Fogão transforma listras da camisa em gráficos da desigualdade gerada pelo racismo

 — Foto: Vitor Silva/Botafogo
 — Foto: Vitor Silva/Botafogo

O Botafogo transformou as listras do uniforme em gráficos que apontam as mazelas causadas pelo racismo. O clube entrará com a camisa especial no fim de semana que marca o Dia da Consciência Negra em 2021, em ação em parceria com uma das patrocinadoras, a Centrum.

O time entrará em campo com a peça no domingo, às 16h (de Brasília), no jogo contra o Brasil-RS pela 37ª rodada da Série B. A camisa foi batizada de “Manto da Desigualdade”. No sábado, 20 de novembro, é respeitado o feriado em memória da morte de Zumbi, líder do Quilombo de Palmares.

– A iniciativa volta a explorar o amplo potencial do futebol como ferramenta de conscientização coletiva, desta vez com foco na inclusão social e na luta contra a violência e a discriminação racial. O objetivo é debater, alertar e educar torcedores, amantes do futebol, profissionais dos clubes, jornalistas e toda a população brasileira sobre a discriminação racial dentro e fora de campo – explica o clube em nota oficial.

  • Listra 1: branca: Apenas 27% entre os mais ricos são negros
  • Listra 2: preta: 61% das vítimas de feminicídio são mulheres negras
  • Listra 3: branca: Negros são apenas 10% dos estudantes das 20 melhores escolas do Brasil
  • Listra 4: preta (central): 56,2% da população do brasil é negra
  • Listra 5: branca: Apenas 18% dos médicos são negros
  • Listra 6: preta: 75% das vítimas de homicídio são negras
  • Listra 7: branca: Somente 27% dos alunos de medicina são negros
 — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Esses uniformes usados pelos jogadores serão autografados pelos atletas e leiloados. O clube promete transferir a arrecadação para o Observatório de Discriminação Racial no Futebol. 1 mil peças serão vendidas nas loja virtual do Botafogo, com preços de R$ 249,90 e R$ 259,90 e descontos para sócios.

– Essa ação é de grande relevância para a sociedade e entendendo isso, tivemos total apoio da Estrelabet, que cedeu a posição de master para a Centrum e ainda contribuirá também com o debate sobre o tema de racismo no futebol. O clube fica muito feliz em poder colaborar de alguma forma com as discussões sobre o tema e ainda contar com o apoio irrestrito dos seus parceiros – resumiu o diretor de negócios Lênin Franco.

 — Foto: Vitor Silva/Botafogo

A ação ganha ainda mais visibilidade porque a partida do próximo domingo pode dar o título da Série B ao Botafogo com uma rodada de antecedência. Se os alvinegros vencerem em Pelotas e o Coritiba tropeçar diante do CSA, a taça vai para o Rio de Janeiro. (Do GE)

‘Marighella’ é o filme brasileiro mais visto desde o início da pandemia

A estreia de Wagner Moura, 45 anos, como diretor de um longa-metragem em “Marighella” alcançou 100 mil espectadores em 300 salas, incluindo as sessões de pré-estreias, em cinco dias de exibição. O filme chegou aos cinemas brasileiros na quinta-feira (4), há exatos 52 anos do assassinato de Carlos Marighella pela Ditadura Militar Brasileira.

Com isso, “Marighella” já é o filme brasileiro mais visto desde o início da pandemia, em março de 2020. O longa chegou ao Brasil depois de passar por festivais internacionais, e por cerca de 30 exibições em países dos cinco continentes. Entre as cidades, estão Berlim, Sydney, Santiago, Atenas e Estocolmo. (Da Folha de S. Paulo)

Leão sai na frente, mas acaba cedendo empate em São Januário

remo, são januário, vasco

O jogo teve momentos eletrizantes. O empate em 2 a 2 mostrou a intensidade na atuação das duas equipes. O Remo saiu na frente, com gols de Neto Pessoa e Lucas Siqueira, mas o Vasco descontou ainda no primeiro tempo e empatou já nos minutos finais, quando o Leão já estava com 10 jogadores – Victor Andrade foi expulso após entrada dura, que lhe valeu o segundo cartão amarelo.

Mesmo entrando apenas para cumprir tabela, o Vasco tentava encerrar sua participação jogando no Rio com um resultado positivo. O Remo, que luta contra o rebaixamento, tentou de todas as formas conquistar a vitória. Atuou bem no primeiro tempo, mas recuou em excesso na etapa final e acabou prejudicado com a expulsão de Andrade – a terceira dele no campeonato.

