Enfim, uma boa escolha

Por Gerson Nogueira

Sonho de consumo da dupla Re-Pa nos últimos anos, Roberval Davino finalmente aceitou o desafio de voltar ao futebol paraense. E vem com missão espinhosa: reconduzir o Paissandu à Série B. A rigor, seu último laurel foi ao comando do Remo em 2005, quando conquistou o Brasileiro da Série C. Antes, foi campeão paulista da Série A-2, em 1994, com a Matonense, e campeão da Série C com o Vila Nova (GO), em 1996.
Nos últimos anos, apesar da indiscutível competência, entrou em rota descendente. Dedicou-se a trabalhar mais no interior paulista e na região Centro-Oeste. Vale dizer que, talvez pelos maus resultados, enfileirou cinco clubes nos últimos dois anos: Mogi Mirim (2010), Corinthians-AL (2011), Grêmio Prudente (2011), Itumbiara-GO (2011) e Catanduvense (2011). Média inferior a cinco meses em cada clube.
Boa praça e meticuloso, Davino é dono de um dos mais completos bancos de dados sobre jogadores das séries B, C e D. Ostenta titulação acadêmica rara entre seus colegas de ofício. É pós-graduado em Ciência e Técnica do Futebol pela PUC de Campinas e especialista em Ciência do Desporto, pela Universidade Gama Filho (RJ).
Marcou seu nome junto à torcida paraense a partir da excelente campanha do Remo em 2005. Com um time limitado, Davino tirou leite de pedra. Teve o mérito de explorar ao máximo as poucas armas de que dispunha.
Treinou exaustivamente duas ou três jogadas aéreas, concentrou a armação no veterano Maurílio e os lances de área no centroavante Capitão, exímio cabeceador. Deu certo, o título nacional veio e fez com que virasse referência para os clubes locais. Além disso, escreveu uma boa (e pouquíssimo lida) obra sobre a conquista.
Antes de aceitar o desafio, declinou de pelo menos três convites do Remo e um do Paissandu nas temporadas 2009 e 2011. Pelo estilo centrado e criterioso na formação de elencos, Davino tem as condições necessárias para derrotar a guilhotina armada na Curuzu exclusivamente para degolar técnicos.
Nos últimos 12 meses, o clube já experimentou nada menos que seis técnicos – Sérgio Cosme, Roberto Fernandes, Edson Gaúcho, Andrade, Nad e Lecheva –, com resultados pífios. Nem o passado marcadamente azulino do novo comandante deve atrapalhar sua caminhada. Como seus antecessores, porém, vai depender da autonomia que lhe for concedida e das condições estruturais para trabalhar.
Sem ser aprendiz de feiticeiro ou discípulo de Einstein, espera-se que Davino consiga finalmente montar a equação considerada ideal para a disputa da Série C e o acesso à Segunda Divisão: 50% de apostas regionais e 50% de reforços importados. Uma certeza: gente próxima ao treinador assegura que, com base nos critérios que costuma adotar, o atual elenco do Paissandu deve ser reduzido pela metade.
 
 
Será que o Remo subestimou o Cametá no primeiro embate das finais? Essa dúvida ficou na cabeça dos torcedores e de boa parte da imprensa esportiva. Do lado cametaense, há convicção de que a resposta é sim. O artilheiro Rafael Paty falou antes e depois do jogo sobre um suposto menosprezo dos azulinos. Citou até a história, de origem desconhecida, de que radialistas teriam dito que o Mapará seria goleado por 5 a 0.
Pode ter sido apenas um esperto truque motivacional de Sinomar Naves, mas é fato que os jogadores do Remo pareciam desplugados na segunda-feira à noite, como se a qualquer momento fosse possível construir a vitória.
A cartolagem remista não crê em sapato alto, mas há quase certeza de que o elenco se deixou levar pelas comemorações na decisão do returno. As vitórias sobre o Águia tiveram um efeito anestesiante, segundo um dirigente. É como se, na cabeça dos atletas, a missão estivesse cumprida. O problema é que ainda havia um Mapará cascudo no caminho.
 
