A volta do Leão Azul santareno

Chegam até aqui na África do Sul notícias sobre o São Francisco, tradicional agremiação santarena. Fico sabendo que, na tarde do último sábado (12), o Leão Azul santareno fez amistoso em Parintins (AM), empatando em 2 a 2 com o Amazonas Futebol Clube. O São Francisco começou o jogo com Baggio (goleiro), Wagner Barata, Manito,  Diego Belterra, Limão, Delson, Buiú, Frizo, Peruca, Neguinho e Rodrigão. Durante o jogo entraram na equipe Bertini, Joci, Ricardo. Os gols santarenos foram marcados por Rodrigão (1º tempo) e Ricardo (2º tempo), que substituiu Neguinho. Para o técnico Osvaldo Monte Alegre, o empate foi um bom resultado diante do Amazonas. “Enfrentamos uma excelente equipe, que historicamente coloca muita dificuldade aos adversários, principalmente jogando em casa”, ressaltou o técnico, que monta a equipe para o seletivo do Campeonato Paraense. O próximo amistoso será neste sábado (19) no bairro da Nova República, em Santarém, contra o time do Cianorte, atual campeão do campeonato de bairros.

Faixa contra Galvão é retirada da arquibancada

Exibida com destaque logo que a bola rolou na estreia brasileira na Copa, contra a Coreia do Norte, em Johannesburgo, uma faixa com a frase “Cala a boca, Galvão!” foi recolhida rapidamente nas arquibancadas do estádio Ellis Park. O adereço estava colocado exatamente no centro do campo, pouco acima das placas de publicidade, e endossava campanha iniciada no Twitter, desde a última sexta. Não se sabe se a faixa foi retirada por funcionários da Globo ou por fiscais da Fifa. Foi só começar o jogo inaugural do Mundial na África do Sul, entre a equipe da casa e o México, que os temas ligados ao torneio já estavam entre os dez mais comentados no microblog. E o assunto que liderava o ranking era justamente “Cala boca Galvão”, referindo-se ao festival de gafes do locutor esportivo.

Conexão África (9)

