Beatles na contramão em Abbey Road

A fotografia inédita dos Beatles atravessando a Abbey Road no sentido contrário foi leiloada por 16 mil libras esterlinas (cerca de R$ 49 mil) – quase o dobro do valor estimado – na Bloomsbury Auctions, em Londres, nesta terça (22). Segundo a revista “NME”, o leilão começou com uma oferta de 6.000 libras, mas o valor rapidamente subiu e o item foi arrematado em menos de um minuto. O retrato é uma versão “invertida” daquele que foi eternizado na capa do disco “Abbey Road”, de 1969: o quarteto de Liverpool cruza a faixa de pedestres da direita para a esquerda, sentido contrário da foto original. Ambas foram registradas pelo fotógrafo Iain Macmillan. Na imagem que pertencia a um colecionador, há algumas diferenças: Paul atravessa a rua de chinelos – na original, ele está descalço – e sem o cigarro que segurava em uma das mãos. Acima, a versão invertida. Abaixo, a clássica imagem original. (Da Folha SP) 

A imagem do dia

José Mourinho, The Special One, ampliou seu contrato com o Real Madri até 2016. O acordo anterior ia até 2014. O clube, satisfeito com o título espanhol conquistado pelo técnico português, apressou-se em segurá-lo por mais dois anos. Após firmar o acordo, Mourinho apareceu para entrevista coletiva ao lado de seus auxiliares, no estádio Santiago Bernabeu. Pela pose dá para imaginar a quantidade de zeros dessa renovação.

Remo pode ganhar reforços do São Francisco

Remo e São Francisco estão em negociações adiantadas para a cessão aos azulinos, por empréstimo, dos jogadores Jader, Perema e Ricardinho. Os três atletas se destacaram no último Parazão e despertaram o interesse de vários clubes, mas nenhum fechou acordo para deixar o Leão Azul santareno. Caso o negócio seja fechado, o trio se apresentará até quinta-feira no Baenão. Para os dirigentes santarenos, que sempre mantiveram bom relacionamento com os remistas, a exposição dos atletas na Série D pode facilitar futuras transações. (Com informação de Guilherme Guerreiro)

Paissandu x Luverdense será no Mangueirão

Depois de anunciar durante duas semanas que estrearia na Série C contra o Luverdense na Curuzu, o Paissandu descobriu há dois dias que o gramado do estádio está impraticável e pediu à CBF transferência de local. Desse modo, o Papão estreia no Brasileiro neste domingo jogando no estádio Edgar Proença. É provável que os três primeiros jogos sejam realizados no Mangueirão.

Remo apresenta mais dois contratados

O Remo anunciou mais dois reforços para a Série D: o lateral-esquerdo paraense Paulinho, de 23 anos, ex-Botafogo de Ribeirão Preto, Náutico (PE) e Tuna, e o lateral-direito Eduardo Gabriel, o Dida, de 33 anos, ex-jogador do Crac de Catalão (GO) e que passou pelo Flamengo (RJ), Atlético Goianiense e Botafogo (RJ). Ambos se apresentaram nesta manhã no Baenão, fizeram exames médicos e devem assinar contrato ainda hoje com o clube. Paulinho chegou com suspeita de contusão no joelho, mas na avaliação dos médicos está apto a jogar.

O zagueiro Edinho e o meia Ratinho (foto) se apresentaram ao técnico Flávio Lopes, mas Magnum e André não apareceram no Baenão. O Remo continua tentando um acordo com o centroavante Rafael Paty, ex-Cametá e que estaria apalavrado com o Santa Cruz de Cuiarana. (Foto: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola)

