Por Gerson Nogueira
Pelas providências adotadas até o momento, o Paissandu vê se aproximar a temporada de 2012 com toda pinta do filme que passou neste ano e que é reprise dos anteriores. São as mesmas hesitações administrativas, a demora na tomada de decisões e a precipitação na hora das escolhas.
Depois da tabela de R$ 300,00 para aluguel da Curuzu para peladeiros, o episódio mais curioso deste final de ano no clube foi a trapalhada envolvendo o técnico Everton Goiano. Contratado por telefone, ele ainda chegou a viajar para Belém, embora no meio do caminho já soubesse que o acerto não estava mais valendo. O Paissandu tinha Nad como novo técnico, por decisão direta de seu presidente.
Qualquer semelhança com as circunstâncias do final de 2010 não é mera coincidência. Naquela oportunidade, Givanildo Oliveira foi procurado pelo então supervisor Robgol e fechou acordo para treinar o clube. Dois dias depois, em meio a uma churrascada, o presidente foi convencido a contratar Sérgio Cosme.
Como agora, sem a menor cerimônia, o dirigente máximo desautorizou seu subordinado direto. A única diferença entre as duas histórias toscas é que o velho Giva nem chegou a arrumar as malas para pegar o avião. Como não podia deixar de ser, ambos, Robgol antes e Antonio Cláudio Louro agora, pediram o boné.
O perigo que ronda o Paissandu é que alguns ainda tomam esses rompantes como puro folclore. Inconseqüências inofensivas de um cartola à moda antiga. Conversa furada. A questão é muito mais séria do que se imagina. Está em jogo a imagem e o destino do clube. Nunca se pode esquecer que os dirigentes passam, mas a instituição fica.
Junto com a repentina escolha de Nad para o comando técnico, veio a decisão de limpar a área. Desmanche radical. Meio na moita, já saiu praticamente um time inteiro. E jogadores experientes, casos de Alexandre Fávaro, Claudio Allax, Fábio Gaúcho, Vânderson, Robinho, Daniel, Tiago Potiguar e Rafael Oliveira. De uma só tacada. Com uma ou outra exceção, poderiam ser necessários para a remontagem do elenco.
É lógico que a oferta de investidores por Rafael, se confirmada de fato, pode vir a ser lucrativa para o clube. Quanto aos demais, a liberação acontece na hora errada. Se não havia interesse em continuar com os atletas, o expurgo deveria ter acontecido logo em seguida à Série C, para permitir a contratação criteriosa de substitutos.
A partir de agora, Nad, que já assumiu com pouquíssimo tempo para agir, terá que recorrer aos da casa para atender às expectativas de uma torcida sempre exigente, acostumada a vitórias e que jamais aceitaria disputar um campeonato só para cumprir tabela. Infelizmente, até prova (e ato) em contrário, parece ser esse o plano da diretoria.
O ano vai terminando e começam as especulações em torno de alguns artistas da bola, sondados pelos grandes clubes do Sul-Sudeste. Os boatos sobre transferências aquecem o mercado da bola. Contratos televisivos abarrotam os cofres e a turma sai afoita, a fim de torrar o dinheiro na primeira esquina. E tome propostas do arco da velha por Kaká, Tardelli, Vagner Love, Grafitte, Montillo e até Tevez. Claro que a imensa maioria dos acertos não se concretiza, perdendo-se na boataria vazia, mas chama atenção esse furor consumista que coincide sempre com o Natal. No fundo, todo mundo ainda sonha com Papai Noel.
Na coluna de ontem, sobre as lambanças da arbitragem, citei a partida de dezembro de 2007 que selou a sorte corintiana no Campeonato Brasileiro, mas cometi um equívoco, prontamente corrigido no blog pelo atento amigo Matheus Cunha, direto de Brasília: “O Corinthians foi rebaixado ao perder para o Grêmio, enquanto o Goiás escapou enfrentando o Internacional, com arbitragem de Djalma Beltrami. A polêmica dessa partida foi um pênalti para o Goiás ter sido cobrado três vezes”.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 23)
Pelo jeito a torcida do Paissandu pode ir se preparando para mais um ano em branco. Se houvesse um pouco de interesse, o Conselho Deliberativo ja teria mandado o atual presidente passear. Acho que ja esta todo mundo acostumado a ver o time no lixo.
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Como Paraense que sou, posso dizer: Égua, Pai d’égua essa coluna, amigo Gerson. Perfeito.
