Bate-papo: Vandick faz balanço da gestão

PSC eleicao e muita confusao-Mario Quadros (81)

Por Cláudio Santos, especial para o blog

Em tempo recorde, o presidente do Paissandu, Vandick Lima, respondeu a todas as perguntas enviadas a ele por e-mail, abordando o atual momento do clube, com ênfase no desempenho no futebol. Gentil, Vandick não se esquivou das questões apresentadas e foi enfático quanto às críticas sobre excesso de contratações. Segundo ele, os mesmos que dão corda para que a diretoria contrate reforços são os primeiros a condenar depois. Defendeu o nome de Alberto Maia para substituí-lo e garantiu que, apesar dos problemas enfrentados, jamais pensou em largar tudo. 

CS– Seu mandato está chegando ao fim. Em comparação com a administração anterior, o que o sr. pensa ter feito melhor no futebol e na parte administrativa, presidente?
VL – Não comparo minha administração com a anterior. Se eu fosse ficar olhando pra trás não conseguiria administrar o clube. Quando me candidatei já sabia que o clube tinha problemas.
CS – Sua administração está sendo marcada, no futebol, pela demora na hora de fazer as contratações pedidas pelos técnicos que passaram pelo Paysandu. Neste ano, Mazola e Vica, reclamaram bastante disso. Por quê?
VL –  Existe uma pressão muito grande pra contratar. Depois, as mesmas pessoas que fazem essa pressão acabam dizendo que contratamos demais. Erramos em algumas contratações sim, mas não foi por demora e sim por erros de avaliações.
CS – Vivi uma grande expectativa pela sua eleição. Nesse dia, dormi 1h da manhã e acordei 4h para saber se o sr. tinha sido eleito. Vibrei muito, mas confesso que esperava bem mais de sua gestão no futebol. O que atrapalhou sua administração para que o futebol não conquistasse mais títulos nesses quase 2 anos de mandato?
VL – Na verdade, eu demorei pra me aproximar mais do futebol no primeiro ano. No segundo ano, fiquei mais próximo. Não conseguimos os títulos, mas tenho certeza que não foi por falta de qualidade do plantel. Ou o artilheiro do Brasil perder um pênalti na final da Copa Verde é falta de qualidade?
CS – O PSC teve um presidente que ganhou muitos títulos dentro de campo. O jeito dele pensar (e eu penso assim também) era: contrato um bom técnico, com antecedência, e ele vai montando o elenco ao meu lado. Na sua administração, foi bem diferente. O sr., junto com Sérgio Papellin e Roger Aguillera, contrataram, pelo menos, 95% dos jogadores. Ou seja, quem menos indicou foi quem iria treinar os jogadores, o técnico. Será que isso não foi um dos erros cometidos?
VL – Todo técnico que trabalhou comigo teve toda liberdade pra indicar quem ele quisesse. Lógico que fomos buscar dentro das possibilidades financeiras do clube. 
CS – Em muitas entrevistas, o senhor reclamou da falta de dinheiro para fazer contratações, mas gastou pra tirar do Luverdense o gerente de futebol, Sérgio Papellin. Na situação financeira em que o Paysandu estava, não seria melhor contratar um bom técnico e com ele ir montando o elenco?
VL – O Papellin ganha aqui o mesmo que ganhava na Luverdense. Não fizemos nenhuma loucura pra trazê-lo. Junto com Papellin trouxemos o Mmazola. Não é um bom técnico?
CS – Se eu lhe oferecesse uma boa comissão técnica e um bom gerente de futebol, para o senhor escolher uma das opções (até para economizar dinheiro) pra montar seu elenco. Quem o senhor escolheria, presidente?
VL – Lógico que o técnico é o mais importante.
CS – Sou um curioso do futebol, pesquiso, busco informações e posso lhe assegurar que os maiores erros nas contratações de jogadores partem de dirigentes que se metem a contratar. Pelo menos 90% das contratações que dão errado são feitas pelos dirigentes. O senhor tem conhecimento disso, presidente? O que pensa a respeito?
VL – Lógico que tudo que dá errado no futebol a culpa é dos dirigentes. Quando dá certo foi o técnico, os jogadores…
Posse do Novo Presidente do PaysanduCS – Na sua administração, o Paysandu cresceu administrativamente. Isso está bem claro. Tenho certeza que quem assumir receberá o clube bem melhor do que o sr. recebeu das mãos de Luís Omar Pinheiro, administrativamente falando. Quais as pessoas que mais lhe ajudaram e que lhe ajudam ainda, presidente?
VL – Todos da diretoria têm sido muito importantes. Agradeço demais a todos.
CS – Conversei muito como Vica, antes de ele ser contratado pelo Paysandu e me disse que iria pedir a contratação do Tiago Potiguar, ao saber, por mim, que estava deixando o Remo. “É muito bom jogador”, falou ele. Vocês tentaram a contratação desse jogador, presidente?
VL – Vica indicou 2 atletas para o Paysandu. O Jeferson maranhense nós trouxemos. Indicou 1 zagueiro do Santa Cruz, mas não conseguimos trazer porque ele queria dinheiro adiantado e nós não tínhamos.
CS – Na minha opinião uma das piores administrações do PSC foi na era Luiz Omar Pinheiro, mas, muitas vezes, a quando de uma derrota, ouvi alguns torcedores pedindo a volta dele e acredito que o sr. também tenha escutado. Nessa hora dá vontade de largar tudo, presidente? Qual seu sentimento ao ouvir absurdos como esse?
