CBF é acusada de doping financeiro na Série B

No final do ano passado, Guarani, América-RN e ABC, todos da Série B do Brasileiro, conseguiram antecipações de receitas junto à CBF. O caso chegou agora ao conhecimento de federações de outros Estados que reclamam da medida. A queixa é de que ao ajudar financeiramente o trio, a confederação desequilibrou a Série B. Falam em falta de “fair play financeiro.” Em outras palavras, teria havido “doping financeiro” em favor dos três clubes, já que eles tiveram um reforço de caixa para se preparar, teoricamente levando vantagem sobre os rivais. O Guarani, por exemplo, levantou R$ 600 mil na CBF. Cerca de cinco meses depois, comemorou o vice-campeonato paulista. Já o América-RN foi a sensação da primeira rodada da Segundona. Enfiou 5 a 2 no Goiás e lidera a competição. Assim como o Guarani diante do Paraná Clube, o ABC estreou com empate em um gol fora de casa, no caso com o Ipatinga.

Procurada pelo blog, a CBF informou que só ajudou os clubes que pediram a antecipação. A entidade não ofereceu o auxílio, foi procurada e fez as antecipações porque os times alegaram precisar do dinheiro por conta de problemas financeiros. Diz ainda que trata todas as equipes da mesma forma, mas que não pode antecipar receitas sem que haja pedido. Um presidente de federação, que prefere não se identificar, afirmou que irá pedir explicações da CBF por acreditar que ela estimulou uma concorrência desleal na Série B. Declarou que a entidade deveria ter estipulado uma cota a ser antecipada para todos os participantes. (Por Ricardo Perrone)

STJD suspende as séries C e D

O STJD decidiu, na tarde desta quarta-feira, suspender o início dos campeonatos das Séries C e D, que estava marcado para o próximo fim de semana. O tribunal adiou o começo das competições até que sejam resolvidas as pendências provocadas por liminares na Justiça Comum. Em função do adiamento, a CBF comunicará a situação à Fifa, que deve determinar punições aos clubes que descumpriram as normas da entidade. Paissandu, Águia e Remo ganham pelo menos uma semana para se prepararem para as competições.

Zagueiros são prioridade no Remo

O Remo corre contra o tempo para contratar dois zagueiros. Duas negociações estão em marcha, com Charles (Águia) e Santiago (ex-Bangu/RJ), mas é provável que o clube desista de ambos e prefira o jovem Perema, do São Francisco. Magnum (foto) continua ausente do Baenão, em viagem a São Paulo. Diante de boatos sobre uma possível transferência para o Paissandu, a diretoria do Remo decidiu esperar o jogador até sexta-feira. Caso não se apresente, será desligado.

Davino desenha o time da estreia

Na preparação para o jogo contra o Luverdense, domingo, na estreia do Paissandu na Série C, a formação mais usada pelo técnico Roberval Davino é a seguinte: Paulo Rafael; Tiago Costa, Marcus Vinícius e Fábio Sanches; Pikachu, Billy, Fabinho, Alex William e Leandrinho; Kiros e Tiago Potiguar. Há uma variação dessa escalação que inclui Vânderson no meio-de-campo no lugar de Leandrinho. (Foto: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola)

Justiça cobra dívida trabalhista de Roberto Carlos

O lateral-esquerdo Roberto Carlos, cuja empresa RC Sports tem contrato de consultoria assinado com o Paissandu, está às voltas com dívidas trabalhistas. A Justiça do Trabalho bloqueou, no último dia 17, R$ 360,3 mil de conta bancária de Roberto Carlos, atualmente defendendo o time russo Anzhi. O juiz do trabalho Renato Sabino Carvalho Filho, de São Paulo, determinou a penhora on-line deste montante para o pagamento de uma dívida trabalhista reconhecida pela Justiça em 2007. A autora da ação judicial, cujo nome não foi divulgado, exigia nos tribunais o reconhecimento de vínculo empregatício com uma empresa RCS Empreendimentos e Participações, em que Roberto Carlos é proprietário junto com seu pai, Oscar Pereira da Silva. A notícia foi primeiramente divulgada pelo site Consultor Jurídico.

