Lambanças em torno de Paraíba

Por Gerson Nogueira

Quando a gente pensa que já viu tudo, os dirigentes sempre aparecem com alguma novidade. Enquanto a torcida se dividia entre entusiasmo e dúvida sobre a importância da contratação, o Paissandu era sacudido ontem nos bastidores uma nova série de trapalhadas, quase levando a um desfecho vexaminoso. Para todos os efeitos, o script foi cumprido quase à risca. Marcelinho Paraíba chegou e se apresentou na Curuzu na hora prevista, trajando a camisa alviceleste.

Nas internas, porém, se desenrolava um tenso processo de busca pelos R$ 60 mil para pagar o jogador, que exigiu receber a quantia antecipadamente como condição para assinar o contrato. A informação, repassada por pessoas ligadas a Marcelinho, terminou confirmada quando ele se recusou a dar entrevista como contratado do Paissandu.

Diante do impasse, permanece a dúvida é quanto ao fechamento do negócio. Um clima de inquietação e nervosismo dominava os diretores do clube, preocupados com o inevitável desgaste gerado pela situação.

Conforme havia avisado na quarta-feira, Marcelinho só falaria como contratado se recebesse o dinheiro no hotel após o desembarque em Belém. Não por acaso, ao comparecer à Curuzu, acenou simpaticamente para todos, mas não deu entrevistas.

Ousada no esforço para trazer um reforço badalado, a diretoria não conseguiu disfarçar a lambança quanto ao contrato. Atrapalhada como sempre, alegou que um atraso no voo impediu que os papéis ficassem prontos. A versão real da história não inclui qualquer entrave com as páginas do contrato. O problema mesmo é de dinheiro.

Caso o impasse permaneça ao longo do dia de hoje, o Paissandu corre o risco de ver Marcelinho dar meia-volta e tomar o rumo do aeroporto. Seria um vexame de proporções tsunâmicas. A aquisição foi amplamente divulgada, reposicionando o Papão na agenda positiva do noticiário.

Para apagar o princípio de incêndio, empresários e colaboradores do Paissandu se movimentam para garantir o pagamento e a entrega do prometido automóvel para Marcelinho. É provável que logo pela manhã o dinheiro seja entregue, selando a negociação.

Ao mesmo tempo, o veterano jogador impõe suas vontades porque sabe que a partir de agora será cobrado e vigiado diariamente pelos olhos atentos do torcedor. Outro problema a ser superado diz respeito ao relacionamento com o elenco, dividido ao meio por culpa da própria diretoria, que mantém um pequeno grupo com salários em dia e ignora as queixas dos demais atletas.

Marcelinho parece pronto para jogar, embora ainda tenha que confirmar a titularidade nos treinos de hoje e amanhã. De todo modo, pelo pacote de sete jogos que firmou com o Paissandu, soa improvável que não seja escalado para enfrentar o Águia no sábado à noite.

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O técnico Lecheva está diante de um quebra-cabeças. Precisa estruturar o meio-de-campo para o jogo decisivo em Marabá equilibrando força e velocidade, juventude e maturidade. Tem a opção de relançar Neto como segundo homem da marcação, caso queira evitar o risco de um quarteto de 143 anos – Vânderson (36), Junior Maranhão (35), Alex Gaibú (35) e Marcelinho Paraíba (37). Há, ainda, a possibilidade de escalação do recém-contratado Índio, cuja chegada foi eclipsada pelo anúncio de Paraíba.

Outro enigma se localiza no ataque. A alguns interlocutores, o treinador admitiu que tem pensado na dupla Rafael Oliveira e Moisés, últimos grandes artilheiros do clube, respectivamente em 2011 e 2010. A má fase de Rafael, vaiado seguidamente pela torcida na Série C, é o principal entrave a esse plano. Por enquanto, Tiago Potiguar segue como mais provável parceiro de Moisés na linha ofensiva.

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Um jogo apenas não pode servir de balizamento quanto às chances de um time, mas o que o Atlético Mineiro não mostrou ontem diante do Flamengo dá margem ao estigma de cavalo paraguaio, que acompanha a equipe desde que assumiu a liderança do Brasileiro da Série A.

Diante de um Flamengo apenas aguerrido, o Galo visivelmente amarelou, comportando-se com timidez excessiva nos primeiros minutos e permitindo que os rubro-negros tomassem todas as iniciativas, até chegar ao gol espírita de Vagner Love.

Não se pode ignorar que o comportamento encabulado de Ronaldinho Gaúcho contribuiu muito para a retração da equipe de Cuca. Quase ao final, para coroar a má jornada, o zagueiro Réver agrediu um adversário e enfraqueceu ainda mais qualquer possibilidade de reação. Times campeões não podem amarelar.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 27)

19 comentários em “Lambanças em torno de Paraíba

  1. Teria sido melhor usar os 60 mil para pagar, ainda que parcialmente, o elenco. Quem acompanha futebol sabe como pensa o “boleiro”, principalmente em situações limites como esta, onde um atleta ganha muito e recebe em dia, diante de um elenco altamente insatisfeito. Seja por ciumeira, seja por protesto, já se sabe que o atleta será boicotado e que não haverá grande vontade de vencer as partidas. Não tem professor Lecheva que dê jeito para acalmar a ânimos. A contratação de Marcelinho foi a faísca que faltava no barril de pólvora.

