Torcidas: Datafolha se explica sobre pesquisa

Por Mauro Paulino, diretor do Datafolha

Quanto aos questionamentos acerca da última pesquisa Datafolha sobre tamanhos das torcidas cabem alguns esclarecimentos:

1. qualquer pesquisa baseada em método científico de amostragem contém limites estatísticos definidos, entre outros conceitos, pela margem de erro. Por definição, pesquisas de opinião são imprecisas e revelam números aproximados das proporções reais encontradas na sociedade.

2. justamente por serem apenas aproximações, os números divulgados pelo Datafolha são arredondados, a exemplo do que faz a maior parte das empresas de pesquisas em outros países. Entendemos que a divulgação de números com casas decimais passaria a falsa impressão de precisão que o método estatístico não proporciona.

3. a atual pesquisa tem margem de erro máxima de dois pontos percentuais. O que isto significa? Que para os percentuais na casa dos 50% a margem de erro fica mais próxima da máxima. Nos extremos, quanto mais próximo de 100% ou de 1%, a margem diminui para 0,4%.

4. apenas para ilustração, a tabela abaixo contém os percentuais apurados pela pesquisa com duas casas decimais. Por tratar-se de um processo amostral, não censitário, e pelos motivos expostos acima o Datafolha opta pelo arredondamento. Portanto, o Fluminense que alcança 1,46% e a Portuguesa que tem 0,51% ficam com 1% na aproximação realizada automaticamente pelo software estatístico. Da mesma forma o Flamengo com 16,27% e o Corinthians com 15,56% empatam tecnicamente em 16%.

5. considero que o tema alcança relevância econômica e social suficiente para que o IBGE inclua no próximo censo uma pergunta sobre torcidas, o que poderia dirimir todas as dúvidas e detalhar a real distribuição das torcidas por município, como ocorre com religião. Enquanto isso não acontece a contribuição dos institutos, mesmo que limitada pelo método, é fundamental para que se tenha uma ideia aproximada – porém desapaixonada – das proporções das torcidas no Brasil. E é dessa forma que os números devem ser analisados e entendidos.

Os piores técnicos da temporada na Série A

O Blog Pombo Sem Asa, do jornalista Bernardo Pombo, elegeu os cinco piores técnicos da temporada na Série A. Na minha opinião, esqueceu de Osvaldinho da Cuíca, o presepeiro e lerdo treinador do Botafogo.

1 – HÉLIO DOS ANJOS
Um ano para esquecer. Pelo Atlético-GO, conseguiu a proeza de perder os seis primeiros jogos do Brasileiro e pedir demissão. Depois assumiu o Figueirense e o retrospecto foi igualmente ruim. Em sete jogos, conseguiu apenas uma vitória e outras seis derrotas. Pelos dois times no Brasileiro, Hélio teve 13 jogos, uma vitória e 12 derrotas.

2 – CAIO JÚNIOR
Começou a temporada no Grêmio, onde foi mal e, em oito jogos, teve apenas quatro vitórias. Após passagem pelo Al Jazira, assumiu o Bahia, mas ficou em Salvador menos de um mês. Pediu demissão após duas vitórias, três empates e cinco derrotas. Alegou problemas familiares.

3 – ADILSON BATISTA
Comandou o Atlético-GO e foi demitido após 10 jogos. Com ele, o Dragão foi eliminado pela Ponte Preta na segunda fase da Copa do Brasil e ficou com o vice-campeonato goiano, após dois empates com o rival Goiás na decisão. Acertou com o Figueirense em novembro, mas só estreia em 2013.

4 – EMERSON LEÃO
Inicou o ano no São Paulo, mas não resistiu às eliminações no Campeonato Paulista, na Copa do Brasil e a um início irregular no Campeonato Brasileiro. No São Caetano, teve sete vitórias, três empates e duas derrotas em 12 jogos, mas deixou o clube após dois meses por briga com a diretoria.

5 – FERNANDÃO
Ídolo do Inter, aceitou o desafio de comandar a equipe após a saída de Dorival Júnior. Mas não foi nada bem. Dirigiu o time gaúcho em 26 jogos, conquistando nove vitórias, empatando oito jogos e perdendo outros nove. Foi demitido faltando duas rodadas para o fim do Brasileiro.

