“Aécio Neves presta hoje homenagem especial ao Pai da Aviação.”
De Palmério Dória, jornalista.
“Aécio Neves presta hoje homenagem especial ao Pai da Aviação.”
De Palmério Dória, jornalista.
Campeonato Brasileiro da Série C
Águia x Paissandu – estádio Zinho Oliveira, em Marabá, às 16h
Na Rádio Clube, Cláudio Guimarães narra. Reportagem – Dinho Menezes e PH.
Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo
Com os amigos que tem no PSDB, Geraldo Alckmin deve ao menos proteger as costas. Enquanto se ocupa de sua promissora campanha eleitoral, os parlamentares do PSDB que passam por Brasília qualificam como crime, e querem submetida a processos, “a armação” de parlamentares governistas e funcionários que prepararam depoentes da Petrobras para inquirições no Congresso. Bem, isso é o que senadores e deputados do PSDB aparentam à primeira vista.
Os adversários de Geraldo Alckmin jamais o identificaram com crime de qualquer espécie. Não é assim, porém, a conduta dos seus companheiros. Se atos de determinadas pessoas são criminosos, outras que os cometam, idênticos, incidem também em atos criminosos. Eis, então, o que há apenas 62 dias era publicado no Painel da Folha:
“Preocupado com a CPI mista que investigará o cartel do metrô, o governo de São Paulo começou a treinar os parlamentares do PSDB escalados para defendê-lo. Nesta quarta (4), foram ao Congresso Marcio Aith, subsecretário de Comunicação, e Roberto Pfeiffer, representante da Corregedoria do Estado” [a nota continuava].
Exatamente as providências de que os deputados e senadores ligados ao governo federal estão acusados, a propósito das CPIs sobre as suspeitas de corrupção levantadas contra a administração passada da Petrobras.
Pode-se admitir que Geraldo Alckmin não soubesse das providências de sua assessoria. O senador Aloysio Nunes Ferreira não admite. Disse ele, responsabilizando Dilma Rousseff pelo apontado acerto entre inquiridores governistas e depoentes da Petrobras: “Seria impossível que ela não soubesse que estava se armando este crime contra uma instituição da República” [o Congresso e sua CPI]. Se é “crime” e o governante dele tem conhecimento inevitável, Alckmin e Dilma estão igualados pelo candidato a vice-presidente na chapa de Aécio Neves, tanto no conhecimento como no crime.
O Painel informava ainda:
“A ordem é reduzir os danos à campanha de Geraldo Alckmin à reeleição. O presidente do PSDB paulista, Duarte Nogueira, defendeu atenção redobrada à CPI: ‘Sabemos que o PT tentará usá-la para atacar nosso governo’. O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), também foi à reunião. Os tucanos lamentam não poder contar com o deputado Carlos Sampaio (SP) na defesa do governo paulista. Ele já estava escalado para fustigar o Planalto na CPMI da Petrobras”.
Por incompetência açodada ou descuido preguiçoso, para não falar em omissão hipócrita, os parlamentares do PSDB decidiram explorar eleitoralmente a denúncia sensacionalista de uma banalidade, no entanto, também por eles praticada. Com igualdade até no objetivo eleitoral que atribuem aos governistas: “A ordem é reduzir os danos à campanha” de Alckmin.
Em obediência ao seu zelo pela ética parlamentar, Renan Calheiros, presidente do Congresso, decidiu que uma comissão investigue a denúncia de “armação” na CPI da Petrobras. Mas, até por experiência própria, ou a das suas vaquinhas coadjuvantes em certo inquérito do Senado, Renan Calheiros sabe que os partidos se representam nas CPIs para a defesa combinada de seus correligionários e ataque combinado aos adversários. Farsa, como sabe a imprensa, é fingir que as CPIs não são assim.
Por Gerson Nogueira
O confronto deste domingo entre Águia e Papão, válido pela Série C, reflete bem o estágio atual do futebol paraense. Os dois principais representantes do Estado em competições nacionais entram em campo lutando para não cair, depois de ficarem atrás de oponentes bem mais modestos durante toda a primeira fase do torneio. O clima é de desespero total, embora no caso bicolor isso venha disfarçado de uma aparente (e falsa) tranquilidade.
Sem vencer a oito partidas (duas pela Copa do Brasil), o Papão tem todos os motivos para se preocupar. Caso perca ou empate hoje provavelmente terminará a rodada na zona do rebaixamento e cada vez mais distante do bloco dianteiro na classificação. Além disso, um mau passo deflagrará um processo de mudanças internas até hoje adiado pela diretoria.
Uma vitória terá o efeito de um bálsamo, pois restituirá a confiança da própria equipe, manterá o técnico Vica no cargo e ainda vai tirar de combate um adversário direto no grupo.
Para obter tão importante objetivo, o treinador decidiu arriscar de vez. A necessidade normalmente leva as pessoas a essa decisão, mas não precisava exagerar. Lança dois jogadores que chegaram há apenas três dias, sendo que um deles (o atacante Rômulo) não disputa jogo oficial há quase um ano.