  2. – Penso, Gerson e amigos, que a contratação do Marcelinho Paraíba, para esse restante do campeonato, foi uma boa, como bem falou o Givanildo. Acontece que isso seria bom, se não houvesse esse atraso de salários. Pode acontecer sim dos outros ficarem desmotivados, na medida em que os dirigentes se “matam” para arrumar o dinheiro para um jogador e não tem o mesmo empenho para pagar os outros.

    – Quanto a lançar ou não o Marcelinho, no jogo de sábado, é melhor perguntar para o LOP se ele vai jogar ou não.

    – Desculpe, mas o Mengão, é “INCAÍVEL”(égua..)…hehehe

  3. Givanildo elogiou o Marcelinho mas foi embora por não concordar com a vinda dele. Mais uma melancólica passagem do Rabugento por nossos clubes.

  4. Claudio, ”incaível” é otimo…desta vez nao teve apito amigo…he he he ….mais tambem nao teve uma notinha sequer parabenizando o trabalho do arbitro..vida que segue..rsrsrs…

    1. Camarada Edmundo, compreendo sua preocupação, mas entenda o seguinte. O árbitro foi razoavelmente bem no jogo, mas não fez mais do que a obrigação. Seu papel ali é exatamente esse: cumprir e interpretar as regras oficiais.

  5. Caros leitores, eu não me canso de falar que acho incrível como essa administração desastrosa do LOP é parecida, irmã gêmea com a administração calamitosa do falecido Geraldo Rabelo. Tem tanta coisa negativa parecida que não dá para relatar tudo. Mais alguns itens é curioso lembrar a vcs:

    Geraldo costumava dizer que investia dinheiro do proprio bolso no Paysandu

    LOP também

    A torcida bicolor prestigiava, mas a renda não aparecia, o Geraldo tinha constantes intrigas com jogadores por salários atrasados.

    LOP também

    Geraldo começou como diretor depois foi aclamado presidente

    LOP também

    Geraldo so ganhou 2 titulos do parazão pelo Papão 80 e 81 e foi deprimente nas competiçoes nacionais que disputou

    LOP também

    Geraldo nunca contornou crise de jogadores por salário atrasado e quando a reclamação era muita ele consguia dinheiro não sei onde, colocava numa sacola e ia entregar aos jogadores revoltosos nas arquibancadas da Curuzu sem passar nenhum recibo so por picuinha.

    LOP também. Ja chamou até jogadores revoltosos de maricas.

    Nos poucos momentos de vitoria, Geraldo aproveitava para colocar urnas na Curuzu para a torcida motivada depositasse ajuda ao Papão o qual nunca se sabia se alguém depositava. Ele dizia que poucos torcedores ajudavam.

    LOP também. Ja pediu até para a torcida bicolor depositar dinheiro na conta dele dizendo que era para o bem do Paysandu

    Geraldo costumava contrar jogadores em fim de carreira que ele chmava jogadores de renome nacional e não pagava alguns e os caras retornavam furiosos após estarem em Belém. ( Rogerio Lage por exemplo)

    LOP também . Ja fez muito isso.

    Quando questionado sobre a presença diaria dele no Papão, Geraldo dizia que não vivia so pro Papão e do Papão pois tinha o negocio particular dele.

    LOP também.

    Geraldo se tornou a figura presidencial mais antipatica até da historia do Paysandu e quando foi expulso pala ira da torcida, deixou o Paysandu rabaixado, quase falido, com milhões de divida, inlusive com Lula giboia, treinador que disse que emprestou para ele 50 mil e ganhou na justiça um milhão.

    LOP está caminhando firmemente para isso.

    LOP e geraldo trabalharam juntos naquele tabu de 5 anos para o remo

    Moral: qualquer semelhança não é mera coincidencia.

  6. Bem,se não houver dinheiro o Cuiarana abarrotado pela grana do senador-bicheiro está aí atrás de reforços para a segundinha.

  7. Excelente memória e relato dos fatos, essa feite pelo Edilson Costa.

    Acho que o efeito dessa contratação do M-PB será 8 ou 80, ou seja,
    levará à queda ou à classificação.

  8. De fato, Edmundo, elogio tem o seu valor e quando merecido tem sempre cabimento. Mas, eu me inscrevo dentre aqueles que acreditam que um excelente indicativo de uma boa arbitragem é o trabalho passar despercebido tanto da imprensa, quanto da torcida.

  9. Ele passou despercebido, Antonio e Gerson….o grande dilema é esse mesmo: se vai bem fez a obrigação, se vai mal….sai de baixo…faz parte …até na expulsao ele foi bem…geralmente os dois jogadores envolvidos sao expulsos..Obs: de dez arbitros, nove expulsariam os dois..he he he ..eu inclusive…..

  10. Caro amigo gerson,aquela camisa rubro negra joga sozinha,só de ver os adversários tremem.ontem foi o maio publico do engenhao no ano e olha que a luta e lá embaixo.

    1. Cláudio, esta versão é a dos dirigentes, mas não é confirmada pela CBF. A questão é que não arranjaram o dinheiro para pagar o jogador, conforme o prometido, e ele já decidiu ir embora. Paraíba poderia disputar a Série C pelo Paissandu, pois defendeu apenas Sport-PE e Barueri na temporada. O critério não é por competições disputadas, mas por clubes defendidos.

  11. kkkkkkk Égua, Cláudio, essa acho que ganhará como a MANCADA DO ANO no futebol do PA !!!!!!!! É rir, para não chorar… Aguardemos as cenas do próximo capítulo da novela: LOP quer o PSC na série D.

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