Desinteresse e desencanto nas eleições

Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:

Em Minas Gerais, o índice dos eleitores que pretendem votar em branco ou nulo é de 13% e o dos que ainda não escolheram candidato chega a 31%, um total de 44%. Este número é próximo da soma das intenções de voto nos dois principais candidatos, que estão tecnicamente empatados, segundo o Ibope: Fernando Pimentel, do PT, com 25%, e Pimenta da Veiga, do PSDB, que tem 21%.
O desinteresse e o desencanto dos brasileiros nesta campanha de 2014, que ainda não deu sinais de vida nas ruas do país, a apenas dois meses e cinco dias da abertura das urnas, ficam evidentes também em São Paulo e no Rio de Janeiro, mostrando um quadro preocupante nos três maiores colégios eleitorais do país, onde vive 42% da população apta a votar em outubro.
A nova pesquisa do Ibope sobre eleições estaduais, divulgada na noite de quarta-feira, mostra que, em São Paulo, o total de entrevistados que declararam votar em branco, nulo ou não sabem é de 29% e, no Rio de Janeiro, este índice atinge 33%. Ou seja, um eleitor em cada três ainda está sem candidato.
A situação parece definida em São Paulo, onde o candidato tucano Geraldo Alckmin está praticamente reeleito no primeiro turno. Alckmin aparece com 50% das intenções de voto, enquanto os demais candidatos somados alcançam apenas 21%. A surpresa negativa desta campanha é o petista Alexandre Padilha, que continua empacado em 5%, tecnicamente empatado com cinco nanicos (a margem de erro é de três pontos percentuais).
Já no Rio, como em Minas, a disputa está embolada. Anthony Garotinho, do PR, continua na frente no eleitorado fluminense, com 21%, tecnicamente empatado com Marcelo Crivellla, do PRB (16%), e o governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB (15%). Com a máquina do governo nas mãos, o apoio de mais de 20 partidos e um latifúndio de tempo na propaganda da televisão, dificilmente Pezão deixará de ir para o segundo turno contra um dos seus dois principais adversários. Lindberg Farias, do PT, aparece atrás, com 11%.
Os números do Ibope para os candidatos a governador nestes três Estados, antes do início do horário eleitoral, dia 19 de agosto, não são nada bons para a campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff. Pimentel, Lindberg e Padilha estão bem abaixo do patamar de 30% que os candidatos do PT costumam registrar historicamente nesta altura da campanha.
Também são preocupantes os índices desta pesquisa para o presidenciável Eduardo Campos, do PSB, que perde feio em Pernambuco, seu principal reduto eleitoral. O principal candidato da oposição Armando Monteiro Filho, do PTB, apoiado pelo PT, está com 43%, contra apenas 11% de Paulo Câmara, o nome lançado por Campos para governador.
Mais do que os números do Ibope, porém, o que mais me chamou a atenção esta semana foi o levantamento divulgado pelo TSE sobre os novos eleitores. Em relação à eleição de 2010, caiu 31% o número de jovens entre 16 e 18 anos que vão votar pela primeira vez para presidente. Depois de tanta luta para que tivéssemos de volta as eleições diretas para a presidência da República, é triste descobrir que a juventude está se interessando cada vez menos pela política e não se anima nem mesmo a tirar o título eleitoral, que não custa nada.

O “Mercado”, que toca o terror na eleição brasileira, quebrou o mundo

Por Bob Fernandes

O “mercado” não quer Dilma. Isso está nas manchetes há dias, semanas. A Bolsa sobe ou cai a depender de pesquisas que mostram Dilma em baixa ou em alta. E não só pelos erros do governo Dilma.

Em 2002, em pleno governo Fernando Henrique, o “mercado” fez terror com a hipótese da vitória de Lula. Qual foi o resultado daquele terror todo? Basta conferir num site de buscas.

O governo Fernando Henrique terminou melancólico, com dólar a quase R$ 4, risco-país acima de 4 mil pontos, e inflação de 12, 53% ao ano.

Sobre qualquer assunto que tenha algo a ver com economia, largos setores da mídia dão voz preferencial e, a depender da mídia muitas vezes única, a “especialistas” do “mercado”. O que é o tal “mercado”? É o sistema de bancos e demais instituições financeiras.