 
A providência, tardia, de reduzir o preço dos ingressos para a finalíssima do campeonato, de R$ 20,00 para R$ 15,00 o valor da arquibancada, confirma a ausência de conhecimento dos dirigentes sobre os humores da torcida. Remo e Paissandu quase sempre erram na dose ao fixar o preço das entradas.
Pelo acerto da programação de R$ 10,00 para a decisão do returno, o valor deveria ter sido mantido. Criou-se expectativa exagerada quanto aos dois jogos finais da competição, sendo que o primeiro foi marcado para horário e dia inadequados – segunda-feira à noite. De mais a mais, os clubes precisam cair na real. Nosso futebol não anda valendo muito mais que isso mesmo. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 09)

13 comentários em “Enfim, uma boa escolha

    1. Kléber, acho que a chegada do Davino pode dar um novo sentido à presença do Magrão na Curuzu. Bom técnico, vai procurar aproveitar melhor o jogador. Agora, se nem assim ele emplacar, melhor mandar em frente.

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  1. Kleber, eu não tenho dúvidas que o Magrão e um bom jogador. Se o Davino conseguio fazer o Capitão, ex-atacante azulino no titulo de 2005 fazer um monte de gols, é olha que ele era muito ruim, porque o Magrão não pode desesmbestar de vez e fazer um monte de gols, além do mais o treinador será o DAVINO e não o LECHEVA que não entende de p.n. de nada.

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  2. O time do Remo é sofrível, acho que a derrota para o Cametá no primeiro jogo da final serviu para mostrar mais uma vez o que todos já sabem, que o Leão não vai a lugar nenhum com esse plantel. Onde já se viu, os desfalque de um simples volante e de zagueiro ser a causa da má atuação do time? Time que que ser campeão e se reerguer no cenário nacional, como é o caso do Remo, tem que se planejar e montar um plantel já pensando nos desfalques que certamente virão durante a competição. O Remo pode e deve ser campeão no domingo, mas a derrota de segunda provou que o time azulino é medíocre e que deve ser reformulado se quiser subir para a Série C. E se vier a perder o título paraense e consequentemente a vaga para a Série D, a diretoria tem que manter o treinador para preparar o time para o próximo ano. Eu só espero que se Sinomar for campeão com o Cametá, ele não desembarque novamente no Baenão, algo bem provável de se repetir mais uma vez.

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  3. Gerson,

    O que de fato o Clube do Remo deseja ? O título tem algum valor ?

    É de fato a necessidade do Remo por apenas calendário. Já no caso do Cametá apenas o título, passará pelo mesmo processo que o independente de tucurui passou, sendo até rebaixado para a segunda divisão do Paraense.

    Porque Cameta e Remo, não entram e acordo ? Cametá fica com título mais me ceda vaga da série D.

    Cametá deixa a torcida do Leão jogar, em 2013 não terá mais Série D.

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  4. Bateu o desespero nos azulinos? Pedindo para ter série ? Quanto à coluna acho que teve sim menosprezo não só do elenco como da torcida .Sabemos que os azulinos são assim.Morrendo no deserto mas dizendo que estão cantando em oásis.Mas eu sempre disse aqui e repito , esse elenco do clube azulino é fraco,mesmo para os padrões regionais.Se o Cametá entrar ligado leva fácil esse Parazão.Aí o Remo manda embora o FL e contrata o Sinomar de novo,esquecendo que ele pegou o Cametá montado, focado e humilde.Simples assim.

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  5. Sr. Gerson

    Já há dois dias seguidos que fiz talvez umas quatro postagens e nenhuma delas foi publicada.

    Foram postagens normais, sem provocações, sem palavrões (rima involuntária) nem nada que justifique uma moderação severa assim

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  6. Esse post do amigo Rodrigo, mostra o quanto os torcedores de Remo e Paysandu, são vítimas desses dirigentes incompetentes. Eu, vejo futebol de outro jeito, mas conheço muitas pessoas que se Remo e Paysandu estiverem em situação de desespero, nem dormem, ficam doentes, não conseguem sair de casa, chorar, então, nem se fala,…. .É por isso que sempre falo que quando uma pessoa se metesse nesses 2 clubes, deveriam ser, no mínimo responsáveis e, pensassem mais no torcedor, que é quem realmente sofre. Fico indignado, quando vejo um torcedor nesse estado, por me fazer lembrar da fisionomia de minha tia, a quando do jogo Paysandu x Salgueiro, onde olhando pra ela, sinceramente, a gente fica arrasado e sem poder fazer nada. As pessoas(dirigentes e mídia) precisam olhar com mais carinho para o Torcedor.
    – Se serve de consolo, penso que o Remo vence e bem, Domingo. Anote.
    É a minha opinião.

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