Na era da discriminação digital

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POR RAFAEL EVANGELISTA

Depois das revelações de Edward Snowden, ficou fácil demonstrar como as redes sociais e os serviços remotos na web (como os webmails e os aplicativos de escritório) podem ser utilizados como instrumentos de vigilância pessoal. Mas exemplificar os usos econômicos dessa máquina de vigilância é tarefa mais ingrata. Os dados pessoais e as informações produzidas pelos usuários em suas respectivas interações são usados para alimentar a força econômica das empresas, numa relação que não é transparente e que contém injustiças ainda difíceis de serem concretamente mapeadas, seja pelos movimentos sociais ou pelos pesquisadores da área.
A crescente e promíscua relação entre as empresas de finanças e as grandes companhias de tecnologia de informação e informática do Vale do Silício, na Califórnia, ajudam a deixar essa exploração mais clara. Estão surgindo com força empresas embrionárias (startups) que usam informações dos usuários obtidas nas redes sociais para elaborarem um número, um índice, que determinaria a capacidade de pagamento de um possível tomador de empréstimo. Com isso, as empresas teriam mais segurança sobre quem poderia dar calote e, em tese, poderiam oferecer taxas de juros menores para aqueles que fossem bem avaliados. Na prática, o que vem acontecendo são práticas discriminatórias justamente contra aqueles que mais precisam, os grupos sociais historicamente mais fragilizados: imigrantes, negros, mães solteiras, moradores de bairros pobres etc.
Uma reportagem recente da revista estadunidense The Nation entrevista vítimas do chamada “digital redlining”. O termo redlining refere-se à linha vermelha imaginária feita pelos bancos em determinados bairros pobres, para marcar populações dentro de uma área geográfica e para as quais são praticadas taxas de juros mais altas. Essa exclusão e discriminação agora foi importada para o mundo digital, sendo desenhada não mais sobre um mapa, mas por um robô que integra dados importados, entre outros, de redes sociais. Este reúne a grande massa de dados de redes como o Facebook para determinar juros mais altos para certas pessoas.
Para o pobre, que mais precisa do empréstimo, não se trata de simplesmente estar fora das redes. Essa opção pode ser ainda pior, pois o sistema acaba entendendo a falta de dados como algo suspeito e aplicando as maiores tarifas ou negando transações.
Projetos como o Internet.org, voltados às populações mais pobres, colocam ainda mais pressão sobre as pessoas, forçando sua entrada na rede social e o compartilhamento de informações com as companhias. O Internet.org fornece acesso à internet gratuito, porém limitado a um conjunto de sites, sendo o principal deles o Facebook.
Uma das empresas parceiras do projeto é a Lenddo. O usuário que nela se cadastra e baixa o aplicativo no celular tem acesso a compras online, empréstimos e serviços de colocação profissional. Em troca, permite que suas atividades sejam monitoradas — ações como a interação ou amizade com certas pessoas — e que a partir desse monitoramento seja produzido um LenddoScore, um número que reflete o quanto o usuário é “confiável”. A Lenddo já é oficialmente usada por financeiras das Filipinas para produzir perfis de pessoas que estão fora do sistema bancário. Também dá informações para que telefônicas neguem o acesso a planos de celular pós pagos e fornece informações a empregadores em busca de referências para possíveis trabalhadores.

As populações dos países periféricos, onde o Internet.org já atua, são particularmente vulneráveis, pois o sistema jurídico dá poucas garantias aos cidadãos quanto a abusos e discriminações. Quênia, Gana, Colômbia, Índia, Bangladesh, além das Filipinas, já estão nessa lista. Mas mesmos nos países ricos a complexidade técnica desses instrumentos de predição usando dados de navegação na internet torna difícil comprovar que, por exemplo, o fato de alguém buscar remédios psiquiátricos foi o fator preponderante para ter um financiamento negado.
A Lenddo é apenas um exemplo. Outras empresas de natureza semelhante já atuam, inclusive nos países ricos. Em um dos casos citados pela Nation, uma estudante em dívida com empréstimos educacionais torna-se alvo de crédito predatório a partir de dados coletados em sua atividade online.
A internet, ao mesmo tempo que ofereceu grandes oportunidades para a expansão da criatividade e da liberdade de comunicação, tornou-se um lugar propício para novas estratégias de revitalização do capitalismo, agora baseado na exploração informacional. Vamos passando de um sistema em que o mau pagador era punido para uma estrutura em que o castigo vem antes, pelo cálculo probabilístico do delito futuro. A desigualdade de forças, a assimetria no controle da infra-estrutura tecnológica, o grande poder econômico derivado do controle de grandes bancos de dados das populações são um terreno fértil para o aumento da exclusão e do controle.