O resultado não foi o esperado pelos remistas, que chegaram aos 42 pontos. É o primeiro clube fora do Z-4, mas pode ser superado por Londrina (41) e Vitória (42) ainda nesta rodada e entrar na zona de rebaixamento. O time paraense decidirá a permanência na Série B na última rodada, contra o Confiança, em casa.

Para o Vasco, que não briga por mais nada na Série B, o empate pouco impacta na tabela. Com 49 pontos, o clube segue em 9º lugar. A equipe carioca se despede dessa edição da Série B contra o Londrina, na última rodada, fora de casa.

Telas & pincéis

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“Há um oceano de silêncio entre nós … e estou me afogando nele.” (Ranata Suzuki)

Quadro de Nicolas Odinet, 1953.

Para quebrar o jejum

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 0×1 Goiás-GO (Ronald)

O Remo enfrenta o Vasco, hoje, às 19h, em São Januário (Rio de Janeiro), com a responsabilidade de pontuar. O objetivo maior é, obviamente, vencer. Nas circunstâncias, porém, o empate não é tão ruim assim, desde que Vitória e Londrina não vençam na rodada. Neste momento, mesmo dependendo ainda do próprio esforço, o Leão não pode perder de vista seus concorrentes diretos na luta pela permanência.

Eduardo Baptista já definiu o time que vai começar a partida. A novidade é a entrada de Erick Flores no meio-campo. Sem Felipe Gedoz, principal articulador ofensivo, o time vai precisar de mobilidade na meia-cancha. Flores é um especialista na função. Ainda não está 100% fisicamente – ficou parado por dois meses –, mas a situação exige sua presença.

A linha defensiva, que vacilou muito nas últimas cinco rodadas, com responsabilidade direta pelas derrotas contra Londrina, CSA, Operário e Goiás, está mantida com Kevem e Romércio no centro e Tiago Ennes e Igor pelos lados. Não é a formação ideal, mas Baptista segue as dicas do auxiliar João Neto e avaliações dos poucos treinos realizados.

Marlon, que atuou em vários jogos, não foi mais utilizado ali no meio. Passa mais firmeza e seriedade. Sempre focado, não é de brincar em serviço, nem de adocicar jogadas. Em plena reta decisiva, jogadores desse perfil são fundamentais.

Romércio e Kevem, bons zagueiros, muitas vezes se excedem na preocupação em jogar bonito, matar a bola com categoria e sair jogando. Nem sempre é a melhor receita. Na maioria das vezes, despachar a bola para frente é a solução mais indicada, evitando o risco de um domínio errado ou uma furada, como no jogo com o Goiás.  

Um ponto a ser observado é que, com a chegada de Baptista, o time passou a funcionar de forma mais solidária, com marcação até no campo adversário. Foi o que se viu no primeiro tempo contra o Goiás. Isso permitiu que o Remo tivesse a bola por mais tempo sob seu controle.

Contra um Vasco sem maiores ambições, mas com a vantagem do descompromisso, a preocupação maior deve ser com a compactação e a vigilância. No 4-4-2 clássico, o Remo terá Mateus Oliveira como organizador, revezando-se com Erick Flores na transição ofensiva.

Mateus, como Gedoz, tem bons recursos técnicos, mas peca pelo desligamento excessivo em alguns momentos do jogo. Habilidoso com a bola nos pés, parece pouco efetivo quando precisa auxiliar na marcação. Dependerá dele o funcionamento do ataque: Victor Andrade tem iniciativa, mas Neto Pessoa não entra em ação se a bola não chegar.

Nau vascaína só quer um final de campanha digno

Para encarar o Remo, o Vasco tem a volta do artilheiro German Cano, que cumpriu suspensão automática contra o Vila Nova. Sob a direção do técnico do time sub-20, os planos se limitam a mostrar dignidade na reta final da Série B. A frustração ainda é grande com a perda do acesso, mas os jogadores tentam mostrar serviço de olho na próxima temporada.

Daniel Amorim, que marcou um golaço em Goiânia, é um dos mais entusiasmados com a chance no time titular. Deve ser companheiro de Cano no ataque. Léo Jabá, Zeca, Walber e Andrey já estão afastados, após receber férias antecipadas.

