhos de continente. Na Europa, então, ninguém nem quer ouvir falar em treinador brasileiro, depois das experiências bizarras de Vanderlei Luxemburgo no Real Madri dos galácticos e de Felipão no Chelsea.

Ambos caíram, segundo fontes seguras, principalmente pela aridez de ideias, envelhecimento de métodos e dificuldades de comunicação. Falavam apenas o básico da língua de cada país, estabelecendo uma parede incontornável no diálogo com os atletas.

Além dos problemas de idioma, há também o costume de jogar sempre atrás, preservando o emprego. Os técnicos europeus também fazem isso, mas preservam um mínimo de compromisso com o jogo ofensivo, sabendo que só vitórias garantem a continuidade do trabalho.

Prevalece, acima de tudo, um conceito que condena os profissionais brasileiros ao esquecimento fora do território nacional: a ausência de atualização. Há trocentos anos, os times brasileiros jogam fechadinhos, fazendo rodízio de faltas e usando chuveirinho como tática ofensiva. Parados no tempo, só se criam por aqui mesmo.

Mas a reserva de mercado começa a ser ameaçada. São Paulo e Internacional, duas potências do nosso futebol, fazem apostas em comandantes estrangeiros.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 17)

Rock na madrugada – Creedence Clearwater Revival, Bad Moon Rising

Tribuna do torcedor

Prezado amigo Gerson Nogueira, boa noite.

Prezado Gerson, estou longe, no mar, por força do trabalho, mas estou sempre acompanhando o futebol paraense pela Clube através da internet. Gostaria de deixar um comentário a respeito da questão do sócio-torcedor. Alguns meses atrás acompanhei pela Clube uma entrevista do Presidente do Paysandu, em que o mesmo afirmou ser irreversível a decisão, que somente os sócios-torcedores poderiam assistir aos treinos do Paysandu. Muito justo. Mas seria de bom alvitre não esquecer que durante esses 100 anos de Paysandu, quem esteve sempre apoiando e indo aos estádios foram esses torcedores de arquibancada e geral. Torcedores que na maioria das vezes vão ao estádio a pé , somente com o dinheiro do ingresso. Há de pensar-se no poder aquisitivo da nossa região e principalmente no daqueles que sempre deram ao Paysandu o status de uma das maiores torcidas do País.E são esses mesmos torcedores que continuam a ser renegados e desreipeitados de todas as formas: sofrem para comprar ingresso, sofrem para chegar aos estádios, sofrem dentro , sofrem pra sair, são acuados pela violência de marginais e que no final ainda são culpados quando acontece uma renda mixuruca, como naquela canção do Chico, ainda são culpados pela situação. E o que falar das torcedoras? Perguntem pra elas o sufoco quando precisam ir ao banheiro? É uma Sofrência que dá dó e revolta.Então hoje , o torcedor prefere sentar na mesa de um bar, tomar o seu chopp geladinho, pedir seu tira-gosto, usufruir de um banheiro decente e ainda pagar com cartão de débito ou crédito. Será que esses torcedores estão errados? O que os experts do futebol têm  a fazer, é conquistar a volta desses torcedores de uma forma racional. Cobrar os ingressos ao mesmo valor da mensalidade do sócio-torcedor é dar tiro nos pés. Isto fica para o São Paulo, Internacional, Grêmio, que têm estádios para 60.000 torcedores. Saudações Botafoguenses!!!

Grande abraço

Luiz Carlos da Silva Seixas
Capitao de Longo Curso da Marinha Mercante

Náutico x Papão (comentários on-line)

Campeonato Brasileiro da Série B 2015

Náutico x Paissandu – Arena Pernambuco, 19h30

Na Rádio Clube, Jorge Anderson narra, Gerson Nogueira comenta. Reportagens – Dinho Menezes. Banco de Informações – Fábio Scerni.

Remo pode ter jogos exibidos pela TV Cultura

Por iniciativa do deputado estadual Milton Campos, o clube busca apoio financeiro do governo do Estado para transmissão de jogos da Série D através da TV Cultura. Depois de reunir com autoridades do governo, Campos terá encontro com a presidência da Funtelpa para discutir uma forma de garantir a exibição dos jogos e a consequente verba de patrocínio. As possibilidades existem, pois a TV Brasil detém os direitos de transmissão da Série D e deve transmitir apenas as semifinais e finais. Caso seja fechado acordo, a Funtelpa dá a autorização e a Federação Paraense de Futebol oficializa junto à CBF. Com isso, a TV Brasil poderá liberar a transmissão para sua afiliada, TV Cultura.