Bismarck estreia contra o Papão

Para o jogo desta sexta-feira, 12, em Natal, diante do Paissandu, o ABC terá como atração a estreia do atacante Bismarck, um dos destaques do Remo na conquista do Campeonato Paraense 2015. O departamento administrativo do alvinegro confirmou que o jogador está regularizado e pronto para ser lançado na partida pelo técnico Gilmar Dal Pozzo. Bismarck deixou o Remo depois da Copa Verde atraído por uma boa proposta do ABC para a disputa da Série B.

Dinossauros em extinção?

DO OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

“Os ascensoristas foram substituídos por botões automáticos. Operários, nas fábricas, foram substituídos por robôs. Os caixas bancários foram substituídos por caixas eletrônicos. A empresa digital Amazon acabou com as livrarias e as lojas de música. O próximo será o jornalismo porque existem no mundo três bilhões de pessoas com smartphones que são ‘plataformas extraordinariamente poderosas para o jornalismo’. Neles, as pessoas podem escrever textos, bater fotos, gravar vídeos e, em seguida, transportá-los gratuitamente para a internet.”

A opinião é de Michael Rosenblum, fundador da Current TV. Seu argumento é simples: não há qualquer obstáculo para ser um jornalista. Qualquer um pode sê-lo. A diferença é que, hoje, o conteúdo produzido por qualquer pessoa encontra público diretamente nas redes sociais. Desta forma, o jornalista profissional se torna obsoleto.

“Todos gostamos da ideia de um carro sem motorista. Exceto que ela acaba com caminhoneiros, taxistas, motoristas de ônibus etc. A maior empresa de taxis do mundo, a Uber, não possui um único taxi. A maior empresa de hotéis do mundo, o Airbnb, não possui um único quarto de hotel. Num futuro não tão distante, a maior e mais poderosa empresa de mídia do mundo não dará emprego a um único jornalista”, sentencia.

Economia perigosa

O professor de jornalismo Roy Greenslade, que possui uma coluna no site do jornal britânico The Guardian, avalia o discurso de Rosenblum. “É claro que estamos caminhando na direção indicada por Rosenblum”, diz. “Entretanto, a pergunta que ele não faz é se isso será benéfico para o jornalismo e, por extensão, para o público.”

Greenslade pondera que, cada vez mais, os grandes jornais tradicionais demitem jornalistas de suas equipes. Muitas redações estão repletas de estagiários ou freelancers. Muitos deles trabalham quase de graça, por longos períodos.

Por outro lado, o conteúdo produzido por usuários, anunciado como uma espécie de virtude jornalística, é aceito como material jornalístico simplesmente porque é gratuito, não por ter um valor concreto. “A suposta virtude de um jornalismo do povo, feito pelo povo e para o povo não passa de uma maneira dos donos de jornais maximizarem seus lucros”, ressalta Greenslade. As empresas jornalísticas utilizam a tecnologia como uma maneira de reduzir os custos trabalhistas, e não como uma forma de democratizar e, portanto, melhorar seu conteúdo editorial.

Greenslade aponta para a diminuição do pagamento para freelancers na última década e para o enxugamento das redações, o que faz com que “meia dúzia de homens e mulheres com talento jornalístico concreto” produzam jornais com o mínimo de conteúdo possível.

