Paraíba: solução ou desespero?

Por Gerson Nogueira

Em fase declinante da carreira, Marcelinho Paraíba chega para reforçar o Paissandu estabelecendo logo um novo recorde: será o jogador mais bem pago da história do futebol paraense. Nenhum outro atleta contratado nos últimos 20 anos chega perto da cifra que o Paissandu se comprometeu a pagar ao veterano meia-atacante.

Segundo fontes da diretoria e do Conselho Deliberativo, o acerto com Paraíba gira em torno de R$ 60 mil mensais, mais vantagens adicionais, como apartamento bancado e carro zero quilômetro, mimos só oferecidos a uma grande estrela.

O aspecto curioso dessa história é a marcha batida do futebol paraense para se consolidar como paraíso de jogadores em fim de carreira. Aos 37 anos, Marcelinho Paraíba foi descartado pelo Sport-PE depois da pífia participação na Copa do Brasil deste ano, quando o time foi eliminado pelo Paissandu de Pikachu, Pablo e Héliton – e Lecheva. Ignorado pelos clubes da Série A, foi jogar no Grêmio Barueri na Série B, com atuações apagadas.

A idade cobra seu preço e o passe caprichado, as arrancadas em direção à área e o chute certeiro, características que o tornaram famoso no Brasil e na Alemanha, já não fazem parte do repertório de jogadas de Marcelinho. Seriam esses os motivos da restrição que Givanildo Oliveira apresentou à ideia da contratação.

Todos os membros da diretoria sabem que o Paissandu está fazendo uma aposta de alto risco, movido pelo desespero evidente de seu presidente em tentar salvar a temporada a qualquer custo. Resta saber se são custos assimiláveis pelas trôpegas finanças do clube.

Não foi tão simples concretizar a operação de contratação de Marcelinho. Para isso, o Paissandu contou, pela primeira vez, com a firme colaboração de seu parceiro mais famoso, o ex-lateral Roberto Carlos, dono da RC3 Sports. Contatos alinhavados pelo ex-lateral viabilizaram as negociações com Marcelinho, que inicialmente não se mostrava disposto a encarar as agruras da Série C, vista como um atestado de fim de linha.

Pesava ainda contra o acerto a desconfiança do jogador em relação ao fôlego financeiro do Paissandu. Notícia ruim corre longe e é mais ou menos de conhecimento público que o clube está com salários atrasados há mais de dois meses. Aliás, a situação delicada das finanças e o clima entre os jogadores constituem outro fator de risco em torno da aquisição de Marcelinho. O universo boleiro é rico em exemplos de boicote a jogadores caros e badalados. Resta conferir os próximos capítulos da saga alviceleste na Terceirona.

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E notícias oriundas de Natal indicam que o Paissandu pode estar contratando um jogador-problema, como vários outros que recentemente causaram choro e ranger de dentes no clube. Índio, o meia-atacante anunciado anteontem como reforço, é uma espécie de titular do banco de reservas e coleciona visitas ao departamento médico. Algo mais ou menos parecido com os Kariris, Robinhos e Williams da vida.

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Givanildo Oliveira dá adeus novamente ao futebol paraense. Ao contrário das outras despedidas recentes, sempre melancólicas, desta vez sai em silêncio. Cansou, aparentemente, do caótico ambiente do Paissandu e das dificuldades de comandar um grupo de jogadores que não contratou. Apagou vários incêndios, inclusive duas tentativas de motim, tramadas pelos mais experientes do elenco.

Com retrospecto inteiramente desfavorável – cinco empates e uma derrota –, o técnico preferiu suspender seu contrato e buscar os ares de Olinda para refrescar a cabeça. Há quem garanta que será o novo comandante do Santa Cruz, clube onde começou como jogador.

Para o seu lugar, o Paissandu optou por efetivar Lecheva. Medida acertadíssima e justa, pois foi sob o comando do faz-tudo da Curuzu que o time realizou sua melhor partida na temporada: a impecável vitória por 4 a 1 sobre o Sport, na Ilha do Retiro, pela Copa do Brasil deste ano. Assume, porém, num momento conturbado e vai precisar de apoio e blindagem para executar bem a espinhosa tarefa.