Assim sendo, vale lembrar os custos da crise criada no e pelo “mercado” e que explodiu em 2008. Mark Anderson, ex-chefe da Standart and Poor’s, o homem que rebaixou a nota de crédito dos EUA, diz que o custo final da crise mundial é de US$ 15 trilhões.

Estima-se que hoje o chamado “mercado de derivativos” seria de US$ 1,2 quatrilhão. Isso é 20 vezes todo o PIB do mundo. Ou seja, é só ficção. É “dinheiro” de mentira. Isso existe apenas como alavanca para quem pilota o tal “mercado” acumular ainda mais fortuna. Com grandes riscos para o próprio sistema financeiro.

Nem se diga para os demais pobres mortais. Relatório da ONG britânica Oxfam informa: 85 pessoas das 7 bilhões e 200 milhões da Terra têm patrimônio igual à metade da população do mundo. O 1% mais rico do mundo tem US$ 110 trilhões. O que é 65 vezes mais do que tudo que tem metade da população mundial.

No Brasil, apenas 4 dos bancos tiveram lucro líquido de R$ 50 bilhões em 2013. Isso é mais do que a soma do PIB de 83 países no mesmo ano passado. Isso é o tal “mercado”. O resto é conversa mole e disputa pelo Poder.

Aéreo Neves, o distraído

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Por Juca Kfouri

O tucano Aéreo Neves gosta de voar.

E saiu construindo aeroportos por aí, na verdade dois, um, por acaso, em fazenda da família.

Asas cortadas em reportagem da “Folha” levou dez dias para admitir que pousou “algumas vezes” no aeroporto do tio-avô com a avião da família, mas, ressaltou, “depois que saiu do (ninho) do governo mineiro”.

Quem acreditar nisso acredita em qualquer coisa.

Inacreditável será imaginá-lo pousando no ninho do Planalto.

E fica a pergunta: terá o helicóptero dos Perrelas também pousado, por uma vez que seja, no aeroporto dos Neves?

Respostas à guerra contra Gaza

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Por Eric Hobsbawm

Nem é preciso dizer muito mais sobre a horrenda operação militar de Israel contra Gaza. Mas para nós, judeus, é efetivamente preciso dizer mais.

Numa história longa e sem segurança, de povo em diáspora, a nossa reação natural a quase todos os acontecimentos públicos inclui inevitavelmente a pergunta “Isso é bom ou é mau para os judeus?” E, no caso da violência de Israel contra Gaza, a resposta só pode ser uma: “é mau para os judeus”.

É muito evidentemente ruim para os 5,5 milhões de judeus que vivem em Israel e nos territórios ocupados de 1967, cuja segurança é gravemente ameaçada pelas ações militares que o governo de Israel empreende em Gaza e no Líbano; ações que demonstram a incapacidade dos militares israelitas para trabalhar a favor dos objetivos que eles mesmos declaram, e actos que só servem para perpetuar e intensificar o isolamento de Israel num Médio Oriente hostil.

O genocídio ou a expulsão em massa de palestinos do que resta do seu território nativo original é nada mais nada menos do que adotar uma agenda prática que só pode levar à destruição do Estado de Israel. Só a convivência negociada em termos igualitários e justos entre os dois grupos é garantia de futuro estável.

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A cada nova aventura militar de Israel, como a que se viu no Líbano e se vê agora [2009] em Gaza, a solução torna-se mais difícil; e mais se fortalece, em Israel, o jugo da direita; e, na Cisjordânia, o mando dos colonos que, em primeiro lugar, nunca quiseram qualquer solução negociada.

Tal como aconteceu na guerra do Líbano em 2006, Gaza, agora, torna ainda mais obscuro o futuro de Israel. E o futuro torna-se mais negro, também, para os nove milhões de judeus que vivem na diáspora.

Sejamos bem claros: criticar Israel não implica qualquer antissemitismo, mas as ações do governo de Israel cobrem de vergonha os judeus e, mais do que tudo, fazem renascer o antissemitismo, em pleno século 21.