O futebol das liminares

Por Gerson Nogueira

Três clubes podem causar a suspensão do Campeonato Brasileiro da Série C. Eles apelaram à Justiça Comum tentando assegurar presença na competição. Com isso, tudo indica que a semana será dominada pelas batalhas jurídicas e seus possíveis desdobramentos. Como se viu ao longo do cansativo imbróglio envolvendo Remo e Cametá, torcidas, atletas, técnicos e imprensa esportiva terão que ocupar o tempo projetando os mais diversos cenários.
Enquanto isso, advogados tomam o lugar de jogadores e passam a ocupar o noticiário, e tome noticiário sobre leis e estratégias de tribunal. Nada a ver com o verdadeiro futebol, cujas regras são simples justamente para permitir que qualquer pessoa o pratique.
Não é o caso de questionar quem está certo ou errado, mas a contínua utilização de recursos jurídicos estranhos ao universo do futebol para desfazer decisões de campo. Por princípio, sempre fui contra esses estratagemas que contrariam a ordem natural das coisas.
Entendo que vitórias e derrotas devem ficar restritas ao campo de jogo. Os resultados devem valer para todos. Em caso de dúvidas ou questionamentos, o bom senso recomenda que as instâncias da Justiça Desportiva sejam acionadas.
O fato é que as regras do jogo precisam ser respeitadas, sob pena de travamento do futebol profissional no Brasil, como ocorria nas décadas de 70 e 80. É um problema que diz respeito a todos os atores envolvidos com o esporte no país.
A guerra de recursos e liminares desencadeada na Série C interessa aos clubes reclamantes e aos reclamados, mas afeta todos os demais participantes. O Paissandu, por exemplo, vive uma semana de incertezas quanto à estréia na competição. A tabela indica que o jogo será contra o Luverdense, em Belém, domingo.
Caso as arengas judiciais se prolonguem, o Estatuto do Torcedor pode ser descumprido, pois é provável que a data dos jogos seja alterada. Pior ainda é se times começarem a competição e depois, por força de decisão judicial, venham a ser excluídos. Isso ocorreu, aliás, na própria Série C em 2011, quando Rio Branco e Araguaína protagonizaram uma confusão que terminou contribuindo para a eliminação do Paissandu.
Vale dizer que quando o Superior Tribunal de Justiça Desportiva era presidido pelo polêmico Luiz Zveiter, há alguns anos, liminares eram quase sempre ignoradas. Ele se amparava na Lei Pelé e no Estatuto do Torcedor e suas decisões eram soberanas. Para o bem ou para o mal, prevaleciam as medidas adotadas pelo STJD e as coisas eram mais claras.     
Com a provável paralisação do campeonato, só uma interferência drástica da Fifa para punir os clubes reclamantes poderia fazer cessar as manobras protelatórias e apelações que, em última análise, conspiram contra o futebol. Alguém precisa botar ordem na casa. 
 
 
Por um golpe de sorte e talento do defensor, o Paissandu saiu quase ileso de julgamento no STJD. Ameaçado de perder mando de campo, foi punido com multa de R$ 2.400,00. Devia comemorar a sentença. O clube foi responsabilizado por atitude hostil da torcida na partida contra o Coritiba no Mangueirão, válido pela Copa do Brasil.
Torcedores de mente vazia atiraram garrafas, latas e outros objetos em direção aos jogadores paranaenses e ao trio de arbitragem. Pela brincadeira, o Paissandu poderia ter sido condenado a jogar longe da capital paraense logo na segunda partida da Série C, com sérias perdas financeiras.
A pergunta que os auditores não fizeram, mas que seria perfeitamente cabível é: o que faz um sujeito sair de casa, pagar ingresso e atirar objetos no gramado como se isso fosse mudar o resultado de um jogo? Já tarda o momento de ser feita uma ampla campanha de conscientização da torcida paraense. É a mais participativa, com alto índice de comparecimento a estádios e, ao mesmo, é a mais mal-educada de todas.
 
 
Herrera, apelidado pela torcida argentina de “quase gol”, ganhou meu respeito com o gesto sincero de recusa a uma conhecida promoção do “Fantástico”. Teve a coragem de rejeitar alguns minutos de exposição na poderosa Globo. Não é para qualquer. O normal é a pronta adesão a qualquer brincadeira de mau gosto proposta pelos repórteres globais. Conheço dezenas de boleiros que dariam tudo pela chance de escolher um pagode mequetrefe, um cântico gospel ou um hit sertanejo qualquer.
O botafoguense, que marcou três gols contra o São Paulo, não viu necessidade de escolher música ou fazer macaquices na tela global. Mostrou desapego e orgulho, na melhor tradição de Heleno e Quarentinha. Cabra bom.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 22)