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Enquanto os clubes paraenses forem refém de política de que o presidente tem que ser milhonário pra assumir este cargo, teremos o amadorismo imperando, pois quando o cidadão investe dinheiro em algo, ele naturalmente se acha dono e faz tudo a seu bel prazer.É o que ocorre no Paysandu, este ano o lOP claramente revelou que tem muita grana dentro do Paysandu e sendo este seu último ano de mandato, naturalmente ele irá tirar tudo que investiu e para issoi fará um plantel mediocre, mas tão mediocre que a torcida será para não ser rebaixado no paraense e no série C, esuqeçam o título este ano do parazão e a história do vamô subir Papão. Nossa maior conquista este ano será a saída deste energúmeno, desde que entrem alguém com pensamento diferenciado, ou seja, profissional, senão trocaremos 6 por meia dúzia, o que aliás ocorre desde sempre na dupla PA x re.
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Gerson, li em algum jornal, nesse ou no da concorrência de vocês, não lembro, que Robinho e Fávaro voltam nessa segunda.
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Tomara que seja verdade, Carlos. Sinal de que o bom senso não se exauriu por completo no clube.
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O futebol paraense se acomodou aos abnegados. Por isso que eu digo que parou nos anos 70.
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Sem dúvida, amigo Valentim. Nossos clubes dependem de milagreiros – e, como bem diz o Bad Boy, a maioria dessas peças é inteiramente lisa e mal-intencionada.
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Desculpa Gérson fazer ,mais uma retificação na informação sobre o rebaixamento do Corinthias.Na verdade ele empatou com o Grêmio em Porto Alegre,e o placar foi 1a 1.Quanto ao jogo em Goiás,me lembro bem de Abel Braga,técnico colorado, gritando vergonha!vergonha! após ser expulso por reclamação pelo Beltrami, depois do árbito ter mandado voltar por 2 vezes o pênalti batido por Paulo Baier.Depois do vexame de ter perdido dois pênaltis seguidos, duas vezes defendido pelo nosso conhecido Clemer,o veterano Baier acabou entregando a bola para um jogador paraense,o volante Élson salvo engano,que finalmente na terceira tentativa do Goiás acabou conferindo o penal que rebaixou o Corinthias para a série B.
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Gérson e amigos virtuais do blog, antes de tudo desejo a todos um feliz natal e muita saúde para o ano que vem. Caro escriba, guarde o artigo que servirá em data futura. Essa repetição idiota de alguns de que “lisos devem abandonar o futebol”, porque não podem ‘ajudar’ o clube em determinados momentos, é o combustível para a perpetuação do poder dentro dos clubes por parte de uma elite que em sua grande maioria só tem interesses pessoais. Não acreditem que eles colocam dinheiro a fundo perdido. Na verdade é um grande investimento. E a imprensa sabe. Esse dinheiro, dito como ajuda, são devidamente contabilizados e depois são cobrados das mais diversas formas. O SPORTV através do programa Sportv repórter, fez há mais de um ano, denúncia de como os ‘endinheirados’ que ‘ajudavam’ o Atlético Mineiro ao longo dos últimos anos vão reaver centavo por centavo INVESTIDO no clube. Segundo a reportagem, está tudo contabilizado e em 2016, esses pseudo mecenas serão os donos do Shopping que pertenceria ao Atlético Mineiro( construido na década de 80 e cedido em comodato até 2016). É preciso ser endinheirado para ser Presidente de remo e Paysandu??? É claro que não! Todos sabem disso ou melhor, poucos sabem disso. E essa alienação associada a manutenção do ‘status quo’ arraigada a um estatuto obsoleto, caduco e facilitador da perpetuação desse poder nefasto, garante o que eles adoram, poder, manipulação, exposição na mídia, etc, etc…. Não podemos continuar dando guarida a essas manobras de “Divulgo que doei, mas depois cobro!”
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Sinceramente só posso concordar com todos os post acima.Desde a coluna como sempre perfeita do nobre escriba como os outros comentários dos amigos comentaristas , tudo na mosca , como flexa que acerta o alvo.
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Só há dois jeitos, a meu ver, para sanar o meu Papão de todos os males que o assolam: a venda do clube ou a transformação em clubes empresa (não confundir com time de empresários). Afora isso, discussões são vazias e amenas, pois o modelo atual já está mais do que desgastado.
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Sábias palavras Joel , sábias palavras e tomara seja somente no futebol.
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Ricardo I,
Perfeita análise. Esses caras dizem que amam os clubes, pois dirigem os mesmos com a intenção de recolocá-los “no lugar em que estavam e do qual nunca deveriam ter saído”. Recolocar os clubes em posição de destaque é fazer os mesmos caminhem com as próprias pernas, tenham seus próprios recursos, sem depender de doações, donativos ou “colaborações”. Mas isso representa a independência das agremiações e isso esses caras não querem.
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