Na contramão da história

Por Gerson Nogueira

O Brasil boleiro vive dias turbulentos e angustiantes. Na mesma semana em que três gigantes do futebol nacional se deixaram abater malandramente por times emergentes, em rodada vergonhosa da Copa do Brasil, o ranking da Fifa insiste em lembrar que aqueles 7 a 1 de Belo Horizonte aconteceram de verdade. Na classificação periódica organizada pela entidade, a Alemanha aparece em primeiro e o Brasil exatamente em sétimo.

O mundo do futebol viu também um ex-astro de primeira grandeza ser oferecido em uma bandeja a todos os clubes de São Paulo, que, num rasgo de bom senso, recusaram educadamente. Ronaldinho Gaúcho, ex-craque em atividade e que passou a última temporada enganando no Atlético-MG, tenta engordar a já robusta conta bancária com um bom contrato final na carreira.

unnamedDepois de não conseguir despertar o interesse dos americanos do New York Red Bulls, Gaúcho foi ofertado ao Corinthians, que nem quis ouvir direito a proposta. Diante disso, foi oferecido em dois dias apenas a Santos, São Paulo e Palmeiras. Novas recusas e o ex-melhor do mundo segue desempregado.

Um dos clubes mais tradicionais do país, o Botafogo, passa pelo dissabor de precisar ser socorrido por sócios e torcedores endinheirados, que se dispuseram a pagar salários em atraso no elenco profissional. Ao mesmo tempo, a torcida mais proletária esforça-se como pode para contribuir, através de uma campanha intitulada Botafogo Sem Dívidas. Quando a cartolagem não pensa, é o clube (e sua torcida) que padece.

Na quinta-feira soube-se que a Globo reuniu com a cúpula da CBF e apresentou sugestões para implantar o “padrão Fifa” em jogos da Série A. A emissora entende que a questão é meramente cosmética: quer pompa e circunstância. Defende que os times adentrem o gramado pelo mesmo vestiário, lado a lado. Quer, ainda, que os telões transmitam as partidas na íntegra, como ocorre em jogos de Copa do Mundo.

Tudo muito bom se todos os estádios brasileiros tivessem estrutura capaz de atender essas exigências. Seria bom também se as medidas garantissem jogos de alto padrão, e não apenas imitassem a ritualística da Fifa.

Ainda no rol de esquisitices provocadas pelas péssimas gestões de clubes, o Grêmio Barueri e Operário protagonizaram um episódio inusitado na sexta-feira à noite. Com dívidas até o pescoço, o Grêmio enfrentou uma greve de jogadores, que não recebem salários há três meses e se recusaram a entrar em campo. Em solidariedade aos companheiros, os jogadores do Operário se deitaram no gramado.

Enquanto isso, como se nada tivesse a ver com a balbúrdia, a CBF se “reformula” e aproveita para reabilitar um parente de Ricardo Teixeira: volta Guilherme Terra Teixeira, irmão do ex-chefão, que vai responder pela Diretoria de Coordenação – seja lá o que isso signifique.

Salve-se quem puder.

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Leão em busca de afirmação

O jogo contra o Guarani de Sobral pode garantir ao Remo o primeiro lugar isolado no Grupo A2 da Série D. Marcado para Bragança, sede temporária dos azulinos na competição, o confronto é encarado por Roberto Fernandes e seus comandados como decisivo. É a chamada partida-chave para a pretendida arrancada rumo à classificação.

Caso o discurso usado durante os treinamentos seja posto em prática, a equipe vai ser incansável na busca da vitória. Roni, Rafael Paty, Leandro Cearense e Marcinho são as opções para o ataque e o mais provável é que Fernandes decida pela dupla mais frequente, que iniciou a disputa da Série D como titular.

É no meio-de-campo, porém, que reside a grande notícia dos azulinos para o jogo. Recuperado, o meia-armador Danilo Rios está de volta. Foi lá em Bragança, diante do Moto Clube, que Rios estreou, deixando excelente impressão.

Na marcação, Michel Smoller e Dadá são titulares intocáveis, embora nos treinos de sexta e sábado Ilaílson tenha sido lançado, com bom rendimento. É opção para o decorrer da partida. De todo modo, é jogo para os meias e atacantes brilharem.

