Agruras de um campeão de remo

Do blog de José Cruz

O principal nome da nova geração do remo brasileiro, Ailson Eráclito, despontou em meio a uma realidade social extremamente pobre. Além de exibir a fragilidade da estrutura do nosso esporte, sua  carreira – “de fome, desmaios e miséria” – é um contraste espetacular com o bilionário sonho do país candidato olímpico. Aos 20 anos, o amazonense Ailson entrou para a história do remo ao se sagrar vice-campeão mundial, na República Tcheca, em agosto. Ele desceu a raia com um single skiff, peso leve. A medalha de prata que trouxe é inédita para o nosso esporte.

Formado pela insistência do técnico Manasseh Barbosa, Ailson não tem, nem sequer, a bolsa atleta. Ganhou uma do Ministério do Esporte, em 2007, mas o dinheiro nunca chegou à sua conta. No ano passado, foi a vez do Governo do Pará oferecer bolsa ao remador. Aguarda o dinheiro até hoje. Já as promessas do ministro, Orlando Silva, de construir uma garagem de barcos às margens do Rio Negro, em Manaus, nunca se concretizaram.

Resultados

Há 30 dias, Ailson voltou a ter resultado internacional. Ele foi o único remador sub-23 a disputar a etapa do Mundial da Polônia, para adultos. Terminou em sexto lugar, à frente, de alguns favoritos, numa prova em que a média de idade era 36 anos. No domingo, Ailson venceu a Regata da Marinha, na Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro, contra tradicionais guarnições cariocas. O próximo compromisso do jovem talento será de quinta-feira a domingo, na Copa Pinheiros, evento internacional na raia da USP, em São Paulo.

Realidade

O projeto que Manesseh desenvolve em Manaus – Remo Social – é resultado de um intercâmbio entre o clube Tuna Luso, de Belém, e a Liga Náutica Estadual do Amazonas. Sua entrevista é dura, mas, além de real, é uma aula de experiência no esporte. “Poderíamos ter conseguido tocar melhor o projeto se o Criança Esperança tivesse continuado conosco, quando nos atendeu em 2007, e nos deu um grande impulso. Se o Banco da Amazônia também tivesse continuado nos ajudando no transporte de nossos atletas, com fez por dois anos, 2005/2007. Enfim política descontinuada não deixa que uma estrutura cresça e se fixe em definitivo”, explica Manesseh.

O blog noticiou, em primeira mão, as conquistas de Aílson com a camiseta da Águia do Souza e defendendo o remo brasileiro em águas internacionais.

4 comentários em “Agruras de um campeão de remo

  1. É essa falta de compromisso da iniciativa privada e o pouco caso dos governantes desse país ( tão cheios de talentos ) que fazem com nossos atletas padeçam a olhos vistos. Nem resultados como esses do Aílson são capazes de sensibilizá-los. Uma pena.

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    1. Sabia, amigo Ed. E o Cosme, em minha modesta opinião, é um dos tais blogueiros obrigatórios na seara esportiva. É sério e conseguiu criar um estilo muito pessoal de noticiar e comentar. Excelente.

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