Placar e a polêmica do prêmio para Neymar

Por Sérgio Xavier

Resolver entregar uma Bola de Prata especial hors concours para Neymar é uma decisão arriscada. Primeiro porque estamos, de uma certa forma, colocando Pelé e Neymar na mesma cumbuca. O primeiro recebeu a honraria já tricampeão do mundo, com mil gols nas costas, absolutamente consagrado. Neymar mal saiu das fraldas da glória. Está apenas começando. Segundo porque Placar pode, em breve, passar vexame se o hors-coucours Neymar não corresponder com suas atuações e se tornar um jogador mais convencional.

Por que estão assumir tamanho risco? A resposta pode parecer simplória, só que é a pura verdade: achamos que era o certo. hors councours significa fora de concurso. Alguém que, por estar numa outra dimensão, não pode competir com os normais. Mesmo imberbe, Neymar ganhou as duas últimas Bolas de Ouro da Placar com uma facilidade avassaladora. Neymar não venceu o troféu da CBF pelas características daquele prêmio. Lá os eleitores votam no jogador que acreditam ter feito a diferença no campeonato. Alguns votam no que jogou melhor, outros no mais decisivo. Para a maioria, faz diferença o sujeito ter levantado a taça. Assim Fred levou o caneco 2012 e Neymar não.

Na Bola de Prata é diferente. Nota a nota, jogo a jogo, prêmio de regularidade. Vence o melhor jogador, não o melhor jogador do time campeão. Não há julgamento de valores, cada prêmio tem a sua característica. E, pela característica do prêmio da Placar, Neymar é imbatível. Há três anos, é quase sempre a melhor nota de seu jogo. Tenha o Santos vencido ou perdido. Ele procura o jogo, não se acomoda na beirada do campo. Combina inteligência, habilidade e velocidade. Não será campeão sempre, futebol é um jogo coletivo, bem sabemos. Pelo sistema de pontuação da Placar, Neymar ganhará todas as Bolas de Prata e de Ouro. Mesmo que seu time seja rebaixado.

Com Neymar em campo, o prêmio ficaria tão previsível quanto na Era de Pelé. Neymar não é definitivamente Pelé. Precisa comer muito, mas muito feijão para chegar chegar perto do Rei. Só que a facilidade para passar por cima dos adverários de prêmio é semelhante. Por isso ele recebe a bola hors coucours.

História gloriosa de uma Estrela Solitária

Por Rafael Casé

LIVROTempos atrás seu blog (do Juca Kfouri) deu uma nota quando eu estava procurando a família do jogador de basquete do Botafogo que morreu em quadra e gerou a fusão do Botafogo FC com o Clube de Regatas Botafogo. Encontrei a famíla, graças a um leitor seu chamado Tiago Aquino.

E o melhor, os familiares ainda tinham muitas fotos e a camisa que o Armando Albano usou no jogo fatal.

No dia 5, quarta-feira agora, quando lanço o livro “Como esta estrela veio parar no meu peito”, na loja oficial do clube, ao lado da sede, a camisa será entregue oficialmente ao Botafogo para que faça parte da sala de troféus.

Descobri, também, que Albano integrou a primeira seleção olímpica do Brasil, nos Jogos de Berlim, em 36.

Em “Como esta estrela veio parar no meu peito – Os 70 anos da fusão do Botafogo”, o jornalista alvinegro Rafael Casé revive um dos episódios mais bonitos e dramáticos da história do futebol brasileiro.

Foi há 70 anos quando houve a fusão do Botafogo Futebol Clube com o Botafogo de Regatas.

Num jogo de basquete entre os dois clubes (que tinham sedes e estatutos diferentes) ocorreu uma grande tragédia.

Em plena quadra, morria, vítima de um mal súbito, um jogador do Botafogo Futebol, Armando Albano, craque também da seleção brasileira.

