História de uma vida revolucionária

Por Gerson Nogueira

20121127173834526166eMeus livros de cabeceira neste momento são Under Their Thumb, a história de um garoto (Bill German) que se misturou com os Stones; A Ira de Nasi, relatos do roqueiro-líder da banda Ira!, e a biografia de Stieg Larsson, jornalista e escritor sueco. Apesar do teimoso hábito de devorar mais de um livro ao mesmo tempo, dediquei maior atenção à saga de Larsson, cuja vida foi dedicada à militância por causas libertárias. Era um combatente em tempo integral de grupos de ultra-direita da Suécia e a neonazistas da Europa. Conheceu vários países africanos quando ainda jovem e elegeu o jornalismo como trincheira.Antes de publicar a série policial (Millennium), que se tornaria um sucesso mundial e venderia mais de 60 milhões de cópias, Larsson (1954-2004) tornou-se um ativista político respeitado em seu país. O jornalista e editor Jan-Erik Pettersson, seu amigo e colega de trabalho, escreveu a biografia, narrando a história de engajamento do escritor e como essa via ideológica afetou sua vida e carreira.

Criado pelos avós maternos, Larsson abraçou a política ainda bem jovem, envolvendo-se em manifestações contra a guerra do Vietnã. Como jornalista, dedicou-se a enfrentar a extrema direita e a defender os direitos das mulheres e de minorias. Ao lado da mulher, Eva Gabrielsson, viveu quase todo o tempo sob ameaças de morte de facções neofascistas suecas. O enfoque social foi, aliás, o pano de fundo de sua trilogia Millennium, com personagens que lutam contra injustiças. Diante do ceticismo de amigos e parentes, Larsson costumava falar dos romances policiais que iriam deixá-lo rico e garantir velhice tranquila. Acertou parcialmente as previsões. Morreria jovem, aos 50 anos, antes de ver sua obra ficcional publicada.

11 comentários em “História de uma vida revolucionária

  1. A trilogia Milenium e’ muito bem sacada. O herói parece ser um alter ego do próprio Larsson. Trama bem urdida, personagens bem construídos e um pano de fundo realista que, além de tornar a leitura mais prazerosa, nos remete ao conhecimento de uma cultura moderna, livre, mas ainda sujeita aos dramas e tragédias próprios do ser humano. Um thriller policial de primeira.
    Em tempo: os filmes produzidos a partir da serie, embora bons, nao atingem a densidade do romance.

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  2. Em tempo, ainda. A heroína da saga Millenium e’ uma hacker estranhíssima com valores muito particulares e o herói um jornalista, pasmem, ético…

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  3. Gerson, seriamos piores do que somos se nao fosse os bons livros que lemos.
    Abaixo replico um entrevista com a ex mulher de Larsson no jornal PUBLICO de Portugal no ano de 2010.
    A mesma nao recebeu uma Ana sequer de direitos dos livros. Viveu mais de 30 anos c Larsson, mas. Nao era casadinha no papel e acredite que existe essa maldita lei para lá de obsoleta na Suécia.
    Seu pai e irmão eram seus únicos herdeiros e receberam no colo tudo.
    Hoje estou lendo, O Caçador de pipas do kHaled Hosseini. Mas em espanhol. Alguns livros em português custam o peso de um lutador de sumotori. Ai nao tem sola que agüente.rs

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  4. Eva Gabriels­son viveu 32 anos com Stieg Lars­son mas não teve dire­ito a nada quando ele mor­reu a subir as escadas, longe de imag­i­nar o sucesso gigan­tesco dos três livros que tinha com­ple­tado. Em entre­vista ao Ípsilon, a mul­her que o viu escr­ever explica como a trilo­gia Mil­len­nium mudou a vida dela, para o bem e para o mal. Por Isabel Coutinho, em Estocolmo

    Pas­saram quase seis anos desde a morte do jor­nal­ista e escritor sueco Stieg Lars­son, autor da série Mil­len­nium, e aquela que foi a sua com­pan­heira por 32 anos, Eva Gabriels­son, con­tinua a lutar por aquilo que perdeu. Con­heceu Stieg em 1972 e não se largaram mais. Nunca se casaram porque ele rece­bia fre­quente­mente ameaças de morte de gru­pos de extrema-direita por causa do seu tra­balho como jor­nal­ista na revista “Expo”. Quando mor­reu com um ataque cardíaco, com 50 anos, ao subir as escadas num dia em que o ele­vador estava avari­ado, Eva não teve dire­ito a nada. O pai e o irmão de Lars­son eram os únicos herdeiros à luz da lei sueca, que alguns con­sid­eram obso­leta e que Eva quer mudar. Agora vai pub­licar dois livros: um na Sué­cia, já este mês, sobre out­ros casos como o seu, e outro, a sair em França no Out­ono, sobre o que viveu depois da morte de Stieg Larsson.