Futebol jogado no Brasil não atrai interesse lá fora. Por que?

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Por Mauro Cezar Pereira (ESPN)

“A Liga dos Campeões é o objetivo máximo que tem um clube”. A frase é de Vicente del Bosque, técnico da seleção da Espanha, campeã mundial e bi da Eurocopa. Declaração nada surpreendente partindo de um europeu. Mas o que há por trás dela? O recém-encerrado Mundial de Clubes da Fifa, conquistado merecidamente pelo Corinthians e mais uma vez repleto de times risíveis, proporciona uma boa reflexão.

O que motiva os europeus a se fecharem de tal forma ao redor de sua principal competição e das ligas nacionais? Auto-suficiência? Pode ser. Mas o que a explica? Creio que seja provocada pela força de suas competições, que movimentam torcidas, dinheiro, repercutindo em todo o planeta. Eles têm os mais valorizados jogadores do mundo e exploram isso ao máximo. 

Nesse cenário, fica difícil outro torneio competir em qualidade com a Champions, apesar de alguns timecos que participam da fase de grupos da competição europeia. E como a Fifa faz enorme uso do seu Mundial (distribui vagas por critérios políticos, não técnicos), o mesmo não consegue se aproximar do certame europeu no quesito técnico.

A Fifa arma seu Mundial com um representante de cada continente dando quase o mesmo peso para regiões do mundo onde se joga futebol em alto nível e outras nas quais o esporte é amador. O desafio imposto pela Liga dos Campeões é muito maior. Tivesse o torneio “fifeiro” mais equipes de nível técnico elevado (tradução: mais vagas para europeus e sul-americanos), certamente ele começaria a ficar mais atraente, desafiador.

 
O Corinthians tem torcida, tradição, títulos, patrocinador, um estádio sendo construído, muita mídia e um bom time de futebol. Como foi possível um clube de tal calibre ser praticamente ignorado por muitos torcedores e jornalistas europeus até a vitória na final? E que fique claro: fosse outro o representante brasileiro no Japão, não seria diferente. O futebol jogado aqui praticamente não é visto lá fora. E isso precisa ser encarado por nós, para que possamos encontrar problemas e pensar em soluções.
Quais os pontos fortes do Campeonato Brasileiro sob a ótica de um europeu que ligaria a TV de sua casa para acompanhá-lo? Times populares, jogadores jovens que podem surgir e alcançar fama internacional, bons times dentro de nossa atual realidade e, claro, jogos legais. Sim, temos muitos cotejos interessantes por aqui.

E os pontos fracos? Primeiro a pequena quantidade de partidas que realmente tenham grande apelo para quem busca um jogo atraente, sem ter vínculo afetivo com os times que estão em campo. São muitas as pelejas arrastadas, com 40 a 50 faltas, jogadores que reclamam de tudo e árbitros que marcam de tudo. Isso é somado a gramados ruins, estádios na maioria das vezes vazios e um cenário melancólico.

O produto não é bom. Se o sujeito não for um brasileiro morando no exterior ou alguém absolutamente fanático pelo futebol daqui, dificilmente irá parar para ver o Brasileirão. Até no empacotamento do produto, nas transmissões de TV, é preciso melhorar muito. Que tal colocar o dedo na ferida, enfrentar isso? Ainda mais agora, que os clubes daqui têm mais dinheiro?

Outra opção é ficarmos indignados com o jornalista inglês que desconhecia o Corinthians. E aqui volto a reforçar: seria o mesmo caso lá estivesse qualquer outro time brasileiro. Eles não conhecem porque não veem, não têm interesse no que é jogado aqui. O futebol brasileiro e sua seleção têm respeito e admiração lá fora, mas os times e o que proporcionam em campo não chamam a atenção.

Até concordo que um jornalista especializado em futebol, inglês, que acompanha o Chelsea, deveria saber o mínimo sobre o time corintiano às vésperas do torneio “fifista”, isso faz parte do trabalho. Mas quantos de nós da imprensa brasileira têm amplo conhecimento sobre os demais times que disputaram o Mundial de Clubes, como o próprio Al Ahly? No geral, estamos no mesmo barco.

