Por racismo, Grêmio pode ser excluído da Copa BR

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Da ESPN

Depois de atos racistas da torcida do Grêmio para o goleiro Aranha, na partida contra o Santos, na última quinta-feira, o clube gaúcho poderá até mesmo ser excluído da Copa do Brasil, se o caso for levado para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Pessoas que estavam no estádio em Porto Alegre chamaram o jogador de “macaco” e fizeram imitações do animal como forma de provocação, flagradas pelas câmeras da ESPN Brasil.

De acordo com o Código Brasileiro de Justiça Desportiva, atitudes discriminatórias, que consideram também em razão de raça e de cor, podem acarretar uma punição pesada às entidades desportivas aos quais os responsáveis pelos xingamentos são vinculados, no caso o time comandado pelo técnico Luiz Felipe Scolari. 

“Caso a infração prevista neste artigo seja praticada simultaneamente por considerável número de pessoas vinculadas a uma mesma entidade de prática desportiva, esta também será punida com perda de pontos (…) e caso não haja atribuição de pontos pelo regulamento da competição, a entidade de prática desportiva será excluída da competição, torneio ou equivalente”, diz o texto do 243-G do CBJD. 

Ainda segundo o mesmo artigo, “quando a infração for considerada de extrema gravidade, o órgão judicante poderá aplicar as penas dos incisos V, VII e XI do art. 170”, que significa o seguinte: 

V – perda de pontos;
VII – perda de mando de campo;
XI – exclusão de campeonato ou torneio.

Nos bastidores da notícia

Por Palmério Dória

Helio Schwartsman é um colunista moderno. Ainda usa “via de regra”. O professor Carlos Moreno ensina no site Sua Língua: “Não lembro se foi o Nélson Rodrigues ou o Millôr (sei apenas que foi uma dessas cabeças privilegiadas), mas um deles conta o combate furioso e sistemático contra a expressão ‘via de regra’ feito por um importante editor do jornalismo carioca dos bons tempos. Quando alguém ousava empregar esta expressão no texto de alguma matéria, ele ficava apoplético e saía gritando, no meio da redação: ‘Eu já disse mil vezes que a via de regra é a vagina !!!’ (não preciso dizer que não era bem esse o termo com que o desbocado jornalista finalizava sua frase). Por tudo isso, faz com “via de regra” o mesmo que eu: não a uses. Segue a tua intuição inicial, que te fez achar esquisita a expressão, e manda-a às urtigas.”

Consta que tal editor era Carlos Lacerda. E o jornal, a Tribuna da Imprensa.

Endividado, Galo sofre penhora de receita

Em mais um capítulo do conflito que se arrasta entre Atlético-MG e Governo federal, o clube teve penhorados os seus direitos de crédito com a Globo em decisão publicada nesta quarta-feira pela 26ª Vara Federal. Não é esse detalhe, no entanto, que chama a decisão: ao encaminhar a execução do total de R$ 109.651.302,49 milhões, foram localizados em contas bancárias alvinegras somente R$ 2.015,00.

Perguntado a respeito pela reportagem do ESPN.com.br, funcionários do campeão da Libertadores de 2013 argumentaram que a situação pode ser explicada pelo fluxo de casa de fim de mês.

Com dinheiro escasso em nome do Atlético-MG, o Governo pediu, então, a penhora de toda a receita que o time recebeu ou venha a receber por conta dos direitos de transmissão do Brasileiro renovados recentemente pelo triênio 2016-2018 e que se encontram no centro de uma discussão envolvendo a própria Globo e outros clubes. Descontente com as cifras que recebe, o presidente Alexandre Kalil acredita que a solução pode ser o pay-per-view.

O Galo fatura atualmente cerca de R$ 70 milhões com as cotas.

Os números de vendas de seus pacotes de PPV, por outro lado, seguem crescendo e ele ocupa hoje o terceiro lugar entre os mais comprados, com uma arrecada que ultrapassa os R$ 40 milhões.

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A princípio, segundo o diretor de planejamento alvinegro Rodolfo Gropen não existe motivo para se preocupar com o bloqueio da receita de TV atleticana pela Vara Federal. Com a entrada do clube no Refis (programa de refinanciamento de dívidas fiscais do Governo), a decisão publicada nesta semana não teria efeito e seria ‘derrubada’ assim que os responsáveis pelos órgãos forem notificados do acordo com a Fazenda Nacional.

Ele permitiu a redução das dívidas da equipe de R$ 270 milhões para a R$ 190 milhões com pagamento antecipado de R$ 25 milhões e divisão dos R$ 165 milhões em 180 parcelas.

“Como aderimos ao Refis na segunda-feira, estamos em situação absolutamente regular com as nossas obrigações tributárias e aguardamos apenas essa comunicação interna para que todas essas cobranças sejam suspensas”, explica Rodolfo Gropen aoESPN.com.br.

Segundo o dirigente, o Atlético-MG entrou com uma petição comprovando a sua habilitação ao Refis em todas as execuções federais – incluindo a da 26ª Vara – que tramitam em desfavor do clube. Seria uma questão de tempo para que cada juiz tomasse conhecimento do acordo e, assim, desfizesse as penhoras.

A reportagem escutou de funcionários do Governo em Brasília que as execuções determinadas antes da entrada de cada uma das equipes no programa federal prosseguem mesmo com o acordo.

Com o bloqueio de suas receitas e problemas de caixa, o presidente Alexandre Kalil reclamou e confirmou recentemente o atraso de um mês de salário na Cidade do Galo.

