Bolsa Ditadura: Resposta ao jornalista Elio Gaspari

Por Paulo Fonteles Filho (*)

O jornalista que há anos tem se dedicado ao tema da repressão política brasileira, já na chamada da matéria revela quais as posições que irá defender submetendo centenas de milhares de brasileiros ao consumo de opiniões estranhas e elitistas. Tudo isso acontece no bojo do debate que vai crescendo na sociedade brasileira sobre a aprovação (ou não), pelo Congresso Nacional, da Comissão da Verdade, instrumento fundamental para a elevação da vida democrática do país. Particularmente chama a atenção o jocoso termo “Bolsa Ditadura”.

O centro do problema ensejado no título é a crença de que reparação às vítimas da quartelada de 1964 é uma mordomia para aqueles que foram duramente perseguidos pelos estreludos generais de então. As distorções não correspondem ao conjunto de uma ação governamental mais ampla e politicamente importante, de reconhecimento de que durante todo um período histórico os brasileiros, milhares, foram vítimas de um Estado arbitrário e terrorista. Conteúdo quente em boa letra transforma-se em arma poderosíssima, ensinam os mestres.

(…)

Não sabe o jornalista de que podemos ter mais de centenas de casos de camponeses fuzilados. Há poucos meses no escopo deste trabalho de buscas aos restos mortais dos heróis do Araguaia — na qual participo — coordenado pelo governo federal tivemos a informação de que 17 castanheiros foram destroçados em São João do Araguaia em 1974. Foi preciso doses cavalares de violência contra os amigos do “Povo da Mata” para que a guerrilha fosse derrotada. Naquele terrível processo os camponeses pobres se tornaram inimigos centrais das leis de segurança nacional.

(…)

Quando ouço tal destempero fico pensando que nossas elites torceram muito para que Amazonas tivesse sido preso, torturado, retalhado e jogado em vala clandestina para que ninguém o encontrasse como fizeram com o Grabois. O jornalista parece não se conformar com o fato de Amazonas ter sobrevivido. Melhor seria se aquele maldito comunista tivesse caído nas mãos da comunidade de informações, não é? Como faria bem ao velhinho bolchevista uma estadia básica na Barão de Mesquita ou na “Casa da Judiaria” , infame câmara de torturas da Base Militar de Xambioá. Bom, a lógica está desbotada pelo uso sem critérios: matamos moralmente aqueles que não matamos sob tortura. E isso, vai me parecendo coisa de Ustras, Lícios e Curiós, para citar os vivos. Por acaso agora os representa, Elio Gaspari?

Será por isso que poupas o verdadeiro autor da ação que suspendeu as reparações dos camponeses, o caricato fascista Bolsonaro? Deves conversar muito com os generais Abreu, Bandeira e Viana Moog através daquelas cartas do além. Foram eles que te pediram para interpretar tão sórdido papel? Minha mãe, presa e torturada no PIC de Brasília costuma dizer que os violentos devem tremer no túmulo quando sabem que ministros se misturam ao povo, porque nem ministro, nem presidente deve se misturar à ralé. Ainda mais com camponês amigo de guerrilheiro. Ela, que peitou o estreludo General Bandeira, grávida deste que vos fala aos ouvidos, fez o comentário à época em que o Tarso Genro esteve na pequena São Domingos do Araguaia no ato de reconhecimento aos pobres do Araguaia.

Agora a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, é alvo da graciosidade do pai do Eremildo. Deve ser porque a gaúcha, que suava em bicas sob o sol amazônico, se comprometeu em ajudar na luta das centenas de lavradores perseguidos do Araguaia e deu, a esses homens e mulheres destes sertões de nacionalidade profunda, a atenção que eles merecem. Outra coisa, especulo cá com meus botões, é o fato de que Maria do Rosário está determinada em realizar duas coisas, dentre as tantas que sua pasta enseja: entregar às famílias os restos mortais daqueles que tiveram desaparecimentos forçados e a instalação da necessária Comissão Nacional da Verdade. Se a ministra gaúcha ficasse em gabinete apreciando chimarrão jamais estaria no corolário gracioso dos oficiais porta-vozes de jornalões.

