Debate sobre plebiscito agita a Unama

Por André Silva de Oliveira

Estive nesta terça-feira no auditório da Unama para assistir a um debate sobre o plebiscito de 11.12.2011 que vai decidir se o Pará permanecerá unido ou não. O auditório estava lotado e os três palestrantes se posicionaram contra a separação, apresentando seus argumentos técnicos. Duas coisas me impressionaram: 1) só 20% do território paraense pertencem ao Pará, o restante está federalizado, ou seja, pertence ao Incra, é reserva ambiental, área de segurança nacional etc.; o governador do Pará não pode nem mesmo se opor, por exemplo, à construção de Belo Monte, em Altamira, conforme foi lembrado pela Adelina Braglia, presidente do Idesp e uma das debatedoras (foram apresentados vários mapas para evidenciar a federalização do nosso território e isso significa que a União é responsável pelas levas migratórias que levaram aos movimentos de emancipação); e 2) na hora das perguntas, um jovem índio, que vestia uma camisa com a bandeira do Pará e oriundo do Sudeste do Estado, disse que naquela região é ameaçado quando declara que vai votar a favor do Não, o que o revolta, pois os paraenses receberam os forâneos de braços abertos e terminou dizendo: “Sou, sim, a favor da separação, mas das terras dos latifundiários que ali vivem!”.

Só para que vocês tenham uma idéia do que acontece em nosso país: existem 23 propostas de separação ou criação de Estados tramitando no Congresso Nacional. Até Estados como Minas, Rio Grande do Sul e São Paulo são alvos de tais propostas. Até o Amapá, acreditem!!! É, tem uma proposta para criar o território federal do Oiapoque, dividindo o minúsculo Amapá. Foi exibido um mapa mostrando como ficaria o Brasil se todos os novos Estados fossem criados e o Brasil ficou parecendo uma sopa de quadrinhos…

Em tempo: no domingo, vai haver uma passeata pelo NÃO que sairá da escadinha da avenida Presidente Vargas. Todos lá!!

24 comentários em “Debate sobre plebiscito agita a Unama

  1. Fugindo desse assunto de separatismo ou não. Numa República Federalistas somos todos dependentes do governo federal que é estremamente centralizador e tem uma “mão” tão forte quanto indissolúvel: a união.

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  2. Caro Gerson, esses alunos da Unama não conhecem a realidade de nosso Estado.Talvez, conheçam no máximo Vigia (no Carnaval), Algodoal e Salinas, points de curtição nas férias. Nunca foram no sul/sudeste do estado, nem na região do Tapajós. Todo o reino mineral sabe que essas regiões sempre foram desprezadas pelo Governo estadual. Falta tudo. O desejo de separação é legitimo. E digo mais a Amazônia ganhará mais peso politico, com mais deputados federais, senadores e governadores. A pergunta que eu faço é: o que adianta vivermos num Estado grande e o povo na miséria? Melhor dividir e ver no que vai dar. Outra pergunta: alguma vez o povo de Belém, o povo pobre, usufruiu da riqueza mineral de Carajás? O povo nunca vai ver a cor dessa grana.Quem é contra a divisão apresente um argumento, que não seja emocional. Apresentem um argumento politico. Que força politica o Pará atual possui? Que força nossos senadores (inclusive, a temporária) possuem? Nenhuma. O Pará atual, do ponto de vista politico, é um peso morto na federação. A perda da Copa foi um exemplo. Vamos ser realistas, gente! Respeito a opinião de quem é contra a divisão, mas não concordo.

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    1. (…)…”Melhor dividir e ver no que vai dar”..(…)

      Parei de ler a partir dessa frase!

      Motivo: Ou dá certo pra todo mundo, ou nada feito!

      Isso não é um jogo, é a vida das pessoas que será modificada. E, como nào há afirmação alguma que dará certo, voto 55!

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    2. Pois é, como você bem disse vamos ser realistas, pq tá escancarado na cara de todo mundo que o menos interessa nessa história de separação são os interesses do povo. Os argumentos dos “separatistas” são frágeis e as vezes beira o rídiculo!!!

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  3. Prezado Márcio Farias,

    Em primeiro lugar, não sou aluno da UNAMA e tenho formação superior (sou advogado com mestrado em Ciência Política pela UFPA). E conheço o Pará e não apenas Belém, a capital (conheço Santarém, Marabá, Tucuruí, Paragominas, etc.).

    Na verdade, os argumentos que apresentastes é que são inconsistentes, como, por exemplo, dividir para “ver no que vai dar” é altamente irresponsável e demonstra falta de juízo crítico.