    P.- Como descreve­ria Stieg Larsson?

    Era um homem muito inteligente e extrema­mente diver­tido, mesmo quando escrevia sobre assun­tos sérios, como a extrema-direita. Era gen­eroso, aten­cioso e disponível, e muito pop­u­lar entre homens e mul­heres. Um “nat­ural born leader”.

    P.- O que sen­tiu quando viu o primeiro vol­ume da série Mil­len­nium, já depois da morte de Stieg?

    Fiquei em estado de choque. Não sabia quando ia ser pub­li­cado, ninguém me infor­mou. Vi um monte de livros expos­tos e tive de sair dali. Não aguentei.
    Aconteceu-me o mesmo nos Verões seguintes; via os novos vol­umes à dis­tân­cia e reconhecia-os. Era como se estivesse a ver uma cobra. Uma revista francesa quis tirar-me uma fotografia a segu­rar nos livros e eu disse que não con­seguia. São o sím­bolo da tragé­dia da minha vida.

    P.- Diz que em Espanha, em Itália e em França se dis­cute o sen­tido de Mil­len­nium mas na Sué­cia não. Porquê?

    Não se inter­es­sam por debater a situ­ação da mul­her, a situ­ação da imprensa, a cor­rupção e a maneira como as empre­sas se com­por­tam. O nat­ural era que isso fosse dis­cu­tido: está tão pre­sente nos livros. Mas não levou a nen­hum debate na Sué­cia. Só falavam de Stieg. Que­riam saber quan­tos cig­a­r­ros fumava, se punha leite no café, quan­tas horas dormia. Ninguém que­ria saber do que era impor­tante. Fiquei muito sur­preen­dida por Espanha se mostrar tão atenta. Há um pro­fes­sor de jor­nal­ismo em Barcelona que vai usar os livros nas aulas para mostrar como os media devem tra­bal­har e o Obser­vatório Espan­hol con­tra a Vio­lên­cia Domés­tica e de Género atribuiu-lhe um prémio pós­tumo. Se cal­har é mais fácil ver as coisas de fora. Quando acon­tece connosco passa a ser normal.

    P.- Stieg Lars­son preocupava-se mais com os temas do que com as per­son­agens?
    Os temas sur­gi­ram primeiro. Temas soci­ais: as mul­heres, a vio­lên­cia, a cor­rupção, os juízes, o que os políti­cos podem fazer. O poder que a política dá mas tam­bém o poder dos indi­ví­duos para mudarem as cir­cun­stân­cias da sua e de out­ras vidas. Há muita esper­ança também.

    P.- Ter assis­tido a uma vio­lação quando era novo foi mar­cante para a luta de Stieg pelos dire­itos das mulheres?

    Sou a única pes­soa a quem Stieg con­tou isso: que­ria mostrar-me porque era tão empen­hado con­tra a dis­crim­i­nação e a vio­lên­cia sobre as mul­heres.
    Foi essa força inte­rior que fez com que fosse tão per­sua­sivo nesta luta.
    Não se tratava de uma agenda política, era uma coisa pessoal.

    P.- Para criar Lis­beth Salan­der, ele inspirou-se nas per­son­agens de Astrid Lindgren?

    Sim, na Pipi das Meias Altas, que é uma miúda. Mas o que acon­te­ceria se fosse uma jovem mul­her? O que pen­saríamos dela? Con­tin­uaríamos a gostar dela? É um ponto de par­tida. Mas a Lis­beth Salan­der não é a Pipi das Meias Altas. A Pipi não é um “role model” para Lis­beth. Foi só o clique.

    P.- Lis­beth atrai pes­soas por todo o mundo. Por que razão?

    É hon­esta. Rege-se por princí­pios firmes e luta por eles. Fá-lo con­tra poderes, con­tra a polí­cia e con­tra os psiquia­tras. Con­tra o tutor, con­tra o pai, con­tra toda a gente. É o “under­dog” e não desiste. Parece que é disso que as pes­soas estão à procura: de alguém que não desista.