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Despreparo de dirigente não é exclusividade papachibé, não. Luís Álvaro Ribeiro, presidente do Santos, disparou que Paulo Henrique Ganso padece de mal incurável. Lembrou até disparates frequentemente cometidos por cartolas paraenses.

Diante da repercussão negativa de sua incontinência verbal, Laor saiu-se com a desculpa preferida dos covardes. Negou tudo alegando ter sido invenção da imprensa. Terá, porém, que conviver para sempre com o ônus da irresponsável sentença. De quebra, forneceu munição para que o meia-armador paraense se esforce ainda mais para brilhar no São Paulo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 26)

31 comentários em “Paraíba: solução ou desespero?

  1. O mais grave é que Givanildo NÃO foi para o Santa Cruz! Ele preferiu simplesmente ficar sem fazer nada em Recife! Tal atitude, por si só, já diz tudo sobre a avaliação que ele faz deste time do Paysandu!

    Não é pra menos! Com a vinda de Paraíba (37) e Índio (31), mais os outros veteranos que já estão aqui, o Paysandu envelhece consideravelmente seu elenco. Já está sub-40, igual ao adversário do outro lado da avenida… E dos jovens, boa parte é baladeira…

    Toda vez que o Rabugento vai embora, logo se diz que “encerrou o ciclo”, o que logo vemos refutado tempos depois, reflexo da falta de alternativa de nossos times. Não se iludam: Givanildo e Édson Gaúcho ainda vão voltar muitas e muitas vezes, pois não existem outros.

    Quanto ao professor Lecheva, sua passagem pelo time esteve longe de ser boa. Foi eliminado no estadual pelo Águia em pleno Mangueirão e levou duas sovas do Coritiba. A vitória sobre aquele time do Sport enganou (e continua enganando) apenas aos que adoram a auto-ilusão. A torcida leonina considerou aquele elenco (já desfeito) como um dos piores do clube em todos os tempos.

  2. – Penso Gerson e amigos, por tudo que ouvi do LOP em uma entrevista, que esses 60 mil, é um pacote, até o final dessa 1ª fase + o 1º mata-mata, caso o Papão passe.

    – Marcelinho, quando saiu do Barueri, por problemas pessoais, foi muito elogiado pelo Presidente desse clube, pelo alto grau de profissionalismo, confiram no site do clube ( http://www.baruerioficial.com.br ).

    – Fico na torcida para que os jogadores ajudem o Lecheva a conseguir esse acesso, porque, se depender dos conhecimentos desse técnico…. Te contar..

    – A demissão do Giva, só comprova, mais ainda, que o que falei a quando da demissão do Davino, era verdade. O problema do papão, são os jogadores e não de técnico. O torcedor do Papão está tão desanimado, desesperado,… que consegue ver em Lecheva, o que não via em Davino e Giva, pelo simples fato de ter vencido 2 vezes o Sport, esse ano, colocando essas 2 vitórias à frente de todos os títulos, conquistados por esses 2 técnicos.

    – João Galvão, em uma entrevista ao Globo esporte. com, ontem disse que foi sondado pelo Paysandu e como o Ferreirinha, presidente do Águia estava em Belém, ía aguardar ele chegar ontem à noite e daria uma resposta hoje, ao Papão.

    – Bom, agora, a escalação do Paysandu, vai ser tudo que o Lecheva vinha escutando nas rádios, até agora, traz a mídia para seu lado e, como sempre acontece quando temos técnico local no comando: “A bagunça, no comando técnico, voltou..”. Podem começar a escalar seu time, torcedor e mídia Paraense, Lecheva estará atento…

    Deus, salve o Papão…

  3. Pronto, agora que chegou o estuprador á primeira vitima será o Aguia do bocudo Galvão, e que venham as próximas vitimas. Seja o que Deus quiser, com esses atos tresloucados do LISOMAR DOIDO!

