Papão x Atlético-GO será no Mangueirão

A CBF confirmou a mudança de local da partida entre Paissandu x Atlético-GO, na próxima terça-feira, 30. Será no estádio Mangueirão, às 18h30. A alteração foi solicitada pela diretoria bicolor, a fim de garantir uma arrecadação maior. Há, inclusive, a ideia de fazer promoções para facilitar a compra de ingressos.

Ainda a reunião do Condel azulino

Transcrevo a carta enviada aos jornalistas do DIÁRIO pelo sr. Heitor Freitas Filho, conselheiro do Clube do Remo, contendo esclarecimentos e desmentidos sobre a reunião do Condel azulino que puniu Pedro Minowa e absolveu Zeca Pirão:
Srs. Jornalistas,
Como membro do CONDEL do Clube do Remo, me sinto na obrigação de esclarecer alguns pontos criticados pelos senhores, com relação principalmente a “absolvição” do ex-presidente Zeca Pirão. Vamos aos fatos:
1- A responsabilidade pelo posicionamento quase unanime do CONDEL em “absolver” o Ex-Presidente Pirão deve ser creditada a comissão processante instituída para apurar irregularidades na gestão do atual presidente Pedro Minowa.
2- A QUINTA PARTE do estatuto do Remo trata apenas do processo de destituição dos ocupantes de cargo eletivo. O Ex-presidente não ocupa mais cargo eletivo no Remo.
3 – A tal comissão misturou “alhos com bugalhos”, meteu os “pés pelas mãos”  se investiu de atribuições que não lhe competiam e incluiu o ex-presidente no rol dos denunciados. Reconhece isso no relatório. Feriu de morte o soberano estatuto do clube.
4 – O ex-presidente Pirão, deveria ser julgado como mero associado, pelo Codir  que aplicaria então a punição que achasse necessária. Dessa decisão caberia recurso ao CONDEL, que retificaria ou ratificaria tal punição. Isto está definido no art. 46 do Estatuto, mais uma vez desrespeitado pela comissão processante.
5 – Este relatório e tão contraditório que em determinado trecho diz que as penas de exclusão e eliminação, são encaminhadas ao CONDEL e no entanto encaminhou com a penalidade de suspensão.
6 – Em nehum momento o tal relatório quantificou os prejuizos causados ao Remo, para que seja providenciado medidas para seu ressarcimento, que é o mais interessante nesse caso. Não pediu informações ao CONFIS, que aprovou as contas da gestão anterior. Nada disso está no relatório.
Este relatório, não pode ser alterado e nem “desaprovado” pelo CONDEL.. Apenas pode ser criticado, como venho fazendo até publicamente, para que não se especule de forma equivocada o que ocorre dentro do Clube do Remo, passando uma imagem negativa do CONDEL, para a opinião pública e principalmente seus associados, como ocorreu nas colunas dos sennhores no jornal Diário do Pará.
O que vocês acham que o CONDEL deveria fazer? Condenar a pena de suspensão de 180 dias o ex-presidente Pirão, dando a ele o direito de questionar na justiça e tornar tudo nulo? O que o conselho fez foi colocar o bonde nos trilhos da legalidade, ignorando no todo ou em parte o relatório parido pela comissão processante. Agora não haverá questionamentos na justiça que coloque em risco nossas decisões. 
Quanto ao ex-presidente pirão, que não pode mais causar danos ao clube, vamos tratar depois, por ocasião da apreciação pelo pleno da prestação de contas analisadas pelo CONFIS. Primeiro vamos corrigir os rumos do Remo, depois vamos tratar do caso Pirão, obedecendo o nosso soberano estatuto. 
Espero que os senhores publique estas explicações, como direito de resposta como reparo do que informaram equivocadamente ou sem conhecimento de causa. Vocês já tem o inteiro teor do relatório e o estatuto segue anexo, para comprovarem o que informo.
Grato
Eng. Heitor Freitas Filho
Conselheiro Eleito do Clube do Remo

Com sorte de campeão

POR GERSON NOGUEIRA

Em noite de pouca inspiração de seu principal jogador (Pikachu), com excesso de passes errados no meio-campo e abertura de espaços que quase permitiram gols do Vitória no final, o Papão renasceu a tempo e achou um gol salvador aos 50 minutos. O resultado é importantíssimo por garantir a vice-liderança do campeonato e por ter acontecido quando o time fez uma de suas piores exibições no torneio.

Quase ninguém acreditava mais. O time estava extenuado, depois de um jogo muito disputado e de forte marcação. A substituição de Leandro Cearense era necessária desde o final do primeiro tempo. O jogador até tentava, mas pouco conseguia fazer diante da sólida zaga baiana.

Curiosamente, Cearense foi substituído por Carlinhos, meia-armador reserva que vem sendo lançado pelo técnico Dado Cavalcante somente nos instantes finais. Hoje, como ocorreu contra o Paraná, Carlinhos foi decisivo.