Em 2007, a decisão judicial determinou que fosse pago a ex-funcionária R$ 183 mil. A partir daí, deu-se início ao processo de execução da sentença. Desde então, a Justiça vem tentando encontrar bens da RPC Empreendimentos para ordenar o pagamento da dívida. Os técnicos do Judiciário detectaram que não havia nenhum bem para penhorar da RPC, impossibilitando que se executasse a sentença. O advogado da ex-funcionária, então, alegou que os proprietários da empresa estavam impedindo a execução da sentença através da “ocultação do patrimônio da pessoa física do sócio majoritário”. “Como é fato público e notório, Roberto Carlos é um dos jogadores de futebol mais bem pagos do mundo e, atualmente, na Rússia, onde joga pelo Anzhi Makhachkala, ganha, por ano, R$ 15 milhões, como divulgado pelos principais periódicos esportivos do mundo”, afirmou, no processo, o advogado Ricardo Amin Abrahão Nacle.

O juiz Renato Sabino Carvalho Filho, então, no último dia 17 de maio, acatou os argumentos da autora da ação judicial, recalculou a dívida em valores atuais e determinou a penhora online de bens de Roberto Carlos. E fez mais: determinou que, caso não se encontre R$ 360,3 mil em contas bancárias do jogador, que a Receita Federal quebre seu sigilo fiscal e que se faça uma busca em cartórios por bens imobiliários de Roberto Carlos, para que se possa penhora-los. O UOL Esporte tentou entrar em contato com Roberto Carlos e com seu empresário, Fabiano Farah, mas não teve sucesso até a publicação desta reportagem. (Por Vinícius Segalla)

Ingressos a R$ 15,00 para PSC x Luverdense

O Paissandu colocou à venda 27.240 ingressos para o jogo de domingo contra o Luverdense, às 16h, no estádio Mangueirão. O preço da arquibancada é R$ 15,00 e das cadeiras, R$ 30,00. Meia entrada sai por R$ 7,00. Com as mais 2.760 gratuidades, o público total pode chegar a 30 mil. Vendas começam nesta quarta-feira nas bilheterias da Curuzu.

Outro Ricardo de muita sorte

Ricardo Trade, o Bakalhau, ex-goleiro da seleção brasileira de handebol, e atual diretor de Operações do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo-2014 (COL), contratado em junho de 2010, é um profissional raro. Em janeiro do ano passado seu salário era de R$ 35 mil.

Em fevereiro foi aumentado para R$ 50 mil.

E, em março, para R$ 74.600,00. Se não bastasse o vertiginoso progresso salarial, em fevereiro ainda foi agraciado com um bônus de R$ 170.400,00. Sim, de RS 170.400,00! Não,  o bônus não foi de R$ 17.400,00. Foi de dez vezes mais! Nem na Noruega se conhece caso igual. (Do blog do Juca Kfouri)

Um arranjo com aval da Justiça gaúcha

O Santo André está muito perto de reconquistar vaga na Série C do Campeonato Brasileiro. Ontem, em audiência pública no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, representantes do Brasil de Pelotas, CBF e Federação Gaúcha reuniram com o desembargador José Aquino Flôres de Camargo para resolver imbróglio judicial criado desde sexta-feira, quando o Brasil obteve liminar para conseguir vaga na Terceirona. 

Por sugestão do desembargador, “a CBF se comprometeria a incluir o Brasil na Série C, em 2013 ou 2014, mantida a atual situação para a presente competição”, ou seja, com o Santo André entre os 20 participantes. Camargo ainda sugeriu que “as partes ajustariam eventual compensação, a título de ajuda de custo à agravante (Brasil), para que pudesse custear suas despesas até que viesse a ser reinserida na Série C”. Solicitou ainda que a CBF desconsiderasse o ingresso do clube gaúcho na Justiça comum evitando represálias.

Para a proposta ter validade, porém, tanto a diretoria do Xavante como o departamento jurídico da CBF terão de homologar o acordo nas próximas 48 horas, ou seja, até as 12h desta quarta-feira, três dias antes do início da competição. A CBF ainda não se pronunciou oficialmente sobre o arranjo e mantém em seu site oficial o Santo André como participante da Série C e o Brasil de Pelotas na Série D.

Por que virou à direita? Marketing, ora

Por Marcelo Rubens Paiva

A direita é como 1 avestruz, por vezes esconde a cabeça debaixo da terra. Envergonhada talvez por alguns desvios históricos.  Mas quando o erro vira esquecimento, ela sai formosa e galopante. No final da Segunda Guerra, o Holocausto e os horrores nazistas deixaram a direita em hibernação. Saem do coma pouco a pouco, na Holanda, França e até Grécia, berço da civilização Ocidental, onde o Partido Nazista se tornou força política na última eleição.