Alguém dirá algo como “mas o cara não acompanha o futebol jogado no Brasil, que absurdo!” E quantos da imprensa brasileira sabem algo sobre, digamos, os times que disputam o Campeonato Paraguaio? O Chileno? O Equatoriano? O Argentino? Poucos. E qual o motivo? Esses torneios não despertam grande interesse por aqui, as pessoas priorizam aquilo que lhes importa.

Sim, o Brasileirão está para um torcedor ou jornalista europeu como para nós estão o Campeonato Costarriquenho ou a Liga Postobón da Colômbia. Azar do repórter inglês que não conhece o Corinthians ou azar de quem tem tanta tradição no futebol e não consegue chamar a atenção do mundo? Pare, pense. O inimigo do progresso de nosso futebol mora em casa.

Toga fardada no Supremo?

Por Luis Nassif

No futuro os historiadores reconhecerão 17 de dezembro de 2012 como o dia da vergonha do Supremo Tribunal Federal. Cinco ministros irresponsáveis empalmaram a Constituição Federal, açambarcaram o poder dos constituintes de definir lei e abriram caminho para futuras ações ilegais. A assinatura final desse episódio vergonhoso é de Celso de Mello.

O cenário pós-Yokohama

Por Gerson Nogueira

bol_ter_181212_11.psAdversários diretos – leia-se: grandes de São Paulo, Rio, Minas e Rio Grande do Sul, nesta ordem – têm motivos mais do que relevantes para botar as barbas de molho a partir da conquista do bicampeonato mundial pelo Corinthians. A situação, que já se prenunciava desfavorável antes da façanha de domingo, tende a ficar tenebrosa a partir de agora.

Nem estou me referindo ao massacre midiático corintiano, que superou com sobras qualquer outro evento envolvendo clubes brasileiros em disputa internacional. Poucas vezes se viu avalanche tão intensa de noticiário sobre a campanha no Mundial de Clubes, quase do mesmo nível do que se costuma ver em torno da Seleção Brasileira.

A questão que se discute agora é a pujança financeira do novo bicampeão do mundo. Nos últimos cinco anos, desde que emergiu do rebaixamento, o Corinthians empreendeu uma arrancada vertiginosa, arrecadando um valor superior a R$ 950 milhões. Só em 2011 foram R$ 290,4 milhões. A previsão de fechamento da atual temporada, já incluindo o faturamento com o Mundial, deve bater em R$ 380 milhões.

Cabe observar aqui o abismo que separa a realidade do Corinthians das dos demais integrantes do quase extinto Clube dos 13. O mais próximo concorrente, em cifras, é o São Paulo, que ficou em R$ 160 milhões no ano passado e deve alcançar R$ 240 milhões em 2012.

Por justiça, o plano de recuperação do Corinthians, traçado e posto em execução a partir da queda em 2007, já merece ser comparado à contabilidade de clubes de porte médio da Europa. Enquanto o time embarcava para o Japão, há duas semanas, a diretoria fechava a renovação de acordo com a multinacional Nike. Pelo novo contrato, que vai até 2022, o clube de Parque São Jorge vai embolsar R$ 300 milhões.

Os rivais, que inutilmente secaram o Corinthians na final contra o Chelsea, que se cuidem. A Nike só mantém contratos desse porte com clubes de primeira linha da Europa. No Brasil, só o anunciado acerto (de cinco anos) do Flamengo com a Olympikus tem valores similares.

Na somatória dos patrocínios de camisa o Corinthians também segue na dianteira entre seus pares nacionais. As marcas que terão espaço na camisa alvinegra em 2013 pagarão R$ 50 milhões pela primazia. É certo também que o bicampeonato mundial adicionará mais patrocinadores à lista atual.

O programa de sócio-torcedor, que copiou os bons exemplos da dupla Gre-Nal, já se consolidava economicamente há dois meses e deve experimentar uma explosão de associados a partir de agora, embora a projeção de 150 mil sócios deva se concretizar com a inauguração do estádio Itaquerão no final do próximo ano.

Tantas boas notícias só encontram um tom mais sombrio quando se observa a dívida do clube, estimada em mais de R$ 250 milhões. Apesar disso, não é a maior entre os clubes paulistas e fica muito abaixo do endividado quarteto do Rio.

