Um clássico meio estranho

POR GERSON NOGUEIRA

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Papão e Leão fazem um clássico diferente, hoje à noite, pela Copa Verde. A diferença tem mais a ver com estranheza. A situação de ambos é desconfortável perante suas imensas torcidas. Frustraram expectativas ao longo da temporada e o confronto agora tem um contorno melancólico. É claro que, por mais recente, a decepção azulina é muito maior. Além do que, o rebaixamento é como um atestado de incompetência.

Soa mais grave, e é, do que a permanência do PSC na Série C. As circunstâncias também são mais sérias. Os bicolores tinham as esperanças que todo torcedor tem, mas lá no fundo sabiam das imensas dificuldades de subir com um time tecnicamente modesto. O Remo, ao contrário, ensaiou uma campanha tranquila na Série B. Chegou a ocupar o 8º lugar, fazendo crer que a permanência era líquida e certa.

O peso do desapontamento costuma ser amargo. Os azulinos sentem isso na pele, desde a tarde de domingo, quando o time caiu diante do Confiança, no Baenão. Foi necessário juntar os cacos para enfrentar o maior rival três dias depois. Emocionalmente, ninguém sabe e nem pode prever como a equipe reagirá no clássico de hoje.

Por seu turno, o PSC ganhou um trunfo significativo para as semifinais. Time por time, talvez continue abaixo do Remo, mas no aspecto anímico está certamente bem melhor. Depois de curar as mágoas pela eliminação na Série C, o Papão passou pelo Castanhal e chegou às semifinais de uma Copa Verde que nunca foi o objetivo maior do clube.

Ocorre que a queda do rival adiciona incentivo extra. A torcida está confiante. É natural que, pela tradição do confronto, um busque se aproveitar das condições psicológicas do outro. E não há dúvida: o momento é favorável aos bicolores. Caso explore bem o abatimento do oponente, o Papão passa a ter chances que até domingo pareciam remotas.

Wilton Bezerra dispõe de um grupo limitado (apenas 19 jogadores) após o desmanche ocorrido nas últimas semanas. Depois que a zaga ficou sem Perema, o destaque atrás é o goleiro Victor Souza, mas o ataque ainda é o setor mais confiável, com o trio Marlon-Danrlei-Laércio.

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Os azulinos têm um time mais arrumado e encorpado, apesar das últimas baixas (Romércio, Jansen, Mateus Oliveira). Bem ou mal, disputava a Série B, um campeonato difícil e seletivo. A questão é saber até que ponto a tragédia de fato abalou o elenco.

O técnico Eduardo Baptista, contratado para os últimos jogos do Brasileiro e reta final da Copa Verde, tem a missão de consertar os rombos e escalar um time competitivo para o clássico. A principal motivação agora é salvar o ano. Para isso, precisará chegar à final da CV e levantar a taça.

Tem como principais peças à disposição Vinícius, Felipe Gedoz, Erick Flores e Tocantins. Tem, ainda, a chance de corrigir as lambanças no meio-campo mantendo Uchoa e (será?) abrindo espaço para Paulinho Curuá.

Presidente pede desculpas e aponta saídas

No tom certo e no momento oportuno, o presidente Fábio Bentes publicou ontem uma carta dirigida aos torcedores do Remo. Pede desculpas pelos desacertos que levaram à queda para a Série C. Relata o sofrimento que está vivendo, como qualquer outro torcedor.

Aproveita também para destacar o que fez em três anos de gestão. Depois de assumir o clube à beira da falência, Fábio reergueu o Remo. Modernizou o Baenão, comprou o CT e saneou as contas. É muita coisa para tão curto espaço de tempo.

O problema é que o futebol, carro-chefe, não decolou. A temporada foi cruel para o Leão. Começou perdendo a Copa Verde em janeiro, depois deixou escapar um Parazão que era tido como certo e agora fracassa na Série B. Não é simples explicar tantos insucessos.

Fábio, porém, tem crédito. Sua carta transmite verdade. Os desafios são imensos a partir de agora, mas nem se comparam com o que o Remo viveu até 2018. Trabalhar é a única saída e o presidente sinaliza nessa direção.

Uma homenagem especial ao grande Edyr Góes

O basquetebol paraense será homenageado esta noite. O governador Helder Barbalho inaugura, às 19h, no ginásio Mangueirinho, um busto de Edyr Góes, considerado o melhor jogador de basquete do Pará em todos os tempos. A cerimônia vai acontecer durante a programação de abertura da Feira do Livro.

O idealizador do tributo é Nelson Maués, outro craque do nosso basquete nos anos 60, que brilhou com as camisas de PSC e Remo. Com o apoio de diversos outros atletas do passado e do presente, ele tomou a iniciativa de solicitar ao governador a justa distinção a Edyr Góes.

A doce vingança do rejeitado Ventura

O Sport escapou da queda com Jair Ventura em fevereiro de 2021. Agora, em novembro do mesmo ano, é rebaixado ao perder para o Juventude do próprio Jair Ventura. Sim, o simplório Juventude de Bóia, Ricardo Bueno, Sorriso e Foster. O Alviverde da Serra Gaúcha venceu o RB Bragantino por 1 a 0, chegou a 43 pontos e ficou mais próximo da permanência na Série A.

Enquanto isso, o milionário Grêmio marcha rumo ao despenhadeiro. Coisas que o futebol não explica.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 30)