Show do Rei, a eterna reprise

Imagem

Do Sensacionalista

Um erro do operador de plantão provocou uma situação inédita na TV brasileira. Pela primeira vez uma emissora exibiu uma reprise, mas ninguém percebeu. O show de Roberto Carlos que passou ontem foi o mesmo do ano passado. Roberto abriu cantando emoções, usando o mesmo cabelo, a mesma cor e o estúdio tinha a mesma iluminação. As músicas foram as mesmas. Só os mais atentos repararam que o show era o mesmo.

Agora começa a circular nas redes sociais um boato de que na verdade só existiu um único show de Roberto Carlos, que vem sendo reexibido exaustivamente desde então, sempre na época de Natal. A história ganhou força por causa de uma idosa que se reconheceu na platéia. “Na época que eu fui a esse show eu era adolescente”, disse ela.
 
KKKkkkkkkk… é brincadeira, mas até que faz algum sentido.

A frase do dia

Imagem

“Espero poder tirar aquela espinha da garganta porque creio que tivemos méritos nas duas partidas para estarmos na final. Trabalharemos para estar outra vez em Wembley (palco da final desta edição da Champions League) e conquistar tudo. Esse é o objetivo que fixamos e temos que aproveitar o momento que vivemos para alcançá-lo. Acabei (2012) feliz pelos gols e os recordes, mas o ano poderia ter sido melhor quanto a títulos. Sempre digo que o importante é o coletivo e meus gols, sem títulos, não têm importância”. 

De Lionel Messi, melhor jogador do mundo.

Andanças de repórter

Andanças de repórter

A partir de um papo com amigos neste fim de semana, resolvi reapresentar aqui algumas fotos de andanças como correspondente do DIÁRIO. No registro acima, voando de volta pra casa um dia depois da final da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Ao meu lado, os companheiros Geo Araújo (Rádio Clube) e Reinaldo Furlan (Rádio Paikerê, do Paraná).

Um monstrengo chamado Libertadores

Por Juca Kfouri

taca_libertadoresDesde que deixou de reunir apenas os times campeões nacionais e, vá lá, os vice-campeões, a Libertadores, a exemplo do que aconteceu em certa medida também com a Liga dos Campeões da Europa, inchou a tal ponto que virou um monstro. Repleta de times sem o menor significado. E ainda recheada por distâncias sem sentido com a introdução dos mexicanos, além das altitudes pornográficas e falta de segurança, coisa para a qual o Brasil também colabora.

Desde que o Corinthians ganhou a taça se esperava alguma reação, porque prometida, no sentido de torná-la mais civilizada sem que alguém pudesse argumentar que o choro alvinegro era o de perdedor. Mas ficou na promessa.

E eis que temos aí uma nova Libertadores pela frente nada atraente, pelo menos até as oitavas de final. Porque submeter o tricampeão São Paulo, na volta das férias, a ir jogar em La Paz, a 3.600 metros de altitude, é um absurdo, minimizado apenas por poder fazer o resultado no primeiro jogo, no Morumbi. O ideal seria mandar o time B ir cedo para a Bolívia se aclimatar na altitude.

O Grêmio corre risco, não só pela tradição da LDU de Quito, como pela altitude da cidade, 2.800 metros,  e pelo mau histórico neste ano sempre que o tricolor gaúcho jogou para decidir. De resto, nenhum dos brasileiros que entram na fase de grupos parece correr maiores riscos, apenas  o Palmeiras mais que os demais por motivos óbvios.

O Fluminense caiu no grupo mais fácil e deve aproveitá-lo para ganhar todos os jogos e garantir o primeiro lugar nas fases de mata-mata. O Flu parece ser o único dos brasileiros candidatos a ficar invicto na primeira fase, embora deva ter Grêmio ou a asa negra LDU pela frente. O Galo terá a altitude para pegar o fraco Strongest, em La Paz,  e um argentino, sempre indigesto, mas superável, por ser só o Arsenal.

E o campeão Corinthians pegará o mexicano Tijuana, campeão do Apertura local neste ano, numa longa viagem de 10 mil quilômetros, para uma cidade ao nível do mar;  o San José boliviano, em Oruro, a nada menos que 3.700 metros de altitude, e o Millonários, também na altitude, mas de Bogotá, mil metros mais abaixo. Um porre!

