Coluna: O medo diante do pênalti

Há uma velha canção de Jorge Benjor que pergunta, à moda da galera: “Cadê o pênalti que roubaram da gente no segundo tempo?”. No fundo, todo torcedor sai de qualquer jogo com a sensação de que, em algum momento, o árbitro surrupiou um pênalti claríssimo prejudicando seu time de coração. De tão comum, a prática se insere no folclore das dores e delícias que o futebol proporciona a todos nós.
Nos últimos anos, porém, a coisa passou a extrapolar perigosamente o terreno da normalidade. De um penal aqui, outro acolá, virou rotina ao fim de cada rodada a queixa generalizada por omissões dos árbitros em relação à infração capital do jogo.
O pior é acompanhar, pela TV, o desfile de opiniões ditas abalizadas, emitidas por ex-apitadores que insistem em assumir o papel de ínclitos depois de carreiras não raro desastrosas nos gramados. A saga tortuosa te, continuidade na nova tarefa: os comentários mais confundem do que explicam as situações, por vezes até brigam com as imagens.
José Roberto Wright é um dos porta-estandartes desse grupo de aloprados, seguido de perto por Oscar Roberto Godói, outro célebre soprador de apito, autor de inúmeras derrapadas no exercício da profissão. A dupla parece confirmar que o critério de escolha dos analistas contempla justamente os piores da espécie.
Arnaldo Cezar Coelho e Renato Marsiglia complementam a trupe, com postura mais contida e análises menos atabalhoadas, mas, ainda assim, marcadas por incoerências e contradições. Quase sempre saem em defesa de árbitros de baixíssimo nível técnico, compactuando com erros grosseiros.
Concordo que o incremento da tecnologia nas transmissões de TV amplifica erros que, antigamente, eram facilmente perdoados – ou passavam despercebidos. Não deixa de ser injusto (para o árbitro) o repetir frenético de lances rápidos, de difícil interpretação mesmo com imagens de diferentes ângulos.
Cabe observar, porém, que os campeonatos europeus, com partidas disputadas em ritmo mais veloz e intenso, exibem um nível aceitável de erros e acertos dos árbitros. Percebe-se que existem critérios bem definidos (e respeitados) pelos juízes. A marcação de faltas segue um padrão de comportamento, baseado principalmente na fluência do jogo.  
E, acima de tudo, não se vê medo ou hesitação na hora de marcar pênaltis. Falta dentro da área é punida de imediato. Na dúvida, como prega a Fifa, o mediador aponta a marca da cal. No Brasil, pênalti virou algo quase proibido. Árbitros preferem se omitir a assinalar o lance fatídico. É uma covardia de duplo efeito: pune o espetáculo e maltrata o torcedor.
 
 
Nova lista de convocados de Dunga pontifica pelo mais do mesmo, até nas chamadas experiências. Alex (ex-Inter), Diego Souza, Naldo e Diego Tardelli não acrescentam nada à Seleção. Por que não dar uma chance a Grafite? Ou a Iarley, que vem arrebentando no Brasileiro e já arrebenta há muito mais tempo, sem jamais ter sido convocado?

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 25)

4 comentários em “Coluna: O medo diante do pênalti

  1. Gerson, o Iarley é feio, baixinho, nordestino e velho. Além disso, não faz marketing pessoal. Não anda de carrão e nem atolado de ouro. Não usa os óculos do Robinho. Os chapéus “transados” de Luís Fabiano. Não fala em 3 telefones celulares ao mesmo tempo. Enfim, é um cara comum, como eu e você. Só não é tão comum por jogar (muita) bola.

  2. A despeito de considerar o miolo de zaga brasileiro muito bom, considero uma grande injustiça a não convocação do cracaço Thiago Silva. Praticamente sozinho naquela zaga horrorosa do Flu, o “monstro”, como é conhecido, fez o time chegar a uma final de libertadores. Tanto é verdade, que após a sua saída para o Milan o meu tricolor se tornou uma piada de péssimo gosto.

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