Sob a marca da eficiência cega

Quando um técnico usa o termo eficiência para definir a meta da Seleção Brasileira numa Copa do Mundo há algo de muito estranho no ar. Saísse da boca do treinador do Paraguai, do Uruguai ou mesmo da Coréia do Norte a frase seria absolutamente normal. Compreensível até, diante das carências de suas equipes. Não é o caso do Brasil, um país que frequenta Copas desde que o torneio foi inventado e tem por hábito se apresentar bem. Não só vencendo, mas jogando bola. Mas esse conflito entre a tradição nacional e as crenças do técnico da Seleção é por demais conhecido. Estamos cientes, há quatro anos, da filosofia do técnico Dunga, um cultor do futebol de resultados. Nesse sentido, a estreia brasileira não poderia ter sido mais coerente
com seu comandante. Futebol taticamente pobre, previsível e sem alternativas para superar um adversário limitado, que se manteve sempre em duas linhas de quatro homens, com o objetivo de dificultar as ações do time favorito e mais qualificado. O problema é que, como ocorre de vez em quando, a equipe inferior aos poucos foi ganhando consistência, à medida que o bicho-papão não conseguia se impor. Eram tantos passes laterais nos primeiros 20 minutos que deu sono. Kaká, Elano e Robinho, os mais acionados, não conseguiam completar uma jogada sequer. No único instante em que levantou a torcida com a possibilidade de uma pedalada, Robinho foi mal auxiliado por Kaká e a bola se perdeu pela linha de fundo.
É bem verdade que Robinho seguiu insistindo. Tentou voltar ao meio-campo quando percebeu que a bola nunca o alcançava lá na frente. Caiu pelos lados, tentando jogar com Maicon, aproveitando o recuo dos marcadores norte-coreanos. E até buscou chutes de média distância diante da impossibilidade de entrar na área. Só não fez o que todo mundo queria ver: a persistência nos dribles como forma de furar o bloqueio adversário. Como quase todos que estão sob as ordens de Dunga, Robinho sabe que não pode ousar muito. Está atento aos ensinamentos do mestre, que enaltece os eficientes, mas não aplaude molecagens (no bom sentido) em campo.
Pela própria formação e histórico profissional, Dunga admira o futebol marcado e repetitivo como um bate-estaca. Tudo que foge ao programado
é imediatamente visto como desorganização. A surpresa, virtude fundamental num esporte tão aberto a variáveis, não é exercitada pelo time brasileiro. Contra times mais modestos, o Brasil se apequena, desaprende tarefas banais, como investir nas tabelinhas rápidas para confundir os defensores. Esquece até do feijão-com-arroz para jogos de forte marcação: buscar esticar o jogo até a linha de fundo para abrir defesas.
Em determinado momento, olhando o jogo lá do alto das tribunas do Ellis Park, o desenho exposto no gramado era curioso e engraçado: oito norte-coreanos em formação quase militar formando uma parede contra oito brasileiros que não conseguiam sair da armadilha. Seleções de nível não se atrapalham com tão pouco. Usam a velocidade e a pressão ofensiva para provocar erros e demolir esquemas fechados. O Brasil de ontem à noite não teve recursos para isso. E talvez a explicação esteja no baixo rendimento de seu meio-campo, onde Kaká é a referência e não se apresentou com o brilho que uma estrela de seu porte deve ter.
Elano, que é apenas eficiente, como defende Dunga, foi quem mais tocou na bola em toda a partida. Acabaria premiado com o segundo gol, depois de um passe precioso de Robinho, que incorporou a persona de meia clássico e encaixou uma bola que nenhum dos armadores em campo conseguiu em toda a partida. Pena que tenha sido uma tentativa solitária. Se repetida, poderia ter permitido mais facilidades à Seleção.
O gol da Coréia do Norte, nos instantes finais, foi justo na medida em que evidenciou a obstinação da equipe, que se tornou mais confiante a partir do pálido primeiro tempo brasileiro. O gol, ao mesmo tempo, permite ver com clareza os pecados do time de Dunga. Se o placar fosse 2 a 0 pareceria um resultado cômodo e tranquilo para um jogo que esteve longe de estar sob total controle. Há muito a fazer para avançar na Copa e os treinos fechados soam como piada diante da ausência de jogadas e do desentrosamento entre os jogadores.

Uma falsa torcida em verde-amarelo

Quem chegou cedo ao Ellis Park, ontem, observou a chegada da torcida brasileira em bom número, mas não em quantidade suficiente para preencher 54 mil assentos de arquibancada. A explicação talvez esteja na saída encontrada pelo comitê organizador da Copa: distribuição de ingressos para escolas e associações sul-africanas, que fazem com que muitas pessoas possam ter acesso aos jogos, sem ter que desembolsar 400 euros por um bilhete. O problema é que, de uniforme verde-amarelo, os “torcedores” locais parecem brasileiros, mas aplaudem qualquer jogada perigosa, contra ou a favor do Brasil. E, obviamente, usam as vuvuzelas a todo instante, o que ensurdece todo mundo no estádio e acaba sendo conveniente para abafar vaias, como a da torcida brazuca de verdade no final do primeiro tempo.

Fica para a próxima Copa

Em entrevista ao repórter Giuseppe Tomaso, da Rádio Clube, na tumultuada passagem pela “zona mista” depois da partida, o atacante Robinho não deixou de registrar seu carinho pelo paraense Paulo Henrique Ganso. Disse que espera estar com o talentoso meia na próxima Copa do Mundo. Desejo que não é só dele, a levar em conta a opinião da maioria dos jornalistas (até estrangeiros) que viram o Brasil estrear e saíram frustrados com a ausência de talento na meia-cancha.