Prepare-se pois, torcedor dos seis brasileiros, ao espetáculo dos escudos policiais tentando garantir a cobrança de um simples escanteio, dos jogadores em tubos de oxigênio e esfalfados por viagens à América do Norte, cujos times, se vencerem o torneio, não participarão do Mundial da Fifa.

Porque estão na Libertadores apenas para agradar a Fox e seu mercado de língua espanhola nos Estados Unidos e, é claro, no México, o que aumenta a premiação, mas diminui ainda mais o nível técnico, menos pelo futebol jogado pelos mexicanos, mais pelo esforço para jogar lá e eles cá

Botafogo negocia Elkeson por R$ 15 milhões

12246342O clube chinês Guangzhou Evergrande anunciou no último domingo, em sua página na internet, a contratação do atacante Elkeson, do Botafogo, que se apresentará à equipe em 5 de janeiro. Ele foi vendido por 5,7 milhões euros (cerca de R$ 15,6 milhões) na véspera do último jogo do Campeonato Brasileiro, contra o Flamengo. O time asiático só demorou para divulgar o reforço em função da penhora de parte do pagamento dos direitos econômicos de Elkeson, avaliada em cerca de R$ 1 milhão, por uma dívida trabalhista do Botafogo. Maranhense criado no Pará, o ex-botafoguense de 23 anos foi revelado como meio-campista pelo Vitória, da Bahia, em 2010. Em maio do ano seguinte, chegou ao clube carioca, onde ficou no banco de reservas durante um período, até substituir um dos atacantes vendidos pelo clube. (Com informações da Folha de S. Paulo)

A luta de Deus e o Diabo na terra do açaí

Reproduzo, por engraçado e jornalístico, o relato que o repórter Carlos Mendes me encaminhou acerca da primeira aparição de Inri de Indaial em Belém do Pará, em 1982. Na época, acompanhei pelos jornais a saga do malandro Inri, incluindo sua barulhenta prisão. Mendes conta aqui um episódio hilário, que eu desconhecia.

Por Carlos Mendes

Lendo no DIÁRIO de hoje (domingo), a entrevista do folclórico Inri de Indaial, ou Inri Cristo, como queiram, deparei-me com algumas considerações do entrevistado que não revelam tudo o que aconteceu durante a curta e agitada passagem dele pela cidade das Mangueiras, em fevereiro de 1982. Principalmente a escaramuça que houve na Praça Dom Pedro II, onde Inri e Fernando Lúcio Miranda, o “Fernando Arara”, travaram uma guerra de ofensas que quase resvala para as chamadas vias de fato.  

Inri- Divulgacao (1)Deixa eu contar essa estória aqui por mim testemunhada. Eu era frequentador da casa de Fernando Arara, ali na Frei Gil de Vila Nova, atrás do antigo Consulado Americano, na Praça da República, onde ele morava com a mãe, a escritora Lindanor Celina ( quando ela vinha passar férias em Belém, porque morava e lecionava literatura portuguesa em Paris). No dia em que o Fernando Arara, mente tão genial e privilegiada quanto louca (se é que as duas coisas não se fundem e completam), soube que o Inri Cristo estava em Belém e era vedete do programa do Eloy Santos na então TV Guajará, da família Lopo/Conceição Castro, decidiu encarar o “enviado” de Deus e tomar satisfações. Fernando Arara era um provocador nato, que morreu tragicamente, esmagado por uma kombi desgovernada da Sefa, naquela mangueira bem na esquina da D. Pedro com a Jerônimo Pimentel, em frente ao Hospital Geral de Belém (HGB).

Era final de fevereiro e as entrevistas do Inri Cristo no programa do Eloy tiveram uma repercussão estrondosa em toda Belém. Com aquela cara de Cristo ocidentalizado, o Inri falava com convicção que era o próprio filho de Deus e dizia curar cegos, cancerosos e deficientes físicos. Multidões iam para a porta do edifício Manoel Pinto da Silva, onde no penúltimo andar, o 25º, funcionava a TV Guajará canal 4, fechando literalmente o trânsito na confluência da avenida Presidente Vargas com as avenidas Nazaré e Assis de Vasconcelos. Uma loucura total.

