Sem grana, Paraíba não assina contrato

Marcelinho Paraíba não apareceu para treinar nesta quinta-feira à tarde na Curuzu. Estava previsto que, finalmente, iria ser apresentado aos companheiros de Paissandu e falaria como novo contratado do clube. Na verdade, permanece o impasse provocado pela falta de grana para honrar o prometido ao jogador. Paraíba exigiu receber adiantado os R$ 60 mil pelo pacote de 7 jogos na Série C. Sem isso, não assina contrato. Dirigentes e colaboradores do clube ainda tentam arranjar a grana e justificam o impasse alegando entraves jurídicos para a regularização do jogador. Não é verdade. Paraíba está apto a defender um terceiro clube na temporada.

Aguardemos as cenas do próximo capítulo.

Lambanças em torno de Paraíba

Por Gerson Nogueira

Quando a gente pensa que já viu tudo, os dirigentes sempre aparecem com alguma novidade. Enquanto a torcida se dividia entre entusiasmo e dúvida sobre a importância da contratação, o Paissandu era sacudido ontem nos bastidores uma nova série de trapalhadas, quase levando a um desfecho vexaminoso. Para todos os efeitos, o script foi cumprido quase à risca. Marcelinho Paraíba chegou e se apresentou na Curuzu na hora prevista, trajando a camisa alviceleste.

Nas internas, porém, se desenrolava um tenso processo de busca pelos R$ 60 mil para pagar o jogador, que exigiu receber a quantia antecipadamente como condição para assinar o contrato. A informação, repassada por pessoas ligadas a Marcelinho, terminou confirmada quando ele se recusou a dar entrevista como contratado do Paissandu.

Diante do impasse, permanece a dúvida é quanto ao fechamento do negócio. Um clima de inquietação e nervosismo dominava os diretores do clube, preocupados com o inevitável desgaste gerado pela situação.

Conforme havia avisado na quarta-feira, Marcelinho só falaria como contratado se recebesse o dinheiro no hotel após o desembarque em Belém. Não por acaso, ao comparecer à Curuzu, acenou simpaticamente para todos, mas não deu entrevistas.

Ousada no esforço para trazer um reforço badalado, a diretoria não conseguiu disfarçar a lambança quanto ao contrato. Atrapalhada como sempre, alegou que um atraso no voo impediu que os papéis ficassem prontos. A versão real da história não inclui qualquer entrave com as páginas do contrato. O problema mesmo é de dinheiro.

Caso o impasse permaneça ao longo do dia de hoje, o Paissandu corre o risco de ver Marcelinho dar meia-volta e tomar o rumo do aeroporto. Seria um vexame de proporções tsunâmicas. A aquisição foi amplamente divulgada, reposicionando o Papão na agenda positiva do noticiário.

Para apagar o princípio de incêndio, empresários e colaboradores do Paissandu se movimentam para garantir o pagamento e a entrega do prometido automóvel para Marcelinho. É provável que logo pela manhã o dinheiro seja entregue, selando a negociação.

Ao mesmo tempo, o veterano jogador impõe suas vontades porque sabe que a partir de agora será cobrado e vigiado diariamente pelos olhos atentos do torcedor. Outro problema a ser superado diz respeito ao relacionamento com o elenco, dividido ao meio por culpa da própria diretoria, que mantém um pequeno grupo com salários em dia e ignora as queixas dos demais atletas.

Marcelinho parece pronto para jogar, embora ainda tenha que confirmar a titularidade nos treinos de hoje e amanhã. De todo modo, pelo pacote de sete jogos que firmou com o Paissandu, soa improvável que não seja escalado para enfrentar o Águia no sábado à noite.

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O técnico Lecheva está diante de um quebra-cabeças. Precisa estruturar o meio-de-campo para o jogo decisivo em Marabá equilibrando força e velocidade, juventude e maturidade. Tem a opção de relançar Neto como segundo homem da marcação, caso queira evitar o risco de um quarteto de 143 anos – Vânderson (36), Junior Maranhão (35), Alex Gaibú (35) e Marcelinho Paraíba (37). Há, ainda, a possibilidade de escalação do recém-contratado Índio, cuja chegada foi eclipsada pelo anúncio de Paraíba.

Outro enigma se localiza no ataque. A alguns interlocutores, o treinador admitiu que tem pensado na dupla Rafael Oliveira e Moisés, últimos grandes artilheiros do clube, respectivamente em 2011 e 2010. A má fase de Rafael, vaiado seguidamente pela torcida na Série C, é o principal entrave a esse plano. Por enquanto, Tiago Potiguar segue como mais provável parceiro de Moisés na linha ofensiva.

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Um jogo apenas não pode servir de balizamento quanto às chances de um time, mas o que o Atlético Mineiro não mostrou ontem diante do Flamengo dá margem ao estigma de cavalo paraguaio, que acompanha a equipe desde que assumiu a liderança do Brasileiro da Série A.

Diante de um Flamengo apenas aguerrido, o Galo visivelmente amarelou, comportando-se com timidez excessiva nos primeiros minutos e permitindo que os rubro-negros tomassem todas as iniciativas, até chegar ao gol espírita de Vagner Love.

