Pela Copa Sul-Americana, o Goiás perdeu por 2 a 0 para o Cerro Porteño, em Assunção, na noite desta quinta-feira. Julio dos Santos e Herner marcaram para o time paraguaio, que agora poderá perder até por 1 gol de diferença no jogo de volta, em Goiânia.
Dia: 25 de setembro, 2009
Tribuna do torcedor
Por Cláudio Santos
Presidente e diretor de Futebol são os dois mais importantes cargos num clube de futebol. Num vacilo de um ou de outro, pode fazer com que torcedores sofram as consequências, por exemplo, de um rebaixamento. Para se escolher um presidente, temos que optar por quem entende de Administração, que significa (falando mais precisamente em relação ao futebol), entre outras coisas: elaborar projetos para serem apresentados aos futuros patrocinadores, traçar um planejamento para conduzir o futebol, como: teto máximo a se gastar principalmente com o futebol num determinado ano, incluindo despesas com Comissão Técnica, jogadores e funcionários e projetos para o engrandecimento do clube em todos os sentidos. Um diretor tem que ter conhecimento do mercado do futebol, conhecer jogadores e empresários bem relacionados e, estar atento, principalmente ao mercado de técnicos de futebol. Não saber contratar um técnico, pode colocar por água abaixo, todo um planejamento(é o que aconteceu com o Figueirense), até porque, penso eu, todo planejamento para montagem do time de futebol começa por um bom técnico. Em Remo e Paissandu, mais precisamente, esse diretor é contratado a esmo, sem critério nenhum, às vezes por ser amigo do presidente ou por uma espécie de agrado. Quer ver só?
No Paissandu, o diretor é Antônio Louro, que não contrata jogador, não contrata técnico, não tem conhecimento de mercado, não conhece grandes treinadores, não manda nada. Isso tudo é feito pelo presidente, que também não entende.
No Remo, o diretor é Abelardo Sampaio, que, se Edson Gaucho estiver contratado, não foi ele que contratou. Com o Gaúcho, não vai ser ele que vai contratar jogadores. Foi colocado não por entender de futebol e conhecer o mercado, mas por ter reformado o Baenão e ter conseguido um ônibus para o Remo.
Vejam como estão Remo e Paissandu: os presidentes não entendem de planejamento para o futebol e os diretores, além de não entenderem, não têm voz perante a presidência. Como fazer? Penso que, a quando de uma eleição para presidente, ao invés de se dizer “quem é o vice do fulano”, seria mais importante para nós torcedores que se falasse: “Quem é o diretor de Futebol do fulano?”. Vamos levar esse cargo de diretor de Futebol mais a sério.
Capa do Bola, edição de sexta-feira, 25

Coluna: O medo diante do pênalti
Há uma velha canção de Jorge Benjor que pergunta, à moda da galera: “Cadê o pênalti que roubaram da gente no segundo tempo?”. No fundo, todo torcedor sai de qualquer jogo com a sensação de que, em algum momento, o árbitro surrupiou um pênalti claríssimo prejudicando seu time de coração. De tão comum, a prática se insere no folclore das dores e delícias que o futebol proporciona a todos nós.
Nos últimos anos, porém, a coisa passou a extrapolar perigosamente o terreno da normalidade. De um penal aqui, outro acolá, virou rotina ao fim de cada rodada a queixa generalizada por omissões dos árbitros em relação à infração capital do jogo.
O pior é acompanhar, pela TV, o desfile de opiniões ditas abalizadas, emitidas por ex-apitadores que insistem em assumir o papel de ínclitos depois de carreiras não raro desastrosas nos gramados. A saga tortuosa te, continuidade na nova tarefa: os comentários mais confundem do que explicam as situações, por vezes até brigam com as imagens.
José Roberto Wright é um dos porta-estandartes desse grupo de aloprados, seguido de perto por Oscar Roberto Godói, outro célebre soprador de apito, autor de inúmeras derrapadas no exercício da profissão. A dupla parece confirmar que o critério de escolha dos analistas contempla justamente os piores da espécie.
Arnaldo Cezar Coelho e Renato Marsiglia complementam a trupe, com postura mais contida e análises menos atabalhoadas, mas, ainda assim, marcadas por incoerências e contradições. Quase sempre saem em defesa de árbitros de baixíssimo nível técnico, compactuando com erros grosseiros.
Concordo que o incremento da tecnologia nas transmissões de TV amplifica erros que, antigamente, eram facilmente perdoados – ou passavam despercebidos. Não deixa de ser injusto (para o árbitro) o repetir frenético de lances rápidos, de difícil interpretação mesmo com imagens de diferentes ângulos.
Cabe observar, porém, que os campeonatos europeus, com partidas disputadas em ritmo mais veloz e intenso, exibem um nível aceitável de erros e acertos dos árbitros. Percebe-se que existem critérios bem definidos (e respeitados) pelos juízes. A marcação de faltas segue um padrão de comportamento, baseado principalmente na fluência do jogo.
E, acima de tudo, não se vê medo ou hesitação na hora de marcar pênaltis. Falta dentro da área é punida de imediato. Na dúvida, como prega a Fifa, o mediador aponta a marca da cal. No Brasil, pênalti virou algo quase proibido. Árbitros preferem se omitir a assinalar o lance fatídico. É uma covardia de duplo efeito: pune o espetáculo e maltrata o torcedor.
Nova lista de convocados de Dunga pontifica pelo mais do mesmo, até nas chamadas experiências. Alex (ex-Inter), Diego Souza, Naldo e Diego Tardelli não acrescentam nada à Seleção. Por que não dar uma chance a Grafite? Ou a Iarley, que vem arrebentando no Brasileiro e já arrebenta há muito mais tempo, sem jamais ter sido convocado?
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 25)