Cuiarana dispensa oito e anuncia Fábio Oliveira

Depois de ter contratado os meias Ratinho (ex-Remo) e Robinho (ex-Paissandu), o Santa Cruz de Cuiarana anunciou ontem sua primeira lista de dispensas. Afastou oito jogadores de uma vez só, repetindo um procedimento bem conhecido das torcidas da dupla Re-Pa. A justificativa é a campanha abaixo das expectativas na Segunda Divisão do Parazão 2012. O time ocupa a segunda colocação da chave A1 com apenas 4 pontos conquistados (1 vitória, 1 empate e 1 derrota). Ao mesmo tempo, o clube mostrou que dinheiro não é problema e anunciou a contratação do atacante Fábio Oliveira, que defendeu o Remo na Série D. Os  jogadores dispensados foram:  Flávio (zagueiro), Roberto e Rodrigo (lateral-esquerdo), Amaral (volante) , Nildinho e Kevson (meia), Juninho e Bulhões (atacantes).Desta relação, apenas três jogadores foram aproveitados pelo técnico Mariozinho no decorrer da Segundinha: Amaral, Nildinho e Kevson. (Com informações de Adilson Brasil/foto: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola)  

Marcelinho Paraíba é novo reforço bicolor

A Diretoria do Paissandu confirmou, na tarde desta terça-feira, a contratação do meia Marcelinho Paraíba (ex-São Paulo, Flamengo, Goiás, Coritiba, Sport-PE e Barueri) como reforço para a Série C. O jogador deve chegar amanhã à tarde para assinar contrato. Salário gira em torno de R$ 60 mil. A notícia foi dada pelo presidente do clube, Luiz Omar Pinheiro, em entrevista coletiva no estádio da Curuzu. O jogador desembarca na capital paraense nesta quarta-feira, às 14h. “O Marcelinho (Paraíba) chega amanhã e me disse que está focado no Paissandu, quer ajudar o time a subir para a Série B. Ele vem para jogar sete partidas, cinco da fase classificatória, mais dois da próxima fase e as finais, já que temos certeza que o Paissandu vai classificar”,  disse o dirigente.

Estatuto é reformado e Papão terá eleições diretas

Apesar dos problemas envolvendo o futebol profissional, a grande notícia do dia foi a aprovação da reforma de estatuto do Paissandu, que passa a permitir eleições diretas para a presidência do clube. Depois de homologada pelo Conselho Deliberativo, a nova orientação será aplicada já na eleição deste ano.

Sem dúvida, um grande avanço para democratizar a gestão.

Paissandu dispensa Givanildo e efetiva Lecheva

O Paissandu anunciou oficialmente, no começo da tarde desta terça-feira, a demissão do técnico Givanildo Oliveira, 64 anos. Depois de seis partidas, o veterano treinador não conseguiu nenhuma vitória no Campeonato Brasileiro da Série C 2012. Em seis partidas, o treinador empatou cinco e perdeu uma. Os empates ocorreram diante do Salgueiro-PE (1 x 1), Icasa-CE (1 x 1), Luverdense-MT (2 x 2), Guarani de Sobral-CE (1 x 1), Santa Cruz (0 x 0); a derrota foi para o Fortaleza (3 x 1). Foi o pior desempenho de Givanildo no Paissandu e no futebol paraense. Antes, ele havia dirigido o time em 1987, quando foi campeão paraense. Voltou em 2000, quando conquistou o bicampeonato paraense, o Campeonato Brasileiro da Série B (2001), Copa Norte, Copa dos Campeões 2002 (classificando o time para a Taça Libertadores 2003). Depois disso, voltou em mais duas ocasiões, mas ficou por pouco tempo.

Apesar dos maus resultados, a demissão de Givanildo surpreendeu porque havia o consenso de que a culpa pela campanha não podia ser atribuída ao técnico, que pouco indicou jogadores desde sua chegada. O presidente Luís Omar Pinheiro, pressionado por outros dirigentes do clube, decidiu dispensar o treinador e tentar a classificação à próxima fase com uma comissão técnica local, comandada por Lecheva, que dirigiu o time antes da chegada de Giva.