    Pena que não estavas no debate para ver o quanto são fortes os argumentos contra a separação, como, por exemplo, essa ideia equivocada de que as bancadas dos Estados do Norte se unem no Congresso para defender os interesses da região amazônica. Isso é falacioso; por acaso, os amazonenses se unem aos paraenses para defender os interesses comuns como amazônidas? No final, será cada um cuidando do seu próprio pirão.

    Se tens algum estudo que prove a viabilidade econômica dos novos Estados, por que não os apresentastes no debate ou à imprensa?

    Voto pelo Não.

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  4. Essa mentalidade de VER NO QUE VAI DAR, Sobrou até para o SADAM que não contribuiu com uma palha para a caótica situação dos sem série definida. Ora pois…

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  5. Caro André, em primeiro lugar, apresento minhas saudações a vc e digo me formei em Direito pela UFPA em 2004 e sou servidor público. Pois bem, vamos aos argumentos. Em primeiro lugar, é visível que há um descaso de décadas por parte do Poder público (Governos federal e estadual) com essas regiões que desejam a emancipação. H[a anos que as estradas do sul do Pará são abandonadas, por exemplo. Enfim, são muito problemas de infra-estrutura, que convenhamos, se torna muito mais dificil em estados grandes territorialmente como é o caso do Pará. Outro argumento que uso em favor da divisão é de ordem histórica: veja o mapa dos EUA. É um retalho de 48 estados, todos quase do mesmo tamanho, mais o Alasca e o Havaí, que não ficam no território norte-americano. A forma como foi feita a divisão territorial daquele país foi acertada: Estados compactos (de médio porte para pequeno), o que os torna mais fáceis de se administrar.Segundo argumento: a criação do Tocantins e do Mato Grosso do Sul, a partir de Goiás e do Mato Grosso. Ora, segundo o IBGE o Tocantins é um dos estados que mais crescem no Brasil.O Mato Grosso do Sul idem, com o turismo no pantanal e com a soja. Ora, vale lembrar que os Estados remanescentes, não perderam nada, pelo contrário , ficaram mais fortes e punjantes.Alguém dúvida que Goiás e o Mato Grosso não estão em melhor situação que o Pará? Até Cuiabá, vai ter copa do mundo.
    Quando eu disse separar pra ver o que vai dar, quis dizer, “que do jeito que está não pode ficar. ”
    André, me desculpe, mas a maior parte dos moradores da capital que são contra a divisão, não conhecem o Estado. Só conhecem, as vezes, as cidades que disse acima. Essa é a verdade. O descaso é total. Trabalhei 05 anos no nordeste do Estado, em Concórdia do Pará, e se lá é abandonado, que dirá o restante do Estado?
    Os estudos de viabilidade para criação dos dois novos estados já estão apresentados, pois a própria CF/88 os exije como requisito da consulta popular.Sem eles, sequer a consulta seria autorizada pelo Congresso.
    Por fim, entendo, que o resultado de 11 de dezembro deve ser acatado por quem perder. Sem choro, sem remorso. Agora, que fique claro do jeito que está não pode continuar. Meu voto será pela divisão pelos argumentos acima apresentados.
    Mas caso o não ganhe, sugiro que o governo estadual descentralize a administração criando pólos regionais de gestão (um pólo em Santarém e outro em Marabá), colocando técnicos competentes como gerentes desses, e não politicos. Esses “gerentes” fariam o levantamento do que essas regiões precisam e levariam a demanda ao Governador, que pelos meios legais, faria com que os recursos para as obras chegassem a essas regiões. Mas esses pólos de gestão deveriam possuir autonomia para discutir a LDO, e ter poder de pode para aplicar os recursos. Ou seja: caso continue como está, o Governo estadual deve criar esses pólos regionais de gestão.Entendo que é a única maneira de desenvolvermos nosso estado.

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    1. Presado Sr.Dr. Márcio Farias

      Apresento-me: Luiz Fernando M. Silva, 67, paraense, 3º grau incompleto na área de C.Contábeis e como o Sr. pode constatar pelo meu sobrenome não sou de origem nobiliárquica.

      Só gostaria que o senhor me esclarecesse essa súbita e surpreendente migração pessoas (leia-se de títulos eleitorais) de outros estados.

      Quem financia esse movimento? A quem interessa esse movimento? Os que vieram à procura de um lugar melhor para viver com suas famílias com certeza já o encontraram independentemente de ser Pará. Para eles é o que menos interessa. Os que vierem futuramente serão recebidos fraternalmente como os outros que aqui já chegaram

      Eu antecipo a resposta: A alguns inescrupulosos interessados em poder político, a maioria nem só político. Ora, deverá retrucar o senhor,afinal são políticos paraenses. Procure inteirar-se de suas origens, de seus passados. Se conseguir talvez se surpreenda com os resultados.

