Ibope diz que Marina ganha até nos Estados Unidos

Do Sensacionalista

Uma nova pesquisa IBOPE saiu e Marina Silva disparou mais que cavalo paraguaio. Segundo os números, ela está com 98% dos votos válidos, Dilma aparece em segundo com 1%, Aécio com meio por cento, empatado com votos brancos e nulos.

Marina já está com um percentual de votos já tão grande que pensa em concorrer até às eleições dos EUA e tirar Obama do poder. Agora, ela quer encontrar algum avião para alavancar sua candidatura, mas como este é um tema delicado nos EUA, sua equipe de marketing ainda está estudando outras possibilidades.

Já Aécio pode até retirar sua candidatura a qualquer momento, pois não ganha nem para síndico do prédio.

(Sensacionalista é um site de humor, como o próprio nome indica) 

Referências de talento

Por Gerson Nogueira

unnamed (86)Às vezes, critica-se a falta de bons jogadores paraenses nos principais clubes. A crítica vem sempre acompanhada da lamentação sobre o desinteresse pelas categorias de base. Pois já faz um tempo que o Papão tem como fiel da balança um jogador caseiro, surgido na base do clube e que tem sido mantido no clube apesar das várias propostas para sair. O mesmo vem acontecendo no Remo, onde um atacante arisco e veloz começa a trilhar uma saga que já foi de Neves e outros ponteiros lendários.  

Pikachu e Roni.

Curioso notar que ambos sejam ocupantes de faixa de campo e se disponham a jogar como no futebol de antigamente, embora sejam atletas reconhecidamente modernos. Sobre jogadores decisivos costuma-se dizer que o time tem uma dependência em relação a eles. Quando jogam bem, as coisas normalmente resultam em final feliz. Quando vão mal, o time afunda junto com eles.

Pikachu passou um incômodo período de estiagem no Papão, logo depois da Copa do Mundo e só voltou a sorrir com o retorno de Mazola Jr. ao comando técnico da equipe. Depois de quase dez partidas passando em branco, o meia-atacante jogou bem e fez gol contra o CRB, na semana passada.

Coincidência ou não, naquela noite em Castanhal o Papão teve sua melhor atuação na retomada da Série C. Óbvio que todo o time rendeu e se superou, mas é inegável o papel de Pikachu nesse renascimento. Isso é tão verdade que no domingo, em Arapiraca, com desempenho frustrante do jogador, o Papão também não se encontrou em campo.

Do outro lado da avenida, a situação de Roni é um pouco diferente, embora ele já tenha para o Remo a mesma importância que Pikachu tem na Curuzu. Como atacante de ofício, Roni despontou no Campeonato Paraense, primeiro pelas mãos de Agnaldo de Jesus e posteriormente com Roberto Fernandes.

Realizou partidas em alto nível, como no Re-Pa que decidiu o segundo turno, quando concentrou os lances ofensivos remistas. Naquela noite, esteve a pique de marcar um gol consagrador. Investiu pelo lado esquerdo, foi à linha de fundo, driblou dois marcadores e já dentro da área bateu forte à esquerda do goleiro Mateus. A bola caprichosamente foi beijar a trave. Os azulinos perderam o turno naquele jogo, mas dias depois conquistaria o título estadual.

Roni foi, ao mesmo tempo, revelação e principal jogador do Remo na competição. Aos 20 anos, o ponteiro passou a ser tratado como a grande jóia do clube, com direito a reajuste salarial. Subitamente, na disputa da Série D passou a ser questionado por perder muitos gols, como se isso fosse motivo para queimar alguém.

Na prática, Roni desperdiça chances porque cria muitas situações de gol. Como cria mais do que os outros, passa a ter também o ônus do desperdício. Esteve na reserva por alguns jogos e reapareceu, fulgurante, voando baixo, contra o Guarani em Sobral, domingo. Marcou dois gols, deu passe para outro e foi fundamental para a atuação vitoriosa do time.

De positivo, a certeza de que tanto Leão quanto Papão ainda têm muito a se beneficiar do talento de seus melhores jogadores.

De preocupante, a certeza de que logo ambos serão negociados com clubes do Sul ou Sudeste. Que fazer? Assim é a vida.

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Um paraense na Estrela Solitária

Por aquelas linhas tortuosas (e sábias) que o futebol costuma traçar, um paraense volta a vestir a camisa do Botafogo. Trata-se de André Luís, um santareno de 20 anos, que chegou ao clube da Estrela Solitária no começo deste ano. Sem chances no time titular, ficou alguns jogos como opção no banco de reservas, mas agarrou bem a oportunidade na equipe sub-20.

Habilidoso, ajudou o Botafogo a conquistar o título carioca da categoria e, em reconhecimento pelo destaque obtido, já renovou contrato com o clube até 2017. André Luís surgiu no São Francisco e depois se transferiu para o Grêmio, onde permaneceu até 2013.