Desde 1945 os judeus, dentro e fora de Israel, beneficiaram enormemente da má consciência de um mundo ocidental que se recusou a receber imigrados judeus nos anos 1930, antes de ou cometer genocídio ou de não se opor a ele. Quanta dessa má consciência, que virtualmente derrotou por 60 anos o antissemitismo no Ocidente e produziu uma era de ouro para a diáspora, sobrevive hoje?

Israel em ação em Gaza não é o povo vítima da história. Não é sequer a “valente pequena Israel” da mitologia de 1948-67, um David derrotando vários Golias que o cercavam.

Israel está a perder a solidariedade do mundo, tão rapidamente quanto os EUA perderam a solidariedade do mundo no governo de George W. Bush, e por razões semelhantes: cegueira nacionalista e a megalomania do poderio bélico.

O que é bom para Israel e o que é bom para os judeus como povo são coisas evidentemente associadas, mas até que seja encontrada uma solução justa para a questão palestina essas duas coisas não são nem podem ser idênticas. E é essencialmente importante que os judeus o declarem, bem claramente.

Original publicado em London Review of Books, vol. 31, n. 2, 29 January 2009, pages 5-6 “Responses to the War in Gaza”

Monstro genocida volta a zombar da humanidade

De Brasil 247

Um novo ataque das forças israelenses a uma escola da ONU que abrigava refugiados em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, deixou ao menos dez pessoas mortas e outras 30 feridas nesta madrugada. Ao todo, 40 palestinos morreram na manhã deste domingo após ataques aéreos de Israel à região. Este foi o segundo ataque ordenado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a uma escola das Nações Unidas. O último gerou condenações do diretor-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que tem sido cúmplice do genocida Netanyahu na matança em Gaza.

A Unicef, braço das Nações Unidas para a Infância, afirmou ontem que 296 crianças já foram mortas desde o início da ofensiva de Israel em Gaza. “As crianças representam 30% das vítimas civis”, disse a Organização. A ONU defende o julgamento do mandante do genocídio. Resta saber se Obama, principal aliado de Israel na guerra, também será julgado como cúmplice.

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Abaixo, reportagens da Reuters sobre o ataque de hoje e as ameças de Israel ao Hamas:

10 mortos em escola da ONU em Gaza

GAZA/JERUSALÉM (Reuters) – Pelo menos 10 pessoas morreram e 30 ficaram feridas em um ataque aéreo israelense a uma escola da ONU na Faixa de Gaza, neste domingo, disseram testemunhas e equipes médicas, com Israel mantendo a ofensiva contra a região. O Exército israelense disse que está investigando o ataque, que alcançou a segunda escola em menos de uma semana. De acordo com testemunhas e médicos, um míssil disparado por um avião atingiu a entrada da escola, na cidade de Rafah.

Palestinos da região, onde as tropas israelenses estão enfrentando milicianos, haviam se abrigado no prédio. Na quarta-feira, pelo menos 15 palestinos que haviam se refugiado em uma escola da ONU, no campo de refugiados Jabalya, foram mortos em combates, e a ONU disse que parecia que a artilharia israelense atingiu o edifício. Os militares israelenses disseram que homens armados haviam disparado morteiros a partir da escola, e os soldados responderam com tiros.

Mais cedo no domingo, um ataque de Israel deixou pelo menos 30 mortos na Faixa de Gaza, um dia depois de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, prometer manter a pressão contra o Hamas, embora o Exército tenha concluído sua missão principal, que é destruir uma rede de túneis usados para atacar Israel. Ashraf Goma, líder do Fatah e residente de Rafah, disse que o exército israelense estava bombardeando a cidade a partir do ar, terra e mar, e os habitantes não podiam cuidar dos feridos e dos mortos. “Os corpos dos feridos estão sangrando nas ruas e há corpos nas ruas, sem que ninguém possa resgatá-los.” (Por Nidal al-Mughrabi e Ari Rabinovitch)

Israel: Hamas pagará preço alto

JERUSALÉM/GAZA (Reuters) – Israel vai continuar a lutar contra o Hamas na Faixa de Gaza mesmo depois de o exército completar sua missão de destruir túneis fronteiriços, utilizados por militantes palestinos para atacar seus territórios, disse o primeiro ministro Benjamin Netanyahu, neste sábado. Uma emissora de televisão israelense mostrou imagens ao vivo de tanques sendo retirados de Gaza em uma aparente redução da campanha que já dura 25 dias, enquanto Netanyahu disse que o Hamas vai pagar um “preço intolerável” se continuar atacando Israel.

