Marcelo Veiga define Remo no 4-4-2

No último treino coletivo de preparação para o jogo decisivo contra o Cuiabá, os titulares do Remo derrotaram os reservas por 5 a 0, com grande atuação de Cassiano, Laionel e Tiago Cametá. Com boa presença da torcida, que foi prestigiar o treinamento, o técnico Marcelo Veiga fez diversas pausas para orientar o posicionamento dos jogadores e praticamente definiu a equipe no 4-4-2 para domingo, confirmando o zagueiro Ávalos entre os titulares. Em entrevista à Rádio Clube, Veiga justificou o novo desenho tático pela necessidade de ser mais ofensivo. Observou, ainda, que um dos volantes (provavelmente Alceu) deve sair para ajudar nas manobras ofensivas. A escalação deve ser a seguinte: Gustavo; Dida, Rafael Andrade, Ávalos e Tiago Cametá; André, Alceu, Laionel e Ratinho; Fábio Oliveira e Cassiano. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Simplicidade: a melhor tática

Por Gerson Nogueira

O futebol exige técnica, disciplina e repetição. O último desses pilares não resiste a mudanças seguidas na escalação. O Remo passa por essa turbulência desde as finais do Campeonato Paraense, quando o técnico Flávio Lopes de repente passou a inventar formações a cada jogo. Desentrosado, o time caiu de rendimento, além de deixar os jogadores inseguros.

Na Série D, já sob o comando de Edson Gaúcho, as experiências continuaram, com efeitos igualmente danosos. Apesar de ganhar a maioria de seus jogos, o time apresentava oscilações graves a cada partida e, às vezes, durante os próprios jogos. Irrequieto, Gaúcho nunca conseguiu repetir a mesma escalação. Em função disso, o Remo jamais teve um rosto definido na competição.

Com a queda de Gaúcho e a chegada de Marcelo Veiga, um técnico conhecido pelo estilo contido e a fala mansa, veio a expectativa de estabilidade. Ledo engano. Depois de uma vitória (sobre o Vilhena) e uma derrota (para o Mixto), Veiga começou a experimentar, mais ou menos como Lopes e Gaúcho.

Dentre as novidades temerárias, lançou de cara contra o Mixto o recém-contratado Alceu e barrou Edu Chiquita. Para o confronto decisivo do próximo domingo, ao invés de preservar a escalação, decidiu barrar de uma só tacada Jhonatan, Chiquita, Fábio Oliveira e Ratinho.

Pode-se argumentar que suas mexidas têm a ver com a derrota no jogo de ida e a busca pelo time ideal. Ocorre que mudanças repentinas dificultam acertos de posicionamento e ainda têm o dado negativo de intranquilizar o elenco.

Chama atenção especial a insistência em lançar Laionel no lugar de Ratinho, principal atacante do Remo no campeonato – oito gols marcados até agora. A preocupação em dar ao meio-campo mais consistência esbarra na irregularidade das atuações de Laionel, que até hoje não convenceu quando entrou como titular.

A entrada de Mendes no lugar de Fábio Oliveira, que não atravessa grande fase, tem a justificativa da preferência por um atacante que joga fixo na área. O problema é que Mendes ainda não foi aproveitado como titular e entra num time bastante modificado, o que deve acentuar as dificuldades de adaptação com os companheiros.

Abrir mão do entrosamento já existente entre Fábio Oliveira, Cassiano, Reis e Ratinho é uma atitude temerária. O treino coletivo realizado ontem confirmou isso. Os reservas bateram facilmente os titulares por 5 a 2. Mestre Didi ensinou, há 50 anos, que treino é treino e jogo é jogo, mas certos sinais não podem ser ignorados, principalmente às vésperas de uma decisão.

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Experiência do advogado Osvaldo Sestário livrou o Remo de um gancho maior ontem no STJD. Não houver perda de mando e o clube foi multado em R$ 200,00. Nas circunstâncias, foi lucro total. Mas não altera uma realidade: clubes têm que redobrar a vigilância com torcedores bagunceiros e mal-educados, que atiram objetos no gramado e menosprezam os riscos de punição para o clube de coração.

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Por força da necessidade, o volante Neto volta a aparecer como titular no Paissandu. Jogador de recursos e boa estatura, revelado pela base do clube, apareceu bem no Parazão e na Copa do Brasil, mas aos poucos perdeu espaço no elenco. A chegada de Roberval Davino praticamente sacramentou sua descida ao limbo.

A ausência de Vânderson, suspenso, reabriu as portas para Neto. Entra de cara contra o Guarani de Sobral fazendo dupla com Ricardo Capanema. Prova de que Givanildo Oliveira atendeu as ponderações de Lecheva, que gosta do futebol do jovem volante.

Além de acrescentar velocidade e fôlego a um setor que estava entregue a jogadores mais experientes, Neto representa uma alternativa para tiros de média e longa distância. Chuta muito bem e, em situações de emergência, pode também auxiliar bem a defesa no jogo aéreo.

Vai formar o quadrado de meia-cancha com Capanema, Alex Willian e Robinho. Abre-se a possibilidade (para Givanildo) de uma nova composição no setor, pois são jogadores rápidos e mais combativos que os que vinham atuando, principalmente na cabeça de área.

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De nada adiantou o esperneio do coronel. Antonio Carlos Nunes, chefão da FPF, queria a inclusão de representantes da Região Norte. A CBF divulgou ontem o regulamento e a tabela da I Copa do Brasil Sub-20, com a mesma estrutura do torneio profissional e reunindo 32 competidores. Os dois primeiros colocados ganham o direito a participar da Libertadores sub-20.

Ponte Preta x Vasco farão o jogo de abertura, no dia 2 de outubro, e a competição vai até 15 de dezembro. Segundo a entidade, o acordo para transmissão dos jogos restringiu o convite aos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro de profissionais.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 07)