O Joaquim Barbosa do subúrbio

Por Nirlando Beirão

O jornalismo da Globo pretende salvar o mundo. No mínimo, isso. Lembra aquele hirsuto matutino paulistano que, em seus editoriais trovejantes, bombardeia as lideranças mundiais com torpedos pedagógicos de como administrar o gênero humano.O Jornal Nacional e seus subprodutos enveredaram por aí, em esgares de caricatura, dirigido por um Ali Kamel que prenuncia, já no nome, sua vocação messiânica de fanático fundamentalista.

b3620487-9714-4c17-8110-23be889d1466Quando a gente vê o subchefe William Bonner se investir da fachada carrancuda de apóstolo da ética e da decência, na simulação risível de um joaquim barbosismo de subúrbio, não cabe levar a sério, nem estranhar, nem rebater – apenas gargalhar. É uma piada a atitude de Bonner e de sua parceira de bancada, coitadinha. Aquela Globo fundada à sombra dos lucrativos negócios do doutor Roberto Marinho falando em ética e decência… me esperem aí que vou lá fora gargalhar.

O mais divertido é que, além de redimir a humanidade dos pecados alheios (por exemplo, do PT e dos “mensaleiros”), a Globo, viaJornal Nacional, estufa o peito na pretensão desmedida de, em “sabatinas” de 15 minutos, iluminar corações e mentes de milhões e milhões de eleitores. É como se aquele interrogatório, em geral chatíssimo, trouxesse o toque de uma revelação sobrenatural, quem sabe do Espírito Santo em pessoa, ali reencarnado pelo âncora escanhoadinho.

A título de preservar uma isenção que nunca teve, uma imparcialidade para lá de farisaica, o Jornal Nacional distribuiu caneladas grosseiras e insultos generalizados. Ao tentar contaminar o horário, hum, nobre com a ambiência de ódio que por aí germina, em prol da pauta eleitoral que tentou ocultar, o jornalismo da Globo deixa cair a máscara da grande pantomima que encena.

O animal das baquetas

Por Álvaro Oppermann, na SuperInteressante

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Esqueça Jim Morrison, Janis, Hendrix. O verdadeiro selvagem da história do rock- e que morreu por isso – foi Keith Moon

Keith John Moon acordou cedo no dia 7 de setembro de 1978, em Londres. Começou a ver um filme de horror. Às 15h40, sua namorada acordou e reparou no silêncio. O corpo de Moon jazia no chão, morto pela ingestão de 32 cápsulas de Heminevrin, um remédio para o alcoolismo.

Poucos personagens na história do rock tiveram uma vida tão movimentada quanto ele. Mas ao contrário de Kurt Cobain ou Janis Joplin, Moon não reúne multidões de fãs em seu túmulo. Era polêmico e inconveniente demais até para os padrões do rock ’n’ roll.

Nasceu em 1946. Aos 18, conheceu Pete Townshend, líder de um grupo de nome enigmático: The Who (“Os quem”, em inglês). Sem muita técnica (aprendera a tocar bateria quase sozinho), Moon impressionou pelo estilo forte e veloz. Era boa-praça e fazia palhaçadas nos ensaios. Em 1965, a banda estourou e eles se tornaram os garotos malvados da Inglaterra. Townshend quebrava guitarras no palco e Moon incendiava a bateria com fogos de artifício. A quebradeira continuava fora dos shows: Moon fraturou 3 vezes o nariz da esposa, a modelo Kim Kerrigan, e tinha inveja dos colegas de banda.

A vida de Moon virou uma bad trip em 1970. Seu Bentley – um dos automóveis mais caros do mundo – foi atacado por skinheads em uma discoteca de Londres. Ao tentar fugir, Moon atropelou e matou o seu motorista. Nunca se perdoou pelo acidente, mas continuou acelerando na vida pessoal. Transformou uma mansão em Surrey, Inglaterra, numa zona de festas 24 horas. Desaprendia a tocar nas folgas da banda. O simpático baterista de 1964 virou um lunático. Desprezava os hippies. Gostava de desfilar travestido: às vezes de Marilyn Monroe, de enfermeiro ou de padre, mas quase sempre com uniforme nazista. Notoriamente, não gostava dos judeus. Uma coisa, porém, nunca fez: jogar o carro na piscina de um hotel, como diz uma lenda do rock.