Ao mesmo tempo, Milton Campos e diversos outros conselheiros e beneméritos azulinos ficaram de reunir na noite desta segunda-feira visando levantar R$ 200 mil para custear despesas enquanto a Série D não se iniciar. O mesmo grupo não descarta buscar uma aproximação com o presidente Pedro Minowa, oferecendo ajuda para administrar o futebol. (Com informações de Magno Fernandes)

Narrador do Sportv evita falar em Boquete

No último sábado (13), pela Copa do Mundo de futebol feminino, o Brasil entrou em campo e derrotou a Espanha por 1 a 0, gol de Andressa Alves. Com o resultado, a equipe de Formiga e cia garantiu o primeiro lugar do grupo nesta primeira fase da competição de maneira antecipada (ainda enfrentará a Costa Rica). No entanto, algo ainda mais curioso marcou a transmissão da partida.

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Tudo porque, a grande destaque da seleção ibérica tem um nome curioso: Verónica Boquete. Admiradora e “íntima” do futebol praticado pelas brasileiras, a espanhola na realidade estava preocupada mais com a repercussão do seu nome. A jogadora se surpreendeu quando Cristiane e Formiga revelaram o significado de seu sobrenome no Brasil, quando atuaram juntas nos Estados Unidos. E não foi só ela.

Durante o cotejo, Sérgio Maurício e a comentarista Leda Maria, do Sportv, evitaram de todas as formas chamar a atacante pelo sobrenome. Ambos se referiram à jogadora espanhola como “Verónica”, ou “Vero”, nome que aparece em sua camisa. Mas, desde a escalação, a geração de caracteres da TV da Fifa mostrava “Boquete”. A camisa 9 não foi a única a ter o nome completo escondido pelo SporTV. A meio-campista Putellas acabou sendo chamada apenas pelo nome “Alexia”. (Por Rodrigo Salomão)

Papão pode lançar sorteio de carro de luxo

O presidente do Paissandu, Alberto Maia, lançou em forma de desafio via Twitter um projeto ambicioso, para garantir a ampliação do estádio da Curuzu:

“@albertomaiaf: O que vcs acham: vamos sortear um carro de luxo com 2 mil cartelas a R$ 1.000,00 reais para construção da nossa primeira arquibancada? Faríamos uma arquibancada de 2 andares, venderíamos as cartelas até julho e começaríamos a construção e em fevereiro estaria pronta. O carro poderia ser uma Mercedes, BMW, Audi, Jeep ou outra marca de luxo.”

Rock na madrugada – Keith Richards, Wild Horses

Registro do show-tributo ao cantor Gram Parsons, um grande amigo de Keith.

Só Neymar salva

POR GERSON NOGUEIRA

Ouvi um comentarista televisivo dizer que faltou audácia ao Brasil. Não, faltou futebol.  Contra um limitadíssimo time peruano, a Seleção Brasileira confirmou o que já sabemos desde aquela vergonhosa peia de 7 a 1 (sim, sempre precisamos falar disso, para que ninguém esqueça).

Foi um time atrapalhado, como já havia sido nos últimos amistosos. Capaz de errar passes curtos e sem ter um jogador que lembre mesmo de longe aqueles armadores de verdade, como o Brasil já produziu às dúzias em outros tempos.

A vitória sofrida, com gol aos 46 minutos, veio mais pela ação individual do único craque em campo, que vislumbrou um companheiro desmarcado lá do outro lado da área e teve a competência necessária para enfiar a bola entre os zagueiros. Sem Neymar, o Brasil de ontem poderia ter sido tranquilamente derrotado pelo Peru, e não seria um resultado absurdo.

Os erros começam pela defesa, com David Luiz novamente inseguro e espalhafatoso, contribuindo para o gol de abertura dos peruanos. Por sorte, logo a seguir Neymar planejou e executou a jogada que redundou no empate. Lançou bola na direita e foi receber na área, livre de marcação, deslocando para as redes.

O restante da partida foi um castigo para os olhos de quem se acostumou a gostar de futebol pelas jogadas inspiradas, pelos dribles e lançamentos perfeitos. Deu saudades até da troca de passes, algo primário em futebol, pois isso a Seleção de Dunga não faz mais.

