Entre a oportunidade e o risco

Por Gerson Nogueira

Para os orientais, não existe essa conversa de urucubaca. A filosofia deles é encarar obstáculos como campo para oportunidades. Para nós, brasileiros, normalmente apressados e craques em julgar situações e pessoas, tudo quase sempre é relacionado com inferno astral ou simples panemice.

Tome-se, por exemplo, essa longa novela envolvendo Paulo Henrique Ganso, Santos, DIS e São Paulo. Depois de idas e vindas, o desfecho da negociação finalmente saiu na última quinta-feira. A transferência para o Tricolor favoreceu o meia-armador paraense e, obviamente, o novo clube.

Acima de tudo, o negócio beneficia o futebol brasileiro. Refiro-me ao futebol jogado com esmero e talento, diversão e arte. Futebol de verdade, que agrada aos olhos e ao coração. Não tenho dúvida quanto ao nível de Ganso. Motivado e na plenitude da forma, é jogador acima da média. Tem nível internacional, pode jogar em qualquer campeonato do mundo.

Mostrou excelência ao longo da temporada 2010. Nome certo para a Seleção Brasileira que disputaria a Copa na África do Sul, Dunga negou-lhe a chance. Não importa. O ano terminou com a consagração de Ganso, que era até mais respeitado que Neymar, com quem fazia dupla infernal no Santos.

No ano seguinte, lesões graves e cirurgias perseguiram o nosso herói, que caiu de rendimento e perdeu espaço no próprio Peixe para o amigo Neymar. De repente, passou a ser questionado. Quando endureceu o discurso com o clube e atraiu a ira da torcida, as críticas tornaram-se ferinas, implacáveis.

Poucas vezes vi um jogador ficar tão marcado por reivindicar direitos e cobrar tratamento igualitário. Até eméritos “chinelinhos” sempre mereceram compreensão generalizada. Com Ganso, foi diferente. Sem parentes importantes e vindo do interior, com ele não houve clemência. Passou de ídolo consagrado a mercenário.

A volta por cima pode (e deve) começar em 15 dias. Com estrutura e organização, o São Paulo surge como clube ideal para que Ganso possa engrenar novamente na carreira. Excelente chance de responder em campo aos que ainda duvidam de sua capacidade.

A história do futebol brasileiro é rica em exemplo de atletas que driblaram o ceticismo e renasceram por completo. Gerson, execrado na Copa de 1966, emergiu para a glória quatro anos depois. Com Dunga não foi diferente. Estigmatizado como símbolo de uma era ruim em 1990, levantou a taça do mundo em 1994 nos Estados Unidos.

E, pela natureza dos problemas, Ronaldo Nazário é a maior referência. Dado como liquidado para o futebol depois de contusões seguidas, teve fibra e estofo para se reerguer. Os grandes – de qualquer atividade – se afirmam nos momentos de dificuldades. Jovem ainda, Ganso tem tempo e oportunidade.

Riscos também.

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Walter Guimarães, jornalista e colunista social, foi a grande perda da semana. Nas homenagens que se seguiram à morte, referências obrigatórias à sua capacidade de colecionar amigos. Era querido por todos. Não aquele bem-querer protocolar. Era bem-querença de verdade. Apreciador de anedotas, inventava as brincadeiras mais inusitadas, sem jamais perder a classe. Especialista em trotes, atazanava a vida de contínuos incautos e focas distraídos nos primórdios do DIÁRIO.

Nos últimos tempos, Walter só era flagrado em momentos de introspecção quando a prosa se encaminhava para as desventuras do Remo. Não escondia o sofrimento com o novo vexame na Série D. Para o funeral, atendendo a um antigo pedido do pai, seu filho Walter Rolim fez questão de vesti-lo (sob o paletó) com a camisa azulina. Foi a última manifestação de um torcedor apaixonado.

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Aldemar Barra, superintendente da Unimed e conselheiro do Remo, garante que não é candidato à sucessão de Sérgio Cabeça. Ainda. Há semanas, foi convidado por um grupo influente de conselheiros, mas analisa com serenidade a ideia. Esclarece à coluna que, ao contrário das especulações, não espera aclamação ao seu nome, mas ambiciona consenso.

Pelo tom da conversa, é candidatíssimo.