Outros jogadores já discutem saída ou renovação de contratação. Sem aspiração a nada e certamente com pouca torcida, o Vasco mergulhou no clima de fim de festa, o que pode beneficiar o Leão.

STJD “amarela” e passa pano para cartola racista

Depois do constrangedor julgamento no STJD, ontem, o meia Celsinho não escondeu seu desapontamento. Vítima de xingamentos racistas dirigidos a ele por um dirigente do Brusque, ele disse ao blog da jornalista Gabriela Moreira que lamentava o desfecho da sessão do Pleno do tribunal.

“O STJD tinha uma grande oportunidade de mudar tudo. De fazer algo bem positivo. Ficar bem visto por todos e acabou dando um tiro no próprio pé. Ao invés de evoluir, eles retrocederam. Muito vergonhoso. Que grande decepção”, disse Celsinho, que vestia a camisa do Observatório Racial do Futebol (organização que monitora casos de discriminação no futebol).

Importante: Celsinho e seu advogado, Eduardo Vargas, eram os únicos negros na sessão do STJD, cujos auditores variaram entre a omissão e a compreensão excessiva em relação ao racista de Santa Catarina.

No meio do julgamento, o auditor Sergio Martinez teve a pachorra de dizer que não é racista, que não tinha nada contra negros, era amigo de alguns etc. Na hora de votar, 4 a 1 pelo amolecimento da pena. Disse, ainda, que não entendia como racismo os insultos do dirigente catarinense.

Com a recuperação dos três pontos, o Brusque alcançou o 14º lugar na classificação, com 44 pontos, já quase livre do descenso. Deixou a briga para Ponte (43), Remo e Londrina (41) e Vitória (40).

Direto do blog campeão

“Assisti o julgamento pelo site do STJD. Inicialmente, como torcedor, querendo a reversão da pena do Brusque, por algo mais ameno (multa e mando de jogo). Durante o julgamento, ouvindo os argumentos, principalmente da defesa do Brusque, mudei de opinião. Argumentos que naturalizaram o racismo, chegando ao cúmulo de acusar o Celsinho, atleta que sofreu o racismo, se der uma pessoa que estava se repetindo como ‘vítima’, como se isso fosse forma do atleta obter vantagens. Um tribunal de brancos preconceituosos. Às vésperas do Dia da Consciência Negra”. José Marcos Araújo

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 19)

Governo Bolsonaro escondeu na COP26 índice recorde de desmatamento na Amazônia

Imagem do evento

O relatório anual do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) apontou que a estimativa da taxa de desmatamento na Amazônia Legal Brasileira foi de 13.235 km², no período de  1 de agosto a 31 de 2021, a mais alta taxa desde 2006.  Esse valor representa um aumento de 21,97% em relação a taxa de desmatamento apurada pelo Prodes 2020 que foi de 10.851 km2. Em sua participação na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, na Escócia, tanto o ministro do Meio Ambiente, como o presidente Jair Bolsonaro em video, omitiram os dados sobre o desmatamento na Amazônia ao divulgarem meta de redução de emissão de carbono durante a abertura da participação brasileira no evento.

O Prodes é um projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI),  que monitora o desmatamento por corte raso na Amazônia Legal e produz desde 1988 as taxas anuais de deflorestamento na região

O relatório considera como desmatamento a remoção completa da cobertura florestal primária por corte raso, independentemente da futura utilização destas áreas. A estimativa da taxa 2021 foi calculada a partir da análise de 106 cenas prioritárias de todos os estados da ALB.  O mapeamento  é feito com base em imagens do satélite Landsat ou similares, para registrar e quantificar as áreas desmatadas maiores que 6,25 hectares.

O aumento do desmatamento da Amazônia, recorde em 15 anos, ocorreu após o governo Bolsonaro gastar R$ 550 milhões com intervenções militares na região, por meio de 3 GLOs. As Forças Armadas suprimiram o papel dos órgãos ambientais, e o gasto foi em vão.