Depois de três lances agudos do Vitória, perdendo gols com Elton e Escudero, seria justamente Carlinhos o autor do gol do triunfo bicolor. Com oportunismo e técnica, ele se posicionou junto à área e acertou de primeira, sem defesa para o goleiro. Daqueles lances felizes que fazem um time se tornar ainda mais confiante.

Cabe observar que, além da demora em tirar Cearense, o técnico insistiu com Carlos Alberto, que não consegue tornar o time mais rápido na transição. Como organizador, ele passa muito tempo fora de jogo, sem dar o dinamismo que um time precisa ter a partir da meia cancha.

Pois Carlos Alberto ficou em campo até o final e viu Jonathan ser substituído para a entrada de Edinho, cujo papel era justamente o de dar velocidade a um meio-campo travado. O problema é que, sem Jonathan na cobertura, o lado direito ficou ainda mais desprotegido. Nas costas de Pikachu, o Vitória passou a explorar contra-ataques com grande perigo.

Tudo o que não tinha conseguido realizar de produtivo ofensivamente no primeiro tempo, o time baiano resolveu fazer nos 15 minutos finais. E quase chegou ao gol, apesar do esforço de Ricardo Capanema na marcação. Desdobrando-se à frente da linha de zagueiros, o volante foi fundamental para conter o ímpeto do Vitória depois da metade do segundo tempo.

Mas, como o futebol é generoso e dado a surpresas, os deuses da bola permitiram ao Papão obter uma vitória tão importante quanto improvável nas circunstâncias do jogo. Aos 50 minutos de segundo tempo, tudo fazia crer no empate como resultado final, pois o Vitória desperdiçara as chances que teve e o Papão parecia cansado demais para tentar alguma coisa.

Acontece que Carlinhos, que acabara de entrar, teve tranquilidade suficiente para não desperdiçar a única grande chance surgida no segundo tempo. Um gol de oportunismo e sorte. E, como já pregava Nelson Rodrigues, sem sorte não é possível nem atravessar a rua. Grande triunfo.

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A despedida do Violino

O técnico Carlinhos Silva, que morreu na segunda-feira, passou à história como um dos maiores jogadores de meio-campo que o Flamengo já teve. Era tão bom que ganhou o apelido carinhoso de Violino. De fato, segundo relatos daquele tempo, era o responsável por afinar a orquestra rubro-negra em campo.

E não foram períodos muito fáceis. Teve pela frente o fantástico Botafogo de Nilton Santos, Quarentinha, Didi e, principalmente, Mané Garrincha. Encarava também a força de um Vasco respeitável. Ainda assim, brilhou bastante.

Como treinador, obteve destaque ao montar o time do Remo no final dos anos 80, trazido pelo então presidente Raimundo Ribeiro. O clube buscava repetir com Carlinhos o mesmo sucesso da experiência com Joubert Meira anos antes. E deu tudo certo.

Com Carlinhos, o Remo quase chegou à elite nacional. Só não conseguiu porque foi barrado por uma terrível arbitragem de José Roberto Wright no jogo contra o Bragantino, de Vanderlei Luxemburgo.

De toda sorte, Carlinhos deixou o Remo admirado e respeitado por todos. Não só pelos reconhecimentos méritos profissionais, mas acima de tudo pela elegância nos gestos. Falava em tom baixo, jamais levantava a voz, mas se comunicava como poucos.

Deixa saudades.

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As incertezas voltam a rondar o Leão

Poucas vezes se viu tanta escaramuça política na gestão de um clube. O Remo mergulha novamente em período de incertezas, com a decisão do Conselho Deliberativo, tomada anteontem, de punir o presidente Pedro Minowa e absolver o ex-presidente Zeca Pirão com base no relatório das investigações feitas nas contas e atos das duas gestões.

Pirão escapou por não ser mais presidente. Acabou sendo julgado como um simples sócio, daí a absolvição, segundo explicações de conselheiros presentes à reunião de segunda-feira à noite. Contribuiu para o desfecho o forte apoio de que Pirão desfruta entre os conselheiros.

Por mais que o critério seja aceitável, a medida soou como deliberadamente favorável ao ex-gestor, responsável pela destruição parcial do estádio Evandro Almeida e acúmulo de dívidas trabalhistas que tornam o clube quase ingovernável.

Pedro Minowa, ao contrário, recebeu os rigores da lei e poderá ser destituído nas próximas semanas quando a Assembleia Geral se reunir para deliberar sobre a decisão do Condel. Paga o preço de não ter o mesmo peso eleitoral no Conselho e arca com as consequências de uma administração extremamente desastrada até aqui.

Ficou a impressão de que o Condel perdeu excelente chance de se posicionar à altura dos anseios da torcida, afastando os dois gestores e responsabilizando-os pelos desmandos e omissões que ameaçam inviabilizar o clube.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 24)