A pujança financeira que o Corinthians passou a ter nos últimos anos deve-se, em grande parte, à pacificação eterna. As brigas, tão comuns nas gestões de Wadih Helu, Vicente Mateus e Alberto Dualib, tornaram-se raras, quase insignificantes, a partir do momento em que o grupo de Andrés Sanchez tomou as rédeas do poder.

O lema de Sanchez e aliados passou a ser: “brigar, só com os adversários”. E tem sido cumprido com um rigor cirúrgico. Com as vitórias chegam os títulos. Com as conquistas, o clube fica mais poderoso financeiramente. Com mais grana, pode contratar mais craques (Alexandre Pato e Dedé devem ser os primeiros de 2013) e ampliar ainda mais seu domínio nesta ciranda em que se transformou o futebol moderno.

Pode-se dizer que, caso não aconteça nenhum contratempo, o Corinthians passa a ter o céu como limite.

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Inferno astral do Almirante

Nem o Palmeiras, que desabou pela segunda vez para a Série B, atravessa cenário tão conturbado quanto o Vasco. É, seguramente, o quadro mais aflitivo entre os clubes mais tradicionais. O capítulo mais recente é o pedido de desligamento do volante Nilton, que foi à Justiça por estar há mais de três meses sem receber.

É uma situação que atletas paraenses estão mais ou menos acostumados a viver, mas não deixa de surpreender quando diz respeito a uma das agremiações mais vitoriosas do futebol brasileiro e dona de uma das cinco maiores torcidas. A pindaíba tirou do clube um de seus ídolos recentes, o meia Juninho Pernambucano, que preferiu ir jogar nos EUA.

Diante da nau desgovernada, há quem atire pedras na administração do ídolo Roberto Dinamite, mas é justo lembrar que as sementes da atual desventura foram plantadas por Eurico Miranda, o ex-caudilho de São Januário.

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Cearense: acerto gordo com o Remo

Não saiu barato o acerto entre o Remo e Leandro Cearense, anunciado finalmente ontem como reforço para a próxima temporada. O jogador, que disputou a primeira fase do Parazão pelo Santa Cruz de Cuiarana, vendeu 70% dos direitos federativos aos azulinos.

O valor só foi atenuado, para o clube, porque parte desses direitos cabe com empresários remistas. Para os padrões locais, porém, a transação foi acima da média, girando em torno de R$ 150 mil.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 18)

Tribuna do torcedor

Por Alex Bernardes

Assistindo ao Bola na Torre e acompanhando pelo DIÁRIO, vi a repercussão da venda da nova camisa do Remo, que vendeu como água. Ouvi os comentários de que com uma boa estratégia de marketing em relação a isto nossos clubes ganhariam dinheiro, pois bem, não ganhariam! Sabe por que? Porque temos curiosos em todas as áreas administrativas ligadas ao futebol, neste caso específico todos (dirigentes, imprensa, etc) não tem a menor noção do real motivo das camisas terem vendido tanto, acham que foi somente pelo apego da torcida. Faço parte de comunidades camiseteiras, em geral blogs que discutem e pontuam lançamentos dos uniformes de todas as equipes, sejam nacionais, de fora ou seleções, lá temos uma boa medida do que o torcedor gosta ou quer ver em seus mantos sagrados. Tais comunidades são prospectadas e conhecidas pelos responsáveis técnicos de algumas empresas do ramo de material esportivo, como a Penalty e a Topper por exemplo, de olho nas tendências e desejos do torcedor.

Pois bem, a camisa do Remo vendeu como água por duas razões, a primeira foi um retorno a um padrão mais tradicional na cor e no template (design), e a segunda, mais importante, é que ela estava limpa, como dizemos, sem nenhum patrocínio, fato que correu no boca à boca. O que mais irrita os torcedores atualmente em relação à uniforme, é que nossas camisas viraram verdadeiros abadás, que por conta da pindaíba dos clubes praticamente se descaracterizam em uma poluição visual de dar dó, simples assim. Faço uma aposta, quando chegarem as novas remessas, já com todos os patrocinadores, procure saber se o volume de vendas vai diferir muito do que tem se vendido nos últimos anos, quando chegou essa tendência de vender cada espaço do uniforme, aposto que não vai ter muita diferença… Esta venda recorde atípica, é fruto do desejo reprimido dos torcedores, saudosos do tempo em que o seu escudo reinava como a maior marca dos nossos mantos sagrados.