Bem pior do que parece

POR GERSON NOGUEIRA

A pergunta é: por que os conselheiros, grandes beneméritos e associados do Remo não tomam uma atitude enquanto (ainda) há tempo de salvar o clube? O que falta para assumirem de verdade a gestão do clube? Um exemplo recente prova que é possível resolver os problemas.

No Campeonato Paraense, com grave crise no elenco e risco de eliminação do time, o Condel entrou em ação, garantiu o pagamento de salários e botou a casa mais ou menos em ordem. Graças a essa providencial intervenção, o Remo conquistou o bicampeonato, foi à final da Copa Verde e assegurou a vaga na Série D.

A situação se repete agora, a apenas um mês da estreia na Série D. Sem receber desde abril, os jogadores iniciaram um boicote aos treinos. Além do vexame público para a instituição, há o prejuízo de natureza técnica. O time não treina, deixa de cumprir a programação estabelecida e põe em perigo a campanha de busca do acesso à Série C.

Na quarta-feira, os garotos sub-20 foram barrados no CT do Carajás por falta de pagamento. Não há copo descartável para os jogadores e funcionários nas dependências do estádio Evandro Almeida.

Como consequência da briga entre gangues organizadas no estádio de Bragança em 2014, o Remo pegou três jogos de suspensão de mando de campo no julgamento realizado ontem no STJD. Com isso, só poderá jogar em Belém a sua última partida pela primeira fase da Série D no final de agosto. Com todos os patrocínios já bloqueados, como serão saldadas as dívidas mensais pelos próximos três meses?

Na Justiça do Trabalho, os advogados conseguiram a suspensão do leilão da área do Carrossel. Enquanto isso, novas ações continuam a chegar ao tribunal. Heranças trágicas da gestão de Zeca Pirão, que se espraiam sobre a não menos aloprada administração de Pedro Minowa.

O Remo, a cada novo episódio surreal, parece confirmar o célebre princípio da Lei de Murphy: tudo que está ruim sempre pode piorar. Em meio à turbulência ainda há dirigente falando em mais contratações!

Alguém precisa controlar os celerados que dominam o clube, fazer com que pelo menos cessem as sandices delirantes. E urge prestar contas também do dinheiro arrecadado, perto de R$ 2 milhões, nos jogos finais do Parazão e na decisão da Copa Verde no Mangueirão.

A essa altura, seria oportuno (e digno) que o presidente fizesse um exame de consciência ante o iminente colapso administrativo-financeiro. Se não há meios de gerir o clube que entregue o bastão pelo bem da instituição.

E que o Condel se mexa, chame para si a responsabilidade neste momento grave da vida do clube, convocando nova eleição ou empossando uma junta governativa – de preferência sem ninguém ligado às duas últimas gestões.

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Em busca da quinta vitória consecutiva

Com o retorno de Carlos Alberto ao setor de organização no meio-de-campo, o Papão tem hoje à noite a missão de buscar a quinta vitória consecutiva na Série B, índice inédito nas competições nacionais disputadas até hoje pelo clube.

As condições são propícias, mesmo levando em conta o potencial do ABC como mandante. Ocorre que, ao longo do campeonato, o time alvinegro tem se mostrado mais pontuador fora de casa. Estreia o atacante Bismarck, que realizou excelente campeonato paraense pelo Remo e se notabiliza pela rapidez e habilidade. Tem ainda o atacante Caíque, seu principal goleador.

Um dos trunfos de Dado Cavalcanti é o fato de conhecer bem a maneira de jogar do ABC. Foi assim que conseguiu armar o Papão para a classificação na Copa do Brasil, derrotando o time potiguar dentro do Frasqueirão por 2 a 1, no mês passado.

De lá para cá, muita coisa mudou no ABC, a começar pelo técnico. Josué Teixeira saiu e Gilmar Dal Pozzo chegou. É um estilo diferente de comandar, mas o elenco sofreu poucas modificações. No geral, a equipe continua ágil ofensivamente, mas com sérias deficiências de cobertura no setor defensivo.

E este pode ser justamente o caminho das pedras para que o Papão tente arrancar um triunfo hoje à noite, em Natal.

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A Seleção e a desesperança

A Seleção Brasileira chega desacreditada à Copa América no Chile. Nem é para menos. Carrega o fardo incômodo da decepção gerada na torcida com o vexame na Copa do Mundo. O trauma foi grande e a ferida não cicatrizou. Certas dores levam tempo para serem curadas.

Na estreia, o Brasil de Dunga enfrenta o Peru de Paolo Guerrero. Em outros tempos, o fato de o time chegar sem maiores expectativas de êxito seria motivo de supersticiosa esperança. Hoje, ao contrário, é sinal de pessimismo mesmo.

Os últimos amistosos mostraram um time econômico na construção de vitórias e pouco inspirado nas articulações ofensivas. Anteontem, contra Honduras, a Seleção conseguiu errar mais passes que o modesto adversário. Alguns jogadores, como Fernandinho e Fabinho, erravam passes curtos.

O ataque vive exclusivamente da chama de talento de Neymar, cujos coadjuvantes são limitadíssimos, ao contrário dos parceiros que tem no Barcelona.

Para piorar as coisas, Copa América tem talvez sua maior quantidade de favoritos ao título. Argentina, Uruguai, Colômbia e Chile estão no páreo. Depois de anos de protagonismo, o Brasil chega desta vez como segunda força.

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Sobre despedidas ilustres

Dois gênios de suas áreas, generosos na contribuição para tornar o mundo bem mais divertido, nos deixaram ontem. A coluna, humildemente, registra as perdas e homenageia Christopher Lee, ator de mil faces, e Ornette Coleman, lenda do jazz.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 12) 

Aviso aos navegantes

Aos amigos e baluartes, informo que estou mudando de cargo no DIÁRIO DO PARÁ. Deixo a chefia de Redação e assumo a função de Editor Responsável, acumulando responsabilidades em outras frentes na estrutura do grupo. E, claro, sigo comentando na Rádio Clube e RBATV, escrevendo no Bola e no blog campeão de acessos – além de finalizar meu primeiro livro e produzir uma atração roqueira para a Diário FM.
Aproveito para agradecer a todos, amigos e colegas e leitores, que estiveram sempre ao meu lado e contribuíram para as muitas e importantes vitórias do jornal ao longo destes 11 anos de minha gestão na Redação.
Outras janelas se abrem e precisamos estar prontos para abraçar o novo mundo e encarar todos os desafios.
Como diria o astronauta solitário Buzz Lightyear, ao infinito e além!