Nada a comemorar

“Encher páginas com pseudojornalismo é, e sempre foi, fácil”, diz. “Isso pode ser feito, mas, além do lucro, o que se ganha com isso? O que o público ganha com isso? Um ex-aluno meu disse-me, no outro dia, que trabalha para um grupo em que um cidadão é o editor de 17 jornais locais semanais. Pode ser feito. Está sendo feito. Mas qual é o valor disso?”

O professor afirma que este “não é o jornalismo cooperativo que buscávamos, o jornalismo-cidadão que tanto nos entusiasmou desde o surgimento da internet”. Ele tem a aparência de jornalismo, mas é uma falsa atividade.

Não é que Michael Rosenblum esteja errado, mas não há nada a comemorar, afirma. “O jornalismo não é o equivalente a pagar uma corrida de taxi, ou repetir como um robô a tarefa de uma linha de montagem, ou alugar uma casa para as férias. É uma atividade criativa que protege a democracia ao questionar os que estão no poder.”

E, para que esta atividade possa ser feita de maneira correta, é preciso jornalistas apropriadamente remunerados por utilizarem seu talento em nome das sociedades em que funcionam. “Se o emprego do jornalista profissional realmente morreu, então morremos todos nós, pois isso significa que a própria democracia vem sendo ameaçada de extinção”.

Tradução: Jô Amado, edição de Leticia Nunes. Com informações de Roy Greenslade [“Democracy will die if professional journalists go to the wall”, The Guardian, 7/4/15] e Michael Rosenblum [“The Job of Journalist Is Finished”, Huffington Post, 29/3/15]

O negócio chamado comunicação

POR LEONARDO RODRIGUES

Antes, uma entre as muitas definições do jornalista era a de reportar ao grande público informações e imagens do que acontecia nas ruas. Atualmente, qualquer adolescente com seu smartphone pode em segundos enviar fotos e textos para qualquer pessoa ou veículo, e em qualquer parte do mundo. Existem hoje aparelhos e aplicativos que permitem ao cidadão comum viver seu momento de repórter. Condições e capacitações recomendáveis à profissão passaram, com os anos, de obrigatórias para opcionais. Mas, em que momento a tecnologia relativiza o jornalismo e o ameaça?

As mudanças não apenas tornaram mais difícil conceituar os profissionais de comunicação, como trouxeram crise aos negócios. As empresas que tinham por hábito procurar profissionais com “tarimba” para a eles associar suas marcas, atualmente pesquisam referências de popularidade com o objetivo de expandir seu alcance e aumentar o número de cliques.

Os reflexos do cenário são perceptíveis. Isso porque qualquer veículo de comunicação é, antes de tudo, um negócio, e como tal preza por fontes de receita. Mas tais fontes se sustentam, e em grande parte, na publicidade, que por sua vez se abriga onde há audiência. Em paralelo, o fenômeno de as pessoas se informarem mais por redes sociais do que por veículos tradicionais de informação faz a receita com a propaganda se dispersar, em velocidade crescente. Isso obriga as grandes mídias a cortar gastos, a enxugar a folha de pagamento e, em alguns casos, ao encerramento das atividades.

Na maioria das vezes, os jornalistas não trabalham para outro jornalista. Antes, se reportam a um empresário. O fato revela hierarquia e aponta para quem tem a última palavra. A tomada de decisão é, em geral, coerente com o que ele entende por prioridade.

Não se pretende aqui sinalizar que a tecnologia e seus avanços são algo ruim. O desenvolvimento de novas ferramentas propicia um processo de quebra de paradigmas. Tal processo, por estar ainda em ebulição, promove mudanças de mercado que, neste instante, não nos permitem vislumbrar novos modelos de negócio/comunicação ainda não criados, ou mesmo imaginados. Há hoje mais dúvidas que respostas. Algo não muito palatável, mas natural do movimento de renovação na era da informação.

Espaço pensante

O comunicador moderno se percebe diante da necessidade de dar novos significados ao que já tinha por concreto. Reflexões sobre novas medições de feedbacks, sobre avaliações do que se entende por sucesso no jornalismo atual, ou ainda sobre a busca de sincronia entre ser ao mesmo tempo rentável e relevante vieram substituir outros questionamentos que faziam parte da sala de aula nas faculdades de comunicação social, como, por exemplo, a existência de imparcialidade, ou não. Os tempos são outros, as questões também. E ainda não há respostas prontas.