Em 1976, uma overdose quase o matou em Miami. Mesmo assim, continuou tomando ovos crus, uma garrafa de champanhe e dois tranqüilizantes de café da manhã. Até hoje se discute se sua morte foi suicídio ou não. Como disse o cantor Alice Cooper: “Acho que nunca conheci o verdadeiro Keith Moon. Pra ser sincero, nem sei se havia um verdadeiro Keith Moon.”

Grandes momentos

• Antes do The Who tocou nas bandas covers The Escorts e The Beachcombers.

• Quis entrar para os Beatles. “O Ringo é uma merda”, disse para tentar convencer Lennon e McCartney.

• Em 1975, tentou a carreira-solo com o álbum Two Sides of the Moon, detonado pelos críticos na época.

• Em 1975, incitado pelo ator Oliver Reed, baixou as calças num restaurante chique em Los Angeles para provar que não era circuncidado.

• O apartamento onde faleceu é o mesmo em que ‘Mama’ Cass, do The Mamas and Papas, morreu de enfarte em 1974.

Nos EUA, empresas separam jornal impresso de digital para evitar prejuízos

Por Matthew Garrahan, no Observatório da Imprensa

Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Matthew Garrahan [“Rush to print is no cause for celebration”, Financial Times, 8/8/2014] e do Australian Financial Review [“US newpapers: pure opportunity”, 6/8/2014]

É fato que a queda na publicidade e na circulação atingiu praticamente todas as publicações impressas dos EUA e que a nova geração de leitores não está acostumada – ou disposta – a pagar para receber notícias na internet. Em busca de soluções para salvar o mercado, muitas empresas de mídia estão aderindo à separação de seus negócios, desagregando seus canais televisivos e digitais das publicações impressas.

Um dos pioneiros nesse tipo de jogada foi o Belo, grupo com sede em Dallas, que em 2007 anunciou os primeiros planos de segmentação de seus jornais e suas 20 estações de televisão. O Journal Communications, que publica títulos regionais como o Milwaukee Journal Sentinel, também anunciou planos de fundir seus jornais aos do grupo EW Scripps, bem como mesclar as respectivas emissoras de TV de cada empresa – a EW controla canais como Food Network e ABC Action News.

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O Tribune Publishing, dono do Los Angeles Times e do Chicago Tribune, também separou seus negócios da Tribune’s TV. O Gannett, que publica o USA Today, foi outro a anunciar um projeto de divisão, desmembrando seu braço editorial do segmento de transmissão e das operações digitais.

Nem mesmo os gigantes fugiram da fórmula: em 2012, a News Corp aderiu e, no ano seguinte, a Time Warner chegou a cogitar planos de separar seus ativos de impressão.

Lucro por corte de custos

Tal tendência é uma tentativa de evitar que a TV, ainda altamente lucrativa, não seja contaminada pela baixa nos impressos, mantendo assim a atração dos investidores, que teriam opção de segmentar a aplicação de seus ativos.

Em análise no Financial Times, o editor Matthew Garrahan vê esta tendência como algo negativo para os amantes das mídias impressas, pois as publicações que caminham de maneira independente passam a contar com menos capital para crescimento num ambiente já insalubre (e muitas vezes os impressos já confrontam quantidades consideráveis de dívidas, como é o caso das publicações da Time Inc e do grupo Tribune).

Garrahan diz que a geração de lucros tem dependido basicamente dos cortes de custos – os quais envolvem desde redução de pessoal, acúmulo de funções de profissionais e até cortes na paginação das publicações. O editor aponta, no entanto, que este tipo de medida tem limites. “O crescimento da receita é essencial e, sem ele, em algum momento os jornais vão ficar sem custos para cortar”, afirma. Embora todos os setores tenham experimentado novos modelos de negócios (como paywalls, mesclagem com elementos digitais e similares), ninguém encontrou ainda a fórmula que vai salvar os jornais.

