Paissandu sofre apagão, perde e despenca na tabela

Com grande público (cerca de 18 mil espectadores) no estádio Presidente Vargas, o Paissandu sofreu uma virada em oito minutos e saiu derrotado pelo Fortaleza, por 3 a 1. Com o resultado, caiu para sétimo lugar na classificação do Grupo A da Série C. Pikachu abriu o placar aos 13 minutos do primeiro tempo, refletindo a boa atuação do time paraense nos primeiros minutos. Ao longo de toda a primeira etapa, o Paissandu foi superior ao Fortaleza, que, nervoso, errava muitos passes e irritava sua torcida. No segundo tempo, Givanildo Oliveira posicionou o Paissandu mais atrás e o Fortaleza equilibrou as ações. Aos 22, Assisinho empatou. Três minutos depois, Guto desempatou. O apagão da defensiva paraense se completou aos 30, com o terceiro gol do Tricolor cearense, novamente pelos pés de Assisinho. Renda no Presidente Vargas: R$ 347.811,00, com 17.619 pagantes. Com 873 não pagantes, o público total chegou a 18.592. (Fotos: DIÁRIO DO NORDESTE) 

Olho vivo: quem vai dar o golpe no Brasil?

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

Agora vocês entendem porque eu ataco tão violentamente a tese de que é possível governar sem base legislativa, sem força política? Essa é uma tese perigosíssima, sobretudo para a esquerda, que não tem apoio da mídia, e que apenas conta com apoio do empresariado enquanto a economia for bem. Há um setor do empresariado progressista, ligado à produção, mas há também um setor financeiro reacionário, corrupto, profundamente insatisfeito, por exemplo, com a concorrência dos bancos públicos e a determinação do governo de reduzir spread e juros.
Um país de economia diversificada como o Brasil, e com tantos recursos naturais, encontrará financiadores para qualquer aventura golpista, sendo que a estratégia pós-moderna é o golpe branco, por dentro da lei, baseado na manipulação da informação.
A guerra do Iraque, por exemplo, foi um golpe branco, um conluio entre a indústria bélica, mídia e setores do governo, para arrancar do contribuinte americano alguns trilhões de dólares. Conseguiram. A guerra pode ter sido um fiasco, e a mídia depois confessou que mentiu, mas o dinheiro foi embolsado pelos barões das armas. Do ponto-de-vista financeiro, portanto, a guerra foi um sucesso absoluto. Recentemente, testemunhamos na América Latina dois golpes brancos: em Honduras e no Paraguai.
O do Paraguai, mais recente, chocou a opinião pública brasileira, mas contou com apoio da mídia (a nossa, e a deles também, claro) e de setores da direita (a nossa e a deles).
E agora vemos o Supremo Tribunal Federal realizando um julgamento não ortodoxo do mensalão, condenando sem provas, encarnando um estarrecedor tribunal de exceção. Confiram a entrevista com Wanderley Guilherme dos Santos para a Carta Capital.
No que toca à mídia, não faltará disposição. Esta é a razão do título do post, que é uma citação de um livro publicado por Wanderley em 1962, no qual ele analisa a situação política e prevê o que irá acontecer. Não quero acreditar em golpe no Brasil. Acho que não chegaremos a tanto, mas golpe é golpe justamente por ser uma surpresa. Ninguém contava com o golpe de 64, assim como não contavam em Honduras ou Paraguai. Um pouco de paranóia, se dosada com bom senso, não faz mal a ninguém.
A Veja desta semana traz uma reportagem bombástica de capa. Depois do julgamento sem provas, dos grampos sem áudio, agora temos uma entrevista sem entrevistado. A revista traz revelações dadas por Marcos Valério que não foram ditas por Marcos Valério, mas colhidas em depoimentos de parentes, amigos e associados. Ou seja, a velha e boa fofoca ganhou status de entrevista e matéria jornalística. PS: Marcos Valério não apenas não deu a entrevista como não confirmou as informações nela contida.
Sabe o que é pior? As pessoas acreditam. Lembro que uma vez eu li uma matéria sobre uma pesquisa de cientistas ingleses, que descobriram que as pessoas tendem a acreditar mais em fofocas do que em seus desmentidos. A reportagem ataca, obviamente, Lula, que é uma espécie de vilão-mor da Veja. Ela ocorre na mesma edição em que se publica uma resenha do último livro do blogueiro da revista, Reinaldo Azevedo, intitulada, muito criativamente, País dos Petralhas II.
