Paraíba chega e é apresentado na Curuzu

O meia Marcelinho Paraíba desembarcou no começo da tarde em Belém e depois foi apresentado na Curuzu, trajando o uniforme do Paissandu. Recusou-se, porém, a dar entrevistas como contratado do clube. Os dirigentes garantem que houve apenas um atraso na elaboração do contrato, mas, na verdade, o problema é financeiro. Como exigiu receber adiantado os R$ 60 mil do pacote firmado por sete jogos, Marcelinho só falará como jogador do Papão depois que o dinheiro chegar às suas mãos. Segundo Antonio Claudio Louro, tudo estará resolvido nesta quinta-feira. A conferir.

Paraíba: solução ou desespero?

Por Gerson Nogueira

Em fase declinante da carreira, Marcelinho Paraíba chega para reforçar o Paissandu estabelecendo logo um novo recorde: será o jogador mais bem pago da história do futebol paraense. Nenhum outro atleta contratado nos últimos 20 anos chega perto da cifra que o Paissandu se comprometeu a pagar ao veterano meia-atacante.

Segundo fontes da diretoria e do Conselho Deliberativo, o acerto com Paraíba gira em torno de R$ 60 mil mensais, mais vantagens adicionais, como apartamento bancado e carro zero quilômetro, mimos só oferecidos a uma grande estrela.

O aspecto curioso dessa história é a marcha batida do futebol paraense para se consolidar como paraíso de jogadores em fim de carreira. Aos 37 anos, Marcelinho Paraíba foi descartado pelo Sport-PE depois da pífia participação na Copa do Brasil deste ano, quando o time foi eliminado pelo Paissandu de Pikachu, Pablo e Héliton – e Lecheva. Ignorado pelos clubes da Série A, foi jogar no Grêmio Barueri na Série B, com atuações apagadas.

A idade cobra seu preço e o passe caprichado, as arrancadas em direção à área e o chute certeiro, características que o tornaram famoso no Brasil e na Alemanha, já não fazem parte do repertório de jogadas de Marcelinho. Seriam esses os motivos da restrição que Givanildo Oliveira apresentou à ideia da contratação.

Todos os membros da diretoria sabem que o Paissandu está fazendo uma aposta de alto risco, movido pelo desespero evidente de seu presidente em tentar salvar a temporada a qualquer custo. Resta saber se são custos assimiláveis pelas trôpegas finanças do clube.

Não foi tão simples concretizar a operação de contratação de Marcelinho. Para isso, o Paissandu contou, pela primeira vez, com a firme colaboração de seu parceiro mais famoso, o ex-lateral Roberto Carlos, dono da RC3 Sports. Contatos alinhavados pelo ex-lateral viabilizaram as negociações com Marcelinho, que inicialmente não se mostrava disposto a encarar as agruras da Série C, vista como um atestado de fim de linha.

Pesava ainda contra o acerto a desconfiança do jogador em relação ao fôlego financeiro do Paissandu. Notícia ruim corre longe e é mais ou menos de conhecimento público que o clube está com salários atrasados há mais de dois meses. Aliás, a situação delicada das finanças e o clima entre os jogadores constituem outro fator de risco em torno da aquisição de Marcelinho. O universo boleiro é rico em exemplos de boicote a jogadores caros e badalados. Resta conferir os próximos capítulos da saga alviceleste na Terceirona.

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E notícias oriundas de Natal indicam que o Paissandu pode estar contratando um jogador-problema, como vários outros que recentemente causaram choro e ranger de dentes no clube. Índio, o meia-atacante anunciado anteontem como reforço, é uma espécie de titular do banco de reservas e coleciona visitas ao departamento médico. Algo mais ou menos parecido com os Kariris, Robinhos e Williams da vida.

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Givanildo Oliveira dá adeus novamente ao futebol paraense. Ao contrário das outras despedidas recentes, sempre melancólicas, desta vez sai em silêncio. Cansou, aparentemente, do caótico ambiente do Paissandu e das dificuldades de comandar um grupo de jogadores que não contratou. Apagou vários incêndios, inclusive duas tentativas de motim, tramadas pelos mais experientes do elenco.

Com retrospecto inteiramente desfavorável – cinco empates e uma derrota –, o técnico preferiu suspender seu contrato e buscar os ares de Olinda para refrescar a cabeça. Há quem garanta que será o novo comandante do Santa Cruz, clube onde começou como jogador.

Para o seu lugar, o Paissandu optou por efetivar Lecheva. Medida acertadíssima e justa, pois foi sob o comando do faz-tudo da Curuzu que o time realizou sua melhor partida na temporada: a impecável vitória por 4 a 1 sobre o Sport, na Ilha do Retiro, pela Copa do Brasil deste ano. Assume, porém, num momento conturbado e vai precisar de apoio e blindagem para executar bem a espinhosa tarefa.

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Despreparo de dirigente não é exclusividade papachibé, não. Luís Álvaro Ribeiro, presidente do Santos, disparou que Paulo Henrique Ganso padece de mal incurável. Lembrou até disparates frequentemente cometidos por cartolas paraenses.

Diante da repercussão negativa de sua incontinência verbal, Laor saiu-se com a desculpa preferida dos covardes. Negou tudo alegando ter sido invenção da imprensa. Terá, porém, que conviver para sempre com o ônus da irresponsável sentença. De quebra, forneceu munição para que o meia-armador paraense se esforce ainda mais para brilhar no São Paulo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 26)

A frase do dia

“A oposição não perdoa, jamais desculpará, a ascensão do retirante nordestino à presidência. A ascensão do metalúrgico, ela talvez aceitasse. Mas a do pau-de-arara, não, ela não aceita. Oposição não são partidos da minoria, mas da mídia. Aquele seleto grupo de 10 jornais, televisões, revistas e rádios que consome mais de 80% das verbas estatais em propaganda. Aquele grupo que faz de fato a posição oposicionista deste país”.

De Roberto Requião, senador do PMDB, em discurso de solidariedade ao ex-presidente Lula. 

Acertou na veia.