O efeito Cuiarana

Por Gerson Nogueira

Apesar da repercussão menor em função da coincidência de horários com a rodada final do Campeonato Brasileiro, a inesperada peia sofrida pelo Remo em Cuiarana terá conseqüências. O primeiro efeito é o fim do período de tranqüilidade desfrutado pelo técnico Sinomar Naves, seus comandados e pela própria diretoria do clube.
A pouco mais de um mês do começo do Parazão, a derrota por 3 a 0 fará com que a torcida aumente a pressão por um time realmente forte para brigar pelo título estadual e conseguir uma vaga na Série D.
Que ninguém se iluda no Baenão: as cobranças serão cada vez mais intensas a partir de agora. O curioso é que, quando o Remo abriu a agenda de amistosos, havia consenso quanto à pouca relevância dos resultados. O que interessava era testar os jogadores, dar consistência à equipe. No primeiro insucesso, porém, o mundo quase desaba.
E, como desdobramento direto do tropeço de domingo, a contratação do atacante Rodrigo Aires voltou à ordem do dia. Sobre ele, poucas informações. Sabe-se que disputou a segunda divisão do campeonato goiano pelo Anápolis. Seu nome foi recomendado por Sinomar.
No clube, a impressão geral é que teto salarial estabelecido pela diretoria deve inviabilizar o acordo financeiro com Aires, que não é um jogador caro. Se for mantida a atual filosofia, o time vai estrear no dia 16 de janeiro (provavelmente contra o Águia) com Bruno Oliveira e Jaime no ataque. Não é a dupla dos sonhos da torcida – e nem do técnico Sinomar. Há a convicção de que, jovens e inexperientes, os atacantes estão propensos a sentir o impacto das primeiras vaias da torcida. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 
 
 
Por outro lado, conselheiros azulinos avaliavam ontem que a derrota para o desconhecido Santa Cruz pode ter pelo menos um aspecto positivo: alertar para a fragilidade técnica do elenco atual. Todos reconhecem que Sinomar precisa de jogadores mais qualificados e experientes para o meio-campo e o ataque. Duro será arranjar dinheiro para justificar (e bancar) uma folha salarial acima do planejamento inicial.
 
 
Fonte do governo, consultada ontem à noite, reafirmou que não há nada certo quanto à renovação do contrato entre Funtelpa e os clubes da Primeira Divisão paraense. Clubes precisam se mexer. Apesar de alguns queixumes, esse dinheiro do governo é a base de sobrevivência da dupla Re-Pa.
 
 
Neymar termina consagrado num Campeonato Brasileiro que disputou em ritmo meia-sola à frente de um Santos que não levou a competição a sério. Na escolha da Fifa, ficou com a consolação de disputar o gol mais bonito do ano. Não adianta: a Europa não se curva ao futebol sul-americano.  
 
 
 
Direto do blog
 
“Não esqueçam que João Havelange foi um grande lutador pela Copa em Manaus. Como podem constatar, ele sabe tudo de Amazonia!”.
 
De Alberto Lima (Recife) sobre a constrangedora situação do velho cartola no COI.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 6)

17 comentários em “O efeito Cuiarana

  1. Faço um apelo ao governador para que NÃO renove este convênio com os clubes! Remo e Paysandu que corram atrás de emissoras particulares para a transmissão. Dinheiro público não é para futebol, governador! Principalmente quando esses clubes são exemplos de péssima administração há anos. Um dos estados mais pobres do Brasil deve ter outras prioridades.

    Tanto criticam os clubes do interior, claramente mantidos pelas prefeituras. O mesmo está ocorrendo agora com a dupla re x pa, ambos “estatizados”, inteiramente dependentes do governo para colocarem seus times em campo. Tomara que Jatene não ceda à demagogia fácil e rejeite qualquer convênio.

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  2. Peço desculpas ao amigo Gerson, mas discordo totalmente da Coluna de hoje, na parte que fala sobre o Remo/Sinomar. Encontrar descupas para proteger o Sinomar, não é o melhor caminho para a salvação do Remo.
    Dizer que todos reconhecem que Sinomar precisa de jogadores mais qualificados, é verdade, mas não pra ganhar do Santa Cruz. Aliás, se ele pede jogadores e não dão, porque não faz como os grandes técnicos, ou seja, larga o cargo? Não larga, amigos, porque o que ele queria, já tem, um salário fixo e, o resto que se lixe.
    Aliás, o Carlos castilho, falou uma coisa certa, ontem no Cartaz Esportivo, ao Guerreiro, que tinha falado domingo, aqui em casa: ” O Remo, deveria estar reclamando que o time está em formação, se essa derrota fosse lá no início, mas já é o 10º jogo”. Te dizer, diria o Gerson. Na mosca.
    – É aquilo que falo, ele vai passar 2 anos e o time ainda estará em formação, isso, porque não sabe montar elenco e, muito menos dar um BOM conjunto a uma equipe de massa.
    – Estamos falando, gente, de Clube do Remo, um dos maiores clubes do Brasil, logo, não há espaço para aventureiros, vamos atentar pra isso.
    Remo e Paysandu precisam de ajuda, principalmente da Mídia, mas para bater pesado nesses dirigentes incompetentes, caso contrário, é esperar pela falência de ambos.
    – É a minha opinião.

