Por Mauricio Stycer
Jornalista, por definição, não é notícia. Exceções costumam ser vistas em casos de premiações ou no registro de dramas pessoais, como acidentes de trabalho, sequestros e mortes. Mudança de apresentador de telejornal não se enquadra em nenhuma destas categorias, mas ganhou, em 2011, status de notícia importante nos noticiários da Globo. A razão parece ser o esforço de “humanização” do jornalismo da emissora, em busca de uma aproximação maior com o público.
É justo que o espectador seja informado de uma mudança como a que envolve Fátima Bernardes. Depois de 14 anos no cargo de apresentadora do “Jornal Nacional”, entendo que seja aceitável dar uma satisfação ao público. Mas acho estranha a transformação destas “cerimônias do adeus” em verdadeiras “novelinhas”, longas e derramadas. Assim como fez numa “dança das cadeiras” ocorrida em setembro, envolvendo Chico Pinheiro, Renato Machado e Cesar Tralli, que mudaram de posições no “Bom Dia Brasil” e no “SP TV”, a troca de Fátima por Patrícia Poeta e desta por Renata Ceribelli no “Fantástico” está sendo apresentada em capítulos.
“Hoje, o Jornal Nacional virou notícia”, disse Fátima na quinta-feira, 2 de dezembro, a certa altura da reportagem de 4,5 minutos que anunciou as trocas. No sábado, no encerramento do telejornal, William Bonner e Fátima voltaram a fazer propaganda do assunto. “A gente lembra que vamos ter uma edição especial na segunda-feira. Este momento especial na história do ‘Jornal Nacional’”, prometeu a apresentadora.
No domingo, no final do “Fantástico”, teve início a despedida de Patrícia. Tadeu Schmidt derramou-se em elogios à apresentadora e disse que sentirá falta dela. Patrícia informou que ainda voltará ao programa para o ritual de troca de lugar com Ceribelli.
Nesta segunda, o capítulo da novela foi mais longo e ocupou um bloco inteiro, de 15 minutos, do JN. Bonner e Fátima receberam Patrícia na bancada e deram a ela o lugar reservado aos entrevistados ilustres. O apresentador leu um texto piegas sobre a trajetória de Patrícia na Globo, depois Fátima a entrevistou com o jargão clássico de repórter esportivo, perguntando sobre a sua “expectativa” na nova função.
Em seguida, Fátima mereceu um vídeo, narrado igualmente em tom dramático por Bonner, com um resumo de seus 24 anos na Globo. Na despedia, a jornalista falou que o JN é “o telejornal da família brasileira”. Deu as mãos a Patrícia e disse: “É um orgulho passar esse microfone para você.”
A novela continua nos próximos dias.
Jornalista não é noticia, assim deveria ser, mas não é . Infelizmente os gutembergs sentem-se superiores aos fátos , às noticias. Na troca de cadeiras do JN o que mais incomodou a periferia foi o arquivo exibido mostrando um pouco das primas donas do horário.
Acostumados ao mesmismo estranhamos quando algo diferente nos é mostrado.
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Espetacular mesmo foi ouvir da da própria Fátima Bernardes que o projeto do novo programa é muito bom, mas que o sucesso estava condicionado ao fato DELA ter sido escolhida para tal.
É só ver. Isso deve estar postado em algum lugar.
Viva a TV fechada.
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O texto nos remete a pensar que a GLOBO usou como uma reportagem ( Materia ) a troca das apresentadoras e isto até convém em termos de normalidade para a emissora e o que pensar das concorrentes, principalmente a Record, Record News esta última teve um bloco inteiro ontem destacando o assunto onde três ex integrantes do tele jornal Global faziam seus comentarios, isto é a própria concorrente fazendo propaganda da Globo é por isto e outras coisas que a Globo é lider de audiência
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