Rômulo será o centroavante, ao lado de Pikachu, que ainda não se adaptou ao papel de segundo atacante. Na zaga, o estreante é Fernando Lombardi, cuja missão é ajudar a fechar um setor que já sofreu 14 gols nos últimos seis jogos. Por tabela, funcionará como esperança de resgate do bom futebol de Charles, que nunca mais foi o mesmo depois do Parazão.
Nada impede que essas apostas de Vica funcionem às mil maravilhas, mas é um tiro no escuro. Os jogadores que estreiam podem ser bons tecnicamente, mas acabaram de chegar e dificilmente poderão disputar os dois tempos.
Por outro lado, o técnico tem lá seus motivos para agir assim. Afinal, desde que assumiu o barco as coisas pararam de dar certo no Papão. Mal ou bem, com Mazola Jr. o time tinha um desempenho ofensivo expressivo, conseguindo se posicionar como dono do melhor ataque do país no primeiro semestre.
Vica herdou um plantel desfalcado de seu principal artilheiro (Lima) e de um dos zagueiros titulares (João Paulo). Com as peças disponíveis, ficou testando escalações, até se fixar no sistema de dois volantes e dois meias. Quanto aos marcadores, nenhuma inovação. Mas, ao utilizar dois jogadores de criação, buscava dar mais ofensividade ao time, o que não aconteceu. Pior: a presença dos armadores enfraqueceu o meio-campo, pois com Mazola o setor tinha três volantes a guarnecê-lo.
O Águia é um imenso ponto de interrogação. Reencontrou a vitória em casa contra o Cuiabá na penúltima rodada, mas voltou a cair na rodada passada. Perdeu para o Botafogo-PB, em João Pessoa, mesmo jogando com desenvoltura no primeiro tempo. Sente falta, como ocorre com o Papão, da consistência e regularidade do antigo esquema, usado por João Galvão.
Diego Palhinha e Valdanes são os motores do time, capazes de criar problemas para qualquer adversário no Zinho Oliveira. A dúvida que atormenta a torcida marabaense é se o ataque (com Danilo Galvão e Aleílson) conseguirá funcionar e se a zaga não repetirá os deslizes costumeiros.
Definitivamente, Papão e Águia neste momento se parecem até na insegurança. Sinal de jogo emocionante hoje à tarde.
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Atração internacional no Baenão
Belém deve ser a cidade mais refratária a partidas amistosas. O torcedor paraense só prestigia jogos que valem ponto ou taça. Prestigiar amistoso é por assim dizer um programa de índio.
Desta vez, a situação é um pouco diferente. O visitante representa uma escola em franco crescimento no futebol mundial. A Etiópia, mesmo não tendo maior tradição, tem feito boas participações na Copa da África e nas eliminatórias da Copa do Mundo.
Um time que tem condições de criar sérias dificuldades para o Remo, cuja inconstância é o maior dos problemas do técnico Roberto Fernandes. Mas, ao contrário do que se imaginava, a intenção de Fernandes é lançar um time mesclado de titulares e reservas.
Perde assim uma boa oportunidade de por à prova seu time principal, tão carente de maior entrosamento e alternativas de jogo. As novidades ficam por conta das estreias do atacante Alvinho e do meia Marcinho, reforços que o Remo ainda não teve oportunidade de usar na Série D.
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Festa para a Estrela Solitária
Com a fibra inquebrantável dos grandes alvinegros, o amigo Pedro Paulo da Costa Mota lembra que nesta terça-feira, 12, o Botafogo completa 110 anos de fundação. Todo mundo sabe que nosso amado clube passa por fase das mais tormentosas, mas a Estrela Solitária jamais deixará de brilhar.
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Dinheiro demais, bola de menos
De vez em quando, o fenômeno se repete. Agora é a vez de Kaká, Robinho, Pato. O futebol paulista se cerca de velhas novidades e de uma eterna aposta que não vingou. O torcedor, cético, não embarca na onda. Os milhões que sustentam as transações são estonteantes, mas a bola – essa coitada – é cada vez mais anã.
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Bola na Torre
A rodada da Série C para os times paraenses é o tema principal do programa. Guilherme Guerreiro comanda, com participações de Ronaldo Porto, Valmir Rodrigues e deste escriba baionense. Na RBATV, à 00h15, logo depois do Pânico na Band.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 10)
Por J. Carlos de Assis, via GNN
Que “Veja” e Tevê Globo, por força de seu proselitismo de extrema direita, inventem um escândalo relacionado com a CPI da Petrobrás para desacreditar o Governo, nada de novo. Que os dirigentes do Senado e da dita CPI levem isso a sério, ao ponto de determinar investigações, é extremamente grave. Significa que não há um processo preliminar de avaliação de pseudo-denúncias pelo qual alguém que ostente a credencial de Senador da República acabe passando o recibo de ser um simples idiota.
Já fui secretário de CPI da Câmara dos Deputados. Era comum que fizesse uma lista de perguntas sobre questões específicas aos depoentes. Meu interesse, na condição de auxiliar da instituição CPI, era o esclarecimento de fatos e de situações de seu interesse. Jamais passaria pela minha cabeça esconder minhas perguntas. Não estava num programa de pegadinhas na televisão. Meu interesse não era forçar contradições do depoente, mas colocá-lo diante de questionamentos objetivos para trazer a verdade à tona.