      O senhor já afirmou que é formado em Direito pela UFPA e que é funcionário público.

      Só lhe faço duas perguntas. Responda se achar
      que deve responder, nesse mesmo local.

      O senhor é natural de onde? O senhor tem pretensões políticas?

      Agradeço o tempo que o senhor despendeu.

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  6. Engraçado ver os separatistas reclamando. Aqui, em Santarém, por exemplo, a TV TAPAJÓS (olha o nome), a rádio, impressa, enfim, tudo, até a Universidade Federal que é do PARÁ, diga-se de passagem, fazem tudo e mais um pouco pela divisão, e você vem reclamar? Meu amigo, tu devia ter era vergonha na cara de falar uma coisa dessa porque até a Igreja (católica e evangélica) em Santarém faz propaganda a favor da divisão! Tsc!

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  7. Marcio neste seu último paragrafo fiquei feliz por saber que sua preocupação estar nas coisas certas, diferentes de muitos separatistas que estão querendo dividir na marra por pura ganancia.

    Voto e acredito que o Pará não será dividido, isto acontecendo, o que vc escreveu é o que já devria estar acotencendo, por isso que os representantes politicos daí precisam se mobilizar a esse respeito, não é a toa que os último vice e o atual são dessas regiões, fora vários deputados federais que ganharam as custas do seus votos.

    Do jeito que tá não pode ficar, pra mim, pra vc e pra todos os paraenses. Tem que avançar, desenvolver, vamos cobrar mais e saber votar melhor pra afastar os falsos defensores do povo.

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  8. Sr. Márcio, com todo respeito, queremos mais despesas: não, queremos mais possibilidades de desvio: não, queremos melhor aplicação dos recursos( federal e estadual) pelo PARÀ inteiro: se sua resposta é sim, então somos todos 55 !!!

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    1. He,he,he, quero ver a união na hora que muitas faixas levadas por bicolores. sob clamores. bradarem: Queremos o Pará que nem o REMO, sem DIVISÃO”

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  9. A justificativa de que poderá haver maior representatividade política (Deputados Federais, Estaduais e Senadores) para a região Norte com a criação de mais dois Estados (Tapajós e Carajás) e o retalhamento do Estado do Pará é equivocada; pois o número de parlamentares é fixado pela Constituição Federal, e sua alteração, só se dará por meio de Emenda Constitucional, procedimento este altamente complexo e demorado.

    Sendo assim, teremos, no máximo, caso haja esquartejamento do Estado, uma divisão, também, do número de palarmentares entre as 03 regiões. Mas pra que se preocupar com isso? Se haverão mais cargos e vagas em diversos órgãos para serem ocupados por aqueles que só querem se locupletar com riqueza do PARÁ.

    Enquanto não haver uma mudança sim, na mentalidade dos homens que governam e representam nossa região, não haverá mudança alguma, com ou sem divisão. Se for pelo abandono, pedirei pela criação do Estado do Guamá, pois o bairro encontra-se em total abandono.

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  10. Prezado Márcio e demais internautas,

    O Alexandre Pires tem toda razão, ou seja, a seguir essa lógica do abandono até o bairro do Guamá poderá reivindicar a transformação num novo Estado.

    É claro que existem elites predatórias por trás de tais movimentos separatistas, vendendo a ilusão de que, uma vez criados os novos Estados, aquelas populações entrarão, por assim dizer, no Paraíso. Ora, não existe Paraíso na Terra e é ingenuidade acreditar que os políticos de lá são melhores do que os daqui.

    Se tamanho reduzido do território significasse prosperidade automática, Sergipe e Alagoas seriam os Estados mais ricos da Federação. E sabemos que não é bem assim.

    O Márcio não consegue sequer dizer qual será a vocação econômica do pretenso Estado do Tapajós. Assim fica difícil consentir com o retalhamento de nosso Estado.

    Penso que a consequência imediata da separação será uma guerra fiscal entre os três Estados, todos pequenos e, cá entre nós, ainda mais pobres. Vale a pena correr o risco para ver “no que vai dar”?

    Os separatistas precisam trazer números e argumentos consistentes para a discussão. Até aqui, não vi nada disso.
    Como bem disse o Alexandre Pires, abandono há em todo o lugar, até em São Paulo, acrescento eu, que é o Estado mais rico da Federação.

    Penso que é preciso eleger políticos competentes para conduzir os municípios do Pará e parar com esse bordão de dizer que Belém tem tudo e o restante nada tem. Vejam o caso de Paragominas, antes mal conhecida como “Paragobala” porque ali a violência campeava e era fácil contratar pistoleiros.

