De tempos em tempos a gente se dá conta de que forças poderosas dominam (e manipulam) aquilo que a plebe costuma encarar como algo quase sempre puro. O futebol tem sido vítima dessa apropriação indébita há décadas, na maioria das vezes de um jeito disfarçado. Ontem, porém, o velho manda-chuva João Havelange brotou das sombras para afirmar com todas as letras e vírgulas que o futebol tem donos e que estes não pensam exatamente como os amantes do jogo.
Para começar, Havelange e seus pares vêem o futebol somente como um grande negócio. Em esclarecedora entrevista, o eterno cartola capricha na carranca gélida para assumir a autoria de algumas decisões recentes da Fifa e para enfatizar que o processo sucessório na entidade depende muito de seu humor. Disse, por exemplo, que Ricardo Teixeira será o próximo mandatário. Não fez uma simples previsão, expressou uma certeza.
Na parte que nos diz respeito, ele conta que foi um defensor empedernido das candidaturas de Cuiabá e Manaus para sub-sedes da Copa do Mundo de 2014. Revela, assim de passagem, que recebeu um telefonema da capital do Mato Grosso e assumiu o lobby das candidaturas em nome de um súbito interesse “em mostrar a floresta amazônica para o mundo”.
Seria até um gesto bacana se não passasse de pura lorota. É de conhecimento até do reino mineral que Havelange jamais foi ambientalista e que seus desvelos com a natureza dificilmente ultrapassam os limites dos jardins de sua mansão carioca. Manaus e Cuiabá entraram para sua agenda particular por força dos vultosos negócios que movem a “indústria da Copa”, assentada na construção das suntuosas arenas modernas.
Quando se acirrou o debate em torno da escolha da sede nortista, expus aqui minha convicção de que Belém fora excluída mais por seus méritos do que por seus defeitos. Referia-me, especificamente, ao ponto central da discussão: o estádio Edgar Proença, cuja reforma para a Copa implicaria em despesas de R$ 250 milhões. Comparada à reconstrução do Vivaldão, representaria uma economia de quase R$ 400 milhões.
Num mundo ideal, movido pelo altruísmo e rigor nos gastos, a escolha natural seria o nosso Mangueirão. No entanto, no âmbito dos investimentos globais da Fifa, às vezes é mais racional apostar em altas despesas do que em contenção de custos. As revelações de Havelange vêm confirmar, de certo modo, o que sempre ficou mais ou menos subentendido. E assim caminha a humanidade.
O América de Manaus, que veio a Belém enfrentar o Remo com um banco de reservas incompleto, está nas finais da Série D, reproduzindo a caminhada do São Raimundo no ano passado. Sem apoio oficial e com um time pouco mais que esforçado, já fez muito mais do que o caríssimo – para a competição – elenco do Remo, que era comandado por um técnico de R$ 45 mil mensais, valor que supera a folha de salários da modesta equipe baré. Outro exemplo (como Icasa, Vila Aurora e Salgueiro) a confrontar a destrambelhada gestão dos nossos clubes.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 2)
Na mosca Gerson.E o pior é que vemos que o ciclo se repete porque taí o papão mandando embora muitos pra depois contratar VÁRIOS.Te contar…Quanto ao Havelange isso é bem claro,Teixeira manda e desmanda e nós paraenses aguentando sem espernear.Como diz o Alonso ,acordem paraenses.Alguem aí se candidata a liderar uma reviravolta?
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gerson, vai de cel. mesmo. – lendo o post,acima,fico a pensar: o fluminense perdeu uma copa do brasil para o paulista. idem o palmeiras para um time do pequeno do nordeste…. -sera que esses grandes times resolveram copiar o planejamento desses times pequenos,por isso hoje ainda são considerados de ponta? -é o que sempre falo: remo e paysandu, o planejamento nao pode e nem deve ser, sequer igual ao desses times citados. pelo amor de deus vamos citar na próxi
http://wap.tim.com.br
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ESPERO QUE A CHAPA FORMADA POR NOVATOS E QUE DEFENDEM ELEIÇÃO DIRETA, GANHE A DISPUTA CONTRA TODA ESSA VELHARIA CHEIA DE PÉSSIMOS ATOS ADMINISTRATIVOS.
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