Todos de olho na Fúria

Depois que o Brasil desceu para os vestiários do Ellis Park firmou-se uma convicção entre os jornalistas que cobriram a estreia. A Copa ainda não teve seu grande jogo e não surgiu a seleção francamente favorita ao título. Esperava-se que fosse a brasileira, pelas expectativas que sempre cercam o time canarinho, mas a atuação irregular e pouco convincente baixou o entusiasmo. A partir de agora, as atenções se voltam para a Espanha, cantada em prosa e verso pelos craques que tem. Hoje, a Fúria encara a Suíça, sob os olhares ansiosos de todos que sonham em ver um futebol bem jogado.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 16)

NBA tem decisão empolgante

O Los Angeles Lakers venceu o Boston Celtics na noite desta terça-feira e a final mais empolgante da NBA nos últimos anos será decidida no sétimo e último jogo, quinta, às 22h de Brasília (transmissão da ESPN). Com sobras, o time de Kobe Bryant e Pau Gasol foi para o intervalo com 20 pontos de vantagem, e praticamente só administrou o sexto jogo no segundo tempo até fechar em 89 a 67. A inspirada dupla dos Lakers comandou o placar mais elástico da série decisiva: Kobe foi o cestinha com 26 pontos e mais 11 rebotes, enquanto Gasol foi o melhor reboteiro do jogo, com 13, e colaborou com 17 pontos no jogo. Ron Artest, com 15, foi o terceiro maior pontuador do time. Pelo lado do Boston, que teve a pior atuação ofensiva da série, Ray Aleen anotou 19 pontos, seguido por Paul Pierce, com 13, e Kevin Garnett, com 12. A partida dos Celtics foi tão discreta que os titulares, juntos, pegaram apenas 18 rebotes. A decisão da liga norte-americana de basquetebol chega ao sétimo jogo depois de cinco anos. Em 2005, o San Antonio Spurs venceu o Detroit Pistons por 4 a 3; nas últimas finais, Miami (4 a 2), San Antonio (4 a 0), Boston (4 a 2) e Los Angeles (4 a 1) conquistaram o título em menos partidas. Como já é tradição na NBA, o jogo atraiu uma legião de celebridades, entre os quais os atores Diane Lane (foto ao lado), Jack Nicholson, Jack Brolin, o cineasta Spike Lee e os cantores Snoopy Dog e Puffy Daddy, além da primeira-dama Michelle Obama.

Um olhar estrangeiro sobre o escrete

Por João Paulo Cuenca, do El País 

Los dias que Brasil juega en el Mundial son como un lunes de carnaval en Rio de Janeiro – con el agravante de que este carnaval se lleva a cabo cada cuatro años. Esto no significa que solamente habrá feriado bancario, sino que también todo el comercio y las oficinas de las empresas y del gobierno estarán cerradas durante las tardes de los partidos de la selección brasileña. Las avenidas principales desiertas evocan un escenario post-apocalíptico hasta que al doblar en una esquina encontremos un bar. Que es lo único que se abre durante los partidos. Por lo general se llenan con multitudes hipnotizadas que apuntan sus ojos para los omnipresentes aparatos de televisión. Porque se toma mucho al ver a la selección. Se toma antes, durante y después de los partidos. Como la ciudad se emborracha, se pone eufórica, suceden fiestas y shows programados en todos lados. Y hoy la empezaron con todo, temprano, porque el partido fue a las tres y media de la tarde, hora local.

Es por eso que escribo este texto, que voy a dictar por teléfono a mi traductor, en una libreta, ya sentado en el mostrador de un bar. Volver para mi casa sería como trabajar en día de partido de la selección en el Mundial, que es algo inconcebible para cualquiera de nosotros.

Pero no he visto el partido de Brasil contra Corea del Norte tomando cerveza en un boliche, lo he visto en un cine, en el barrio de Botafogo. En 2002 también vi el primer partido del Mundial en un cine – se trata de una nueva tradición en la ciudad – y tuvimos suerte.

Puedo estar en desacuerdo con Dunga y los jugadores seleccionados, pero no van a ser ellos los que me van a impedir de hinchar por la Selección Brasileña – que es mucho más grande que un técnico y once jugadores. Más grande, yo diría, que un país.