POLÍTICA ANTIAMBIENTAL

Em descompasso com a realidade do desmatamento apontado pelo Inpe, o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer no vídeo apresentado na COP26 que “no combate à mudança do clima, sempre fomos parte da solução, não do problema”

De acordo com Cristiane Mazzetti, porta-voz da campanha da Amazônia do Greenpeace, na média, houve um aumento de 52,9% na área desmatada nos três anos de governo Bolsonaro (média de 11.405 km² entre 2019 e 2021) em relação à média dos três anos anteriores (média de 7.458 km² entre 2016 e 2018). “O governo atual, com sua política antiambiental, elevou drasticamente o patamar de desmatamento na maior floresta tropical do planeta. Estes são níveis inaceitáveis perante à emergência climática que vivemos no Brasil e no mundo, com extremos climáticos e seus impactos cada vez mais devastadores e frequentes”, comenta Cristiane. “E essa situação só vai piorar, se o Senado aprovar o PL da Grilagem, que beneficia invasores de terras públicas e incentiva ainda mais desmatamento”, completa.

No período em que a taxa foi medida, 32% dos alertas de desmatamento se concentraram nas Florestas Públicas Não Destinadas, alvo frequente de grilagem de terras. A última audiência pública do Senado para discutir o PL 2633/2020, já aprovado na Câmara dos Deputados deve acontecer na próxima semana, com isso a matéria pode ser votada em Plenário logo na sequência. (Com informações do Congresso em Foco)

A frase do dia

“Assisti o julgamento pelo site do STJD. Inicialmente, como torcedor, querendo a reversão da pena do Brusque, por algo mais ameno (multa e mando de jogo). Durante o julgamento, ouvindo os argumentos, principalmente da defesa do Brusque, mudei de opinião. Argumentos que naturalizaram o racismo, chegando ao cúmulo de acusar o Celsinho, atleta que sofreu o racismo, se der uma pessoa que estava se repetindo como ‘vítima’, como se isso fosse forma do atleta obter vantagens. Um tribunal de brancos preconceituosos. Às vésperas do Dia da Consciência Negra”.

José Marcos Araújo

Tribunal alivia pena do Brusque por injúria racial contra Celsinho

Às vésperas do Dia da Consciência Negra – comemorado no sábado, 20 de novembro -, o Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) devolveu, nesta quinta-feira, os três pontos ao Brusque, que haviam sido tirados por conta dos xingamentos do presidente do Conselho Deliberativo do Brusque, Júlio Antônio Petermann, ao meia Celsinho, do Londrina. O jogador acompanhou todo o julgamento virtual.

O Brusque foi punido com multa de R$ 30 mil e a perda de um mando de campo, que será cumprido apenas em 2022, pois seu último jogo como mandante será nesta sexta-feira, contra o Operário, pela 37ª rodada da Série B do Brasileiro. “Celsinho não vai cortar o cabelo, mas nós do Tribunal vamos cortar seu preconceito”, disse o auditor Mauro Marcelo. Petermann disse, na oportunidade, “vai cortar o cabelo seu cachopa de abelha”.

Com a recuperação dos pontos, o Brusque subiu para o 14º lugar com 44 pontos, ficando à frente de Ponte Preta (43), Remo (41), Londrina (41) – que abre a degola -, Vitória (40) e Confiança (36), todos na luta contra o rebaixamento.

Biólogo do Museu Goeldi ganha prêmio internacional

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Por Uriel Pinho e Samara Barra

O biólogo Pedro Peloso, bolsista do Programa de Capacitação Institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi (PCI/MPEG/MCTI), foi um dos cinco agraciados pelo prêmio “Individual Award in Field Biology”, concedido pela Maxwell/Hanrahan Foundation, dos Estados Unidos. Pedro é o primeiro brasileiro a receber o prêmio, concedido todo ano a cinco cientistas que realizam pesquisas na área da biologia e que desenvolvam boa parte do trabalho em campo.

Cada um dos cinco cientistas reconhecidos recebe um prêmio no valor de U$ 100.000 (cem mil dólares) para que possam dar continuidade ao seu trabalho, aprofundar suas pesquisas e aumentar o potencial de impacto de suas descobertas.

Os escolhidos são indicados e selecionados por comitês convidados pela Fundação Maxwell/Hanrahan, com base em critérios como o potencial de seu trabalho para contribuir com os estudos em biologia de campo, excelente histórico de pesquisas com resultados de alto nível, além de originalidade e demonstração de competência para realizar mais trabalhos inovadores na área.