    P.- Supera-se a si própria.

    É um super-herói, mas ao mesmo tempo é tão frágil, tão pequena… Tem tudo con­tra ela mas não desiste.
    Mostra-nos que podemos fazer coisas mesmo quando temos tudo con­tra nós. É uma cel­e­bração das capaci­dades do ser humano. Essa era uma das car­ac­terís­ti­cas do Stieg, ele via essa von­tade de fazer alguma coisa de bom em toda a gente. É um reflexo do que ele era e da maneira como via a vida.

    P.- A per­son­agem Mikael Blomqvist é um alter-ego?

    Não. Mikael e Stieg par­til­ham os mes­mos princí­pios sobre o que deve ser o papel dos media (pro­te­ger as fontes, ver­i­ficar fac­tos e não colab­o­rar com a polí­cia a não ser que se trate de uma inves­ti­gação crim­i­nal). Mas só isso.

    P.- Viu os filmes?

    Não dou din­heiro a esta indús­tria Mil­len­nium, e é por isso que tam­bém não com­pro os livros. Vi o primeiro porque me ofer­e­ce­ram. Está con­struído como um filme de acção e não recon­heço nen­huma das per­son­agens a não ser a Lis­beth Salan­der. Não recon­heço Mikael Blomqvist e a per­son­agem mais impor­tante na vida dele, a Erika Berger, quase não existe. Vi o ter­ceiro filme de graça numa antestreia e a série que está a pas­sar na tele­visão sueca. Estou a gostar, come­cei a recon­hecer as per­son­agens dos livros, mas não pas­sará nos cinemas.

    P.- Quando estava a escr­ever os livros, Stieg mostrava-lhe o que ia escrevendo ou prefe­ria que só lesse no fim?

    [sus­piro] Eu ten­tava não per­tur­bar o seu processo cria­tivo. Porque via que aquilo era uma coisa que ocu­pava a sua mente de uma forma intensa. Mas Stieg ora estava den­tro daquilo, ora estava fora. E que­ria dis­cu­tir. Que­ria que eu lesse o tempo todo. Às vezes dizia-lhe: “Não tenho tempo.” E ele insis­tia: “Mas tens de ler.” Não era aquele tipo de escritor que se fecha atrás de uma porta e aparece um ano ou dois depois com um livro escrito.

    P.- Escrevia em casa?

    Na sala de estar. Ficava esten­dido de um lado do sofá com o com­puta­dor no colo e eu ficava do outro, a fazer as min­has coisas. Está­va­mos tão perto quanto isso. Ele não podia guardar o que estava a fazer para ele.

    P.- A Eva tam­bém escreve?

    Quando Stieg escrevia [a série] Mil­len­nium, eu tra­bal­hava num man­u­scrito sobre o desen­volvi­mento de Esto­colmo no iní­cio do século XX. Cheguei a escr­ever dois capí­tu­los e deixei-os com um edi­tor. Quando ele mor­reu não con­segui acabá-lo. Stieg era muito espon­tâ­neo a escr­ever, não havia um grande planeamento.Era-lhe fácil escr­ever aque­les livros, acho. Não era pre­ciso fazer muita pesquisa, já estava feita.

    P.- No seu tra­balho jornalístico?

    Sim, mas tam­bém nas coisas que fize­mos jun­tos, naquilo que lhe ensinei. No que líamos e anal­isá­mos jun­tos. Naquilo em que tra­bal­há­va­mos jun­tos rela­cionado com o com­bate político. Stieg não andou na uni­ver­si­dade, e eu andei, por isso mostrei-lhe coisas que ele não con­hecia. A descrição de Esto­colmo foi reti­rada do meu livro. Ele disse que não tinha tempo para fazer nen­huma pesquisa sobre isso e perguntou-me se podia tirar de lá infor­mação sobre as áreas de Esto­colmo. Disse-lhe que sim.

    P.- É ver­dade que foi a Eva a entre­gar o man­u­scrito à primeira edi­tora, a Pirat­för­laget, que o rejeitou?

