Uma grande perda brasileira no Haiti

A paranaense Zilda Arns Neumann, coordenadora internacional da Pastoral da Criança, morreu no terremoto no Haiti, ocorrido nesta terça-feira (12). A informação foi divulgada na manhã desta quarta-feira (13) pelo gabinete do senador Flávio José Arns, sobrinho de Zilda, em Curitiba. Ele irá acompanhar a missão brasileira que seguirá nesta manhã para o Haiti. “Ela faleceu mesmo. Ela estava junto com um tenente e os dois foram atingidos e morreram”, disse Flávio Arns ao G1. Zilda Arns Neumann tinha 73 anos, era médica pediatra e sanitarista, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa. Ela era representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), do Conselho Nacional de Saúde e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Pensata: Belém do Paranatinga

Por Antonio Ponte de Souza

Belém é como todas as metrópoles latinas, uma grande favela com uma cidade no meio. Até aí, Belém não é diferente de São Paulo, Rio Janeiro ou Bogotá. Então é preciso viver nela para saber de suas peculiaridades. Trata-se de uma cidade sem indústrias, e sem uma vocação econômica definida. A elite consumidora é formada por comerciantes e funcionários públicos, exatamente a mesma elite que se formou em fins do século XVIII, revelando um modelo estático de convivência social.
De fato, a condição geopolítica de Belém é a de ser a capital da Colônia. O governo do Pará, historicamente, não passa de uma engrenagem tecnoburocrática que assegura os interesses econômicos do grande capital nacional e multinacional, ao tempo em que assegura sua legitimação política através do clientelismo e do assistencialismo, práticas que remetem ao passado que resiste aos tempos e ignoram as suas consequências.
Belém, assim, comemora em seus 394 anos esse passado apagado pela memória histórica, mas que resiste politicamente indiferente aos seus resultados presentes. Entre esses resultados estão a segunda pior renda percapita metropolitana do país e um dos piores indicadores de qualidade de vida do mundo onde esses índices são calculados. Para os jovens é um terreno hostil, eis que de cada vinte garotos com mais de 17 anos, apenas um vai escapar do mercado informal, e/ou do banditismo. Situação que só encontra similar nas republiquetas do oeste africano ou da América Central.
A cidade carece de recursos urbanos para atender a demanda crescente; é a segunda capital do Brasil (só perde para o Rio de Janeiro) em casos de gravidez prematura. Meia dúzia de boas escolas forma os descendentes da elite enquanto escolas arruinadas distribuem títulos falsos para a grande parcela de demandantes que vai inchar as estatísticas do desemprego.
A não ser para os oportunistas e para os desinformados o futuro parece promissor, mas não é. A não ser pela fé, dogma dos religiosos, não existe nenhuma circunstância racional que alimente um fio de esperança. Não existem soluções racionais e nem recursos materiais. A matriz do sistema é a reprodução da sua índole. E a história mostra que isso só se reverte com a destruição do sistema. E tem mais, destruído o sistema, não há garantias de que o outro seja mais justo, eis que o tempo verbal da história é o futuro do pretérito, ou seja, o condicional.
Mas nesta cidade fantasiada de metrópole com quatro ou cinco livrarias, e dois ou três teatros e universidades de amadores, a ignorância alimenta o sonho. Tem aquele ditado que diz que “o que os olhos não veem o coração não sente”.  Por isso Belém está em festa, orgulhosa de si, eufórica de felicidade. Na Cidade Velha o carnaval já começou…
Está chovendo! Amanhã, quem pode comprar o jornal, um dos dois que circulam na metrópole, vai dizer nas colunas do leitor: “que bom que é o cheiro da chuva”. Indo para o sonho idílico de seu passado mascarado de futuro.

Capa do DIÁRIO, edição de quarta-feira, 13

A piada nossa de cada dia

Do Macaco Simão, que voltou com toda corda:

E aí perguntam pro português se a mulher dele era boa de cama: “Uns dizem que sim, outros dizem que não”…

Escancarou geral, como Gilmar queria

Do Comunique-se

O Ministério do Trabalho já emite registro para jornalistas sem graduação específica na área, mas ainda não há critérios definidos. O que rege a decisão é o acórdão do Supremo Tribunal Federal, que em junho de 2009 derrubou a obrigatoriedade de diploma para o exercício da profissão. O ministério não exige nenhum documento que comprove o trabalho como jornalista em veículo ou empresa de comunicação.

A decisão permite que qualquer cidadão se torne um jornalista. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) critica a falta de critérios. “Os jornalistas diplomados serão identificados como ‘jornalista profissional’, mas o resto do mundo será identificado apenas como ‘jornalista’, sem nenhum critério. Isso quer dizer que analfabetos, menores e até mesmo criminosos poderão ter o registro”, contesta Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Fenaj, que pretende realizar uma audiência com o ministro para discutir o caso.

No entendimento da entidade, os registros para jornalistas sem formação específica ainda não estavam sendo emitidos e que só deveriam ser depois de uma audiência com o ministro Carlos Lupi para debater o assunto. Segundo a Fenaj, o ministro quebrou o compromisso. A assessoria do Ministério do Trabalho nega e diz que o órgão teve que acatar o acórdão do STF, podendo depois ouvir propostas da Fenaj e adotar novos critérios.

De acordo com ministério, os jornalistas não diplomados na área, que conseguiram o Registro Precário Concedido por força de liminar – Ação Civil Pública- 2001.61.00.025946-3, deverão passar a ser identificados como Jornalista/Decisão STF, devendo ser selecionado como documento de capacitação: Decisão STF RE 511.961. Os demais, não diplomados, serão identificados apenas como “jornalista”.

