ANJ protesta contra censura a blog amapaense

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) emitiu nota oficial, protestando contra a decisão do juiz eleitoral auxiliar, Adão Joel Gomes de Carvalho de Macapá (AP), que determinou a retirada do ar de nota do blog do jornalista João Bosco Rabello, diretor da sucursal de Brasília de O Estado de S.Paulo, intitulada “Um prefeito sob controle judicial”. O “post” censurado limitava-se a relatar factualmente que o atual prefeito da capital do Amapá, Roberto Goes (PDT), faz campanha com liberdade de movimentos restrita por acordo judicial, não podendo comparecer a locais públicos a partir de determinados horários, nem se ausentar do Estado sem autorização judicial. A restrição tem origem no fato de Goes ter sido preso durante operação da Polícia Federal que desbaratou uma quadrilha instalada na estrutura do Estado do Amapá, em 2010.

Segundo a ANJ, desconsiderando o elementar papel da imprensa nas sociedades democráticas, o juiz acolheu o argumento da advogada do prefeito, segundo a qual o que a notícia traz “à memória do eleitor, principalmente nesse período eleitoral, não tem outro objetivo de sujar a figura e reputação do representante perante o eleitorado”. Não satisfeito, o exmo. Sr. Juiz arvorou-se a ensinar jornalismo afirmando que “O direito de informar pressupõe a divulgação de matérias contemporâneas, para levar à apreciação da população situação que devem ser de conhecimento público, e por algum motivo não foram informados”.

Diante da esdrúxula decisão, diz a nota, a ANJ apoia a decisão da empresa S/A O Estado de S.Paulo de recorrer da decisão. Lamentando que o Poder Judiciário, mais uma vez, proteja quem trata de impedir a sociedade de ter acesso a informações que lhe permitam tomar decisões políticas com pleno conhecimento dos fatos.

Baderna rima com burrice

Por Gerson Nogueira

A porção punk da torcida do Paissandu deve estar soltando foguetes a essa altura, festejando os resultados da performance mau comportada no jogo contra o Icasa-CE no Mangueirão, na tarde de 25 de setembro. Na ocasião, foram arremessados ao gramado vários objetos, de radinhos de pilha a tênis e sandálias.

O propósito era supostamente alvejar o trio de arbitragem em protesto pelo empate de 1 a 1. Em meio à fúria cega que costuma acometer esse tipo surtado de torcedor ninguém se deu conta de que o verdadeiro alvo daquela explosão seria o próprio Paissandu.

Ontem, veio a conta indigesta da brincadeira. O STJD julgou o clube com base no relato do árbitro da partida, tirando os mandos de campo de duas partidas do Paissandu na Série C. A pena será cumprida nos jogos contra Treze e Salgueiro. Contra o Santa Cruz, amanhã, o time fará sua última partida em Belém nesta fase da competição.

Caso passe à fase seguinte, o Paissandu provavelmente também não poderá jogar diante da torcida. Na próxima semana, volta ao banco dos réus, levado pelos atos dos turbulentos de sempre. Pelo novo show de mau comportamento na partida contra o Guarani de Sobral, o Paissandu deve pegar condenação ainda mais rigorosa, até por ser reincidente.

É preciso, de uma vez por todas, que o torcedor entenda que o conceito de ir à loucura pelo time de coração não pode ser levado ao pé da letra, nem inclui atirar coisas em campo. O gesto é punido com rigor em todas as partes do mundo. Há anos a Fifa impõe essa exigência às federações aliadas por temer que a má educação descambe para atos mais violentos e letais.

Todo torcedor, por mais desligado, conhece os rigores da lei. Sabe que uma simples bisnaga de plástico pode levar à suspensão do mando, o que significa prejuízo duplo (financeiro e técnico) ao clube. Curiosamente, apesar dessa consciência e de todos os avisos feitos nos estádios, mentecaptos insistem em desafiar os tribunais. Pagam para ver, mas quem sofre o prejuízo é o clube.

Sétimo na tabela, em crise técnica e ameaçado de rebaixamento, para o Paissandu o castigo não podia vir em pior hora. Com três partidas a cumprir em casa, resta agora apenas o confronto com o Santa Cruz com apoio da torcida.

Desgraçadamente, a diretoria decidiu cobrar ingresso a R$ 20,00 e é improvável que o público de amanhã seja em quantidade suficiente para influir em favor do time. Mesmo assim, todos os que forem ao Mangueirão precisam evitar que os baderneiros aloprados de sempre voltem a agir para complicar ainda mais a situação do Paissandu.

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Um curioso fenômeno vem se registrando no Paissandu nesta Série C. Na mesma proporção em que o time cai pelas tabelas, alguns jogadores se especializaram em entrevistas motivacionais. Vânderson, que antes praticamente não abria a boca, tem se revelado um dos mais loquazes.

Essa súbita tagarelice já rendeu ao Paissandu problemas contra o Treze em Campina Grande. Vânderson afirmou que o time paraibano merecia ser rebaixado. Apesar da torcida do volante, o Treze não saiu do campeonato. Pior que isso: ganhou aquela partida e hoje se posiciona à frente do bicolor paraense na classificação.

Na semana de preparação para o próximo jogo, Vânderson volta a marcar presença frente aos microfones. Além da costumeira ladainha de que é um grupo de homens, instou os companheiros a encararem o jogo contra o Santa Cruz “pensando na própria carreira – principalmente os mais jovens”.

Ora, se alguém parece pensar sempre na carreira é jogador de futebol. Até porque, mesmo na derrota ou rebaixamento, a categoria não sofre com o desemprego. Encerrado o contrato, partem para novos desafios, jurando amor eterno aos novos clubes.

Quanto ao esforço dos jovens, Vânderson devia se preocupar mais com o rendimento dos veteranos como ele, que se especializaram em jogar mal e apenas 45 minutos por partida. Pikachu, o mais jovem da turma, é rápido como raio, faz gols e tem sido o melhor jogador do Paissandu no campeonato.

Ao invés de distribuir conselhos e dicas de auto-ajuda, o rodado volante devia se esmerar em fazer a sua parte e evitar o desperdício de tempo com entrevistas desnecessárias. Enfim, jogar mais e falar menos.

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A CBF anunciou oficialmente que Goiânia vai recepcionar a Seleção Brasileira durante a Copa das Confederações 2013, evento-teste que precede a Copa do Mundo de 2014. Goiás, como Belém, ficou fora do banquete da Copa. Pelo visto, porém, tem padrinhos mais atuantes e poderosos que os do coronel Nunes. Como prêmio de consolação, ao Pará deve ser destinado um daqueles convites graciosos para chefia de delegação, tão ao gosto do presidente da Federação Paraense de Futebol.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 21)

Vote no mico da semana

Escolha seu mico entre as opções abaixo:

1) Apesar das críticas, a diretoria do Paissandu põe preço do ingresso a R$ 20,00 para jogo contra o Santa Cruz, quando o papel da torcida pode ser decisivo.

2) Remo negocia rescisão de contratos com jogadores depois da eliminação na Série D, mas parte dos atletas não aceita ir embora sem receber dinheiro vivo. 

3) Sem patrocínio, Santa Cruz de Cuiarana contrata Ratinho (ex-Remo) para disputar Segundinha do Parazão oferecendo salários e luvas (carro 0 km) de 1ª divisão.