Israel começou sua ofensiva aérea e naval contra Gaza em 8 de julho, após foguetes do Hamas atravessarem a fronteira. A troca de bombas continuou no começo do sábado, elevando a contagem de mortos em Gaza, contabilizada pelos representantes palestinos, a 1,675, a maioria civis. Israel confirmou que 63 soldados morreram em combate, e as bombas palestinas também mataram civis em Israel.

Netanyahu fez esses comentários enquanto Israel sinalizava que estava se retirando com seus próprios termos, dizendo que não iria viajar para o Cairo e discutir uma nova trégua. Em algumas áreas de Gaza, testemunhas viram tanques israelenses recuando de volta à fronteira, enquanto o exército israelense deu permissão de retorno aos palestinos que fugiram de uma cidade.

O principal objetivo de Israel na sua incursão à Gaza no mês passado foi destruir a rede de túneis do Hamas, e a IDF (Força Defensiva de Israel) disse que isso está próximo de ser atingido. Mais de 30 túneis e dúzias de acessos foram descobertos e estavam sendo explodidos, disse um militar. “Nosso entendimento é que nossos objetivos, especialmente a destruição dos túneis, estão próximos de ser completados”, disse o porta-voz militar, o tenente-coronel Peter Lerner.

Netanyahu disse em um discurso na televisão que a ação militar continuaria mesmo que esse objetivo fosse alcançado. “Depois de completar a operação anti-túnel, a IDF vai agir e continuar agindo, de acordo com as necessidades de segurança, e apenas de acordo com nossas necessidades de segurança, até atingirmos nossos objetivos de restaurar a segurança para você, cidadão israelense”, disse. (Por Giles Elgood e Nidal al-Mughrabi)

O acaso não ajuda sempre

Por Gerson Nogueira

“Vi o futuro do rock’n’roll, e o seu nome é Bruce Springsteen”. A sentença saiu da pena afiada de Jon Landau, dono de um dos mais inspirados textos do jornalismo musical dos anos 70. Lançando mão, meio na marra, da frase célebre, quero dizer que eu também vi o futuro do futebol paraense e ele não passa pela insistência com técnicos meia-bocas e jogadores em fim de linha e descompromissados. Enquanto não houver a consciência de que a saída está na valorização das crias, o caminho irreversível será o abismo.

As últimas temporadas têm demonstrado isso de maneira escancarada, repetitiva até. Pikachu, Roni, Leandro Carvalho, Alex Ruan, Rodrigo, Djalma, Reis, Paulo Rafael, Cicinho, Tiago Cametá. Foram todos revelados por Papão e Remo. Por incrível que pareça, os clubes formadores parecem nem perceber o alcance dessa prática.

Apesar da miopia dos dirigentes, formar jogadores em casa é o que resta a um futebol que o Brasil esqueceu com o passar dos anos e dos sucessivos fiascos em competições importantes. Um futebol que se mantém vivo exclusivamente por força da rivalidade centenária, da paixão enlouquecida dividida entre duas torcidas.

unnamed (2)O hábito recorrente de sair contratando a rodo já mostrou sua inadequação para clubes que mal conseguem pagar suas despesas mensais. Insistir na política consumista é apressar a morte. Daí a necessidade premente de investir nas divisões de base.

Eu sei, o discurso é antigo e soa como conversa romântica. A realidade, porém, sinaliza que não há alternativa mais barata para levantar o futebol do Pará. Cabe agir rápido, tomar a iniciativa profissional de valorizar os boleiros formados em casa, antes que isso acabe ocorrendo por falta absoluta de outras opções.

O maior obstáculo para a mudança está na cabeça das pessoas que dirigem os clubes. Presidentes e diretores da dupla Re-Pa vivem sob a pressão da cobrança diária das torcidas. Quando o ambiente está calmo até conseguem pensar em planos e providências lúcidas. Diante do primeiro revés em campo, agem como crianças, desesperam-se e saem repetindo os erros de sempre.

