Bartola é liberado e Pikachu pode ser negociado

No vendaval de histórias e futricas que rondam o Paissandu, o diretor (ou assessor do presidente) Fred Carvalho anuncia há dois dias a liberação de Bartola para investidores, por R$ 100 mil. O atacante deverá ser encaminhado às divisões de base do Coritiba, a fim de ser preparado para voos maiores. O mesmo Fred disse nesta segunda-feira que Pikachu pode ser negociado com os mesmos investidores e, caso a transação se confirme, deve defender também o Coxa. Como tudo que diz respeito a transações de jogadores no Paissandu, essas informações carecem de confirmação oficial. Fontes ligadas ao Conselho Deliberativo garantem, porém, que a saída de Pikachu dificilmente será autorizada pelos conselheiros. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Essa seleção é o Jonas Brother do futebol

Por André Barcinski

Para quem não viu: a CBF trouxe um boi de piranha – a China – para ser goleado e aliviar a pressão em cima do técnico Mano Menezes, que faz um trabalho esquizofrênico no comando do time. Na verdade, seriam dois bois de piranha, mas a seleção brasileira é tão ruim que fez jogo duro até com a África do Sul. A China, me perdoem os orientais, é uma piada. Acho que foi a pior seleção profissional que já vi jogar. Sem exagero, esse time chinês perderia da seleção brasileira feminina.

O time de Mano ganhou de 8 a 0 e saiu de campo com aquela pompa de “dever cumprido”. Jogadores só falavam da “ótima atuação” contra “um adversário de respeito”. Na coletiva, Mano teve a pachorra de dizer as palavras “China” e “forte” na mesma frase. E o pior é perceber que não houve UM jornalista para questioná-lo. As perguntas variaram do patriotismo mais rasteiro (“O time parecia muito unido ao cantar o hino…”) ao puxa-saquismo mais embaraçoso (“O Brasil não deixou a China jogar…”).

Para piorar, técnico e jogadores exaltavam a torcida nordestina e creditavam ao “grande apoio” dela a atuação do time. “Grande apoio”? Onde? O estádio do Arruda recebeu 29.658 pessoas. Ano passado, quando estava na 4ª divisão do Brasileiro, a média de público do Santa Cruz era de 36.916 pessoas. A torcida nordestina foi tratada como claque de programa de auditório. Pelas declarações exultantes dos jogadores e de Mano, parecia que a única coisa que se esperava do torcedor nordestino era apoio cego e incondicional, por pior que jogasse o time.

É muito triste perceber que o escrete canarinho virou um joguete de relações públicas na mão da CBF. Triste notar que Mano, com a cara de pau que estamos acostumados a ver em políticos, escala o são-paulino Lucas de titular num jogo no Morumbi e o nordestino Hulk para um jogo em Recife. Mais que um teatrinho, a seleção parece uma “boy band”, tipo Jonas Brothers.

Temos um produto – o time – de qualidade sofrível, mas que é vendido como a última bolacha do pacote. Os “atores” – os jogadores – são jovens, bonitinhos e facilmente manipuláveis, prontos a bater continência para qualquer coisa que o empresário – a CBF – disser.

Nos “shows”, todos têm seu script: o time ganha de um adversário ridículo, a claque bate palmas, e os jornalistas, ou melhor, assessores de imprensa, tratam de levantar a bola do time. Nossos Jonas brothers têm até coreografia. É só ver a dancinha de Lucas e Neymar após um dos gols de ontem.

Para completar, chega o intervalo do jogo e qual o primeiro comercial que pinta na TV? O super-herói Neymar, chutando a caspa para longe com chutes de videogame.

Chega logo, Maracanazo!

Na mosca…

Enfim, uma boa notícia

Por Gerson Nogueira

Surgiu ontem um facho de luz no fim do túnel em meio aos escombros da eliminação remista na Série D. O presidente Sérgio Cabeça anunciou a intenção de deixar o cargo no final de outubro, a fim de permitir que o futuro presidente do clube possa começar mais cedo o trabalho de preparação e planejamento para a próxima temporada.

Parece pouca coisa, mas, comparado a atitudes de dirigentes que tentaram se agarrar ao cargo a golpes de picareta, o desprendimento de Cabeça apressa a reorganização do Remo para 2013. Permite, entre outras coisas, que a nova gestão possa montar o time para disputar o Campeonato Paraense, uma das duas competições confirmadas (a outra é a Copa do Brasil) para o clube no próximo ano.

Não esquecendo que o Parazão vale bem mais do que aparenta: classifica para a Série D e é mais do que natural que o novo presidente não queira passar pelos constrangimentos vividos pela atual gestão, acusada de comprar a vaga depois que o Cametá anunciou desistência.