O jogo é sempre forçado em direção à área, mas sem criatividade ou organização. Willian, que aparece naquela zona do campo por onde normalmente os meias circulam, é intranquilo e parece ausente, pensando longe. Erra metade dos passes que dá, não consegue completar uma finta e chuta mal, como no lance em que bateu sobre um zagueiro quando o gol peruano estava escancarado.

Se o organizador do time tem perfil tão fraco, dá para imaginar os beques, os laterais, os volantes e os atacantes. Só escapa Neymar, cujas insistentes  reclamações irritaram o árbitro no primeiro tempo e podem ser entendidas como impaciência com os companheiros ruins de bola. Qualquer um se aborreceria com tantos erros, com os passes que chegam muito à frente ou muito atrás, jamais perfeitos.

Dunga jacta-se de um recorde admirável – para ele. Onze vitórias consecutivas desde que o Brasil de Felipão saiu da Copa. A longa invencibilidade parece uma façanha, mas é pura fachada. Pegou pouquíssimas seleções de ponta pela frente. A maioria das vitórias foi na base do 1 a 0 e 2 a 1, refletindo a indigência ofensiva do time.

Dunga deve estar muito feliz com o jogo que a Seleção anda mostrando ao mundo. O Brasil não podia estar mais infeliz com a pobreza técnica do time. Aos trancos e barrancos, pode até vir a ganhar a Copa América, mas o futebol que exibe é feio e triste. Neymar é a notável e solitária exceção e dificilmente uma andorinha só faz verão.

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Um gigante que passou pelo meio-campo

Zito, o homem que segurava as pontas e ditava o ritmo no meio-campo do Santos e da Seleção Brasileira, morreu ontem à noite. Era um médio, função que nem existe mais hoje, substituída pelos volantes de corte mais grosso.

Como não sentir saudade de seu futebol objetivo e técnico, que foi fundamental nos primeiros títulos mundiais do nosso futebol e que geraria anos depois o surgimento de um Clodoaldo atuando na mesma faixa?

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O Remo na hora da verdade

Foi divulgado às 9h39 de ontem pelo conselheiro Heitor de Souza Freitas Filho o relatório final da comissão investigativa que apurou as denúncias de “gestão temerária” do ainda presidente do Clube do Remo, Pedro Minowa.

Na mensagem aos jornalistas, Heitor faz questão de observar que “as denúncias estão comprovadas, ensejando a aplicação da pena de destituição, no que pese a tal comissão ter se investido do poder de julgar e sugerir a ridícula pena de suspensão por 180 dias, enquadrando a situação como se fosse tão somente um associado”.

Acrescenta que o “relatório obrigatoriamente vai para julgamento da Assembleia Geral, que certamente aplicará a punição solicitada por mim e pelo Conselheiro André Cavalcante. Não peço sigilo e vocês podem informar a fonte”.

A correta posição assumida por Heitor descortina o que deve ocorrer na Assembleia Geral, já devidamente ciente das falhas graves cometidas tanto na gestão de Zeca Pirão quanto na de Pedro Minowa.

O que Heitor acentua é a necessidade de uma punição rigorosa dos dois gestores, com especial atenção para o atual, cuja administração se mostrou lesiva aos interesses do Remo. Os erros se acumulam desde janeiro em proporção assustadora, que pressupõe um cenário calamitoso caso o Condel e a Assembleia Geral não freiem as coisas.

A comissão optou por um caminho tortuoso, de abrandar as penas, preferindo avaliar os gestores como meros associados. Não são simples associados, pois foram eleitos para presidir a agremiação e não cumpriram satisfatoriamente suas gestões.

Cabem medidas que sejam compatíveis com o tamanho dos erros e que sejam exemplares para a vida futura do Remo. É fundamental que o Condel faça como no Campeonato Paraense, quando interveio e conseguiu apagar o incêndio, pagando salários de jogadores no período decisivo da competição.

Não é hora de omissão. Associados do clube, bem como a torcida, esperam que providências sejam tomadas de imediato.

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A travessia do grande Brant

Fernando Brant, um grande compositor da nossa música popular mais qualificada, nos deixou na sexta-feira, 12. A coluna de hoje é dedicada a ele, autor de versos como estes, de “Bola de Meia, Bola de Gude”, com os quais sempre me identifiquei muito:

“Há um menino, há um moleque/ morando sempre no meu coração. Toda vez que o adulto fraqueja/ Ele vem pra me dar a mão.”

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 15)