Por Gerson Nogueira
O Paissandu, como se previa, partiu para o tudo ou nada, como um lobo acuado. Sob risco de não se classificar à próxima fase e ao mesmo tempo ameaçado de rebaixamento no grupo A da Série C, resolveu sair em busca de um atacante, fiel à avaliação do técnico Givanildo Oliveira (e do pessoal que acompanha o Círio) quanto à completa inoperância do ataque do time.
Ninguém tem dúvida de que, com a timidez ofensiva demonstrada até agora, o Paissandu não tem como almejar grande coisa na competição. Pelo contrário, já sofre diretamente as consequências dessa baixa produção: no desempate com os demais times que têm 16 pontos, perde no número de vitórias, pois só ganhou três partidas.
O esquisito é que o clube anunciou Índio, oriundo do América de Natal e pertencente ao Vitória-BA, como o reforço para o ataque e, em tese, encarregado de resolver o problema de gols. Ocorre que o jogador é meia-armador e vinha amargando o banco de reservas no time potiguar.
Com passagens pelo futebol da China, de onde Tiago Potiguar retornou meio fora de foco no ano passado, Índio será mais um homem para trabalhar na faixa de criação do meio-campo, onde já atuam Harison, Djalma, Leandrinho, Alex Gaibú, Lineker e o próprio Potiguar.
Por tudo isso, o anúncio de Índio não deixou de frustrar expectativas na Curuzu. Esperava-se um homem-gol, do nível de Fábio Júnior, que trabalhou sob o comando de Givanildo no América Mineiro. Pensou-se até em Nonato, o veterano centroavante paraense que disputou a Série D pelo Mixto e apesar da barriga protuberante deu muito trabalho à zaga do Remo nos dois confrontos entre os times.
Para completar a confusão, a diretoria anunciou à noite o interesse em contratar Marcelinho Paraíba, que passou por aqui defendendo o Sport-PE na Copa do Brasil. Pelo que se viu na ocasião, Paraíba desfilou marra, mas o futebol passou longe do repertório. Nem em cobranças de falta, sua especialidade, mostrou qualquer inspiração ou pontaria.
A baixíssima produção fez com que fosse descartado pelo Sport. Foi contratado pelo Grêmio Barueri e não conseguiu emplacar na Série B deste ano. Jogador caro, insere-se naquele tipo de contratação de risco, pois talvez não seja mais útil ao Paissandu, pelo menos para atender as necessidades atuais.
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Enquanto Índio chega e Marcelinho Paraíba pode vir, Givanildo Oliveira decidiu abrir mão de Pantico, um dos atacantes inúteis do elenco, e Alex William, marcado como barqueiro pela torcida e de pouca eficiência nas ocasiões em que foi acionado. Outro que sai é o inconstante Robinho, capaz de atuar bem por alguns minutos e sumir de vista nos instantes seguintes – num jogo só.
Outros nomes estão cotados para entrar na barca do adeus. Rafael Oliveira é um dos mais citados, além de Kiros. Héliton, que chegou a ser mencionado inicialmente como liberado, deve ser mantido por Givanildo.
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O Corinthians, cuja qualidade atual do time é turbinada pelo fator sorte (além de arbitragens, digamos, simpáticas), foi novamente brindado com um presente inesperado. No sorteio de chaves do torneio mundial interclubes, caiu na chave do representante da Austrália.
Com isso, escapou do sempre incômodo cruzamento nas semifinais com os mexicanos do Monterrey. Como se sabe, os times do México costumam abusar da correria e até de certa ousadia contra brasileiros – a seleção olímpica de Mano Menezes que o diga. Em contrapartida, os times australianos pertencem ao chamado quarto mundo do futebol.
Pelo menos desta vez, até segunda ordem, as influências de Andres Sanchez na CBF não podem ser apontadas como responsáveis pelo sorteio que parece ter sido feito sob encomenda.
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Direto do Facebook:
“E só colocar este meio-de-campo para jogar: Neto, Ricardo Capanema, Tiago Potiguar e Lineker no ataque Héliton e Moisés ou Kiros. Tenho certeza que sairíamos dessa situação”.
De Carlos Carvalho, procurando ajudar Givanildo Oliveira a organizar o time do Papão.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 25)