VL – Ouvi sim e fiquei triste, muito triste, mas nunca pensei em largar tudo. Tive muitos momentos de dificuldades, mas levarei meu mandato ate o fim.
CS – No futebol de base do Pará, nunca tinha visto um projeto tão bom para a base como o apresentado pelo diretor, à época, Bira Lima. Aliás, me pareceu entender, e muito, do que estava fazendo. O que aconteceu para que o sr. não aceitasse esse projeto dele para as divisões de base do Papão? Posso estar enganado, mas penso que esse foi um grande erro de sua administração.
VL – Realmente o projeto era muito bom. Foi um erro meu.
CS – O torcedor reclama que o PSC, no ano do seu centenário, pelo jeito, ficará sem título. Sinceramente, penso que o PSC ganha muito mais recebendo um estádio como a Curuzu pronto como nunca visto, Sócio Bicolor bombando e tudo mais. E ainda há a possibilidade de um acesso à série B, no que eu acredito. Concorda, presidente?
VL – Concordo e tenho esperanças de que vamos subir esse ano e encerramos o mandato deixando o clube onde encontramos, ou seja, na Série B e com estádio melhor, academia, placar…
CS – O sr. apoia alguma chapa nas eleições deste ano, já que não tentará a reeleição, segundo dizem, presidente? Se sim, por quê?
VL – Nosso candidato é dr. Alberto Maia. Pra continuar o trabalho iniciado em 2013.
CS – Caso o dr. Alberto Maia seja eleito, e como vai continuar o trabalho iniciado em 2013, poderia rever o projeto da base de Bira Lima, fazendo um convite para ele retornar ao clube?
VL – Eu mesmo ja falei com o Bira. Reconheci meu erro. Agora acho que se ele reapresentar, tem chances de ser aprovado porque eu já falei com o Maia que erramos.
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CS – O sr. tem algum desejo a realizar, ainda como presidente do PSC, nesses meses que faltam para o término do seu mandato? Se tiver, o que seria?
VL-  Tudo que eu quero é que o Paysandu suba, com fé em Deus vamos conseguir.
CS – O sr. teve uma passagem de sucesso como atleta do Paysandu e como presidente tem sido bastante questionado, principalmente no aproveitamento do time de futebol. Existe muita diferença nas duas funções que tornaram seu aproveitamento tão desigual?
VL – São funções diferentes e por mais incrível que pareça, o normal seria o futebol andar bem melhor que a administração, pois fui jogador. Não está sendo assim. Coisas do futebol. 
CS – Se o sr. pudesse voltar lá no início da sua administração o que faria de diferente no futebol, presidente?
VL – Só me arrependo de não ter ficado mais próximo do futebol desde o começo. Quis fazer diferente, cada um na sua função. Não deu certo e demorei pra entender isso.
CS – Hoje, o Condel bicolor mais atrapalha do que ajuda, presidente? O sr. considera o Conselho Deliberativo como oposição?
VL – Alguns conselheiros são oposição, mas isso é normal. Não posso dizer que o Condel é oposição. Quanto a ajudar ou atrapalhar, nem uma coisa nem outra
CS – Como é ser ídolo de uma das maiores torcidas do Brasil e ter jogado num grande clube como o Paysandu, presidente?
VL – Joguei em 15 times. O mais importante foi o Paysandu. Sou feliz por ter encerrado minha carreira como ídolo dessa torcida e eternamente grato por tudo que essa torcida fez por mim.
CS – O técnico Givanildo Oliveira teve toda paciência do mundo pra fazer do sr. o ídolo que é hoje no Paysandu. Enfrentou a pressão da mídia e do torcedor que pediam a sua demissão e com pulso forte mostrou que estava certo. Qual a sensação que o sr. teve, já como presidente, em ter que demitir quem lhe fez ídolo, cedendo à pressão da mídia e do torcedor, mesmo sabendo que ele era o menos culpado?
VL – Foi um momento de muita agonia pra mim. Givanildo foi o melhor treinador que tive, principalmente por tudo isso que você citou. Foi difícil mas ele entendeu.
CS – Gostaria que o sr. mandasse uma mensagem ao torcedor do Paysandu, que tanto espera pelo acesso, por uma decisão favorável do pleno do STJD no caso Brasília, entre outras coisas, além de torcer muito pelo seu sucesso à frente do clube.
VL –  Tenho muita esperança de que vamos ganhar no STJD. O Brasília tinha 4 jogadores irregulares. Temos time pra subir e faremos de tudo pra alcançar esse objetivo. No mais é agradecer a torcida tudo que fez por mim.
Observação: Na volta do Bate-Papo (após Copa do Mundo e férias escolares), o entrevistado do mês de Agosto foi o presidente bicolor Vandick Lima, ao qual agradeço por toda atenção que teve comigo. Penso que contribuiu muito para esclarecer alguns pontos de sua administração, e para o blog. Agradeço aqui ao grande amigo Inocêncio Mártires (Icca) e ao assessor de Comunicação do Paysandu, Fernando Torres, que me ajudaram a chegar até o presidente do Papão. Espero que os amigos tenham gostado. Em setembro, tem mais. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola)

