Necas de acordo ortográfico – ainda bem!

Nunca me empolguei com o tal Novo Acordo Ortográfico, pomposamente anunciado há dois anos. O prazo para entregar em vigor seria em janeiro de 2013, mas acaba de ser prorrogado para 2016. Cabe notar que os portugueses, que não são bobos, não deram a mínima para o tal acordo. Espero que em 2016 seja de novo adiado até ser despachado para as calendas gregas. É um cartapácio sem utilidade, professoral e pretensioso, com alterações no idioma que comprometem ainda mais sua compreensão. Parece ter sido feito mais para confundir do que para explicar. Continuo passando longe.

O espírito do Natal

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Natal é recomeço, reencontro, reconciliação. Mais do que a figura do Papai Noel inventado pelos americanos, o espírito natalino tem origem e inspiração cristã. Assim aprendi desde a infância junto a meu pai-avô Juca em Baião e é o que procuro transmitir aos meus filhos, em meio às pressões do mercantilismo. Por acreditar nesses princípios, desejo aos baluartes do blog um Natal de paz, ao lado da família e dos amigos. Passarei ao lado de meus tesouros, e isto é sempre maravilhoso. Que Deus nos abençoe. 

Nem tudo que reluz é craque

Por Gerson Nogueira

Apesar do assombroso poderio mercadológico, o negócio futebol ainda engatinha quanto à avaliação qualitativa de seu produto mais valioso: o atleta. Esta dificuldade tem raiz na própria natureza do esporte, onde nem sempre quem tem mais exposição no noticiário é exatamente quem vale mais. Aprende-se, de maneira primária até, a dar evidência aos artilheiros, pois são os grandes responsáveis pelas vitórias e, por tabela, pela lotação dos estádios.

Acontece que outras posições são tão importantes para o êxito de um time quanto a do goleador. Não é raro também que goleiros, defensores, alas e meio-campistas tenham mais valor de venda do que um atacante de ofício. A distribuição dos jogadores em campo é cada vez mais refém da qualificação técnica. Vai daí que é possível ver equipes que não dependem de atacantes fixos.

O Barcelona, merecidamente apontado como o time da década, não tem na escalação a figura do homem de área. A rigor, não tem esse tipo de jogador, embora ao longo de um jogo possa povoar a área inimiga com até cinco, seis de seus jogadores.

Lionel Messi, o supercraque do momento, trafega por uma faixa de gramado cada vez mais extensa. Não é o único. Cristiano Ronaldo, quase tão bom quanto ele, também mostra fôlego para percorrer quilômetros durante uma partida. Fazem muitos gols, mas não necessitam estar perto das traves adversárias para fazer isso.

Quase sempre, Messi esmera-se em rondar a área, fixa-se pelos lados do campo até o instante de dar o bote, quase sempre arrancando na diagonal para superar marcadores e desfechar o tiro definitivo. Em outros momentos, surge em meio aos zagueiros e resolve a parada com um simples toque. O português do Real Madri é mais atlético e gosta mais do choque, sendo mais frequente sua presença como homem de área.

Não surpreende que no futebol disputadíssimo e de alto nível que a Europa exibe hoje alguns brasileiros sejam coadjuvantes, embora especialistas na posição que mais glórias deu ao Brasil. No Milan, um dos raros clubes de ponta a apreciar o estilo brazuca de jogar, Robinho e Alexandre Pato têm prestígio com a torcida, mas têm resultados recentes dignos de boleiros de segunda linha.

Quando surgiu a notícia de que clubes brasileiros tinham interesse em repatriá-los veio à tona o descompasso entre o preço de mercado e a realidade de campo, a que me referi lá no começo. Pato tem preço em torno de R$ 45 milhões e Robinho é cotado pela metade disso. São valores até módicos para atletas em atividade nos grandes da Europa, mas constituem tremendo exagero diante da baixa produção atual de ambos.