No fim das contas, o volume de dívidas só aumenta, sem que se tenha nada a comprovar pelo dinheiro atirado no lixo. Contratações de nomes conhecidos, de passado mais ou menos luminoso lá fora, deixaram de ser garantia de sucesso aqui. Chegam, jogam mal e arrumam as malas. Deixam ainda as heranças malditas dos débitos trabalhistas.

Os treinadores, alguns também empresários, barram os garotos revelados pela base, apontam seus defeitos sem piedade e vão empurrando as nulidades que indicam para as diretorias desinformadas.

Chegou a hora de dar um freio nos maus hábitos. Cartolas precisam parar de premiar enganadores, distribuidores de camisas e animadores de auditório. Se a prática não cessar, conselheiros devem forçar a saída dos maus dirigentes. Só não dá mais para ficar esperando o milagre do acaso porque até o acaso já nos abandonou faz tempo.

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Jogo decisivo para Papão e Vica

Quando os dirigentes mostram insatisfação com o desabafo do técnico Vica, em entrevista depois da derrota para o Coritiba, evidenciam apenas que estão sem rumo, sem saber direito o que fazer neste momento de turbulência. Preocupados com as queixas do torcedor, irritam-se com as verdades que o treinador revelou, principalmente quando ao descompromisso de alguns atletas.

É claro que a franqueza não absolve Vica. Ele está há poucas semanas no comando, mas já teve tempo para dar ao time um mínimo de organização. Quando assumiu o elenco do Papão, encontrou um sistema de jogo baseado na força de marcação. Mazola Jr. usava sempre três volantes para proteger sua linha de zagueiros.

Vica tem sido mais ousado, mas a defesa ficou muito vulnerável. Foi atrapalhado também pela queda de rendimento de jogadores fundamentais, como Charles e Pikachu. No caso do segundo, o problema está diretamente ligado à indefinição de seu papel no time. Sem saber se é lateral, ala, meia ou atacante, Pikachu se perdeu em campo. A equipe foi junto com ele.

O confronto de hoje contra o Crac-GO em Castanhal, sem torcida, é um teste definitivo para as pretensões do Papão na Série C e talvez a última oportunidade para Vica mostrar a que veio.

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BID ou o atestado de incompetência

As mudanças que a CBF ensaia tomar para normalizar o sistema de registro de atletas no Boletim Informativo Diário (BID) chegam com imenso atraso. Como todo mundo sabe, a burocracia atravanca o progresso e a entidade parece ter ignorado essa verdade. A demissão do diretor de Registro e Transferência, Luiz Gustavo de Castro, indica que a CBF finalmente se conscientizou do anacronismo de seu sistema de acompanhamento da situação contratual dos jogadores nos clubes.

Alvo de críticas de clubes e advogados, o BID tem sido pivô de embates judiciais que atentam contra a credibilidade dos campeonatos. Ao contrário da Europa, onde os campeonatos têm controle rígido e transparente dos contratos dos atletas, aqui a CBF parece ter inventado um modelo talhado para promover confusão.

Neste ano, vários incidentes expuseram a fragilidade do sistema informatizado da CBF, que passou a correr o risco de enfrentar processos indenizatórios na Justiça Comum.

O caso mais ruidoso envolve o Brasília, acusado de escalar na final da Copa Verde quatro jogadores sem inscrição no BID. Por conta disso, o clube foi denunciado pelo Papão e perdeu o título que havia vencido em campo, ficando também sem a vaga na Copa Sul-Americana 2015.

No último domingo, por ocasião do clássico Botafogo x Flamengo, o árbitro registrou na súmula que dois atletas alvinegros (Emerson e Edilson) não constavam do BID e não deveriam jogar. Só depois de esclarecida a falha do sistema é que o Botafogo se livrou da punição prevista, embora ainda possa vir a ser penalizado, caso o Flamengo o denuncie.

A confissão de culpa da CBF nos dois casos não impediu a enxurrada de críticas e a desconfiança generalizada quanto ao boletim informativo sobre os mais de 20 mil futebolistas registrados no país.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 03)