Na noite anterior, durante um dos quatro ou cinco programas com a participação do Inri, o próprio “salvador” anunciou que na manhã do dia seguinte iria “libertar” o povo da idolatria e do culto às imagens de santos. Ousadia tentar isso na terra de Nossa Senhora de Nazaré e onde também proliferavam centenas de terreiros de umbanda. Dito e feito. Na manhã do dia 28, a praça Dom Pedro II estava superlotada. Por baixo, havia umas dez mil pessoas. Só o general Barata havia conseguido colocar tanta gente na praça em frente ao Palácio Lauro Sodré, onde funcionava a sede do governo papachibé.

No centro da praça, trepado ao lado da estátua de Dom Pedro, a figura do Inri se destacava. Ele pregava para a multidão, largando o pau na Igreja Católica. Ao lado do amigo Raul Thadeu da Ponte Souza, jornalista dos bons, já falecido, eu anotava tudo o que o Inri Cristo falava. Entre ataques às riquezas dos templos católicos e a demonização de bispos e padres, sob aplausos da turba extasiada, ele preparava-se para caminhar com seus discípulos rumo à Catedral, bem pertinho, para “cumprir a vontade de meu pai”, como dizia à multidão, quando eis que aparece o Fernando Arara, aos gritos, chamando o Inri de impostor.

Arara, quem o conheceu sabe disso, era uma figura quase mítica. Inteligentíssimo, estudante de medicina, sabia de cor todas as músicas de Bob Dylan. Sempre com um violão nas mãos, costumava brindar com Dylan a plateia de intelectuais, músicos, atores, e vagabundos metidos a hippies que frequentavam a escadinha do Teatro da Paz. Barbudo, cara de doido, Arara tinha a aparência do Ian Anderson, o flautista genial da banda de rock irlandesa Jethro Tull. Imaginem agora o Fernando Arara, um ateu fervoroso, frente a frente com Inri Cristo, confrontando-o em uma praça diante de uma multidão de fanáticos.

– “Impostor, farsante, canalha!”, berrava Fernando Arara para Inri Cristo. E completava: “Tu não és Cristo porra nenhuma. Tu és uma fraude!”.

Também furioso, com os olhos esbugalhados, Inri Cristo devolvia as ofensas: “Satanás, Belzebu! Meu pai me avisou que tu virias. Eu já te esperava, demônio. Tu estás a serviço dessa igreja cujo povo vou libertar. Vai embora, demônio!”.

Fernando Arara só não avançou para cima do Inri Cristo para comer o fígado dele, porque o Raul Thadeu agarrou o Arara e o afastou no local. Mesmo a uns 20 metros do Inri Cristo, Arara não parava de gritar: “Estelionatário da fé, vigarista de merda, impostor!”. E o Inri Cristo, rebatendo: “Maldito satanás, vai-te daqui!”. Eu quase estava morrendo de rir. O Raul Thadeu olhava para mim e não dizia nada, só fazia coçar os bigodes a la Salvador Dali.

De repente, não mais que de repente, Inri Cristo gritou para a multidão a palavra de ordem: “Expulsem vocês mesmos o Diabo daqui!”. Ordem dada, ordem cumprida. Ao que ver que se continuasse ali, naquela troca de gentilezas com o missionário do Divino, iria virar churrasquinho de gato na praça, Fernando Arara botou sebo nas canelas e saiu de pinote, no rumo da avenida Portugal, aos gritos de “Pega, pega”. Felizmente, ninguém o pegou.

Rindo, com ar de satisfeito, Inri Cristo, ao ver a tarefa cumprida, sentenciou: “Agora que o demônio foi embora, vamos fazer o que meu pai mandou”. E foram todos para a Igreja da Sé, invadida em segundos . Sob os olhares atônitos do arcebispo Dom Alberto Ramos, imagens de santos foram quebradas e o próprio arcebispo tachado de vendilhão. O resto vocês já sabem. Inri Cristo ficou quinze dias no presídio “São José”, na Praça Amazonas. Fui visitá-lo algumas vezes, como jornalista. E anotei coisas que, outro dia, quando tiver tempo, contarei pra vocês.