Apesar de jovens, Pato e Robinho têm vasto histórico de lesões, passam muito tempo parados e quando reaparecem não se notabilizam por gols ou atuações decisivas. Pato, desde 2011, jogou somente 25 vezes e marcou meia dúzia de gols. Robinho tem retrospecto proporcionalmente igual: atuou 53 vezes nesse período, anotando 11 vezes. Ainda assim, o carente futebol nacional vive a valorizar esse gênero de jogador, sendo capaz até de desembolsos insanos para “reforçar” seus times.

O caso mais recente é o de Renato Augusto, meia de discretíssima participação no Campeonato Alemão e que já era discreto quando defendia o Flamengo. Corinthians e alguns outros grandes se assanham para contar com ele.

Além de expressar a ausência de critérios de valoração no comércio boleiro, a tendência de repatriamento confirma a entressafra brasileira, principalmente nas funções de criação e finalização.

E assim caminha a humanidade.

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Clubes vacilam, raposas agem

Das mais oportunas a matéria do repórter Taion Almeida, publicada pelo caderno Bola de domingo, sobre as raposas que rondam as divisões dos clubes paraenses. Paissandu, Remo e Tuna são alvos frequentes dessa prática predatória, que às vezes é defendida sob o argumento de que beneficia os atletas. Nada mais enganoso, porém.

Na maioria das vezes, a deficiente estrutura de formação dos clubes é substituída por contratos picaretas que lesam jogadores jovens, muitas vezes com endosso da própria família. A legislação esportiva, que se pretendia libertadora para os boleiros, tornou-se uma cerca baixa para a ação de espertalhões, cada vez mais ávidos em faturar alto com a ignorância das pessoas.

Cabe dizer que nada disso absolve os clubes, cujas categorias de base são um convite para a ação de investidores, procuradores e empresários. Há quem fale em amadorismo, mas infelizmente há também a suspeita de conivência de alguns dirigentes.

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Recesso de dez dias

A bola já parou de rolar, pelo menos a sério, e a coluna também entra em ligeiro recesso pelos próximos dez dias – volta, se Deus quiser, no dia 6 de janeiro de 2013. Deixo aqui votos de feliz Natal e boas festas para os habituais 27 baluartes e simpatizantes sazonais. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda e terça, 24 e 25)

Marin mantém “mensalinho” para Federações

José Maria Marin mantém o mesmo esquema do antecessor Ricardo Teixeira para conseguirapoio irrestrito das federações estaduais de futebol no Brasil e trabalhar tranquilamente na presidência da CBF. A acusação é feita pelo jornal O Estado de S. Paulo, que relata um “mensalinho” superior a R$ 50 mil para cada uma das entidades. De acordo com a publicação, somente o Rio Grande do Sul se recusa a receber a verba mensal fixa, que atingiu R$ 50 mil pouco antes de Teixeira renunciar e Marin tomar posse, em 8 de março. O valor tinha ficado “congelado” em R$ 30 mil por dois anos e começou com R$ 8 mil em 1993.

O “mensalinho” é descrito nos balanços como “doações” ou “repasses” e representa até 89% da receita total de uma federação, como ocorreu em Sergipe em 2011 – recebeu R$ 1,1 milhão da CBF. No ano passado, a Federação Paranaense foi quem ficou com o maior valor: R$ 1,2 milhão. Outras entidades agraciadas, como as de Alagoas, Roraima, Mato Grosso e Distrito Federal, nem registram seus balanços na internet. Já a federação no Rio Grande do Norte o publica sem mostrar receitas e despesas.

O jornal relata assembleia convocada por Ricardo Teixeira em 29 de fevereiro na qual foi anunciado o aumento do “mensalinho” fixo para R$ 50 mil. O ex-presidente ainda comunicou uma “participação nos lucros” que resultou na distribuição de R$ 100 mil para cada uma das 27 federações. O encontro ainda aprovou a mudança das eleições na CBF para antes da Copa do Mundo de 2014, evitando qualquer influência de um mau resultado da Seleção Brasileira no Mundial.

De acordo com a publicação, a garantia de manutenção da verba fez com que Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul e Distrito Federal se acalmassem quanto ao fortalecimento de Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) e empossado vice-presidente da Região Sudeste na CBF que ganhou até cargo na Fifa.