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Papão e a volta da motivação

O compromisso do Papão será na segunda-feira à noite, em Castanhal. Mas, a partir da chegada de Mazola Jr., o clima é outro no clube. É visível a transformação de ânimos e propósitos. Depois do longo período sem vitórias sob o comando de Vica, o triunfo sobre o Coritiba no meio da semana resgatou a confiança do grupo de atletas.

Com a apresentação de Mazola na sexta-feira, o ciclo parece ter se completado, gerando as costumeiras declarações positivas por parte de jogadores e dirigentes. Chamou atenção, particularmente, a afirmação de Djalma, elogiando o novo comandante e garantindo que a motivação é outra.

Sem entrar no mérito dos elogios a Mazola, realmente merecidos, soa no mínimo esquisito que o time estivesse desmotivado antes de sua chegada. O que impede um time de se manter focado em busca de vitórias? Independentemente do treinador de plantão, profissionais devem cumprir com suas obrigações e se manter sempre à altura das exigências do ofício.

Ficou a impressão de que Djalma e alguns outros atletas se sentiram diretamente alvejados pela metralhadora giratória de Vica, que denunciou publicamente a longa permanência de atletas no departamento médico e cobrou providências da diretoria para enquadrar a turma do chinelinho. Que estejam animados agora já é evidência de que o demitido Vica estava certo.

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Dedicatória especial

A coluna de hoje é dedicada ao querido infante João Gerson, chegando aos 13 anos neste domingo, e ao meu pai José, que festeja seus 84 anos na segunda-feira, 18, lá em Baião. Que o bom Deus me conceda a graça de poder comemorar essas datas por muitos e muitos anos.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 17)

Marina pode atropelar os tucanos?

Por Rodrigo Vianna

Com o olhar compungido, Marina Silva surge numa sala apertada, para o primeiro pronunciamento depois da morte de Eduardo Campos. Não fala de temas eleitorais, oferece “apenas” conforto à família do candidato morto. Não tem pompa nem pose, não quer parecer uma “estadista”…

Assisto à cena na Redação. Uma colega, menos afeita aos temas da política, pergunta: “quando será que ela começa a campanha pra valer? Precisa esperar uns dias, né?”.

Outro jornalista, mais experiente, responde rápido: “a campanha dela já começou; isso aí que você tá assistindo é o primeiro pronunciamento de campanha”.

Poucas horas depois, converso com outro colega – raposa velha em coberturas eleitorais: “o que você achou da fala da Marina?”. E ele: “importa pouco o que ela disse; importa muito mais a maneira como aquilo foi dito”.

1502258_794210863975133_5046972747066374490_oMarina Silva não precisa falar de política pra fazer política. Essa é a grande força da candidatura dela. Não sei se Marina surgirá na faixa dos 15%, ou acima dos 20% na próxima pesquisa DataFolha (que será divulgada entre domingo e segunda-feira). Mas sei que ela tem uma boa chance de encampar o discurso da “não-política”. Um discurso que é – claro – tudo menos “não-político”.

Eduardo Campos enfrentava enorme dificuldade para conquistar esse eleitor desesperado por algo “novo”. Aécio, então, nem se diga…

Esse era o grande nó da campanha em 2014. Um terço dos eleitores está fechado com Dilma; outra parcela (bastante barulhenta, mas que reúne pouco menos de um terço do total) se dispõe a votar em qualquer um contra o PT; só que há ainda 30% dos eleitores que não querem PT mas também não topam PSDB. Esse é o eleitor desiludido “com tudo que está aí”.

Em 1960, esse clima de “mar de lama” terminou em Janio. Em 1989, a desilusão terminou em Collor.

Em 2014, Eduardo achou que poderia ser a terceira via, com um discurso moderado, a meio caminho entre PT e PSDB. Não entendeu, talvez, que esse terço “desiludido” dos eleitores não quer meio-termo, não quer meio do caminho. Quer alguém que seja (ou pareça) outro caminho.

Até duas semanas atrás, estava claro que a sorte de Dilma era ter uma oposição que não representava a “mudança”. Aécio é um político jovem, mas tem uma imagem precocemente “envelhecida”, até pelas companhias de palanque (Serra, FHC etc). Eduardo era uma liderança nova, mas também pesava contra ele a imagem de “político engravatado”.

Marina, não.

Comentaristas atucanados nem esperaram o corpo de Eduardo ser recolhido. Começaram a  espalhar que Marina é a candidata perfeita “para garantir o segundo turno”. Acham que ela repetirá 2010, quando os votos marineiros levaram de fato Serra ao segundo turno.