A xenofobia continua a ser a tese que mais agrega, num discurso ainda confuso que, em tempos de crise, ressuscita. Lembra do bando skinhead que matou o adestrador de cães, Edson Neri da Silva, em 2000 na Praça da República, em São Paulo? Eram homofóbicos. No grupo, preso meses depois, que defendia a raça pura, havia nordestinos e negros.

O fim da ditadura também deixou a direita piano piano. Os horrores dos porões, os relatos de sobreviventes, os crimes contra a humanidade tornaram indefensáveis as teses da direita, que defendia o regime. Saiu de moda.

José Guilherise Merquior, que se considerava o homem mais culto do Brasil, sociólogo, crítico literário e assumidamente de direita, foi para o ostracismo. Nelson Rodrigues, que durante um período defendia o governo Médici e propagava que não havia tortura no Brasil, foi outro para quem a massa crítica torcia o nariz, que pagou um preço caro por suas contradições. Desprezado, machão, não ligava. Seu papel era provocar. Mas um dia tudo mudou, quando viu com os próprios olhos o filho torturado, um caco, na cela de uma prisão. E Nelson se calou.

Glauber Rocha, também acusado de pactuar com os milicos, foi outro caso. O nome mais importante do cinema brasileiro, no exílio desde o endurecimento da ditadura, apoiava a luta armada, arrecadava grana no exterior para a ALN, morou em Cuba [era o único na Ilha que tinha autorização para fumar baseado]. Até ser convocado por Jango em Paris, o presidente deposto, a voltar para o Brasil e preparar a sociedade civil para a Abertura de Geisel, que enfrentava o rompimento do seu regime, pressão dos americanos defensores dos direitos humanos da Era Carter, da Igreja de Dom Paulo, do Vaticano, e a ira da linha dura dos milicos da ativa.

Jango acreditava nos irmãos Geisel. Dizia que na fuga do Brasil em 1964, seu avião poderia ter sido abatido, mas o general Orlando negou a ordem – assim como descumpriu a ordem de bombardear o Palácio Piratini, onde Brizola se entrincheirava em 1961 na Campanha da Legalidade. Glauber voltou, alardeou os feitos dos milicos, comprou briga com a esquerda, radicalizou, provou que a Abertura era de verdade, deu sustentação civil ao projeto de Geisel, e morreu sozinho, sem conseguir filmar, sem amigos, duro e paranóico.

Glauber nunca foi de direita. Como Gil, Caetano e alguns tropicalistas. Compunham outra força cultural que não fazia o jogo das esquerdas. Ou melhor, da esquerda mais ortodoxa. Superada a dor da prisão e exílio, Gil cantava “realce, quanto mais purpurina melhor…”, enquanto a plateia cantava “quanto mais cocaína melhor…”, e Caetano cantava “deixa eu dançar, pro meu corpo ficar odara…”. Não denunciavam a perseguição política, a ditadura, a censura, os milicos. Mas jamais poderiam ser acusados de enveredar rumo à direita.

O tropicalismo é mais profundo do que a visão maniqueísta da vida: 2 lados, 2 ideais. Não é marxista, stalinista, maoísta, leninista. O tropicalismo gostaria de inventar seu próprio ismo. Porém, como Glauber, foram “patrulhados”. Hoje, existe uma categoria de intelectual que descobriu que, se reproduzir o discurso da direita, ganha moral, destaque, prestígio e espaço. Pois no debate sempre foi imprescindível ouvir o outro lado – poucos se dispunham a cumprir o papel de alvo fácil do meio acadêmico e jornalístico; papel de boi de piranha. Então figuras de segundo escalão do nosso pensamento e mercado editorial mudaram de lado, passaram a escrever contra leis das cotas, projetos de distribuição de renda por meio de bolsas etc. O escândalo do Mensalão, o fim da pureza petista – a prova de que é preciso colocar a mão na merda quando se quer o Poder – deu a munição que precisavam.

Perderam a vergonha, ganham leitores, fãs, são comentados e estão no foco. Filósofos, sociólogos, jornalistas secundários, desprezados por seus pares e academia, irrelevantes, tornam-se estrelas de uma guerra que já acabou. Mais uma vez a polêmica serve para ofuscar a falta de um projeto vertical, de um discurso complexo, amplo, que realmente confunda a alma e as relações.

O problema é quando eles mesmos se levam a sério. E passem a acreditar que o marketing pessoal é pensamento capaz de transformação; patológico quando se vangloriarem disso e não percebem que são apenas escada dos protagonistas do picadeiro.