A amigos, o técnico pernambucano confidenciou que já pensava em entregar o cargo, desgastado pelo jejum de vitórias e insatisfeito com a diretoria, que tomava algumas decisões sem consultá-lo. A gota d’água foi a anunciada disposição de trazer o meia Marcelinho Paraíba contra a opinião do treinador. Givanildo criticava também o atraso de salários, que já havia levado a pelo menos duas tentativas de motim do elenco. Reclamava também do excesso de jogadores no plantel e da ausência do presidente. (Com informações da Rádio Clube; foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Adeus a Mestre Cupijó, inventor do siriá

Homenagem do blog a um dos maiores músicos paraenses, que morreu nesta terça-feira em Belém, aos 76 anos. Mestre Cupijó formou uma banda de altíssimo nível, com um suíngue sensacional. Criou o siriá e reinou absoluto nas festas populares dos anos 60/70 no Baixo Tocantins. Apresentava-se em Cametá, Baião e Mocajuba. Cansei de vê-lo em ação no tradicional arrasta-pé de junho no sítio São Francisco, na minha amada Baião. Autodidata e de origem humilde, morreu pobre e desassistido, como tantos outros heróis paraenses.

A obsessão da mídia

Por Mino Carta

Por que Lula se tornou a obsessão da mídia nativa? Por que tanta raiva armada contra o ex-presidente? Primeiro é o ódio de classe, cevado há décadas, excitado pelo operário metido a sebo, tanto mais no país da casa-grande e da senzala. Onde já se viu topete tamanho? Se me permitem, Lula é personagem de Émile Zola, assim como José Serra está nas páginas de Honoré de Balzac. O sequioso da emergência que chegou lá.

Depois vem a verdade factual, a popularidade de Lula, avassaladora. E vem o confronto com os tempos de Presidência tucana, e o triste fim de Fernando Henrique Cardoso, o esquecido, no Brasil e no mundo. Assim respondem os meus meditativos botões às perguntas acima. E as respostas geram outra pergunta.

Por que a mídia nativa, intérprete da casa-grande, goza ainda de prestígio até junto a quem ataca diária e obsessivamente se seus candidatos perdem os embates eleitorais decisivos?Memento 2002, 2006, 2010. Mesmo agora, véspera dos pleitos municipais, as coisas não estão bem paradas para os preferidos de jornalões e revistões. Será que o jornalismo brasileiro dos dias de hoje faz apostas erradas? Defende o indefensável?

Na semana passada publiquei os números da verba publicitária governista distribuída entre as empresas midiáticas. Mais de 50 milhões para a Globo. Para nós, pouco mais de 100 mil reais. E sempre há quem apareça para nos definir como “chapa-branca”… E a Editora Abril, então? Na compra de livros didáticos, fica com a parte do leão em um negócio imponente que em 2012 já lhe assegurou a entrada de 300 milhões. Pode-se imaginar o que seus livros ensinam. Enquanto isso, a Petrobras acaba de cancelar um contrato de 11 milhões que estava para ser fechado com a casa do Murdoch brasileiro. Vem a calhar, a confirmar-lhe tradições e intentos, a última capa da sua querida Veja, ponta de lança na estratégia da guerra contra Lula.

A revista de Policarpo Jr., parceiro de Carlinhos Cachoeira em algumas empreitadas, produz esta semana mais uma obra-prima de antijornalismo. Formula acusações gravíssimas contra Lula sem esclarecer quem as faz (Marcos Valério ou seus pretensos apaniguados?), mas nome algum é citado, e o advogado do publicitário mineiro desmente a publicação murdoquiana. Ricardo Noblat (porta-voz de Veja?) informa no seu blog que a Abril vai divulgar o áudio de uma entrevista com Valério, e horas depois comunica que Policarpo Jr. convenceu a direção da Abril a deixar para lá, ao menos por ora.

Quanta ponderação, por parte de Policarpo… Suas relações com Cachoeira CartaCapitalprovou com documentos tão irrefutáveis quanto inúteis: a CPI não vai convocá-lo para depor, como seria digno de um país democrático, porque o solerte presidente-executivo abriliano foi ter com o vice-presidente da República para lembrá-lo de que se Veja for julgada, todos os demais da mídia nativa entram na dança.

Este específico enredo prova as dificuldades de governar o país da casa-grande e da senzala. É preciso recorrer a alianças que funcionam como a bola de ferro atada aos pés do convicto e padecer como vice o representante de um partido pronto a ceder diante das pressões da Abril. E da Globo, como CartaCapital relatou ao longo da cobertura da CPI do Cachoeira. Resta o fato: a mídia nativa é bem menos poderosa do que os graúdos supõem, inclusive os do próprio governo.

Uma exceção talvez seja São Paulo, com sua capital dos shoppings milionários, da maior frota de helicópteros do mundo depois de Nova York, de favelas monstruosas a rodear os bairros endinheirados, de mil homicídios anuais (5 mil no estado). Refiro-me à cidade e ao estado mais reacionários do Brasil. Aqui tudo pode acontecer. De todo modo, os senhores, de um lado e do outro, caem na mesma esparrela dos jornalistas que os apoiam ou os denigrem. Os jornalistas e seus patrões, na certeza da ignorância da plateia, acabaram por assumir o nível mental que atribuem a seus leitores, ouvintes e assistentes. Os graúdos apoiados agarram-se em fio desencapado, os ofendidos temem um poder em vias de extinção. E não percebem que a tentativa de demonizar Lula consegue é endeusá-lo.

