Tribuna do torcedor

Por João Lopes Jr. (englopesjr@gmail.com)

No mesmo dia em que o Remo selou a vaga para esta série D, dois dias depois de ser vice, e ainda aborrecido com toda a celeuma com o Cametá, prometi que não daria a mínima para a série D… Mas a verdade é que, passado esse pouco tempo de lá para cá, adivinhe só, já estou novamente torcendo e preocupado com o Remo. Não dá para negar que o time tem chances de realizar boa campanha, mas acho que isso será no melhor estilo Davino, muita retranca e futebol de resultado. Evidentemente, o futebol apresentado pelo Remo no Parazão não relembra os melhores momentos do Clube, mas dava até vontade de ver a garotada se empenhando junto com os mais experientes e até de ver Fábio Oliveira e Marciano se esmerando para fazer gols. Essa mescla de experiência e juventude parece ter sido o que garantiu u a maior pontuação do Parazão ao Remo. Então, uma perguntinha razoável a ser feita é por que tanto veterano para a série D? Principalmente na zaga! Onde estão com a cabeça os dirigentes que não tratam de levar para o Baenão o Perema? E por que não Ricardinho e Balão Marabá do mesmo São Francisco, para reforçar o ataque? Um dos melhores times que vi jogar com a camisa do Remo era aquele com Edil e Ageu Sabiá no ataque, que tinha ainda o lateral Junior, o Rogério Belém e o Dema, além do zagueiro que é, até hoje, “O” zagueiro: Belterra. Os papa-xibé se garantiam! Isso é só um exemplo de que deve existir investimento na base. Aquela história de jogador de time grande e de time é bobagem, o que existe é investir ou não no atleta. Torço, embora não espere, que os dirigentes valorizem o verdadeiro do clube, a torcida e o nome Clube do Remo.

O medo de todos diante do pênalti

Por Gerson Nogueira

Alguém já recomendou, pela importância, que o pênalti fosse cobrado pelo presidente do clube. A verdade é que a falta fatal se reveste de um misticismo tão grande para quem cobra que volta e meia surge algum boleiro falando que pênalti é loteria, depende de sorte e outras bobagens.
Sempre acreditei que a penalidade máxima é um chute normal de bola parada, dependendo de fundamentos como disciplina, concentração e treino. Jogadores bem condicionados atleticamente e com a cabeça no lugar conseguem executar a cobrança sem maiores traumas. Às vezes, erram o alvo ou o goleiro consegue defender. Paciência. Afinal, é um jogo e a possibilidade do erro é que garante emoção à disputa.
Pela relevância crescente que o futebol adquiriu, até como negócio, o peso que o lado emocional tem na hora do pênalti aumentou imensamente. Pode até ser determinante para mudar os destinos de um jogo e até de uma Copa do Mundo, como já ocorreu em 1994 (Estados Unidos) e em 2006 (Alemanha).  
O Brasil, detentor de retrospecto bem favorável em situações desse tipo, amargou um inesperado zero total na disputa das semifinais da última Copa América. Jogadores como André Santos, Fred e Elano erraram as cobranças e trataram de culpar os buracos no gramado do estádio argentino. A torcida, porém, não comprou a idéia e Elano até hoje é alvo de piadinhas pelo chute bizarro, muito acima do gol.
Na recente Liga dos Campeões, até o melhor jogador do planeta, Lionel Messi, foi vítima da maldição dos pênaltis, desperdiçando um contra o Chelsea dentro de Barcelona.
Na final entre Bayern e Chelsea, goleiros e cobradores foram novamente testados no limite máximo. E Peter Cech, o gigante que guarnece a equipe inglesa, saiu consagrado por uma excepcional intervenção no tempo normal (chute de Robben) e pelos penais que defendeu na série decisiva.
Presente ao Allianz Arena, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, pareceu sinceramente comovido com o drama que envolve torcedores e atletas, pressionados ante a inevitabilidade do fracasso e do sucesso. Em segundos, toda uma campanha meritória pode cair por terra, castigando cruelmente um time e até um país.
Não é de hoje que a Fifa se preocupa com a dramaticidade dos penais. Alguns especialistas consideram que a decisão por penalidades não premia o mérito, nem valoriza o talento. Em resumo, empobrece o espetáculo como aprendemos a esperar de um confronto futebolístico.
Sem alternativas para campeonatos que terminam empatados, a Fifa experimentou há alguns anos a “morte súbita”, que dava a vitória ao time que fizesse o primeiro gol na prorrogação. De certa forma, porém, o critério até amplificava a crueldade de alguns resultados, embora tivesse o aspecto saudável de garantir partidas disputadas em alto nível de ofensividade. Por sinal, o duelo nos pênaltis tem o inconveniente de favorecer o time mais fraco tecnicamente, que incapaz de vencer com a bola rolando passa a se retrancar a fim de levar a decisão para os penais.
Blatter prometeu reabrir o debate, pedindo sugestões para o terrível dilema. Continuo a achar que as penalidades são um mal necessário, principalmente pelo custo de transmissões dos jogos mais importantes pela televisão. Inviável, por exemplo, deixar que uma prorrogação se estenda por mais de 30 minutos.
É o tal ônus do sucesso e da fortuna. Como a TV praticamente banca os grandes torneios, não há como contrariá-la prorrogando o tempo de jogo até surgir um vencedor, como defendem alguns. Bem pior seria retroagir ao tempo em que torneios eram decididos pelo número de cartões recebidos pelos times ou, mais patético ainda, pela quantidade de escanteios para cada lado.
 
 
Com Neymar em campo, o Brasil encara hoje um desafio supostamente mais encardido que aquele apático time dinamarquês. Os Estados Unidos, que evoluíram rapidamente do estágio de broncos para aplicados futebolistas, vem criando dificuldades a cada novo confronto com a Seleção. Ainda assim, o verdadeiro teste no caminho de Mano Menezes será o embate com os argentinos. Ali ficará claro se o seu passaporte para Londres e a Copa de 2014 estará garantido ou não. 
 
 
Do leitor Orlando Rodrigues: “O Clube do Remo contratou dois zagueiros (Ávalos e Santiago) que, somadas as suas idades, quase ultrapassam os 70 anos, para jogar numa região quente e possivelmente enfrentando ataques velozes. Não será um suicídio anunciado. Depois não adianta chorar. Não seria melhor contratar o Gil do Cametá, que já se conhece?”.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 30)