Só que no meio do caminho houve junho de 2013. A sociedade, ali, pareceu pedir mudanças mais profundas no sistema político. Dilma fez a leitura correta: propôs a Reforma Política e a Constituinte; estratégia barrada pelo PMDB. O mal estar se aprofundou desde 2013…

A oposição (com seus comentaristas gagos nas rádios e seus acadêmicos de segunda linha) não compreende por que o eleitor que pede mudança não vota no Aécio. Ora, a maioria do Brasil não quer andar pra trás… Um terço vai com Dilma. Outro terço quer mudança sem tucano nem liberalismo velho dos anos 90.

Marina pode ocupar esse espaço.

O sonho dos tucanos é que ela apareça forte na próxima pesquisa, mas que depois seja desidratada para abrir passagem a Aécio Neves. Falta combinar com os eleitores.

O mais provável é que, se a opção Marina prosperar no PSB (e tudo indica que vai prosperar), a eleição se decida entre Dilma e a ex-ministra do Meio Ambiente.

O que pode barrar Marina? O veto do empresariado, dos ruralistas e das empreiteiras preocupados com o discurso “anti-desenvolvimento” dela. Francamente, esse não é um obstáculo relevante do ponto de vista eleitoral…

Marina pode virar a candidata da “anti-política” (mesmo com apoio da Natura, Itaú, e de economistas liberais – que teriam o papel, justamente, de chancelar os compromissos dela com o chamado “mercado”). Até porque, isso é inegável, Marina carrega – legitimamente – as bandeiras de um novo ambientalismo e de uma juventude que esperam mais do que acordos com o PMDB para mudar o Brasil.

Mais que isso: ela vai carregar a imagem de Eduardo Campos Brasil afora. O jovem que queria “mudar o Brasil”. O apelo é forte.

Marina pode ser uma espécie de Janio de 2014? Ela é mais que isso, certamente.

Evangélica, verde, messiânica. Será que é nesse “novo” que o Brasil vai apostar?

Do outro lado, há Lula e um projeto em parte desgastado. Há uma militância que defende Dilma (sem empolgação) contra os tucanos. Mas terá a mesma disposição para enfrentar Marina? Com qual discurso?

Minha impressão é de que a candidatura Marina Silva tem boas chances de prosperar, e de tirar os tucanos do segundo turno.

Marina – se for de fato confirmada como candidata – pode ganhar de Dilma? Sim. Tem chances mais que razoáveis. Mas gostaria de ouvir a opinião dos internautas. Porque nesse tema não há certezas…

Festival de besteira que assola o país

Por Leonardo Sakamoto

Dilma e Aécio teriam a perder sem Campos. Quem ganharia, no entanto, seriam alguns setores da economia que sabem que um segundo turno estava ficando distante. Então, esses setores armaram um plano para trocar Campos por Marina na cabeça da chapa causando o acidente. Prova disso é que, nesta sexta, as ações preferenciais da Petrobras saltaram 8%, fruto da expectativa da próxima pesquisa eleitoral que deve apontar Marina embolada com os outros dois.

Os Illuminatis, que detém grandes quantidades de ações da estatal, bem como de participações em outras companhias brasileiras, contrataram os serviços de Frank Underwood para elaborar o plano de ação. A central de inteligência do grupo, que já preparou outras ações desestabilizadoras como a Primavera Árabe, fica cravada no coração de São Paulo, 15 andares abaixo do Templo de Salomão – construído para encobrir o quartel-general. Sob a justificativa de defender o American Way of Life, Clark Kent, Bruce Wayne, Peter Parker e Tyrion Lannister foram chamados por Obama a fim de ajudarem os mercenários da Blackwater, responsáveis pela execução do plano de Frank. O golpe final ocorrerá até o final de setembro com o alinhamento perfeito de cinco planetas apontando para a constelação do Serpentário, conforme o alerta profético dos agentes Fox Mulder e Dana Scully.

Enquanto isso, Jack, o gnomo da floresta, está juntando todas as flores mágicas a fim de garantir que o arco-íris não perca seu brilho – o que poderia reduzir a proteção deste mundo contra as forças de Hummel, a besta fera do planeta sombrio. Para isso, Jack tem recebido o apoio dos comitês de campanha que sabem que a verdadeira batalha está ocorrendo entre este mundo e o outro.