Fernandes reclama das críticas ao time

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Antes de embarcar com a delegação do Remo para o Ceará, o técnico Roberto Fernandes ministrou vários treinamentos em busca da equipe ideal para o jogo contra o Guarani de Sobral neste domingo à tarde. Ao mesmo tempo, Fernandes aproveitou para rebater as críticas ao seu trabalho, que cresceram em intensidade depois do insucesso diante do mesmo Guarani domingo passado em Bragança. “Vamos parar de denegrir os profissionais. Futebol é um esporte que tem seus resultados. Vejam o Felipão. Ele perdeu a Copa e apagou os títulos dele. Mas uma das equipes mais tradicionais do Brasil foi lá e o resgatou. Na hora que você perde você não é o rato e quando ganha não é o dono do mundo”, afirmou.

Fez até um breve balanço da carreira: “Pega meu currículo dos últimos cinco anos e observem o que eu fiz no futebol. Nos últimos cinco anos eu disputei quatro finais de campeonato e ganhei duas. Fiz duas Séries B dentro de zona de classificação. Ano passado peguei uma equipe rebaixada e terminei em quarto lugar no segundo turno. Ano retrasado fiquei 16 rodadas na zona de classificação”.

Negou divisões internas e atribuiu à pressão da torcida e de setores da mídia o descontentamento de jogadores do elenco. “Alguns jogadores ficaram muito chateados com essas coisinhas que tentam plantar dentro do grupo. É difícil, na derrota, dizer que o adversário mereceu, ponto. Vamos para o próximo jogo. O mundo não se acaba com uma derrota. “Quiseram criar uma relação ruim entre eu e o Roni, que tem todo nosso apoio. O Leandro foi um dos destaques do estadual, mas só porque não marca não presta? Pera lá”, disse. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

O passado é uma parada…

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Anúncio nos jornais do filme “Terremoto”, que estreou no cine Palácio no final da década de 70. Expoente do chamado cinema-catástrofe em voga naquela época, “Terremoto” tinha várias estrelas em seu cast. Charlton Heston e Ava Gardner encabeçavam a lista. O filme tinha o atrativo extra de ser exibido em moderno sistema estereofônico (Sensurround) que dava a sensação de que o cinema estava de fato estremecendo.