Por Gerson Nogueira
Meus livros de cabeceira neste momento são Under Their Thumb, a história de um garoto (Bill German) que se misturou com os Stones; A Ira de Nasi, relatos do roqueiro-líder da banda Ira!, e a biografia de Stieg Larsson, jornalista e escritor sueco. Apesar do teimoso hábito de devorar mais de um livro ao mesmo tempo, dediquei maior atenção à saga de Larsson, cuja vida foi dedicada à militância por causas libertárias. Era um combatente em tempo integral de grupos de ultra-direita da Suécia e a neonazistas da Europa. Conheceu vários países africanos quando ainda jovem e elegeu o jornalismo como trincheira.Antes de publicar a série policial (Millennium), que se tornaria um sucesso mundial e venderia mais de 60 milhões de cópias, Larsson (1954-2004) tornou-se um ativista político respeitado em seu país. O jornalista e editor Jan-Erik Pettersson, seu amigo e colega de trabalho, escreveu a biografia, narrando a história de engajamento do escritor e como essa via ideológica afetou sua vida e carreira.
Criado pelos avós maternos, Larsson abraçou a política ainda bem jovem, envolvendo-se em manifestações contra a guerra do Vietnã. Como jornalista, dedicou-se a enfrentar a extrema direita e a defender os direitos das mulheres e de minorias. Ao lado da mulher, Eva Gabrielsson, viveu quase todo o tempo sob ameaças de morte de facções neofascistas suecas. O enfoque social foi, aliás, o pano de fundo de sua trilogia Millennium, com personagens que lutam contra injustiças. Diante do ceticismo de amigos e parentes, Larsson costumava falar dos romances policiais que iriam deixá-lo rico e garantir velhice tranquila. Acertou parcialmente as previsões. Morreria jovem, aos 50 anos, antes de ver sua obra ficcional publicada.
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