A nova vitória dos intolerantes

Por Gerson Nogueira

Atos racistas se tornaram uma praga no futebol mundial, com seguidas ocorrências na Espanha, Itália, em países do Leste europeu e até na América do Sul, como visto no episódio de agressão ao brasileiro Tinga no Peru. Nos últimos anos, a situação se alastrou tanto que a Fifa decidiu entrar de sola contra essas manifestações, punindo clubes e seleções cujas torcidas discriminam adversários. No Brasil, aqui e ali, de vez em quando o problema brota também.

Ontem à noite, parte da torcida gremista manchou uma noitada que devia ser exclusivamente esportiva. Durante boa parte do segundo tempo, a Arena do Grêmio foi o triste palco de coros racistas, imitando macacos, dirigidos ao goleiro Aranha, do Santos.

unnamedIndignados, jogadores do clube paulista chegaram a parar o jogo alertando o árbitro para o fato degradante, mas os xingamentos prosseguiram em volume crescente e foram captados pelas câmeras de TV. Não é de hoje que a torcida gaúcha, representada pela dupla Gre-Nal e de times interioranos, se manifesta dessa maneira.

A revolta normal do torcedor com seu time não pode ser usada como justificativa para tais atos primitivos. Muito menos a irritação com a derrota deve ser canalizada para o time vencedor. Antes disso, deve se voltar contra as limitações do próprio Grêmio, dispersivo e confuso nas jogadas ofensivas e inseguro na defesa.

O Santos de Aranha e Robinho, que também foi alvo de ofensas ao deixar o campo, nem jogou muita coisa, mas soube aproveitou as falhas gritantes da atrapalhada equipe sulista. Nada, porém, foi tão feio quanto o comportamento dos torcedores gremistas.

Que a CBF e as associações de jogadores profissionais tomem providências para que essa prática deplorável não seja estimulada pela impunidade. Sem esquecer que o mau exemplo da torcida gaúcha se mistura às ações violentas que tumultuam campeonatos pelo país afora, inclusive no Pará.

A atitude vista na Arena do Grêmio, é bom lembrar, tem correspondência direta com os palavrões dirigidos à presidente da República na abertura da Copa do Mundo, em São Paulo, e na final do mundial, na Arena Maracanã, no Rio. 

O risco que se observa é tanto maior quando há uma forte tendência brasileira de acomodação das coisas. Sempre se busca um jeito de tangenciar os fatos, ignorar a gravidade de episódios e tratar o racismo como algo isolado ou restrito a minorias.

A própria atitude de jogadores negros, como o volante Zé Roberto (do Grêmio), procurando relativizar o episódio, confirma que as coisas precisam ser enfrentadas com coragem e firmeza.

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Técnicos na rota da decadência

O processo de pauperização do futebol brasileiro tem diversas origens e múltiplas explicações, mas o papel dos técnicos indiscutivelmente é decisivo para o agravamento da situação. Quando se toca nesse assunto há sempre o risco de vilanizar a categoria, que não é a única a militar no esporte. Ocorre que é inegável a influência que os profissionais têm na formação de atletas e na maneira de jogar dos times.

A recente Copa do Mundo chamou atenção para o atraso do Brasil nesse quesito. O próprio Felipão, que antes da competição era cultuado como melhor treinador do país, foi atropelado pelos fatos, sendo massacrado pela evolução de seus colegas estrangeiros. E Felipão não é o único técnico brasileiro nessa situação – existem muitos outros. Acontece que ele é um dos mais graduados e respeitados do país, o que só agrava o problema.

O comportamento tático do Grêmio, novo time de Felipão, é revelador da ausência de atualização. O time joga com zagueiros em linha e uma segunda ala de defensores à frente. Um verdadeiro exército de Sparta, aferrado ao instinto defensivo. E estava jogando em casa, com a torcida ao lado, contra um Santos pouco inspirado também, mas menos cauteloso.

Foi mais um jogo pela Copa do Brasil, que tem sido pródiga em resultados que fazem pensar. Na quarta-feira, a maioria dos grandes times teve seu favoritismo posto abaixo por emergentes mais ousados.

Técnicos convivem desde sempre com a espada do desemprego sobre a cabeça, mas no Brasil o medo excessivo contribui para a proliferação de sistemas retranqueiros. A preocupação defensivista abrange todas as divisões, mas é mais rígida nos chamados grandes, quando deveria ser justamente o contrário, como a Copa mostrou com tanta clareza.       

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Papão testa o gramado da arena

A nova Arena Curuzu começou a ser utilizada pelo Papão, ontem à noite, por ocasião do treino coletivo de preparação para a partida contra o Salgueiro, amanhã. No gramado impecável, Mazola Jr. observou a movimentação de seus jogadores e praticamente definiu mudança no meio-de-campo, com Djalma substituindo a Rafael Tavares e Raul, que vinham atuando por ali.

Desde que voltou ao time contra o CRB, Djalma demonstrou condição técnica superior ao dos meias que Mazola vem escalando. Mesmo entrando no decorrer dos jogos, deu nova dinâmica ao setor e impulsionou o time ao ataque. E é justamente essa a necessidade que o Papão terá no confronto com o Salgueiro: atacar o tempo todo, a fim de garantir os três pontos.

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Sem Djalma, o time sofre com outro problema. O rendimento de Pikachu é diretamente comprometido pela ausência de um parceiro que esteja acostumado com seus avanços e posicionamentos do meio em diante.

Mazola só deve definir a escalação amanhã pela manhã, mas é improvável que ignore a importância de Djalma para o bom funcionamento da meia-cancha do Papão. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 29)