A ameaça ao futuro do jornalismo não está no avanço da tecnologia. Antes, os riscos se encontram se o universo acadêmico não se apresentar como espaço pensante para novas ideias e buscas (ou construção) de novas respostas. Há certo tempo, as instituições tidas por academias abriram mão do experimento e da criação. Com isso deixaram de oxigenar o mercado para apenas produzir profissionais pasteurizados e em fôrmas. É cada vez mais rara a originalidade na academia. Cada vez mais os diferenciais das faculdades evaporam, para se apresentarem como irmãs gêmeas.

É preciso ousar. O risco, o pensar, o cair e o levantar cabem à atmosfera das universidades. Elas precisam se mostrar como esperança na construção de novos horizontes. Para a comunicação, o exterminador do futuro não são as máquinas, mas a acomodação. A essas instituições roga-se ousadia para não se conformarem com o status quo. Assim como a tecnologia, devem quebrar paradigmas e assegurar vida longa ao negócio chamado comunicação.

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Leonardo Rodrigues é jornalista e chargista.

Alberto Maia, o melhor presidente do Papão?

POR CLÁUDIO SANTOS

Isso mesmo, amigos do blog. Venho acompanhando o trabalho feito pelo presidente Alberto Maia à frente do PSC. Já conversei algumas vezes com ele no programa “A Turma do Bate Papo”, na Rádio Clube e, ontem, no mesmo programa, tive a oportunidade de conversar bastante com ele, ao vivo e em Off e pude constatar que ele, é falador, fala sem pensar em determinadas ocasiões, “briga” com muitos, inclusive com seu torcedor, mas ele tem o que se deve esperar de um presidente nos titãs: “Amor ao Clube”… Isso mesmo, tudo que ele faz, é pensando no clube e não nele.. No Remo, é diferente.. Alberto Maia, pode não ter a simpatia de muitos, como tinha o Vandick, mas não tenho dúvidas que ele é muito mais presidente que seu antecessor e, se tiver sucesso no futebol, não tenho dúvidas que caminhará para essa façanha. Administrativamente, hoje, PSC é o melhor de todos os tempos, mesmo Alberto Maia tendo pouco tempo à frente do clube Alviceleste.

Barrados no baile

Após o Barcelona conquistar o pentacampeonato da Liga dos Campeões no último sábado, ao vencer a Juventus em Berlim, a Uefa divulgou no início da semana a lista dos jogadores que foram campeões pelo time catalão. No entanto, os nomes do brasileiro Douglas, do belga Vermaelen, do chileno Bravo e do espanhol Masip não aparecem na relação, apesar de os atletas terem viajado a Berlim e, inclusive, ganhado medalhas.

Para a entidade que coordena a Liga dos Campeões, os quatro jogadores não foram considerados campeões por não terem atuado em uma partida sequer. O brasileiro Douglas, contratado do São Paulo na última temporada, teve poucas oportunidades de atuar com Luis Enrique e foi à Liga dos Campeões apenas como opção no banco de reservas. Antes alternativa ao titular Daniel Alves, Douglas não venceu a concorrência com os demais.

Souza vai deixar saudades?

Sem chances no time titular desde o fim do Campeonato Paraense, o veterano Souza pode estar de malas prontas para deixar o Paissandu. Segundo pessoas ligadas ao centroavante, ele estaria desmotivado e disposto a repetir o gesto de Rogerinho, que preferiu sair para procurar outro clube. Na Curuzu há mais de três meses, Souza teve inicialmente problemas de condicionamento, mas vem treinando com afinco e é um dos mais bem preparados do elenco no aspecto físico, segundo o próprio técnico Dado Cavalcanti em entrevista ao programa “Bola na Torre”.

A insatisfação do jogador com a reserva só tem aumentado nos últimos jogos, quando o técnico opta por jogadores de maior mobilidade para formar o ataque. Leandro Cearense, Aylon, Edinho, Misael e Bruno Veiga tem sido escalados regularmente e Souza só tem entrado nos instantes finais dos jogos.