Em tempo: os últimos paraenses a atuarem pelo Fogão foram Lupercínio e Jóbson.

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Cada vez mais perto da degola

Com mais seis jogos a cumprir nesta fase da Série C, o Águia deu ontem à noite um gigantesco passo para o rebaixamento. Perdeu em casa para o líder Fortaleza por 2 a 0. A partida marcou a volta de João Galvão à função de técnico do time. Nem a força motivacional do treinador foi suficiente para injetar ânimo novo ao Azulão, que repetiu os mesmos problemas que já vinha mostrando sob o comando de Dario Pereyra e Éverton Goiano.

O Fortaleza não foi tão superior assim, mas mostrou a confiança dos times que estão por cima. Fez um gol logo aos 19 minutos, ficou administrando a vantagem e evitando que a vontade do Águia se transformasse em pressão real. No segundo tempo, depois que Diego Palhinha e Bernardo perderam boas chances, os visitantes procuraram explorar o contra-ataque. Foi assim que liquidou a fatura já nos acréscimos, através do artilheiro Robert.  

Resta agora ao Águia fazer o que não conseguiu ao longo de todo o torneio. E rezar bastante.

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Direto do blog

“Na entrevista ao blog, Vandick reconhece que se afastou muito do futebol. Um erro capital, jamais deveria fazer isso. Como confiar aos outros, mesmo que tenham sido baluartes na sua eleição, o carro-chefe de qualquer clube? Principalmente o Paysandu, que sem o futebol, passa a ser um clube qualquer. Esperamos que a chapa Novos Rumos, que tem seu apoio, ganhe, e continue fazendo o clube avançar, pois fora das quatro linhas teve sucesso e torcedor precisa reconhecer.

Gostaria que o Vandick, antes de sair da presidência, repare um erro histórico: chamar o Iarley, Sandro e o próprio Vanderson, e render-lhes uma homenagem. Nem importa se falaram mal do Papão, e nem se o que ganharam já serviu como prêmio. Mas esses caras foram achincalhados pelo destempero do sr. Luiz Omar e precisam voltar à Curuzu para que se agradeça o que eles fizeram enquanto atletas alvicelestes. Gratidão na vida não tem preço!”.

De Edson do Amaral, sobre a longa entrevista do presidente do Papão ao blog campeão (concedida ao baluarte Cláudio Santos)

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 26). 

O discreto charme de Marina

Por Sergio Saraiva

Marina Silva personifica uma contradição sedutora, sorri para a modernidade enquanto se apresenta confiável ao conservadorismo. Depois de Collor de Mello e FHC, é o novo ilusionismo da direita.

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Marina é um caso de radicalismo improvável de ser posto em prática. Alimenta simultaneamente esperanças nos extremos do nosso espectro político. A extrema esquerda e a direita se unem para apoia-la. “Terceira via” paradoxal, Marina faz oposição ao centro.

Um governo Marina é a garantia da traição a um dos lados que hoje a apoiam.

No entanto, messiânica, parece trazer em si a certeza das ações necessárias para a consecução de cada uma dessas esperanças. Marina não tem a solução dos problemas, Marina é a solução. Mas uma solução que não se dá à maçada de apresentar propostas concretas.

Marina encarna um discurso de crítica ao sistema. Mas é algo pensado para ser vago, fugidio. É como olhar as nuvens. Cada um vê nelas o que quer ver, as nuvens em momento algum se responsabilizam por nossos sonhos, apenas os inspiram.

Marina tem um que de modernidade que se expressa em um falar protofilosófico que parece ser compreensível apenas aos iniciados, mas, sem dúvida, transmite confiança no que fala. E, assim, afasta o contraditório. Para fazer o contraditório é necessário entender os argumentos do interlocutor. Se o que se ouve não passar de um jogo de palavras pretensamente modernoso, como contraditá-lo?

Marina pode ser tudo, mas tola ela não é, vai adiar o quanto puder o debate sobre suas contradições.

Um poço de contradições

Marina tem origem no movimento ecológico, mas há muito isso deixou de ser seu campo de militância. Alguém se lembra da última causa na qual Marina esteve à frente, dando a cara à tapa?

Vinda das classes populares, de pequenos agricultores e extrativistas da floresta amazônica, Marina tornou-se ícone da classe média urbana do sudeste e sul. Já há tempo que o Acre deixou de ser seu referencial.

Na Folha de São Paulo, a colunista Eliane Cantanhêde, dias atrás, saudava uma das características de Marina que deve ajudá-la em muito na conquista de votos – é evangélica. Mas Marina não encarna a “nova política”, aquela na qual não se trata eleitores como se fossem parte do “curral eleitoral” do candidato?