Não se pode ignorar que o comportamento encabulado de Ronaldinho Gaúcho contribuiu muito para a retração da equipe de Cuca. Quase ao final, para coroar a má jornada, o zagueiro Réver agrediu um adversário e enfraqueceu ainda mais qualquer possibilidade de reação. Times campeões não podem amarelar.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 27)

Paraíba chega e é apresentado na Curuzu

O meia Marcelinho Paraíba desembarcou no começo da tarde em Belém e depois foi apresentado na Curuzu, trajando o uniforme do Paissandu. Recusou-se, porém, a dar entrevistas como contratado do clube. Os dirigentes garantem que houve apenas um atraso na elaboração do contrato, mas, na verdade, o problema é financeiro. Como exigiu receber adiantado os R$ 60 mil do pacote firmado por sete jogos, Marcelinho só falará como jogador do Papão depois que o dinheiro chegar às suas mãos. Segundo Antonio Claudio Louro, tudo estará resolvido nesta quinta-feira. A conferir.

Paraíba: solução ou desespero?

Por Gerson Nogueira

Em fase declinante da carreira, Marcelinho Paraíba chega para reforçar o Paissandu estabelecendo logo um novo recorde: será o jogador mais bem pago da história do futebol paraense. Nenhum outro atleta contratado nos últimos 20 anos chega perto da cifra que o Paissandu se comprometeu a pagar ao veterano meia-atacante.

Segundo fontes da diretoria e do Conselho Deliberativo, o acerto com Paraíba gira em torno de R$ 60 mil mensais, mais vantagens adicionais, como apartamento bancado e carro zero quilômetro, mimos só oferecidos a uma grande estrela.

O aspecto curioso dessa história é a marcha batida do futebol paraense para se consolidar como paraíso de jogadores em fim de carreira. Aos 37 anos, Marcelinho Paraíba foi descartado pelo Sport-PE depois da pífia participação na Copa do Brasil deste ano, quando o time foi eliminado pelo Paissandu de Pikachu, Pablo e Héliton – e Lecheva. Ignorado pelos clubes da Série A, foi jogar no Grêmio Barueri na Série B, com atuações apagadas.

A idade cobra seu preço e o passe caprichado, as arrancadas em direção à área e o chute certeiro, características que o tornaram famoso no Brasil e na Alemanha, já não fazem parte do repertório de jogadas de Marcelinho. Seriam esses os motivos da restrição que Givanildo Oliveira apresentou à ideia da contratação.

Todos os membros da diretoria sabem que o Paissandu está fazendo uma aposta de alto risco, movido pelo desespero evidente de seu presidente em tentar salvar a temporada a qualquer custo. Resta saber se são custos assimiláveis pelas trôpegas finanças do clube.

Não foi tão simples concretizar a operação de contratação de Marcelinho. Para isso, o Paissandu contou, pela primeira vez, com a firme colaboração de seu parceiro mais famoso, o ex-lateral Roberto Carlos, dono da RC3 Sports. Contatos alinhavados pelo ex-lateral viabilizaram as negociações com Marcelinho, que inicialmente não se mostrava disposto a encarar as agruras da Série C, vista como um atestado de fim de linha.

Pesava ainda contra o acerto a desconfiança do jogador em relação ao fôlego financeiro do Paissandu. Notícia ruim corre longe e é mais ou menos de conhecimento público que o clube está com salários atrasados há mais de dois meses. Aliás, a situação delicada das finanças e o clima entre os jogadores constituem outro fator de risco em torno da aquisição de Marcelinho. O universo boleiro é rico em exemplos de boicote a jogadores caros e badalados. Resta conferir os próximos capítulos da saga alviceleste na Terceirona.

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E notícias oriundas de Natal indicam que o Paissandu pode estar contratando um jogador-problema, como vários outros que recentemente causaram choro e ranger de dentes no clube. Índio, o meia-atacante anunciado anteontem como reforço, é uma espécie de titular do banco de reservas e coleciona visitas ao departamento médico. Algo mais ou menos parecido com os Kariris, Robinhos e Williams da vida.

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Givanildo Oliveira dá adeus novamente ao futebol paraense. Ao contrário das outras despedidas recentes, sempre melancólicas, desta vez sai em silêncio. Cansou, aparentemente, do caótico ambiente do Paissandu e das dificuldades de comandar um grupo de jogadores que não contratou. Apagou vários incêndios, inclusive duas tentativas de motim, tramadas pelos mais experientes do elenco.

Com retrospecto inteiramente desfavorável – cinco empates e uma derrota –, o técnico preferiu suspender seu contrato e buscar os ares de Olinda para refrescar a cabeça. Há quem garanta que será o novo comandante do Santa Cruz, clube onde começou como jogador.

Para o seu lugar, o Paissandu optou por efetivar Lecheva. Medida acertadíssima e justa, pois foi sob o comando do faz-tudo da Curuzu que o time realizou sua melhor partida na temporada: a impecável vitória por 4 a 1 sobre o Sport, na Ilha do Retiro, pela Copa do Brasil deste ano. Assume, porém, num momento conturbado e vai precisar de apoio e blindagem para executar bem a espinhosa tarefa.

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Despreparo de dirigente não é exclusividade papachibé, não. Luís Álvaro Ribeiro, presidente do Santos, disparou que Paulo Henrique Ganso padece de mal incurável. Lembrou até disparates frequentemente cometidos por cartolas paraenses.

Diante da repercussão negativa de sua incontinência verbal, Laor saiu-se com a desculpa preferida dos covardes. Negou tudo alegando ter sido invenção da imprensa. Terá, porém, que conviver para sempre com o ônus da irresponsável sentença. De quebra, forneceu munição para que o meia-armador paraense se esforce ainda mais para brilhar no São Paulo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 26)