Um complicador na situação é que Souza tem o maior salário do elenco (na faixa de R$ 50 mil), não dando a resposta esperada pela diretoria. Seu retrospecto é pífio: nos 13 jogos (apenas cinco como titular), marcou um gol, na goleada de 9 a 0 sobre o São Francisco no returno do Parazão.

O começo do fim da era da primeira página

POR CARLOS CASTILHO (*)

O primeiro sintoma da nova tendência surgiu com o acordo entre a rede social Facebook e sete grandes jornais, revistas e telejornais da Europa e Estados Unidos. Agora ganham força os rumores de que a empresa Google está desenvolvendo um projeto batizado como “notícias em contêineres” (containerized embeddable article) que, se for posto em pratica, marcará a agonia das primeiras páginas como porta de entrada paraprimeira pagina a leitura de notícias.

Além disso, consagrará a transformação dos jornais, revistas e telejornais em produtores de conteúdo disputando audiências com milhares de blogueiros e produtores autônomos de páginas noticiosas na web. As milionárias empresas que imprimem e distribuem publicações impressas, bem como os canais abertos que transmitem telenoticiários, perdem o que já foi um poderoso filão de negócios e terão que buscar a sua sobrevivência noutros ramos da atividade editorial.

O projeto Instant Articles, lançado há semanas pelo Facebook, permite aos usuários da rede ingressar pela porta do lado nos conteúdos editoriais do The New York Times, The Guardian,Bild, das revistas The Atlantic, Spiegel Online,National Geographic e dos telejornais da BBC News. Cria-se assim um quiosque virtual onde as pessoas acessam artigos e não as publicações.

Foi a primeira grande derrota dos grandes jornais do planeta no esforço contra a transformação irresistível das empresas digitais em coprodutoras de conteúdo. A grande reclamação da imprensa era de que as redes sociais canibalizavam os jornais, revistas e telejornais sem pagar nada. Na Europa houve até ações judiciais contra a empresa Google, responsável pelo projeto Google News, que publicava notícias selecionadas entre mais de quatro mil jornais do mundo em mais de 10 idiomas diferentes.

Os “contêineres” noticiosos poderão circular livremente pela web como pacotes fechados, incluindo publicidade, sem pagamento de direitos autorais. A empresa Google dará um passo adiante do Facebook na construção de uma nova mega aliança na mídia internacional, reunindo de um lado a nova geração de milionários online surgida no Sillicon Valley e as empresas tradicionalíssimas no jornalismo mundial.

Tudo em nome do dinheiro, já que as redes sociais se transformaram no principal palco da visibilidade pública e os jornais preferem perder os anéis para manter os dedos em matéria de receitas publicitárias. Outra mudança importante sinalizada pelos novos movimentos no xadrez da mídia mundial é a perda de relevância dos direitos de autor, antes zelosamente preservados pelas empresas.

São todas mudanças que poderiam ser consideradas naturais e inevitáveis num mundo que está em rápida transformação no que se refere à produção e distribuição de dados e informações. É a transição de um modelo de comunicação para outro. Os jornais e telejornais perderam a exclusividade da notícia de atualidade e estão sendo obrigados agora a apostar na informação contextualizada, na reportagem investigativa e no uso de bases de dados para sobreviver.

Mas mesmo nessas áreas o futuro é incerto porque se multiplicam as páginas web de especialistas independentes nos mais diversos ramos do conhecimento humano, bem como cooperativas de jornalistas investigativos e analistas de dados capturados na chamada internet das coisas. A publicidade é outro segmento que já está quebrando paradigmas, pois o controle do fluxo de visitantes torna-se mais relevante para a monetização dos anúncios do que o total de visualizações.

Em meio a tantas incertezas, uma coisa parece, no entanto, quase certa: os usuários de páginas noticiosas na web terão mais poder para mudar as regras do jogo do que os leitores de jornais ou revistas impressos, por exemplo.

(*) No Observatório da Imprensa