Desafortunadamente el equipo brasileño, con un mediocampo formado por tres volantes y un Kaká visiblemente apático y fuera de estado, no mostró cualquier calidad que justificara la mítica de su camiseta verde y amarilla. El primer tiempo del partido fue tan pero tan aburrido que el cine todo se calló la boca y hasta las vuvuzelas hicieron silencio.

Los destaques del segundo tiempo fueron los dos laterales brasileños, Maicon (autor del primero, y sobrenatural, gol) y Michel Bastos, sin olvidarnos de la rigurosa aplicación táctica de la selección de Corea del Norte que aún metió un gol en este que ha sido el peor debut de Brasil en Copas del Mundo.

En los últimos quinientos años.

Encontro com as feras

No Centro de Imprensa do estádio Ellis Park, antes de a bola rolar para Brasil x Coréia do Norte, Tomaso e eu ao lado de dois craques do jornalismo impresso brasileiro: Renato Maurício Prado, colunista de O Globo e do DIÁRIO, e Fernando Calazans, também de O Globo e da ESPN.

Sem motivos para foguetório

De saída do estádio Ellis Park, tentando resistir bravamente à temperatura de 2 graus, converso com vários colegas e o sentimento expresso é unânime: o Brasil ficou devendo uma estreia mais condizente com sua história de conquistas e tradição de futebol-arte. Penou para garantir o triunfo, com direito a alguns sustos. O gol da modesta equipe norte-coreana nos instantes finais pôs as coisas em perspectiva: a Seleção passou com dificuldades por seu primeiro desafio na Copa. O dado preocupante é que a Coréia do Norte é o mais fraco de todos os 32 times disputantes – pelo menos, segundo o ranking da Fifa.

Há, portanto, um longo caminho a percorrer, que passa principalmente pela recuperação técnica de Kaká, que demonstrou falta de confiança para comandar as ações criativas do time. Robinho precisa de mais liberdade para ousar e talvez aos poucos ganhe o papel de verdadeiro líder em campo, por mérito. Duro é constatar que os reservas imediatos não têm sequer a confiança do treinador. Júlio Batista seria o substituto natural de Kaká, mas Dunga optou por Nilmar. Kleberson entraria no lugar de Elano, mas o treinador decidiu improvisar Daniel Alves.

A explicação de Dunga, na coletiva pós-jogo, para a dificuldade de enfrentar retrancas não merece ser levada a sério, por óbvia e inconsistente. Afinal, ao longo dos anos, sempre foi assim: o Brasil, temido por todos, obriga qualquer equipe a se acautelar. Já é tempo de arranjar meios de saber atacar em situações assim. Ficar tocando bola e esperando o tempo passar não é estratégia; trata-se apenas de falta de ideias.

Mas muitos vão comemorar os três pontos e ninguém pode dizer que estão errados. Claro que há valor na vitória, mesmo magra. Valeu a liderança provisória do grupo. Os mais observadores, porém, certamente ficaram com a pulga atrás da orelha. O velho temor de que o pragmatismo de Dunga pode nos deixar a pé está mais forte do que nunca. A não ser que ocorra um milagre, torcer pelo escrete será um exercício de sofrimento.

A Copa dos empates, por ora

Portugal fica no empate com a Costa do Marfim, num jogo sem grandes emoções. Cristiano Ronaldo duelou, sem sucesso, com a zaga marfinense e Drogba, ainda em recuperação, entrou nos instantes finais. Para o Brasil, um belíssimo resultado porque permite que, em caso de vitória, assuma a liderança isolada do Grupo G. Foi mais um empate nessa Copa de baixíssimo nível técnico e pouquíssimos gols – média de 1,5 por partida.

Expectativa pela estreia brasileira

Vista do Centro de Imprensa do estádio Ellis Park, aqui em Johanesburgo, lotado de jornalistas do mundo inteiro à espera da estreia do Brasil.