    Não o chegaram a ler. Dis­seram que que­riam ver o man­u­scrito, por isso Stieg enviou-o pelo cor­reio mas o pacote foi devolvido meses depois. A morada estava cor­recta, nunca chegaram a ir levantá-lo aos cor­reios.
    Stieg telefonou-lhes a per­gun­tar se não que­riam ler, voltaram a dizer: “Claro que sim”. Então peguei no man­u­scrito e per­gun­tei: “Qual é o endereço? Vou entregar-lhes o livro em mãos.” Fui lá, deixei o livro com uma jovem, voltei para casa e disse: “Mis­são cumprida, pacote entregue.”

    P.- O que acon­te­ceu então?

    Passaram-se sem­anas, meses e nada. Stieg telefonou-lhes outra vez: “Já o leram? Querem publicá-lo?” Respon­deram que não. Então fui lá buscá-lo porque obvi­a­mente havia algum prob­lema. Trouxe o man­u­scrito, que ficou pou­sado na nossa sala. Entre­tanto tín­hamos out­ras coisas para fazer.

    P.- Por que escol­heram esse editor?

    São bons e fazem bons con­tratos com os escritores, dão uma per­cent­agem muito maior do que o habitual.

    P.- Decidi­ram depois enviar o man­u­scrito para outra editora?

    Não. Na ver­dade foi o edi­tor da revista “Expo” que o levou para a Norstedts. Qua­tro meses depois, no final de Abril de 2004, decidi­ram pub­licar. O con­trato foi assi­nado para três livros.

    P.- Quando se ter­mina a leitura do ter­ceiro vol­ume, a história fecha, de certa maneira.

    Stieg que­ria escr­ever dez livros mas não tinha planos sobre o que é que eles seriam…

    P.- É ver­dade que existe um quarto man­u­scrito que está num com­puta­dor em sua posse?

    Não está comigo. Não é um livro com­pleto. Penso que tem cerca de 200 pági­nas. Era suposto que os livros tivessem cerca de 600 pági­nas, por isso ainda fal­tava muito para estar com­pleto. Não há nen­hum inter­esse em publicá-lo assim. Ofereci-me para o acabar e a família disse que não.

    P.- Então quem tem o man­u­scrito? Se não é a Eva, nem a família, é a “Expo”?

    Não faço comen­tários sobre isso. Stieg nunca assi­nou con­tratos para os out­ros livros porque não estavam escritos. Não li o man­u­scrito mas sei o que está lá porque nós falá­va­mos sobre isso.

    P.- Neste mês pub­lica um livro em que anal­isa a lei sueca e os dire­itos de homens e mul­heres que vivem jun­tos. O que a levou a querer escrevê-lo?

    Falei com pes­soas que estavam na mesma situ­ação que eu –há out­ros casos hor­ríveis e quero mudar a lei. É injusto o que me acon­te­ceu. Quando Stieg mor­reu, perdi tudo. Não tinha dire­itos por não ser casada com ele. Metade do nosso aparta­mento pertencia-me mas os herdeiros, o pai e o irmão de Stieg, ficaram com a outra metade. Que­riam que eu lhes desse o com­puta­dor do Stieg em troca da outra parte da casa. Disse-lhes que não, que era con­tra a con­sti­tu­ição e con­tra a liber­dade de imprensa. O com­puta­dor con­tém fontes, infor­mações que não devem ser públi­cas. Esperei três anos para que dissessem: “Então quer­e­mos o din­heiro da nossa parte em vez do com­puta­dor.” Tive de vender o aparta­mento porque não podia ir outra vez ao banco pedir um emprés­timo. Não podia supor­tar os encargos.

    P.- Está a decor­rer um processo no tribunal?

    A lei está tão mal escrita que não posso ir a tri­bunal. Não havendo um tes­ta­mento, perde-se tudo.

    P.- Então o que está a ten­tar fazer?

    Estou a ten­tar nego­ciar através de advo­ga­dos para con­seguir uma solução. Posso recor­rer a tri­bunal através da lei dos dire­itos ima­te­ri­ais por ter­mos tra­bal­hado jun­tos, em co-autoria. Mas o meu advo­gado disse-me que seria um processo longo e extrema­mente caro. Não tenho dinheiro.

    P.- Porque é que não colo­caram refer­ên­cias a essa colab­o­ração nas obras? Não falaram sobre isso na altura?