Foi uma comoção tão grande que, a partir dali, os dois Botafogos viraram um só, dando origem ao escudo da Estrela Solitária.

Para contar essa história, Rafael Casé foi fundo.

Além de uma pesquisa minuciosa que reproduz toda a trajetória esportiva do Rio de Janeiro desde o fim do século XIX, o autor encontrou em São Paulo o filho de Armando Albano, do qual, além de conseguir uma bela entrevista, recebeu de presente a camisa que o atleta alvinegro usava quando morreu.

Trata-se de uma história comovente que reafirmará o orgulho de ser botafoguense.

O livro é ilustrado com fotos raras e o prefácio é do jornalista Arthur Dapieve.

Paissandu ainda não pagou salários e gratificação

O pagamento de salários atrasados (mais de dois meses) e a gratificação (R$ 800 mil) pelo acesso à Série B devem ser as primeiras pedras no caminho de Vandick Lima no começo de sua gestão no Paissandu. Apreensivos, jogadores, comissão técnica e funcionários aguardam pelo novo presidente para que as pendências sejam resolvidas. Informações que circulam no clube indicam que o atual presidente não pretende quitar os atrasados. Por isso mesmo, pretende antecipar a transmissão do cargo para Vandick.

Araújo recebe primeiros reforços no Remo

caderno bolaJá estão no Baenão, à disposição do técnico Flávio Araújo, reforços indicados por ele para a campanha azulina no Campeonato Paraense 2013. Fabiano e Dida, goleiros; Henrique, zagueiro; Tiaguinho e Walber, laterais; Val Barreto e Branco, atacantes. Outros contratados devem se apresentar até a metade da próxima semana. Araújo confirmou que o clube tem interesse em pelo menos quatro valores regionais, que defenderam clubes que participaram da primeira fase do Parazão.

Durante a apresentação dos reforços, a comissão técnica trazida por Flávio Araújo se juntou ao grupo de profissionais já existente no Baenão, não ficando claro se ocorrerão dispensas nesse setor. O presidente Sérgio Cabeça, acompanhado pelo vice de sua chapa à reeleição, Zeca Pirão, prometeu todo apoio ao trabalho de Araújo e garantiu que a diretoria dedica prioridade total à conquista do Estadual e consequente classificação à Série D 2013. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Entre o encantamento e a realidade

Por Gerson Nogueira

Há oito anos, num evento realizado em Ananindeua, tive a oportunidade de conversar demoradamente com Vandick Lima, que expressou na ocasião a vontade de um dia assumir a presidência do Paissandu. Antecipava sua preocupação com os problemas que o time, à época ainda na Série B, já vinha esboçando.

Na conversa, Vandick antecipou detalhes de seus planos para mudar os destinos do clube. O projeto parecia distante, mas o tempo veio confirmar o agravamento da situação do Paissandu e a concretização do sonho do ex-artilheiro. É quase certo que uma coisa está diretamente atrelada à outra, tamanho o grau de insatisfação de torcedores e sócios com a gestão que termina neste mês.

bol_ter_041212_15.psÉ fato, também, que a vitória de Vandick foi possibilitada pela mudança nos estatutos que permitiu a eleição direta no clube. No sistema indireto vigente até a eleição passada dificilmente um candidato oposicionista lograria êxito na disputa – fato que não ocorria há 38 anos.

A partir de janeiro, porém, o presidente deixa a fase do encantamento e do estilingue para se defrontar com a realidade e a condição de vidraça. Os afagos da torcida, empolgada com o novo, têm prazo de validade. Acostumado à política partidária, o ex-jogador sabe que não pode decepcionar seus eleitores e apoiadores.

Pelo que deixou claro na campanha, o Paissandu sob seu comando vai ingressar no profissionalismo. Será uma ruptura importante com a secular tradição de apadrinhamentos e indicações de correligionários. O futebol profissional será administrado por um executivo contratado, com autonomia para contratações.