No Papão, todo dia é dia de índio

Por Gerson Nogueira

O Paissandu, como se previa, partiu para o tudo ou nada, como um lobo acuado. Sob risco de não se classificar à próxima fase e ao mesmo tempo ameaçado de rebaixamento no grupo A da Série C, resolveu sair em busca de um atacante, fiel à avaliação do técnico Givanildo Oliveira (e do pessoal que acompanha o Círio) quanto à completa inoperância do ataque do time.

Ninguém tem dúvida de que, com a timidez ofensiva demonstrada até agora, o Paissandu não tem como almejar grande coisa na competição. Pelo contrário, já sofre diretamente as consequências dessa baixa produção: no desempate com os demais times que têm 16 pontos, perde no número de vitórias, pois só ganhou três partidas.

O esquisito é que o clube anunciou Índio, oriundo do América de Natal e pertencente ao Vitória-BA, como o reforço para o ataque e, em tese, encarregado de resolver o problema de gols. Ocorre que o jogador é meia-armador e vinha amargando o banco de reservas no time potiguar.

Com passagens pelo futebol da China, de onde Tiago Potiguar retornou meio fora de foco no ano passado, Índio será mais um homem para trabalhar na faixa de criação do meio-campo, onde já atuam Harison, Djalma, Leandrinho, Alex Gaibú, Lineker e o próprio Potiguar.

Por tudo isso, o anúncio de Índio não deixou de frustrar expectativas na Curuzu. Esperava-se um homem-gol, do nível de Fábio Júnior, que trabalhou sob o comando de Givanildo no América Mineiro. Pensou-se até em Nonato, o veterano centroavante paraense que disputou a Série D pelo Mixto e apesar da barriga protuberante deu muito trabalho à zaga do Remo nos dois confrontos entre os times.

Para completar a confusão, a diretoria anunciou à noite o interesse em contratar Marcelinho Paraíba, que passou por aqui defendendo o Sport-PE na Copa do Brasil. Pelo que se viu na ocasião, Paraíba desfilou marra, mas o futebol passou longe do repertório. Nem em cobranças de falta, sua especialidade, mostrou qualquer inspiração ou pontaria.

A baixíssima produção fez com que fosse descartado pelo Sport. Foi contratado pelo Grêmio Barueri e não conseguiu emplacar na Série B deste ano. Jogador caro, insere-se naquele tipo de contratação de risco, pois talvez não seja mais útil ao Paissandu, pelo menos para atender as necessidades atuais.

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Enquanto Índio chega e Marcelinho Paraíba pode vir, Givanildo Oliveira decidiu abrir mão de Pantico, um dos atacantes inúteis do elenco, e Alex William, marcado como barqueiro pela torcida e de pouca eficiência nas ocasiões em que foi acionado. Outro que sai é o inconstante Robinho, capaz de atuar bem por alguns minutos e sumir de vista nos instantes seguintes – num jogo só.

Outros nomes estão cotados para entrar na barca do adeus. Rafael Oliveira é um dos mais citados, além de Kiros. Héliton, que chegou a ser mencionado inicialmente como liberado, deve ser mantido por Givanildo.

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O Corinthians, cuja qualidade atual do time é turbinada pelo fator sorte (além de arbitragens, digamos, simpáticas), foi novamente brindado com um presente inesperado. No sorteio de chaves do torneio mundial interclubes, caiu na chave do representante da Austrália.

Com isso, escapou do sempre incômodo cruzamento nas semifinais com os mexicanos do Monterrey. Como se sabe, os times do México costumam abusar da correria e até de certa ousadia contra brasileiros – a seleção olímpica de Mano Menezes que o diga. Em contrapartida, os times australianos pertencem ao chamado quarto mundo do futebol.

Pelo menos desta vez, até segunda ordem, as influências de Andres Sanchez na CBF não podem ser apontadas como responsáveis pelo sorteio que parece ter sido feito sob encomenda.

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Direto do Facebook:

“E só colocar este meio-de-campo para jogar: Neto, Ricardo Capanema, Tiago Potiguar e Lineker no ataque Héliton e Moisés ou Kiros. Tenho certeza que sairíamos dessa situação”.

De Carlos Carvalho, procurando ajudar Givanildo Oliveira a organizar o time do Papão.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 25)