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Direto do Facebook:

“A punição deve ser aplicada aos dirigentes que são coniventes com estes marginais travestidos de torcedores, enquanto continuarem dando ingressos e outras benesses que são concedidas sem qualquer razão. O sócio não pode votar, não tem seus direitos respeitados e fica impedido de ir aos estádios, pois corre risco de vida. Em tempo: a Polícia Militar também é responsável pois deve estourar o esconderijo destas quadrilhas e fichar todos eles. Lugar de bandido é na cadeia. Sugestão: após os jogos, põem os vagabundos para limpar os estádios. O trabalho é uma forma saudável de recuperação”.

Por Antonio Petillo, empresário e torcedor desalentado.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 23)

16 comentários em “Entre a oportunidade e o risco

  1. Tomara que eu estejs errado, mas acho uma enorme furada do SP. Ganso esta parado ha um bom tempo e o DM tricolor disse que o joelho ta razoavel. Sinceramente acho que alto nivel pra ele nao da mais. Talvez serie B pra baixo.

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  2. Eguá jjss555, agora tu avacalhou com o Ganso! kkkkkkkkkk

    Olha, vale lembrar de outros jogadores que ainda deram conta do recado após se recuperarem de problemas nos joelhos! O Pedrinho ex-Vasco, Ronaldo Fenômeno e Eduardo Silva (ex-Arsenal – ING).

    Isso e muito relativo meu amigo, isso depende muito mais da força de vontade do jogador, do que uma determinação médica. Se o Ganso realmente quiser voltar a ser o que um dia já foi, ele terá todo aparato médico na equipe do São Paulo, pois o time do São Paulo possui o melhor centro médico esportivo do Brasil, e inclusive serve como referência para o mundo inteiro. Lembre-se que muitos jogadores brasileiros que se contundem na Europa, vem fazer recuperação pós cirúrgica lá do REFFIS.

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  3. Acho engraçado os pesos e medidas, quando é um jogador de fora que goza de um certo nome no futebol, e vem pra Remo e Paysandu e fica a maior parte do tempo no estaleiro, a imprensa daqui massacra o cara. O Ganso, como é paraense, segundo alguns de seus conterrâneos, é uma vítima, coitadinho, pobre paraense… O cara era amado pela torcida e perdeu seu carinho justamente por sua postura, como cobrar a diretoria do Santos em plena semana do Mundial de Clubes (há se um cara de fora faz isso aqui…), e exigir o mesmo que o Neymar, sem jogar, sem produzir. O Ganso é um excelente jogador, mas tem uma cabeça ruim, e para ser alçado à categoria de craque, precisa mais do que os 6 meses de 2010.

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  4. Acredito que os resultados de hoje favoreceram ao Papão. Luverdense já deve ser considerado um classificado a próxima fase e venceu o Icasa no Ceará. Fotaleza empatou com o Salgueiro Fora, logo segurou o o time do interior, melhor seria uma vitória do Fortaleza. A vitória do Cuiabá manten o Treze ao alcance do papão, embora este tenha se aproximado e ameaçando mais de perto o time bicolor. A vitória do Guarani-Ce sobre o Águia foi o resultado mais importante pela mesma razão do jogo do Treze. O Águia não abre e o Guarani ainda se mantém a uma boa distância do Bicola. Tudo isso só tera validade se o papão for bem em Marabá e trazer os tres pontos e o Guarani deixou claro que o time de Marabá pode levar uma boa péia em casa.

    O problema é o Papão. Só depende delel e de mais ningupem, mais jogando essa bolinha.

    Duas vagas estão em aberto e matematicamente as chances são grandes.

    Vamos papão que dá e sobre, só depende de voce.

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  5. Lembrando que esse Baraúnas que subiu para a serie C a folha salarial é em torno de cinquenta mil e tem no seu elenco dos atletas em que eu fiz menção aqui neste espaço virtual o Alvinho um atacante,que é Curraisnovense e Miminha que atuava no Potyguar como ala esquerdo e hoje atua no Baraúnas como meia

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  6. Amanhã deve desembarcar uma enxurrada de “reforços” no Paysandu, jogadores de times eliminados da quarta divisão. Nonato, o jogador mais gordo do mundo é nome quase certo. Com eles o Paysandu pretende se classificar para a próxima fase.

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    1. O velho roteiro vai se desenrolar outra vez, amigo Luiz. E as finanças dos clubes vão se arrebentando de vez. Mas não adianta ficar mais nem batendo nisso, pois os caras insistem no samba de uma nota só.