E o que não pode haver, a partir de agora, é a enxurrada de “reforços” própria do modelo anterior. Mais do que nunca, para a disputa da Série B, será necessário ter critério e capacidade de encontrar bons jogadores.

Ao mesmo tempo, a partir da plataforma eleitoral, a torcida vai esperar (e cobrar) a construção do centro de treinamento. Segundo Vandick, o terreno já está assegurado, cedido em comodato por um grupo empresarial de Belém. Não precisa haver pressa, mas não pode haver esquecimento.

Na prática, a receita em curso para toda eleição está de pé no Paissandu: quanto maior a expectativa, maior o risco de decepção. O dado positivo é que Vandick sabe bem o que isso significa.

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Em defesa do mata-mata

A propósito da coluna de ontem, que versou sobre a chatice crônica do Campeonato Brasileiro no sistema de pontos corridos, o leitor Carlos Eduardo Lira, um dos 18 baluartes, apresenta uma alternativa para o atual sistema de pontos corridos do Campeonato Brasileiro.

“Os times brasileiros tornaram-se times de resultados. Por consequência, estes times abrirão mão de produzir novos talentos, como o time endiabrado do Santos de Robinho e Diego, que surpreendeu o Brasil. Em síntese, arrisco-me a dizer que, talvez nos dias de hoje, o Brasil tenha os times de futebol mais maquiavélicos do futebol mundial, já que não interessam os meios, pois importantes são os fins”, analisa.

Por essa razão, Lira defende a adoção de um Brasileiro dividido em quatro Conferências (Norte-Centro-Oeste, Nordeste, Sul e Sudeste), com regras bem definidas: turno e returno, pontos corridos, classificando para uma segunda fase, de mata-mata. A partir daí, se enfrentariam o campeão e o vice da Conferência Norte/Centro-Oeste, do primeiro ao sexto colocado da Conferência Sudeste; do primeiro ao quarto da Conferência Sul; e do primeiro ao quarto da Conferência Nordeste.

“A etapa mata-mata seria definida em melhor de 3 jogos, com vantagem dos primeiros colocados jogar dois jogos em casa. Cada mata-mata definiria a vantagem de fazer os dois jogos em casa, ou seja, o time que tiver o melhor retrospecto no mata-mata vigente ganha o direito de jogar os dois jogos em casa.

“Penso que esta seria a fórmula mais justa e seletiva de um Campeonato Brasileiro, já que desenvolveria o futebol em todo o país. Sou tão contra os pontos corridos porque o Brasil não tem o tamanho da Espanha, da Alemanha e da Inglaterra. O Brasil é do tamanho dos EUA. Talvez tenhamos que aprender com os americanos”, arremata.

A fórmula, de fato, levaria a campeonatos mais competitivos e emocionantes, embora não necessariamente justos, levando em conta a crença atual.

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Fracassa a tentativa de composição

O Remo se prepara para a escolha do novo presidente e, depois do programa Bola na Torre de domingo, chegou a ser costurada a hipótese de uma composição de chapas. Sérgio Cabeça permaneceria à frente, mas Roberto Macedo entraria como vice-presidente, ficando Zeca Pirão como o vice de Futebol.

Vários emissários ilustres trabalharam por esse acordo, que serviria para pacificar o clube, mas alguns detalhes terminaram por impedir a concretização da chapa única. A única certeza é quanto à aclamação de Manoel Ribeiro para o Conselho Deliberativo. Rafael Levy presidirá o processo eleitoral.

E, depois de várias informações desencontradas, a diretoria também confirmou que o colégio eleitoral para o pleito de quinta-feira (6) terá 142 votantes. São 100 conselheiros, 26 beneméritos, 10 grandes beneméritos, quatro ex-presidentes e dois ex-presidentes do Condel. Apesar da grande mobilização de Macedo e seus aliados na reta final, Cabeça é o favorito.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 04)