Remo promete anunciar contratações de impacto

Remo Jhonatan,Tiago cameta,Val barreto e Henrique-MQuadros

Diretoria reeleita do Remo começa a se movimentar para atrair o torcedor para a disputa do Campeonato Paraense. Segundo informações surgidas na manhã desta sexta-feira, o presidente Sérgio Cabeça deve anunciar na próxima segunda-feira um trio de reforços “de peso”. Destaque para um centroavante de prestígio no futebol regional, artilheiro e que deve ser o grande trunfo para a campanha no Estadual. Esses jogadores integrariam um pacote que vai custar cerca de R$ 100 mil, quantia a ser paga por um dos patrocinadores do clube. Enquanto isso, no estádio Evandro Almeida, o técnico Flávio Araújo observa os jogadores para definir a equipe-base. Ainda sem contar com todos os contratados, Araújo dividiu o elenco em grupos de seis atletas para treinar passe, cabeceio, cruzamentos e chutes a gol. Aproveitou para ver em ação jogadores que não conhecia, como Branco, Tiago Cametá e Jonathan. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

O baião-de-dois e o conto da comida de grife

Por Xico Sá

sorriacrumbTalvez você seja de um lugar que nunca vai ter ideia do que estou falando. Isso é que é bonito. Talvez você seja de um Brasil que só conhece a cartografia de NY e de Londres. Adoro as duas cidades, mas mesmo assim eu insisto. Cosmopolitismo de cool é rola! Jeca Tatu pode ser Jeca total, se é que você me entende.

A grife do baião-de-dois, como começaria outro dia uma crônica pros jornais “Aqui-DF” e “Aqui-CE”, essa coisa eternamente antropofágica e tupinambá (ou caeté) como o sangue da minha amada, indiazinha com sangue do Ceará e de Pernambuco, indiazinha que diz, quando eu me aproximo: “Lá vem minha comida se bulindo”.

Sabe aquela coisa de se aproveitar da comida de raiz, no sentido de origem da palavra radicalidade ou radical, e fazer do prato popular uma fortuna?! Não, amigo, não tem nada a ver com as trapalhadas do sorteio da Copa das Confederações o que eu vou falar agora, de cara.

Assim como foi o cozinheiro paulistano de grife Alex Atala, um gênio, poderia ser qualquer um de nós. O menino só meteu a mão na cumbuca. Acontece. Eu faço isso diariamente, todos nós fazemos. A sorte é que nem sempre é em público.

Mas o que vou tratar diz respeito a vender comida popular cara demais. Parem com isso. É plágio, para não dizer roubo. Nego pega um baião-de-dois, por exemplo, dá um trato em restaurantes finos e cobram os olhos da cara. Mesmo assim vale para mil e uma receitas. O baião vai como metonímia, parte pelo todo.

Seja em uma certa Fortaleza para turista ver ou qualquer capital nordestina para classe média pagar de besta. Não pode. É roubo. Seja no Distrito Federal e seja, principalmente, na ilusão maluca do eixo Rio/São Paulo. Aqui nem se fala. Cadê a polícia que não vê uma coisa dessas?!

Outro dia liguei para minha mãe, dona Maria do Socorro, habitante do bairro da Timbaúba, em Juazeiro do Norte, e disse quanto havia pago na famosa iguaria com matriz sertaneja, mesmo sem o queijo derreter direito sobre o arroz com feijão da existência. Um baião-de-dois tão errado como se a França vendesse o Existencialismo sem Jean-Paul Sartre, esse qualho enfezado sem derretimento.

E vos digo: baião-de-dois de responsa leva pequi da Serra do Araripe. No que a minha santa mãezinha, como ia contando aí acima, deu o pipoco: “Por esse dinheiro, meu filho, eu já cozinhei para um batalhão de homens, para um ajuntamento que construía um açude”. Sim, amigo, nas capitais, um baião-de-dois custa os olhos da cara. A cópia chique do prato nordestiníssimo.

O original continua caseiro e de custo decente. O que acontece é que a classe média cai no conto de comer mais a marca do que o arroz com feijão de fato. Isso que alimenta a comida. Falo da comida com assinatura. Daí damos margem para toda sorte de ladroagem e molhinhos picaretas. A classe média adora cair no conto de qualquer molhinho de grife. Molhinho que muotas vezes destrói a receita materna e de origem, você sabe disso, amigo.

Mas besta é quem cai nessa besteira. Só para sair arrotando que almoçou em tal canto etc. Só para dizer para os amigos que está podendo. Só para deixar o carimbo de abestalhado pregado na testa. Trato do tema porque agora a onda é pegar um prato caseiro e transformá-lo na “comida dos deuses”. Ainda bem que dona Maria do Socorro, minha santa, jamais vai cair nessa lenda. Até porque é infinitamente melhor do que esses enganadores de grife.

Mas cai quem quer, não é, meu amigo? E a capacidade de ser enrolado pela coisa de marca, seja comida ou seja roupa, não tem limite. O mundo está cheio dessa gente que adora ser roubada. Sorte dos espertos que inventam o truque.

Boa sorte contra a ladroagem e até a próxima semana.  E agora com licença que vou me fartar de comida sem assinatura. Comida de gente.

Vote no mico da semana

Eleja um King Kong e justifique sua escolha:

1) Remo reelege presidente completamente divorciado de sua imensa e apaixonada torcida. Protesto de um grupo de torcedores do lado externo da sede marcou a noite da reeleição de Sérgio Cabeça.