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  7. Sim Diago um dos gols da vitoria do Baraúnas sobre o Campinenese foi do Alvinho que é atleta do ABC e foi cedido por empréstimo ao Baraúnas por custo zero e o ABC veio a Currais Novos e levou para a sua equipe de base o meia Meme que disputou o sub 18 potiguar prlo Potyguar de Currais Novos ano passado e este ano está disputando o sub 20 pelo ABC e o pior a custo zero, o time de Currais Novos só receberá alguma coisa em futura transação se huover, mas as espectativas são boas uma vez que o mesmo irá junto com a equipe do ABC disputar a taça São paulo de futebol juniores

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  8. Por isso o futebol potiguar superou o paraense, Gilvan. Quanto aos joelhos citados, Eduardo deixou o Arsenal para o leste europeu, Ronaldo era gênio e jogava sem preparo físico e ainda era fumante como Sócrates. Já o Pedrinho “joelho de vidro” o apelido diz tudo, nunca mais foi o mesmo e teve que ir para times de menor expressão. Não deprecio Ganso, acho que é craque, fora das 4 linhas mal assessorado e fisicamente infelizmente acredito que acabou pra ele. Sem preparo físico, só gênios como Ronaldo, Reinaldo, Garrincha e Zico conseguiam jogar em alto nível. Se eu estiver errado, bom pra ele, pra nós paraenses e pro SP.

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  9. Amigo Gerson,

    De minha parte fiquei muito chateado, magoado até, ao vê-lo sair do Peixe. Queria poder assisti-lo envergando essa histórica camisa 10 por muitos anos, escrevendo uma bela trajetória forjada por títulos e feitos pessoais. Mas, infelizmente, não era isso que ele queria. Nunca quis. Seu sonho, me parece tão claro quanto água transparante, sempre foi o reconhecimento em gramados internacionais, vestindo a camisa de grandes clubes europeus. O Santos seria a ponte. Hoje, ele apenas pavimenta outro caminho até a concretização deste objetivo através do tricolor paulista. Que ninguém seja tolo e espere que ele cumpra os 5 anos assinados em contrato. Mas, não o culpo. Esse é um direito, mais que legítimo de qualquer jogador.

    Na minha visão, a situação chegou a este extremo por atitudes diversas dos 3 envolvidos diretos na novela. Ganso, Santos e DIS cometeram erros de avaliação aqui e acolá que levaram a tamanho descontentamento de todas as partes envolvidas.

    A Ganso faltou um pouco mais de bom senso nas ofertas santistas (Chegou a receber uma oferta de R$ 350 mil+50% dos direitos de imagem. Tá ruim?!), nutrir amor puro e verdadeiro a camisa do Rei Pelé, e respeito com o clube que o projetou para o mundo do futebol.

    Ao Santos, pecou na visão de curto prazo. Esquecendo o futebol jogado pelo paraense em 2010 e se referenciando pelas seguidas lesões, ao lhe fazer as últimas ofertas. Além disso, falhou ao não encontrar um comprador a altura no mercado da bola europeu, que paga-se a quantia pedida, e assim satisfazer a vontade do jogador de uma forma ou de outra. E aí, fica uma pergunta: Ganso tem mercado no futebol europeu dentro dos valores que por ele se cobram? O fundo de investimentos em futebol, BR Soccer, que pertence ao BMG, acredita que não. Eu, por exemplo, já acho que sim. O futuro dirá.

    E quanto a DIS, essa assim, agiu tipicamente, pensando em saciar seus interesses financeiros. O que lhe é legítimo. Afinal, é uma empresa, e como tal visa o lucro, e não ações de caridade. Em que pese, uma visão bastante retrograda dentro do contexto de mundo atual. O São Paulo que não se engane. Agora, será ele a sofrer a pressão para vender o atleta ao preço que melhor convir a DIS. Ainda mais, sendo ela agora detentora de 68% do seu passe. Fiquem de olho.

    Sinceramente, desejo muita sorte e sucesso ao Paulo Henrique, e que ele se firme na plenitude de jogo, que é simplesmente sensacional e raro de se ver nos dias de hoje. E mais, que o mesmo recupere sua condição de referência para futuras formações da Seleção Brasileiro. Talento para isso, ele tem de sobra!

    Era isso meu caro amigo!

    Forte abraço,
    Israel Pegado

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