    Não, não falá­mos. Nunca aparecíamos em público com os nos­sos nomes lado a lado. Era nor­mal. Por causa do medo de que ele pudesse ser assas­si­nado ou rela­cionado comigo. Stieg pre­cisava de ter um lugar seguro, pre­cisava de pelo menos ter uma morada que fosse sec­reta, onde ninguém lhe pudesse tocar.

    P.- Durante as nego­ci­ações os herdeiros ofereceram-lhe din­heiro. Porque é que não aceitou?

    Eles foram para os jor­nais dizer isso, mas nunca con­tac­taram o meu advo­gado. É pro­pa­ganda para mostrar que são boas pes­soas. Estavam a nego­ciar com Hol­ly­wood e pre­cisavam de mostrar que ten­tavam resolver as coisas.
    O meu advo­gado não percebe, eu não percebo. O que é que eles estão a fazer? Eu sem­pre disse que que­ria ter o dire­ito legal de con­tro­lar como os livros são traduzi­dos, são adap­ta­dos ao cin­ema, e que que­ria din­heiro para fazer esse tra­balho. É o que andamos a ten­tar nego­ciar ao longo destes anos. Que eu tenha uma palavra a dizer sobre as mudanças que já foram feitas nos livros. Não estão inter­es­sa­dos porque isto vai con­tra inter­esses instalados.

    P.- Em Janeiro, na Sué­cia, foi pub­li­cado o livro do jor­nal­ista Kurdo Baksi (“Meu amigo Stieg Lars­son”) e há agora quem duvide que Stieg tenha escrito os livros soz­inho. Dizem que era bom a inves­ti­gar mas não a escr­ever. Como vê isto?

    Um amigo?! Não sei. Talvez as pes­soas este­jam com ciúmes de Stieg. Não supor­tavam que Stieg fosse pop­u­lar e respeitado como jor­nal­ista e inves­ti­gador espe­cial­ista em questões de racismo. Stieg con­hecia pes­soas impor­tantes, era um espe­cial­ista ouvido pelo Min­istério da Justiça, e acho que agora que está morto a inveja aparece.

    P.- Está a escr­ever um livro sobre Stieg Lars­son. Vai ser pub­li­cado em França, no Outono?

    Não é sobre o Stieg, é sobre o que acon­te­ceu depois de ele mor­rer. Nessa altura come­cei a escr­ever um diário tive que o fazer, ou ficava maluca e esquecia-me de tudo o que me estava a acon­te­cer. Uma das min­has irmãs aconselhou-me a fazê-lo. É a base do livro. Mais tarde encon­trei um edi­tor.
    Acabou por ser em França porque uma amiga minha que tem um aparta­mento na Riv­iera levou-me lá para eu con­hecer edi­tores france­ses. Acred­i­tava que tin­ham mais qual­i­dade do que os sue­cos. E tinha razão.

    O PÚBLICO via­jou a con­vite do Min­istério dos Negó­cios Estrangeiros sueco.

    (Entre­vista pub­li­cada no suple­mento ipsilon do jor­nal PÚBLICO de dia 30 de Abril de 2010)

         

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  5. Muito interessante a entrevista. Nao tinha conhecimento do drama vivido pela Sra. (?) Larsson.
    Concordo com a sugestão da leitura obrigatória para jornalistas. Me pergunto, a propósito, será que ainda produzimos, no Brasil, jornalistas dignos desse nome?

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    1. Não vejo assim, amigo. Sempre tivemos bons e maus jornalistas, assim como bons e maus médicos, bons e maus advogados, engenheiros, garis, cozinheiros etc. É o ciclo normal da vida.

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  6. O brasileiro precisa ler mais . A partir disso vai descobrir a a quantidade de gente boa que nos cerca.
    Os jornalistas e afins precisam ser bem mais valorizado$ pela nossa gente .rs
    muita gente a dar com o pau no Brasil , diriam os lusos.

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  7. Ultimamente, as criticas ‘a imprensa, de modo geral, tem sido muito fortes. Sites especializados e insuspeitos, como o observatório da imprensa, tem freqüentemente batido nessa tecla. Nao nego que há profiisionais de todos os tipos e caracteres. E’ o ciclo da vida, como vc diz. Mas, se compararmos os articulistas de hoje com os de um passado até recente, nao há como nao notar uma queda de nível. Os tempos mudaram, sem duvida. Bom, talvez eu seja um nostálgico e este desabafo pareça até sem sentido em tempos de redes sociais e instantaneidade. Sinto falta das grandes penas de outrora.

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