Ganhador – Pedro Peloso é um grande conhecedor da diversidade biológica amazônica. Doutor em Biologia Comparada pelo Museu Americano de História Natural (EUA) e mestre em Zoologia pelo Museu Paraense Emílio Goeldi/Universidade Federal do Pará (UFPA), ele já descreveu mais de 30 espécies de anfíbios e lagartos, a grande maioria delas da Amazônia. 

Suas pesquisas já resultaram na publicação de mais de 40 artigos científicos em revistas internacionais, abordando temas que vão desde detalhadas descrições anatômicas até estudos evolutivos utilizando dados genômicos. Suas pesquisas levaram o jovem cientista a participar de expedições de campo em áreas que incluem os Andes Peruanos, a Pan Amazônia e quase todos os estados do Brasil.

Entre 2018 e 2020, foi professor visitante do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA e desde 2015 é professor do Programa de Pós-Graduação em Zoologia, mantido conjuntamente pela UFPA e o MPEG. Atualmente, Pedro é bolsista do Programa de Capacitação Institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi, com pesquisas sobre a diversidade genética e evolução de um grupo de anfíbios Neotropicais.  

Pesquisa e Comunicação – Junto a sua atuação no estudo da diversidade, evolução e conservação de anfíbios, principalmente na Amazônia, Pedro também atua como fotógrafo de natureza e vida selvagem, desenvolvendo projetos e contando histórias que despertem o interesse para questões socioambientais. É um ativo colaborador da National Geographic. Um dos projetos que reúne a capacidade de pesquisa, a habilidade em comunicar e o interesse na conservação da natureza é o DoTS (Documenting Threatened species) que documenta e divulga espécies ameaçadas de extinção no Brasil.

Todo esse trabalho com a biologia e conservação dos anfíbios já é reconhecido mundialmente e lhe rendeu outros prêmios, como o “Future Leader in Amphibian Conservation” (Futuro Líder na Conservação de Anfíbios). O reconhecimento veio em 2019, outorgado pela Amphibian Survival Alliance, uma das maiores organizações globais voltadas à conservação de anfíbios.

“Esses prêmios são um importante reconhecimento do meu esforço e trabalho como biólogo. É uma recompensa por todo o trabalho duro que venho desenvolvendo para estudar a biodiversidade das florestas tropicais, especialmente com anfíbios na Amazônia. É também um estímulo, para que eu continue investindo meu tempo na pesquisa e na conservação”, relata Peloso, que se mostra animado com novos projetos.

Biologia de campo – Descobertas científicas demandam muito tempo e dedicação, e na linha de frente das descobertas sobre a diversidade de vida no planeta, estão os biólogos de campo. Esses profissionais, que muitas vezes se deslocam a lugares de difícil acesso e enfrentam condições de trabalho bastante adversas, são fundamentais para a descoberta de novas espécies e realização de experimentos ecológicos que ajudam a entender a vida na Terra.

A premiação da Maxwell/Hanrahan Foundation para projetos na área de biologia de campo vem da compreensão das dificuldades associadas ao trabalho nessa área e da paixão de seus fundadores por ambientes naturais.

“A pesquisa de campo é fundamental para diversas áreas da biologia. É no campo que são feitas as descobertas mais básicas relacionadas à biodiversidade. Só através do trabalho no campo é possível saber como as espécies se comportam em seu habitat natural ou como reagem a alterações no ambiente. Além disso, diversas espécies novas são descobertas todos os anos através do trabalho de campo de biólogos e ecólogos”, explica Peloso.

Em relação aos desafios de fazer pesquisa no atual cenário brasileiro, considerando a escassez de recursos para a área da ciência, o pesquisador comenta: “É muito difícil fazer qualquer tipo de pesquisa sem investimento, especialmente na formação e fixação de mão de obra especializada. Fazer pesquisa de ponta necessita de pessoas qualificadas, mas nosso país contrata cada vez menos pesquisadores (seja como efetivos ou bolsistas) e também investe cada vez menos em projetos. No Brasil, adiciona-se ainda a dificuldade para a contratação de pesquisadores pelos institutos e os obstáculos na compra de material para a pesquisa. A escassez e burocracia podem, às vezes, fazer com que o pouco recurso existente ainda seja gasto de maneira equivocada. Esses são também alguns dos motivos pelos quais muitos pesquisadores brasileiros resolvem trabalhar no exterior, ou até mesmo desistir completamente da carreira na ciência”, analisa um dos vencedores do prêmio “Individual Award in Field Biology”, da Maxwell/Hanrahan Foundation.