  4. A tendência é dar errado a contratacão do Paraíba devido à insatisfacão do grupo com o atraso. Mas existe um outro lado: como futebol não é matemática, pode dar certo. Agora vem só como é o futebol. Conversava há alguns anos com um amigo meu que esteve em Berlim e dizia que o Paraíba era ídolo mesmo por lá. Agora se sujeita a jogar na série C. Lamentável.

  5. Apesar de todos os comentários contrários eu particularmente ainda acho que o Lecheva é a melhor indicação para o momento, podem esperar que pelo menos o sono dos jogadores vai passar e isso não duvido nada pois o Lecheva ainda tem muita influência sobre o elenco.

    Agora essa do Paraíba nada mais é do que uma das muitas trapalhadas do LOP & Cia. Fora bando de urubus.

    Raimundo Ramos

  6. Apesar de um dia sonhar em treinar Remo e Paysandu, um jornalista, hoje, disse que conversou com J. Galvão ontem à noite e o mesmo disse que responderia negativamente ao Papão. Nao quis deixar o Azulão nesse momento.

  7. Eu vou ser do contra.
    Acredito que o Paraíba tem futebol pra nos ajudar num campeonato de nível tão baixo como esse.
    O meu único receio é como o time vai se portar: se com ciumes ou querendo ajudar para classificar o Paysandu.

    1. Há quem acredite cegamente na cartolagem, amigo Cláudio, e respeito essa vocação. Quanto ao Paraíba, vamos esperar que mostre todas as suas qualidades e ajude o Paissandu a sair desse enrosco. Vem ganhando uma bela grana, vai enfrentar defesas bem furrecas e (em tese) tem tudo para arrebentar.

  8. Para treinar a dupla da capital, Galvão teria dois problemas que até hoje ele não teve: dirigentes e torcida. Não sei como ele se comportaria como técnico deixando de ser o patrão e tendo a torcida fungando no cangote.

  9. Ruim por ruim?!
    Vamos ver se o LOP não erra desta vez, ai então eu me calo!
    Quero muito que o meu time se classifique apesar das grandes dificuldades já existentes e as novas criadas!
    Mas desejo BOA SORTE ao Lecheva e melhores dias ao PAPÃO!
    Não adianta ficar mais lamentando, o que foi feito, foi feito! É esperar os resultados.
    Se tudo der certo o time engrena!

  10. jjss555, concordo plenamente com você no comentário 12. Ultimamente até retranqueiro o Galvão ta sendo o que não percebia antes.

    Raimundo Ramos

  11. Amigos do blogue, o Marcelinho talagada pode ate se dar bem aqui no Pará, mais nas noitadas belenenses! De que adiantou mandar embora o Alex Willian (cachaça) e trazer outro papudinho? Pior, papudinho em estado terminal, já com a “cirrose” na porta.

    1. Amigo André, esse lado mais festeiro do Paraíba é uma das preocupações nesse contrato de risco que o Paissandu firmou com ele (embora ainda não tenha arranjado toda a grana pra pagar adiantado).

  12. Égua André,entraste para arrasar. Lembras do Edil,até hoje faz gol.Tem veterano que se cuida. Voltando ao que pode acontecer e como as coisas estão todas do avesso,pelo lado do nosso time,quem sabe o Paraíba não dê certo ? O Fábio Oliveira que prá mim é inferior ao Paraíba,não fazia gol em quase todos os jogos do falecido.? Acho até bom essa polêmica,pois pode sentir de incentivo para os próprios jogadores,uma vez que temos também o Índio,da mesma forma questionado., É apenas minha opinião !

    1. Manoel, o questionamento é natural e saudável. E tem uma justificativa óbvia: a quantidade de enganadores que passaram por aqui recentemente. Casos de Josiel, Finazzi, Ávalos & cia.

  13. Caro Raimundo Ramos, sair de Belém até paragominas com esse time do Paysandu so se trouxessem o Messi, com Marcelinho e melhor ficar por aqui e ouvir na clube

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