    Pois bem, hoje Paragominas é uma cidade tranquila, limpa (muito diferente da Belém do “prefeito” Duciomar) e próspera, graças à excelente gestão do ex-prefeito Sidney Rosa e seu atual sucessor.

    Boas gestões podem, sim, mudar a trajetória negativa de cada município.

    Mesmo que a separação passe – possibilidade na qual não acredito -, o Paraíso não chegará como desdobramento disso aos novos Estados. Talvez cheguem mais imigrantes a essas regiões, adensando ainda mais as periferias das grandes cidades, todos sonhando em ganhar alguma coisa com as promessas feitas por elites predatórias que prometeram um Paraíso que não existe.

    Ficará mais fácil para os políticos dos supostos novos Estados conseguirem a eleição. Segundo foi dito no debate da UNAMA, um político em Carajás se elegerá deputado federal com 50 mil votos, ao passo que um político em São Paulo precisará de 400 mil votos. Ou seja, o desequilíbrio da representação política nacional se acentuará mais ainda, daí porque considero legítimo que São Paulo não veja com bons olhos a fragmentação do Pará – e cabe lembrar que o Congresso Nacional terá que aprovar a eventual separação; vivemos sob um pacto federativo, com recursos limitados, então o assunto, gostem ou não os separatistas, interessa a todo o Brasil.

    Além disso, se o Pará unido é, como vc disse, Márcio, “um peso morto na Federação”, imaginemos então Estados com territórios ainda mais reduzidos e com populações que não chegam a 2 milhões de habitantes. Me apresente, Márcio, um argumento forte para que você diga que um senador do Tapajós terá mais força em Brasília do que um senador do Pará remanescente!!!
    Diga lá!!!

    E dizer que os Estados Unidos tem 50 Estados pequenos ou de porte médio e por isso é próspero também me parece um argumento fraco. Os EUA possuem uma trajetória diferente da nossa; lá, o país surgiu de baixo para cima, da união das 13 colônias e, ao longo dos séculos, foram conquistando territórios. No Brasil, a formação do país foi feita de cima para baixo com a formação das capitanias hereditárias, etc. Não temos nada parecido com o que fizeram os Pais Fundadores (Founding Fathers) e essa replicação automática que propões, Márcio, não é razoável em razão da trajetória histórica diferente dos dois países.

    É isso. No domingo, todos lá na escadinha do cais.

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    1. O professor Berlli não consegue tirar o Remo da cabeça,chega até a esquecer de que lado está.Já disse aqui por várias vezes;Ele deve ser a favor da divisão do Pará e não sabe como demostrar sua preferência.E quanto a conhecer o estado,realmente pouca gente conhece,pois geralmente só vão ao interior a passeio,ninguém permanece por lá para ver o dia a dia população dos municípios do estado.Gostaría que após a vitória pela não divisão do Pará no plebiscíto,todos em uma grande campanha,cobrassem dos nossos governantes,uma maior atenção aos nossos irmãos que vivem nos municípios vizinhos,pois os mesmos estão abandonádos e carentes de infra-estrutura na saúde,segurança,educação,em saneamento básico,além do desemprego que é muito grande em municípios do interior.

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  11. Caro Sérgio, voce distinguiu bem Remo (clube), eu cito o lado do torcedor que reage com emoção, mas foi apenas uma brincadeira, por isso não leve tão a sério.

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  12. Caro Marcio, eu moro aqui em Atlanta, GA. seu argumento de que os Estados Unidos tem mais estados e por isso Sao mais desenvolvidos, francamente amigo e desconhecer a realidade do lugar, caro, aqui no sul de Atlanta tem lugar que parece a terra firme, nao desmerecendo as pessoas que Vivem la, mas conhecendo a realidade daqui, e um abandono total, por exemplo: Detroit que ja foi a principal cidade automobilistica do pais, hoje nao tem mais de 4 mil habitantes esta falida deserta, no Arizona tem cidades fantasma, em Belem como em qualquer lugar do pais a riqueza e para poucos, a pobreza impera o descaso e geral, o que falta na realidade Sao politicos e funcionarios publicos, comprometidos com a coisa publica, ou seja, servir ao publico e nao aos seus interesses pessoais ou a determinados grupos. Temos que acabar com essa hipocresia que os governantes vao resolver nossos problemas, eles tem o dever de criar as condicoes para que isso aconteca, mas para isso tem que ter complementimento de todos que trabalham com o poder publico, seja ele politico ou nao. Por isso vou continuar lutando para que o Para continue um so.

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