Ademais, os camponeses não precisam das coletas dos samaritanos de plantão, porque isso para eles é perpetuar as humilhações e indignidades. Os camponeses exigem justiça e reconhecimento. A patuléia, nesse caso, adquiriu pessoa e postura.

(* Paulo Fonteles Filho é pesquisador da Guerrilha do Araguaia) 

19 comentários em “Bolsa Ditadura: Resposta ao jornalista Elio Gaspari

  1. Com a postagem acima acredito na quantidade e muito mais na qualidade das postagens que seguirão o assunto.
    Nada melhor que as liberdades expressas, mesmo conflitando com o pensamento de alguns (que também tem direito de manfesta-lo).
    Choramos a perda de todos os envolvidos nos movimentos de contestação ao governo militar. Choramos mais ainda os que estavam sob a custodia do Estado e hoje não sabemos do paradeiro.
    É certo que partir para o enfrentamento armado é saber quer vai matar ou morrer. Se morrer, seja o copo entregue à familia.(pelo menos issso).
    Quanto ao Gaspari, é bom lembrar êle já causou inveja a muitos desyemidos

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  2. Pegando carona em tema diferente, lembro que hoje em Cuba, Raul Castro pedriá ao Congrsseo Nacional. autorização para eliminar um milhão de empregos públicos. Autorizará também o retorno da propriedade privada.
    Pensar assim nos anos 60 seria herersia, crime, traição.

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  3. No que diz respeito acima, tivemos em nossa fámila um caso de repressão politica, no tempo da “dita dura”. Meu finado avô paterno, o Sr° Henrique Felipe Santiago, que Deus o tenha em um bom lugar, foi perseguido, espancado, humilhado perante sua esposa, minha finada avó, que estava grávida de cinco mêses de minha tia, é ate hoje o tal reconhecimento e justiça ainda não foram feitas a nosso favor! Infelizmente aqui e Brasil.

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  4. Não conseguem resolver os propblemas atuais. imaginem os de um passado já distante. Como a indenização é um incentivo a busca, este assunto ja+ será esquecido.

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  5. É óbvio que o Paulo Fonteles, é amargo em suas palavras, mas não poderia ser diferente!
    É triste os entes não poderem enterrar seus mortos! Só que já passou por isso sabe como é dolorido! Além do mais, acredito que essa história está demorando muito pra ser resolvida!
    É um capítulo vergonhoso da história de nosso país? Sim, claro! Mas mesmo assim deve ser exposto. Como nossos irmãos argentinos os fezeram e como nossos irmão chilenos ainda estão fazendo.
    Logo, é preciso esclarecer tudo!! Doa a quem doer!
    Acredito que nossos militares já deveriam mudar a postura, mesmo que isso dependa de punição aos covardes de pijama que hoje encontram-se na reserva ou mortos, porém com suas viúvas e suas filhas ainda recebendo seus soldos!

    Paulo Fonteles é um paraense que muito me orgulha!

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  6. Elio Gaspari escreveu um verdadeiro calhamaço sobre um dos períodos mais negros da recente história política do Brasil. Sua análises, embora muito boas e com uma certa acuidade na apuração de alguns fatos, são contundentes quando o contexto requeria amenidades e amenas quando os fatos requisitavam certa contundência na exposição de contradições. O texto de Fonteles e o termo pejorativo cunhado por Gaspari são excepcionais e representativos da luta titânica entre as correntes que exigem uma reavaliação e reparação da nossa própria história, de um lado, e de outro lado aquela que deseja deixá-la ainda sob o tapete, sob turvas neblinas, ensejada por uma Lei de Anistia que foi invocada em nome da preservação de nossa “vocação pacífica” e como prevenção a um suposto clima de revanchismo entre os que lutaram contra os regime autoritário e os que atuavam em nome dele! À época, mesmo no calor do momento, correntes da própria esquerda já levantavam a tese da impunidade aos infratores dos direitos humanos e dos termos da Convenção de Genebra, além é claro do teor político da Lei, que além de não suscitar certas inadequações (o revanchismo), elaborada foi como um dispositivo legal de entrave às futuras e quase certas reavaliações. Então, os excessos do regime, bem como seus colaboradores de primeira hora, não deixaram rastros – pelo menos em termos oficiais -, e tudo que é dito e debatido sobre as guerrilhas, as torturas, as violações dos direitos humanos e mesmo acordos e tratados econômicos lesivos ao país durante o período situam-se no terreno da “boataria”, muito embora a historiografia nacional venha nos últimos 30 anos tentando dar cores mais vivas aos desbotados “retratos oficiais” do período.