Dependência de altruísmo

Segundo Garrahan, a salvação pode estar nos empresários endinheirados. John Henry, dono do time de beisebol Boston Red Sox e do time de futebol Liverpool, adquiriu o Boston Globe. Um consórcio liderado por Austin Beutner, ex-sócio da multinacional Blackstone, e que conta com o apoio de nomes de peso como o bilionário do ramo imobiliário Eli Broad, manifestou interesse pelo Los Angeles Times. Jeff Bezos, fundador da Amazon, adquiriu o Washington Post em 2013.

Estes investidores têm condições de sustentar os jornais sem se concentrar tanto na questão do lucro, já que seus ativos vêm de outros segmentos. No entanto, tais iniciativas dependem de uma boa dose de altruísmo. O próprio Bezos declarou que seu investimento no Washington Post foi baseado na crença de que o jornalismo precisa sobreviver por ser de interesse público.

Na ausência de um modelo de negócios ideal, resta saber até quando haverá empresários dispostos a fazer tal “caridade”.

Dani Alves: criatividade ou presepada?

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Após o Barcelona vencer o Elche por 3 a 0, no domingo, pelo Campeonato Espanhol, o que ganhou destaque não foi apenas os 400 gols de Lionel Messi, mas o visual ousado de Daniel Alves. Como sempre, o brasileiro escolheu uma roupa exótica para dar entrevistas na zona mista do Camp Nou. Com um chapéu preto, óculos escuros estilo John Lennon, um casaco e uma sandália laranja, o lateral virou destaque nas redes sociais e na imprensa espanhola, no bom e no mau sentido.

O jornal catalão Mundo Deportivo chamou de “peculiar” o look escolhido por Daniel Alves. O diário lembrou que essa não foi a primeira vez que o jogador ousou no seu estilo, e disse que os jornalistas “ficaram atordoados esperando o brasileiro na zona mista” e “estavam ansiosos para imortalizarem o look chamativo”. O próprio jogador postou fotos no Instagram.

– Sou eu que compro as minhas roupas. Eu gosto de usar essas roupas – disse aos jornalistas, segundo o jornal espanhol Marca, outro periódico que dedicou espaço para falar da chamativa roupa do brasileiro.

No Twitter, fotos de Daniel Alves de vários ângulos foram compartilhadas, com comentários diversos:

“Daniel Alves, na zona mista do Camp Nou, hoje. Não é à toa que quer ser estilista quando parar de jogar”, disse um brasileiro.

“Daniel Alves tá a cara da Marina Silva”, falou outro rapaz.

“Look perfeito, mas para ir ao #Festivalbar”, escreveu um italiano.

“Mas o que é isso?”, perguntou outro torcedor.

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(De O Globo)

A pergunta de R$ 18 bilhões

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Por André Forastieri

Você precisa conhecer Neca. Ela é a coordenadora do programa de governo de Marina Silva, pela Rede Sustentabilidade, ao lado de Mauricio Rands, do PSB. O documento será divulgado na semana que vem, 250 páginas consensadas por Marina e Eduardo Campos. Educadora, com longo histórico de obras sociais, Neca conheceu Marina em 2007. É uma das idealizadoras e principais captadoras de recursos da Rede Sustentabilidade.

Sua importância na campanha e no partido de Marina Silva já seria boa razão para o eleitor conhecê-la melhor. Ainda mais após a morte de Eduardo Campos. Mas há uma razão bem maior. Neca é o apelido que Maria Alice Setúbal carrega da infância. Ela é acionista da holding Itausa. Você pode conferir a participação dela neste documento do Bovespa. Ela tem 1,29% do capital total. Parece pouco, mas o valor de mercado da Itausa no dia de ontem era R$ 61,4 bilhões. A participação de Maria Alice vale algo perto de R$ 792 milhões.

A Itausa controla o banco Itaú Unibanco, o banco de investimentos Itaú BBA, e as empresas Duratex (de painéis de madeira e também metais sanitários, da marca Deca), a Itautec (hardware e software) e a Elekeiroz (gás). Neca herdou sua participação do pai, Olavo Setúbal, empresário e político. Foi prefeito de São Paulo, indicado por Paulo Maluf, e ministro das relações exteriores do governo Sarney. Olavo morreu em 2008. O Itaú doou um milhão de reais para a campanha de Marina Silva em 2010 (leia mais aqui).