Já auxiliei pessoas a prestarem depoimentos em CPI ou a participarem de debates públicos. Meu papel, nesses casos, tem sido o de simular à exaustão respostas a possíveis perguntas ou respostas a diferentes questionamentos de conhecimento público, incluindo prováveis provocações por interesses escusos. Só um idiota vai para uma inquirição pública ou debate sem alguma forma de preparação. Em geral, nossa memória é fraca. E numa situação em que há algum nível de hostilidade ideológica, todo cuidado é pouco.
O “crime” postulado por “Veja” e catapultado em nível nacional pela Globo, num conluio explícito para desacreditar o Governo, consiste na afirmação de que depoentes vinculados à Petrobrás tiveram acesso a perguntas que seriam feitas na CPI. Ora, ou essas perguntas são objetivas, visando a algum esclarecimento efetivo, ou são pegadinhas, para forçar contradição do depoente. No primeiro caso, a antecipação da pergunta, se houve, não teria qualquer efeito no esclarecimento dos fatos. Contudo, se é uma pegadinha, não tem nenhum efeito objetivo sobre o curso da CPI, exceto, talvez, a humilhação episódica do depoente.
Entretanto, essa não é propriamente a questão, mas seu contexto. O fundamental é que não se pode fazer uma investigação no Senado sobre algo que não existe. Acaso seria crime um depoente ter acesso a perguntas a que seria submetido? Acaso preparar um depoente para responder perguntas na CPI seria crime? Onde está a fraude? Preparar-se adequadamente para uma CPI honra a instituição do Congresso.
O depoente poderia simplesmente chegar lá e calar-se. Naturalmente que, para “Veja” e Tevê Globo, o espetacular, para mexer com a emoção do povo, seria que alguém, pego de surpresa, cometesse o percalço de confessar algum crime na CPI a fim de que saísse de lá com algemas. Isso, já se viu, não acontecerá na CPI da Petrobrás simplesmente porque não houve crime. Portanto, é preciso inventar algum na sua periferia.
No meu tempo de jornalismo, inaugurei no Brasil o jornalismo investigativo na área econômica denunciando vários escândalos financeiros do período da ditadura, ainda na ditadura. Era um trabalho solitário. Não havia ajuda da Polícia Federal, que na época só se preocupava em prender comunistas; não havia apoio do Ministério Público e da própria Justiça (com raríssimas exceções), serviçais do poder militar; ou do próprio conjunto da imprensa, que se mantinha omissa com medo do Governo ou do anunciante.
Não obstante, com o apoio de meu jornal, pude enfrentar grandes blocos de poder político e econômico pela razão elementar de que tinha uma premissa: na denúncia, é preciso ter um código de ética que leve em conta a solidez das provas, a clareza do crime ou da irregularidade, e a inequívoca identidade dos autores.
O código de “Veja” é diferente. Em vez de provas, basta-lhe uma gravação que algum agente desonesto da Polícia ou um espião privado lhe entreguem comprometendo, num contexto nebuloso, alguma pessoa suspeita de governismo; é totalmente dispensável identificar a ação denunciada como crime ou irregularidade; os autores podem ser difusos, desde que comprometam de alguma forma o Governo. Assim, coma gravação deturpada de um lado e o apoio da Tevê Globo do outro, “Veja” produz um escândalo com som retumbante o suficiente para que o Senado a leve a sério.
Em três livros sobre a patologia dos escândalos da era autoritária – A Chave do Tesouro, Os Mandarins da República e A Dupla Face da Corrupção -, em vez de me limitar à história dos escândalos em si, procurei mostrar a institucionalidade que permitiu sua eclosão. Vou fazer o mesmo, resumidamente, para que se entenda a patologia dos “escândalos” denunciados por Veja.
A revolução da informática expulsou os jornais da notícia; como reação, o jornalismo escrito tenta se refugiar na análise. A revista ficou com seu espaço diminuído, porque está distante da notícia (diária) e com pouca eficácia na análise, campo dividido com os jornais. Como consequência, seu campo favorito tornou-se o escândalo. Notem que, de duas em duas semanas, “Veja” expõe um, às vezes elevando roubo de galinha a categoria de grandes escândalos. Quando nem isso existe, ela inventa. Daí a “fraude” na CPI.
P.S. Para que não me interpretem equivocadamente, devo dizer que não sou governista, não sou do PT nem apoio integralmente a política do PT. Admiro as políticas sociais dos governos Lula e Dilma, mas discordo de sua política macroeconômica, que considero responsáveis pelo mau desempenho da economia brasileira. Não obstante, não saio por aí inventando escândalos para dar suporte a candidatos neoliberais de extrema direita na atual disputa eleitoral.
J. Carlos de Assis – Economista, doutor em Engenharia de Produção pela Coppe-UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB, autor de mais de 20 livros sobre economia política brasileira.
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