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  7. Tem um torcedor aqui da galinha velha que não tira o Leão da cabeça e que adora a Ditadura kkkkkk

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    1. Concordo com o amigo,mais isso acontece dos dois lados.Dependendo do assunto, gostaria que certos comentários não fossem publicados,simplesmente por uma questão de ética e respeito.

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      1. Estou desconfiado que esse cubano, melhor dizendo cabano, é mais uma faceta do clone ou se doeu de graça. Sei não…….

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      2. Esse sr que se diz pastor é caolho, só enxerga um lado kkkkk

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  8. Rí é o melhor remédio!

    Diário do Pará publica: “Sinomar Naves começa um novo tempo no Baenão”

    KAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKKAKAKAKAKAKAK…..

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  9. São tantas frases de efeito que leio aqui e ainda não querem que eu lembre do leãozinho. Fica difícil. Dizem que foram 33 humildes e 7 militares abatidos nesta fúria contra o comunismo. Será verdade?

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  10. Para findar mando a última do dia para os meus amáveis admiradores sem série:

    “A DITAMOLE FOI A RAZÃO DO LEÃOZINHO FICAR SEM SÉRIE E SEM JOGOS NO SEGUNDO SEMESTRE”

    Aos bicolores bons sonhos, aos sem série bons pesadelos. FUI…

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  11. Ao sr.Repeteco tenho a dizer que não ofendo através de palavras vis ,vulgares ,ofensivas e respito a todos aqui.Posso não concordar e defender veementemente meuponto de vista ,mas JAMASIA USEI PALAVRAS torpes ou desrespeitei alguém aqui.Essas diferenças dizem bem que é cego e quem enxerga ainda alguma coisa.E não me digo pastor ,eu sou .Não me digo Botafogo ,eu sou .não me digo PAPÃO ,eu sou.Não me digo paraense eu sou.
    Não me escondo sob disfarces e/ou codinomes,sou identificado de todas as formas e ao contrário do sr repeteco que sabe apenas repetir a mesma frase anos após anos e não contribui de forma sadia com comentários positivos ou pro-ativos eu opino sobre todos os assuntos,se estou certo eu mantenho minha opinião ,se estou errado ,absorvo criticas e tento melhorar sempre com RESPEITO E CIVILIDADE.É pena mesmo que em época de plebiscito,necessidades de mudanças social profunda em nossa sociedade paraense AINDA HAJA QUEM FORNEÇA ESPAÇO para postagens tão mediocres,rasteiras e inoportunas .Certo estamos nós ,eu o vagner cabano,Malcher, e outros que pedimos civilidade e limitações para comentários depeciativos e que mancham muitas vezes esse blog .

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    1. Vá ler a Bíblia, lá Jesus pregava a paz, não pedia dinheiro, e tem mais: ele era contra comércio na IGREJA ! Coitado, esse sr não gosta de ouvir a verdade, agora quer mandar no blog do Gerson !

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      1. Caro Gerson,há muito tempo queria comentar em seu blog,mas tem certos colegas que o estão usando talvez,para se livrar de suas mágoas e angustias,acredito que no momento nosso futebol não está precisando desse tipo de debate.Existem grandes comentaristas que participam do blog,logo insisto que todos façam seus comentários,com a qualidade que desejam com que nosso futebol seja.

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  12. O problema é que alguns querem que eu fale bem do leãozinho. Que eu diga que ele é o maior do norte, de maior torcida, tem tabus, também que eu não diga que ele não tem série, paga em parcelas, que o rival tem mais títulos, é campeão dos campeões com prazo de validade indeterminado, que disputou uma libertadores, é BI da B e campeão de fato e de direito do Norte, sem invenção de torneios caça níquel da época da ditadura. Amigos, mentir não é comigo, por isso continuarei pregando a verdade, ainda mais sabendo que a verdade é do conhecimento de todos porque a Imprensa não esconde apesar dos mágicos que existem lá pelas bandas da feira da 25. Ora pois.

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