O objetivo da matéria é criar um fato bombástico para repercutir nas primeiras páginas dos jornais de domingo, constará do Fantástico, e pautará os grandes órgãos de imprensa, aliados nessa estratégia. Faltando pouco mais de 20 dias para a eleição municipal, a Veja tenta levar Serra, candidato à prefeitura de São Paulo, para o segundo turno.
Não se trata de considerar Lula um intocável. Mas não se pode pautar a agenda política de um país com base em fofocas. Se Marcos Valério tem alguma coisa a dizer, que o diga de sua própria boca, e prove. Nesse momento em que a direita se vê cada vez mais enfraquecida, não podemos baixar a guarda, porque o bicho se torna mais feroz quando está acuado. A esquerda tem de se fortalecer, ampliar sua base legislativa, fortalecer as instituições, e construir, paulatinamente, um sistema de comunicação mais democrático. O Brasil se tornou grande demais para ficar à mercê de meia dúzia de barões da mídia.
Para isso, o governo tem de fazer um PAC da Internet, investindo o que for necessário, urgentemente, para elevar a banda em todo país, porque somente a internet pode libertar o país do risco de um golpe branco midiático. Este PAC deveria conter os seguintes pontos:
– Consolidar, de uma vez por todas, uma banda larga de alta potência em todo país, ao custo menor possível.
– Incentivar a criação de canais de TV exclusivos de internet.
– Incentivar a criação de websites, blogs e portais jornalísticos e culturais, que sejam independentes de corporações. Sei que já existem milhares de websites e blogs independentes, mas quase nenhum é profissional. Para isso, entrará o investimento do poder público. Temos de fazer leis que obriguem municípios, estados e União a patrocinarem a mídia independente – a partir de critérios republicanos, evidentemente.
O Leviatã midiático está mais desesperado – e por isso perigoso – do que nunca. O novo lance da Veja deve nos preparar para o que virá em 2014. Em 2010, sofremos na pele o risco de um retrocesso brutal por conta da aliança entre grande mídia e oposição conservadora. Essa é a razão pela qual eu não acredito em aventureiros solitários. A guerra política não é para adolescentes mimados. Governos de esquerda, ou aliados à esquerda, tem de ser fortes, com base legislativa sólida e confiável, ancorado em processos consolidados de articulação política entre partidos, sindicatos, movimentos sociais, empresariado e sociedade civil. Se não for assim, se não agirmos com inteligência e coesão, estaremos expondo nosso povo a um risco que ele não merece correr.
Lula foi um grande estadista, mas o importante não é o indivíduo. É o projeto político. Esse projeto deve ser assegurado, porque a democracia, em si, não muda muita coisa, o que muda é a luta política no interior da democracia. A luta para assegurar crescimento econômico, empregos, juros baixos, mais investimentos em infra-estrutura, e aprimoramento constante dos serviços de educação e saúde oferecidos pelo poder público.

A moda do futebol sub-40

Por Gerson Nogueira

Caras de responsa como Jimi Hendrix e Jim Morrison levaram ao pé da letra a máxima de que roqueiros tinham que morrer antes dos 30. O futebol não pode levar isso a ferro e fogo, obviamente, mas boleiros veteranos são vistos cada vez mais com desconfiança.

Pois o Paissandu anunciou, na manhã de sexta-feira, suas novas aquisições para a disputa da Série C, recomendadas pelo técnico Givanildo Oliveira para posições carentes na equipe: Alex Gaibú, meia-armador, e Júnior Maranhão, volante.

Na ficha dos dois atletas, a tradicional fieira de times defendidos ao longo da carreira e dois traços comuns: ambos vêm do futebol nordestino e têm a mesmíssima idade, 35 anos.

Num primeiro momento, desconfiei da informação, imaginando algum engano quanto às datas de nascimento dos atletas. Fui checar com mais cuidado e constatei que a vigilante assessoria de comunicação do Papão estava certíssima, como de hábito.