Questionar Marina sobre sua posição em relação à descriminação do aborto é ocioso. Mas ninguém ainda perguntou à Marina a sua posição sobre o ensino religioso nas escolas públicas. Ou sobre o currículo escolar das aulas de ciências no ensino fundamental ou de biologia no ensino médio. Musa dos “verdes”, é criacionista. Sua posição sobre esses assuntos seria muito relevante para seus eleitores.

Apesar de ser lembrada pela causa ecológica, Marina é apoiada por banqueiros e industriais. A Natura e o Itaú são quase parte do seu partido. Se é que não são o seu “partido”, já que o Rede ainda habita o campo das possibilidades.

Alguém já ouviu uma palavra de Marina sobre a manutenção das conquistas sociais dos últimos 12 anos? O Bolsa Família, o PROUNI, o PRONATEC, o “Mais Médicos” e a recomposição do valor do salário mínimo, por exemplo?

O que sabemos de Marina a respeito da política econômica? Que Marina defende a ortodoxia neoliberal expressa no tripé – metas de inflação, superávit primário e câmbio flutuante.

Música para os ouvidos da especulação financeira.

Metas de inflação são alcançadas, no mais das vezes, com juros altos e trazendo a inevitável redução da atividade econômica, mas altos ganhos ao setor financeiro. O superávit primário vai garantir os recursos necessários para pagar os tais juros, mas, com a redução da atividade econômica, a solução é o corte dos gastos sociais. E o câmbio flutuante garante os ganhos de capital pela simples intermediação financeira praticada por fundos de investimentos internacionais ou sediados em “paraisos fiscais” e nos coloca vulneráveis a ataques especulativos que realimentam o processo de especulação. Por fim, com a livre circulação de capitais, base da idéia de câmbio flutuante, está assegurada a expatriação integral dos lucros dos “investidores internacionais” e dos investidores internacionais.

Algum jornalista já questionou Marina sobre isso e se isso não seria uma retomada do modelo do governo FHC?

E quanto ao papel do Banco Central na condução da política econômica? Bom, em relação a isso, Marina já se posicionou. E claro, ela é favorável à autonomia do Banco Central – não autonomia formal, mas autonomia de facto.

Nós não defendemos a formalização da autonomia do Banco Central. Na realidade, a autonomia já faz parte das leis que pertencem a esse ramo do direito. Mesmo que (a autonomia) não seja formalizada ela se estabelece a partir do consenso social, político cultural. (Se isso fosse para o debate do Congresso), criaria um risco de colocar em discussão uma questão como essa. Se um grupo decidir que não terá autonomia, nós estaríamos diante de uma fragilização dos instrumentos de política-macro econômica que não é desejada. Não há necessidade de institucionalização”. Aqui.

Um exemplo da prolixidade a serviço da dissimulação de intenções.

E pensar que Aécio apanhou um bocado por ter se comprometido com as tais “medidas impopulares”.

Há ainda outras questões em aberto em relação a um hipotético governo de Marina Silva.

Marina é uma adversária do agronegócio – os tais “latifundiários”.  Ocorre que o agronegócio não é mais, no Brasil, apenas a agricultura e a pecuária tradicionais. O conceito correto para nós é o da agroindústria. Trata se da nossa área de maior desenvolvimento tecnológico, um dos nossos maiores empregadores, inclusive com empregos de nível superior, e a principal fonte de exportações brasileiras e uma das nossas garantias contra a inflação.  Qual será a fonte de receitas que Marina irá buscar para substituí-lo? Turismo ecológico?

É bom que se pergunte isso a Marina. Como também sobre qual a sua opinião em relação área da mineração, da exploração do pré-sal e da geração de energia elétrica.

E sobre a privatização e o papel do Estado como indutor do desenvolvimento econômico.

Precisamos conversar sobre Marina

Aécio não conseguiu formar empatia com o eleitor, patina na casa dos 20% de intenções de voto há meses. Só cresce agregando “in extremis” o voto de ódio antipetista. Mas nem assim as pesquisas apontam uma vitória, sequer um segundo turno é garantido. Tem, além disso, todo o passivo dos seus governos e correligionários em Minas.

Marina não. Pode-se molda-la às expectativas dos sonhadores, dos indecisos e dos insatisfeitos. E, com ela, é possível odiar o PT sem ter de baixar ao nível do calão, de mandar a presidente da República tomar no cu.

Garante a volta do conservadorismo ao poder, mas com a leveza de uma “sacerdotisa dos povos da floresta”.

Um símbolo charmoso e dissimulado como o foram os ares de modernidade e dinamismo com Collor de Mello e de intelectualidade com Fernando Henrique Cardoso. E esses governos foram o que foram.

Por tudo isso, aqueles que defendem a posição da esquerda, da social democracia, precisam muito falar sobre Marina, apontar mais uma tentativa de engodo.

Depois de Collor de Mello e FHC, Marina é o novo ilusionismo da direita.