Um dia depois do desastre, Cabeça fez uma espécie de prestação de contas e garantiu que deixará o clube saneado. Reafirmou que o time de futebol está com salários em dia e prometeu quitar a pendência com os funcionários. Quanto à Justiça do Trabalho, em face do trabalho incansável de Ronaldo Passarinho e sua pequena equipe de advogados, os débitos estão controlados e o Remo segue livre da penhora de arrecadações.

Para dar um passo realmente à frente, Cabeça deveria se empenhar para pôr em prática o novo estatuto do clube, que já prevê eleições direitas para a presidência. Acima disso, deveria lutar para que a anacrônica composição do Conselho Deliberativo seja urgentemente modificada.

Clubes da grandeza do Remo não podem ficar à mercê de conselheiros que se reúnem uma vez por semestre, preferem jantares a assembleias ordinárias e fogem de decisões polêmicas como o capeta da cruz. O conselho não honra o nome que tem. Por tradição, não delibera nada. Em geral, funciona mais como gaveteiro. Ideias e propostas inovadoras são arquivadas solenemente. Os conselheiros atuais têm alergia a punir dirigentes picaretas, recusam-se a a rejeitar prestações de contas graciosas. Preferem o conchavo à confrontação.

Diretorias de clubes de massa não podem ser desconectadas da torcida. É preciso suprimir já essa distância. O sistema atual provou sua ineficácia. Não faz nenhum sentido que aqueles 35 mil torcedores que lotam as arquibancadas sejam representados por 400 conselheiros que não têm mais pique ou disposição para debates.

Salvo honrosas exceções, conselheiros são pessoas sem paciência para o contraditório, nem ânimo para o esforço diário que o futebol profissional exige. São amadores lidando com um negócio que movimenta milhões de reais e mobiliza multidões. A salvação do Remo talvez passe por esse choque de realidade. Quem dará o primeiro passo?

Os resultados da rodada foram generosos com o Paissandu, que tropeçou em casa novamente e ficou nos 15 pontos, mas terminou em terceiro lugar na classificação da Série C. O time só não foi generoso com o torcedor, que acreditava em vitória e teve que se contentar com um empate com sabor de derrota – o quarto desde que Givanildo Oliveira assumiu o barco.

Depois de desperdiçar inúmeras oportunidades – três delas nos pés de Rafael Oliveira –, o Paissandu repetiu erros primários de cobertura e permitiu o gol de empate aos 42 minutos. Ricardo Capanema cochilou e deu origem ao lance fatal. Por conta disso e dos erros primários dos atacantes, o time saiu de campo protegido pelo Batalhão de Choque, antecipando a cena que se repetiria no jogo do Remo, um dia depois.

Como Santa Cruz e Salgueiro disputam jogo atrasado na próxima quinta-feira, o Paissandu cairá para a quarta posição qualquer que seja o resultado, em função do saldo de gols. Givanildo terá uma semana para reorganizar a equipe para o confronto com o Fortaleza, adversário direto na briga pela classificação. O tempo é razoável, mas os atacantes precisam colaborar e acertar a pontaria. Nenhum time avança desperdiçando tantas oportunidades para vencer. (Foto: MÁRIO QUADROS/Foto)

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Desta vez, a CBF se superou. O amistoso de ontem, entre Brasil e China, foi daqueles duelos improváveis, entre equipes inteiramente desiguais. Durante os primeiros 45 minutos, que me esforcei para acompanhar, a bola ficou somente no campo de defesa chinês. A Seleção Brasileira, com todas as facilidades que um time inocente possibilita, perdeu uma meia dúzia de chances incríveis. O goleiro, da altura de Nelson Ned, era uma figura bizarra em campo.

Mano Menezes, cada vez mais Professor Pardal, botou Neymar de centroavante, típico gesto de quem não tem plano de voo definido. A melhor coisa da pelada foi mesmo o gol do bom Ramires, que já devia ser titular do escrete há muito tempo. Com sparrings desse porte, a Seleção tem tudo para desaprender o pouco que sabe.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 11)

Súmulas relatam abusos das torcidas paraenses

Súmulas dos árbitros dos jogos Paissandu x Guarani de Sobral, realizado sábado no Mangueirão, e Remo x Mixto-MT, domingo, no mesmo estádio, parecem cópia uma da outra: carregam em detalhes sobre o mau comportamento dos torcedores. Não aliviam a barra dos clubes paraenses mandantes. Relatam que torcedores atiraram muitos objetos no gramado e que os trios de arbitragem tiveram que deixar o gramado protegidos pela Polícia. Não precisa ser bidu para saber o que vem por aí, quando as denúncias chegarem ao STJD. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)