Desde que Roberval Davino picou a mula e Givanildo Oliveira chegou, havia a expectativa de que o Paissandu anunciasse novos jogadores. Afinal, Givanildo assumiu e só havia recomendado um reforço (Rodrigo Fernandes) e, como se sabe, técnicos sempre recomendam contratações.

Surpreendente foi a opção por dois boleiros tão rodados. Mais ainda pelo exemplo recente do Remo, que inchou o elenco com veteranos e acabou outra vez eliminado de uma competição nacional. Com um time repleto de jogadores sub-40, os azulinos entregaram a vaga dentro de casa para o modesto Mixto, do Mato Grosso.

Imaginava-se que o infortúnio do maior rival serviria como referência para o Paissandu. Ao contrário, o clube resolveu investir justamente na chamada terceira idade do futebol. Por mais valorosos e disciplinados que Alex Gaibú e Junior Maranhão sejam – e não há razão para duvidar disso –, o fato é que a idade pesa.

O futebol, como a maioria dos esportes coletivos, é cada vez mais um campo inteiramente dominado por jovens. Na contramão dos fatos, o Paissandu ensaia movimentos conservadores quanto ao elenco. Acaba de se desfazer de Bartola, 17 anos, negociado com empresários por R$ 180 mil (segundo os dirigentes), e está prestes a fazer o mesmo com Pikachu, 18, sua maior revelação desde Charles Guerreiro.

O quadro é ainda mais preocupante porque o grupo atual conta com razoável contingente de atletas acima dos 30 anos – Marcus Vinícius, Vânderson, Pantico, Harison, Alex Willian, Ricardo Capanema, Zé Augusto, dentre outros. Experiência é virtude que não deve ser menosprezadas, mas competições como a Série C exigem força, resistência e velocidade, itens que só os mais jovens podem oferecer a um time.

Mas, diante do fato consumado, resta esperar (e rezar) que, desta vez, todas as previsões estejam erradas e os dois novos reforços queimem a língua de todos os críticos, transformando-se em peças exponenciais para futuras conquistas do Paissandu.

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Para o confronto deste domingo com o Fortaleza, na capital cearense, o Paissandu terá duas estreias importantes. Rodrigo Fernandes entra na ala esquerda e Moisés reassume a camisa 9. Ambos têm chances de entrar definitivamente na equipe, pois são posições que estavam à espera de ocupantes efetivos.

Pelo desenho da equipe, com três zagueiros e meio-campo congestionado, Givanildo aposta nos contra-ataques. A estratégia é válida e o esquema, cauteloso. O problema é que o adversário é um dos melhores times do grupo e pouco tropeça em casa. Um empate já seria bom resultado.

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O Fluminense, líder do Campeonato Brasileiro, exibe folha salarial de time europeu de primeira linha. Segundo especulações, paga mensalmente R$ 8 milhões aos seus jogadores. Graças a um patrocinador generoso, mantém o elenco mais caro do país, com salários estratosféricos.

Deco, que joga só de vez em quando, fatura mais de R$ 600 mil. O artilheiro Fred embolsa outros R$ 500 mil. Mais incrível ainda é a grana paga ao técnico Abel Oliveira, algo em torno de R$ 800 mil. E olha que Pep Guardiola não faturava nem um terço disso no fabuloso (e rico) Barcelona.

Além do descalabro óbvio que a situação revela, fica a certeza de que o Fluminense ocupa a única posição possível para um clube tão endinheirado. Com salários desse naipe, o time tem obrigação de ser campeão. Não só do Brasil, mas talvez até da galáxia.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 16)

Águia bate Icasa e se reabilita na Série C

Com um gol de Branco aos 23 minutos do primeiro tempo, de cabeça, o Águia derrotou o Icasa-CE na tarde deste sábado, em Marabá, em jogo válido pela Série C. A vitória reabilitou a equipe de João Galvão, que estava sem vencer há várias rodadas. O Águia foi superior na maior parte do jogo, embora tenha tido mais oportunidades de gol no primeiro tempo. Na etapa final, a partida foi mais equilibrada e o Icasa ameaçou em lances perigosos. Com o resultado, o Águia foi a 16 pontos, ultrapassando o Paissandu (que joga neste domingo contra o Fortaleza) e ocupando provisoriamente o terceiro lugar na classificação do grupo A.