Em suma: com a enxurrada de besteiras sem pudor, vai ser difícil manter a sanidade até outubro neste país.

Adeus a um veterano do jornalismo

unnamed (2)Vítima de câncer no estômago, o jornalista Rubens Silva morreu na manhã desta sexta-feira, aos 85 anos. Aposentado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT/8ª), Rubens assinou por mais de duas décadas uma prestigiada coluna política em “A Província do Pará”. Foi um dos fundadores da Academia Paraense de Jornalismo. De temperamento calmo e afável, Rubens tinha muitos admiradores e amigos dentro da profissão. Depois que A Província fechou, ele se dedicou à atividade de assessor de imprensa do Tribunal de Contas do Estado. O velório acontece na capela Max Domini, na avenida José Bonifácio, em frente ao cemitério de Santa Isabel, onde será realizado o enterro às 9h30.

Mercado da bola reage a novo leilão de Ronaldinho

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Após um ano e meio, Ronaldinho Gaúcho está de volta ao mercado. E promovendo um novo leilão, a exemplo do que fez no início de 2011. Por meio de seu irmão e empresário Roberto Assis, o atleta tenta ser recolocado em diversos times do mundo, conforme já tinha noticiado o ESPN.com.br na última terça-feira. Corinthians, Palmeiras, Santos, Fluminense, Grêmio, Besiktas (TUR) e Red Bull (EUA) são alguns dos que foram procurados para ter o ex-jogador no elenco.

A reportagem conversou com pessoas envolvidas no “leilão” para entender o que está se passando com o meia-atacante no mercado. A cronologia começa ainda após o término do vínculo com o clube de Belo Horizonte. Assim que rescindiu contrato com o Atlético-MG, Assis ligou primeiramente para amigos no Grêmio, oferecendo a chance de fazer as pazes com o time do coração de Ronaldinho e encerrar a carreira com as rusgas resolvidas. O empresário foi procurado, mas não houve sucesso no contato até a publicação.

A informação foi vazada à imprensa gaúcha na ocasião. Mas, após ver a repercussão negativa entre os torcedores e nas redes sociais, os gremistas que conversaram com Assis sequer passaram adiante o nome de Ronaldinho. O vice Nestor Hein, por exemplo, detonou o jogador em entrevista à reportagem: “ele expõe o Grêmio ao ridículo“. O ex-melhor do mundo não é mais bem-vindo no Olímpico.

O segundo time que o empresário entrou em contato foi o Palmeiras, que tentou contratar o jogador na janela de 2011. Com boa relação com Paulo Nobre, Assis sondou para saber se Ronaldinho entraria no elenco alviverde. Mas ouviu que o máximo que o time alviverde pagaria era R$ 200 mil, teto salarial estipulado pela agremiação, que passa mau momento financeiro e teve até mais de R$ 100 milhões emprestados do bolso de seu presidente.

Como na época o salário de R$ 200 mil nem chegou perto de agradar Assis, ele partiu para outros meios. Tentou o Corinthians e ouviu “não” na mesma hora. Partiu para clubes da China, dos Emirados Árabes, dos Estados Unidos – por meio de Red Bull e Orlando City -, Turquia – com o Besiktas – e Espanha – com o Deportivo La Coruña -, mas a princípio não conseguiu o sucesso desejado. Também entrou em contato com o Fluminense, que já paga muito para Conca, Fred e outros.

Ao ver Robinho desembarcar na Vila Belmiro, pensou no Santos. O presidente Odílio Rodrigues, a princípio, se animou ao receber o telefonema de Assis. Afinal, seria lembrado como o mandatário que colocou juntos na Vila Belmiro dois astros do nível de Robinho e Ronaldinho. Alguns membros do Comitê de Gestão aprovaram a engenharia financeira, mas outros vetaram. Ainda mais depois que o gerente de futebol Zinho detonou a vida extracampo do ex-atleta – eles trabalharam juntos no Flamengo.

Por enquanto, Ronaldinho segue sem destino definido – atualmente, seus representantes estão na China. E continuam tentando colocar o atleta em um grande clube. Afinal, foi duas vezes melhor jogador do mundo e sua marca, apesar de não ser igual era antigamente, ainda é forte para atrair patrocinadores. Resta saber onde é que vai parar o jogador que virou o maior ídolo do Atlético-MG, um dos maiores do Barcelona e da própria seleção brasileira. (Da ESPN)