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  3. Bom, muito bom, o que ocorreu em Cuiarana. Houvesse goleada azulina e todos pensariam que tudo ” está no seu lugar ” como muitos pensaram que assim estava na Curuzú.

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  4. Em termos de relevância não podemos dizer que o resultado foi normal para uma equipe de futebol profissional onde os atletas labutam em dois turnos, enquanto o adversário por não ser profissional claro que se o resultado fosse adverso não haveria cobrança, mesmo que seja para pegar entrosamento da equipe ou um outro nome que queira dar ao caso isto não pode acontecer em hipotese alguma um time profissional perder para um time amador, onde as vezes os atletas são apenas peladeiros de final de semana

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  5. Por que o governo federal pode bancar o Flamengo, Corinthians, Vasco , Botafogo e os do RS e de MG bancam os seus clubes? Então, aqui também pode! O problema é que aqui os acordos são mal feitos, o dinheiro dos clubes não tem data pra ser repassado (o governo gosta de deixar os clubes de castigo) e não tem critério lógico na partilha. Se esse dinheiro do governo não for aplicado nos clubes, certamente não será aplicado na saúde, educação e etc, ele sumirá no ralo, enriquecendo governantes e familiares, então, que venham para os clubes.

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  6. O Rogerio Freitas, foi muito feliz no comentário, acrescento ainda, invariavelmente nos ultimos anos , só aparece “dirigente” de remo e paissandu, para usufruir benesses, tanto financeiras ou como no caso do Luis Omar, status que o dinheiro dele não consegue comprar.

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  7. Amigo Columbia certissimo.Concordo totalmente em relação ao Sinomar/Remo e repito nessa toada e mesmo com esse aviso os dirigentes não vão se emendar.O leãozinho corre risco de passar vergonha no Parazão.
    Em relação às parcerias com Funtelpa, e outras penso igual ao amigo Otávio.Por que parte do nosso dinheiro serviram e ajudaram durante anos a fio o Flamengo e agora a outros clubes e o Remo e PAISSANDU não podem também receber esse auxilio?Claro que o ideal seria que fossem clubes-empresas com ações e etc , mas não é .

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  8. CARO PASTOR, não adianta meu amigo! Tudo o que agente deseja aqui no blogue, acontece sempre o contrário com os nossos clubes, porque o AMADORISMO e muito intenso por nossas bandas. Creio, que jamais os nossos clubes se tornarão clubes empresas.

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  9. É verdade amigo André.E como diz vc se eles os dirigentes leem o blogue , fazem tudo ao contrário intencionalmente, do que postamos aqui.Se o blogueiro-roqueiro com conhecimento público e notório sobre o futebol e a realidade dos nosso clubes , sempre escrevendo sobre isso é ignorado por eles , imagine nós , reles torcedores.Vc tem razão.

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  10. No Brasil tem-se a visão distorcida de que dinheiro público não tem dono, não é de ninguém. O aluno quebra a carteira porque acha que não é dele, “é do governo”. O burro não sabe que é do bolso dele que vai sair a carteira nova. O torcedor acha que o Estado deve esbanjar dinheiro com futebol (e nos últimos 4 anos foram 20.000.000,00!) porque o dinheiro não tem dono. Tem sim, e sendo mal gasto como vem sendo, faz falta aos outros setores.

    A desculpa conformista de que se deve dar o dinheiro aos clubes antes que os políticos o roubem chega a ser patética, pois justifica o roubo. Este plebiscito está trazendo à tona a miséria do Tapajós e do Carajás, mostrando como as prioridades são outras. Temos milhões de prioridades e o futebol certamente NÃO é uma delas!

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  11. E ainda se julgam como clubes organizados e dizem ser profissionais e honrrar compromissos. Me diz ai, onde que e que eles são isso que eu citei Pastor?

    E porisso que torço para clubes de outro estado! Torço para o Flamengo do RJ, com quaze a mesma intensidade que torço para o Papão, já nem tanto pelo São Paulo, mais tenho de sentir alegria de alguma forma, dentro do nosso futebol. É se ficar dependendo do PSC, so terei desgostos, que dirá para quem torce para o clube do REMO, que se encontra em um situação bastante pior que a nossa, eu não estou gozando com os remistas, apenas estou expondo a realidade dos nossos times.
    Não deixo o fanátismo, falar mais alto doque a razão. Por isso, que essas mazelas fazem com que, os pequenos torcedores deixem de gostar dos nossos clubes – para que as crianças vão torcer para clubes perdedores e fracassados, se os mesmo não conseguem um misero acesso há nada? Ai os pequenos passam a torcer para os clubes de fora do nosso estado, isso e fato.

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  12. Caro Gerson, quantos porcento do time do Remo que disputou a final do sub-20 de 2011, e sagrou-se campeão, vc acredita estarão nas finais do primeiro e segundo turno, respectivamente, do Parazão 2012 ???

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