Na Copinha, Leãozinho vai pegar time da Traffic

O sub-18 do Remo encara, nesta quarta-feira, pela Copa São Paulo de Futebol Junior, o Desportivo Brasil, de Porto Feliz, clube de aluguel pertencente à investidora Traffic. O técnico Tindô não contará nesta partida com os titulares Da Silva e Betinho, suspensos. Alguns jogadores já estariam despertando o interesse de empresários e o meia Artur, por exemplo, teria sido sondado pelo São Paulo.

Pequenos questionam repasse do governo

A transmissão dos jogos de Remo e Paissandu, válidos pelo Parazão, pela TV Cultura do Pará, corre perigo. O presidente do Independente-Tucuruí, deputado Delei Santos, encabeça um movimento reivindicando valores de patrocínio mais alto. Até agora, três clubes não aceitaram os valores propostos para cessão do direito de transmissão das partidas: Independente, Cametá e Santa Rosa. As agremiações só aceitam a negociação se receberem R$ 100 mil. Delei Santos deixou claro que, se não houver um reajuste nos valores atuais, não permitirá o televisionamento do Paissandu x Independente, domingo, às 16h, na Curuzu. 

“Não é justo que Remo e Paissandu ganhem mais de R$ 1 milhão pela transmissão de seus jogos, enquanto que as outras equipes ficam com cerca de R$ 60 mil. Não é para ninguém aceitar. Vou para o coquetel de lançamento do campeonato na próxima quarta-feira (13) para conversar diretamente com a governadora Ana Júlia sobre a situação”, explicou o parlamentar e cartola.

Posso estar até enganado, mas essa grita tem pinta de blefe. O deputado-dirigente esperneia para garantir um reajuste para seu clube, o que é legítimo. Não ficaria surpreso se, durante o próprio coquetel de lançamento do torneio, as coisas já estivessem devidamente acertadas.

Julio César é o 3° melhor goleiro do mundo

Da ESPN

O espanhol Iker Casillas, titular do Real Madrid e da seleção de seu país, foi eleito nesta terça-feira pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS, em inglês) como melhor goleiro do mundo em 2009, com o brasileiro Júlio César em terceiro lugar.

O jogador merengue, de 28 anos, defendeu com sucesso durante o ano passado a condição de melhor goleiro do mundo, que ganhou em 2008. Ele teve boa vantagem para Gianluigi Buffon, da Juventus, que ficou com a segunda colocação, 230 a 150.

Os membros do júri, distribuídos entre 84 países de todos os continentes, colocaram também o goleiro brasileiro Julio César, da Inter de Milão, em terceira posição, somando 124 pontos, à frente de Van der Sar, do Manchester United, e Petr Cech, do Chelsea.

Classificação

1. Iker Casillas (ESP/Real Madrid) 230 pontos
2. Gianluigi Buffon (ITA/Juventus) 150
3. Julio César (BRA/Inter de Milão) 124
4. Edwin van der Sar (HOL/Manchester United) 87
5. Petr Cech (RTC/Chelsea) 75
6. Víctor Valdés (ESP/Barcelona) 53
7. José Manuel Reina (ESP/Liverpool) 19
8. Igor Akinfeev (RUS/CSKA Moscou) 17
9. Tim Howard (EUA/Everton) 7
10. René Adler (ALE/Bayer Leverkusen) 6

Acho que Julio César foi muito mais goleiro, em 2009, do que Casillas ou Buffon. Suas atuações, pela Inter e pela Seleção Brasileira, foram impecáveis.

Mangueirosa dança ao som de pagode e mela-cueca

Dudu Nobre (PQP!!), Diogo Nogueira, Fábio Junior (PQP ao cubo!!!)… Vou te contar. Um belemense ausente de sua terra tomaria um susto ao deparar com programação de aniversário tão furreca e alheia às nossas tradições culturais. Sem querer ser chato ou radical, não resisto à pergunta: cadê Nilson Chaves, Pedrinho Cavalero, Marco André, Sebastião Tapajós, Paulo André Barata, Pinduca, Nego Nelson, Maria Lídia, Salomão Habib, Mestres da Guitarrada, Arraiá do Pavulagem, Banda Sayonara, Juliana Sinimbu e (vá lá que seja…) Calypso? Será que esses artistas não têm tanto (ou mais) talento e apelo popular que os ditos cujos lá de cima? (Detalhe: não citei Dona Fafá porque, como se sabe, ela adotou uma persona amazonense que até hoje clama por maiores explicações).

Uma luz em meio às trevas reacionárias

De Paulo Sérgio Pinheiro, relator da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre direitos humanos:

“Não foi o presidente Lula quem inventou isso (Programa Nacional de Direitos Humanos). Essa é a terceira edição do programa. Os dois anteriores, lançados em 1996 e em 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, tinham a mesma abrangência do programa que está sendo debatido agora. E tanto Lula quanto Fernando Henrique acertaram, porque direitos humanos não abarcam apenas direitos civis e políticos, como se imagina. Eles abrangem também questões como a fome, o racismo, gênero, distribuição de renda, salário, acesso à cultura, proteção das crianças contra a violência e muitas outras coisas. Não se fez antes porque a ditadura não aceitava.” (Em entrevista ao Estadão)

Como era de prever, Globo e demais veículos da mídia anti-Lula apressam-se em detonar o plano, manifestando os sentimentos reacionários de sempre e deturpando os reais objetivos da ideia. Insisto: é preciso resistir à intolerância.