2) Completou um mês que o senador tucano anunciou na tribuna do Senado que iria apresentar provas de corrupção do presidente da FPF, coronel Antonio Carlos Nunes. Até agora, nada. Só potoca.

3) O que seria a celebração do amor de uma torcida por seu time tornou-se, no embarque do Corinthians para o Japão, um show de barbárie, violência e destruição no aeroporto de S. Paulo.  

Os compromissos de Cabeça

Por Gerson Nogueira

Os conselheiros do Remo reelegeram Sérgio Cabeça para mais dois anos de mandato. Na eleição de ontem, Cabeça recebeu 88 votos contra 24 dados ao candidato de oposição, Roberto Macedo. Muito mais do que aclamação ao presidente, cuja primeira gestão termina sem maiores triunfos (principalmente no futebol), o acachapante resultado traduz a ausência de novas lideranças no clube.

A limitação de eleitores não contribui para que surjam alternativas aos nomes de sempre. Durante todo o processo, enquanto conselheiros e beneméritos votavam, um grupo de jovens torcedores protestava do lado de fora da sede remista, em tom pacífico, mas determinado. As faixas eram eloquentes na cobrança por eleições diretas no clube.

Remo Eleicoes 2013 a 2014-Candodato Sergio Cabeca-MQuadrosEntre as promessas assumidas por Cabeça na campanha está justamente a de instituir o pleito direto, como já ocorre no Paissandu. Mas, antes de efetivar a mudança nos estatutos, proteladas há quatro anos, o presidente terá que convencer a elite que manda no Remo há décadas.

Nem todos os aliados de Cabeça são simpáticos à ideia de dividir espaço com os sócios. Tanto tempo influindo nos destinos do clube alimentou uma mentalidade retrógrada entre os “cardeais”, que não veem com bons olhos a possibilidade de abrir as portas do clube para uma nova geração de eleitores.

O problema é que as mudanças são inevitáveis. A recente eleição no Paissandu confirmou o acerto da adoção do voto direto dos sócios. Além de aumentar a legitimidade da escolha, escancara o clube a novos sócios. Como se sabe, os dois grandes clubes paraenses têm torcidas imensas, mas pouquíssimos sócios.

Essa incoerência tem uma explicação: sempre prevaleceu nessas agremiações a vontade inabalável de uma elite dominante, hostil à menor ameaça de alternância de poder. No fundo, a mentalidade reinante é mais condizente com clubes aristocráticos, que cultivam seletos frequentadores. Óbvio que essa visão não se aplica à força popular que move e mantém viva a história dos dois velhos rivais.

Clubes de massa exigem representatividade à altura da popularidade e da paixão que despertam. O Paissandu já se adaptou aos novos tempos. Resta ao Remo, sob o comando de Sérgio Cabeça, seguir a mesma trilha. Por mais resistências que venha a enfrentar, o presidente reeleito não pode mais recuar. Além das providências urgentes no futebol, este talvez seja o principal marco de sua nova gestão.

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Adesão de cardeais foi decisiva

A vitória tranquila de Sérgio Cabeça foi garantida pela união de esforços dos grupos mais influentes na vida política do Remo. Reticentes quanto à candidatura, só aderiram ao projeto de reeleição nos últimos dias. O apoio público de ex-presidentes, como Ubirajara Salgado, Roberto Porto e Rafael Levy, foi decisivo para a votação obtida pelo presidente. Cabeça conseguiu, ainda, agregar nomes importantes, como Ronaldo Passarinho, Aldemar Barra e Antonio Carlos Teixeira.

Parte da forte rejeição despertada pela chapa de oposição veio da insistência na tese de mudança, sem informar o que exatamente pretendia mudar. Além de desavenças antigas com alguns beneméritos, Roberto Macedo sofreu o desgaste de ter entre seus apoiadores o ex-presidente Amaro Klautau, cuja passagem pelo clube quase levou à perda do estádio Evandro Almeida.

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Atacante bicolor com um pé no Baenão

bol_sex_071212_11.psO dia de ontem foi marcado por uma onda de boatos acerca de contratações no Remo. Até o nome de Tiago Potiguar chegou a ser lembrado como opção de reforço para os azulinos, embora os dirigentes tenham negado interesse no jogador.

Por outro lado, outro bicolor pode atravessar a Almirante Barroso: o atacante Moisés, aparentemente fora dos planos do Paissandu, iniciou entendimentos com os azulinos. Tudo ficou praticamente acertado, dependendo apenas do aval do técnico Flávio Araújo, que só deve se manifestar amanhã. Há, ainda, a possibilidade de que Héliton também se entenda com os remistas, voltando ao clube que o revelou.

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Lista reduzida no Papão  

Vandick Lima, que na prática já trabalha como presidente do Paissandu, segue buscando acordos de renovação com os jogadores que interessam ao clube para a campanha na Série B 2013. A lista não é muito extensa. Com a consultoria do técnico Lecheva, o presidente tenta garantir de imediato a permanência de Alex Gaibu, Fábio Sanches, João Ricardo e Rodrigo Fernandes. Dos demais, talvez fiquem Kiros, Leandrinho, Ricardo Capanema e Marcus Vinícius.

Tiago Potiguar, que tem propostas de outros clubes, dificilmente permanecerá na Curuzu. Pesa também o fato de que, logo depois do jogo final contra o Icasa, tenha criticado publicamente o atraso salarial, irritando dirigentes e conselheiros.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 07)