Em agosto de 2013 – portanto, no governo Dilma Rousseff – a Receita Federal autuou o Itaú Unibanco. Segundo a Receita, o Itaú deve uma fortuna em impostos. Seriam R$ 18,7 bilhões, relativos à fusão do Itaú com o Unibanco, em 2008. O Itaú deveria ter recolhido R$ 11,8 bilhões em Imposto de Renda e R$ 6,8 bilhões em Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A Receita somou multa e juros.

R$ 18 bilhões é muito dinheiro. É difícil imaginar que a Receita tirou um valor desse tamanho do nada. É difícil imaginar uma empresa pagando uma multa que seja um terço disso. Mas embora o economista-chefe do Itaú esteja hoje no jornal dizendo que o Brasil viveu um primeiro semestre de “estagnação”, o Itaú Unibanco lucrou R$ 4,9 bilhões no segundo trimestre de 2014, uma alta de 36,7%. No primeiro semestre, o lucro líquido atingiu R$ 9,318 bilhões, um aumento de 32,1% em relação ao primeiro semestre de 2013. O Unibanco vai muitíssimo bem. E gera, sim, lucro para pagar os impostos e multa devidos – ainda que em prestações.

A autuação da Receita foi confirmada em 30 de janeiro de 2014 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. O Itaú informou que iria recorrer desta decisão junto ao Conselho Administrativo de Recursos fiscais. Na época da autuação, e novamente em janeiro, o Itaú informou que considerava  “remota” a hipótese de ter de pagar os impostos devidos e a multa. Mandei um email hoje para a área de comunicação do Itaú Unibanco perguntando se o banco está questionando legalmente a autuação, e pedindo detalhes da situação. A resposta foi: “Não vamos comentar.”

O programa de governo de Marina Silva, que leva a assinatura de Maria Alice Setúbal, merece uma leitura muito atenta, à luz de sua participação acionária no Itaú. Um ano atrás, em entrevista ao Valor, Neca Setúbal foi perguntada se participaria de um eventual governo de Marina. Sua resposta: “Supondo que Marina ganhe, eu estarei junto, mas não sei como. Talvez eu preferisse não estar em um cargo formal, mas em algo que eu tivesse um pouco mais de flexibilidade.”

Formal ou informal, é muito forte a relação entre Neca e Marina. Uma presidenta não tem poder para simplesmente anular uma autuação da Receita. Mas tem influência. E quem tem influência sobre a presidenta, tem muito poder também. Neca Setúbal já nasceu com muito poder econômico, que continua exercendo. Agora, pode ter muito poder político. É um caso de conflito de interesses? Essa é a pergunta que vale R$ 18,7 bilhões de reais.

Leão goleia em tarde de Roni

Por Gerson Nogueira

A reação zangada do técnico Roberto Fernandes às críticas de imprensa e torcida, antes da viagem para o Ceará, parece ter tido um efeito positivo sobre o grupo de jogadores. Aborrecido com as críticas à instabilidade do time, o treinador reclamou da imprensa e dos torcedores, saindo em defesa de seus atletas. Se o plano era motivar a rapaziada, deu certo.

unnamedPela primeira vez na Série D, o Remo foi determinado e se impôs ao Guarani em Sobral com uma atuação convincente. Para isso contribuiu bastante o desempenho de alguns jogadores, principalmente o jovem Roni, que chegou a ser relegado à reserva por Fernandes e que reapareceu em grande estilo.

Foi dele o primeiro gol, logo aos cinco minutos. Doze minutos depois, Leandro Cearense ampliou depois de boa jogada, que começou com disparo de Rodrigo Fernandes na trave do Guarani. Um recuo do Remo deu a chance aos donos da casa de ressuscitarem no jogo. O primeiro gol nasceu de um vacilo da zaga paraense e o empate veio em penal discutível, que teria sido cometido por Roni.

Com Ratinho e Ilaílson nas vagas de Potiguar e Dadá, o Remo apresentou-se mais agressivo na segunda etapa da partida. Logo aos dois minutos, em manobra iniciada por Roni, Cearense desempatou e abriu caminho para a vitória. O mesmo Roni fecharia o marcador, quase ao final, depois de driblar um defensor e disparar forte para as redes.

O Guarani jogou mais adiantado do que havia feito em Bragança, mas pareceu claramente surpreendido nos primeiros minutos pela ousadia ofensiva do Remo. Quando se assentou em campo, equilibrou as ações e alcançou o empate, graças à boa movimentação do meia Sadrak e aos cochilos da zaga azulina.

A vitória costuma obscurecer falhas, mas o Remo demonstrou ontem que até a crônica carência no setor de criação pode ser superada pelo empenho de todos. Com maior aproximação dos jogadores na meia-cancha, o time funcionou bem, partindo para a vitória no segundo tempo e impedindo uma nova reação do Guarani.

Deve-se reconhecer que Roberto Fernandes acertou com a mudança na lateral-esquerda (Rodrigo em lugar de Alex Ruan) e na insistência com Potiguar na meia cancha, mas é legítimo dizer também que Roni não pode ser reserva. Com o talento que tem para o drible em velocidade, barrá-lo constitui uma insanidade. Isso ficou evidente na partida de ontem.

Destaques do time em Sobral: Roni, Michel e Leandro Cearense.

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A velha sina de entregar fora de casa

Um fato indiscutível: o Papão jogou melhor que o ASA, principalmente no segundo tempo. A realidade do jogo: os donos da casa foram objetivos o suficiente para aproveitar a única chance surgida. Essas duas situações resumem o que foi o jogo de ontem em Arapiraca. Depois de boa vitória em casa sobre o CRB, esperava-se um Papão mais confiante e seguro contra o time de seu ex-técnico.

Infelizmente, a velha mania de travar fora de casa voltou a marcar presença. O Papão até sustentou um jogo equilibrado, mas sofreu com o fraco rendimento de jogadores importantes, como Pikachu e Héverton. O meio-de-campo funcionou razoavelmente na marcação, mas foi zero em criatividade. Raul pouco apareceu, sendo mais notado pelos erros.

É inegável que o Papão de Mazola tem mais organização que o de Vica, mas isso ainda não é suficiente para uma competição que exige firmeza de atitudes.

Depois de um primeiro tempo de altos e baixos, Mazola resolveu mexer no ataque, tirando Héverton e lançando Bruno Veiga. Aproveitou e tirou Raul, colocando Rafael Tavares em campo. As mudanças quase não alteraram o pamorama porque em vários momentos o time parecia desplugado, como se estivesse num amistoso.

O lance que resultou no gol do ASA foi sintomático desse marasmo. O atacante Wanderson apareceu livre por trás da zaga, para receber livre e diante do gol. Falha primária de marcação, denotando o nível de desatenção dos defensores.

No final, um lance precioso poderia ter garantido o empate, mas Pikachu optou pela simulação ao invés de finalizar para o gol. Merecia o cartão amarelo só pela interpretação teatral ruim.

Com mais três jogos em casa, o Papão pode chegar a 22 pontos, limite necessário para escapar do rebaixamento. Quanto ao acesso, as chances diminuíram bastante, pois tudo depende agora do comportamento nos outros três compromissos fora.

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Ganso em altíssimo nível

Outro golaço de Paulo Henrique Ganso no Campeonato Brasileiro. Em visível mudança de posicionamento, atuando dentro da área como um ponta-de-lança, o paraense passou a se destacar no São Paulo de Muricy. Ainda é cedo para dizer que voltou a jogar como em 2009 e 2010, mas é óbvio que já é seu melhor momento desde o apagão de 2012/2013.

A jogada do gol sobre o Santos, ontem, reflete bem o grau de segurança que Ganso voltou a ter no seu jogo. Recebeu a bola, protegeu do combate com o zagueiro e virou quase de sem-pulo, mandando no ângulo esquerdo da trave santista.

Só jogadores em excelente condicionamento físico e técnico são capazes de executar com perfeição um lance tão complexo. Ganso voltou a jogar em alto nível e cada vez mais fica difícil entender como foi esquecido na reta final das convocações para a Copa.

Como tem demonstrado neste São Paulo recheado de grandes talentos, o futebol de Ganso se sobressai quando ele está bem acompanhado.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda, 25)