A frase do dia

“Assisti o julgamento pelo site do STJD. Inicialmente, como torcedor, querendo a reversão da pena do Brusque, por algo mais ameno (multa e mando de jogo). Durante o julgamento, ouvindo os argumentos, principalmente da defesa do Brusque, mudei de opinião. Argumentos que naturalizaram o racismo, chegando ao cúmulo de acusar o Celsinho, atleta que sofreu o racismo, se der uma pessoa que estava se repetindo como ‘vítima’, como se isso fosse forma do atleta obter vantagens. Um tribunal de brancos preconceituosos. Às vésperas do Dia da Consciência Negra”.

José Marcos Araújo

Tribunal alivia pena do Brusque por injúria racial contra Celsinho

Às vésperas do Dia da Consciência Negra – comemorado no sábado, 20 de novembro -, o Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) devolveu, nesta quinta-feira, os três pontos ao Brusque, que haviam sido tirados por conta dos xingamentos do presidente do Conselho Deliberativo do Brusque, Júlio Antônio Petermann, ao meia Celsinho, do Londrina. O jogador acompanhou todo o julgamento virtual.

O Brusque foi punido com multa de R$ 30 mil e a perda de um mando de campo, que será cumprido apenas em 2022, pois seu último jogo como mandante será nesta sexta-feira, contra o Operário, pela 37ª rodada da Série B do Brasileiro. “Celsinho não vai cortar o cabelo, mas nós do Tribunal vamos cortar seu preconceito”, disse o auditor Mauro Marcelo. Petermann disse, na oportunidade, “vai cortar o cabelo seu cachopa de abelha”.

Com a recuperação dos pontos, o Brusque subiu para o 14º lugar com 44 pontos, ficando à frente de Ponte Preta (43), Remo (41), Londrina (41) – que abre a degola -, Vitória (40) e Confiança (36), todos na luta contra o rebaixamento.

Biólogo do Museu Goeldi ganha prêmio internacional

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Por Uriel Pinho e Samara Barra

O biólogo Pedro Peloso, bolsista do Programa de Capacitação Institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi (PCI/MPEG/MCTI), foi um dos cinco agraciados pelo prêmio “Individual Award in Field Biology”, concedido pela Maxwell/Hanrahan Foundation, dos Estados Unidos. Pedro é o primeiro brasileiro a receber o prêmio, concedido todo ano a cinco cientistas que realizam pesquisas na área da biologia e que desenvolvam boa parte do trabalho em campo.

Cada um dos cinco cientistas reconhecidos recebe um prêmio no valor de U$ 100.000 (cem mil dólares) para que possam dar continuidade ao seu trabalho, aprofundar suas pesquisas e aumentar o potencial de impacto de suas descobertas.

Os escolhidos são indicados e selecionados por comitês convidados pela Fundação Maxwell/Hanrahan, com base em critérios como o potencial de seu trabalho para contribuir com os estudos em biologia de campo, excelente histórico de pesquisas com resultados de alto nível, além de originalidade e demonstração de competência para realizar mais trabalhos inovadores na área.

Ganhador – Pedro Peloso é um grande conhecedor da diversidade biológica amazônica. Doutor em Biologia Comparada pelo Museu Americano de História Natural (EUA) e mestre em Zoologia pelo Museu Paraense Emílio Goeldi/Universidade Federal do Pará (UFPA), ele já descreveu mais de 30 espécies de anfíbios e lagartos, a grande maioria delas da Amazônia. 

Suas pesquisas já resultaram na publicação de mais de 40 artigos científicos em revistas internacionais, abordando temas que vão desde detalhadas descrições anatômicas até estudos evolutivos utilizando dados genômicos. Suas pesquisas levaram o jovem cientista a participar de expedições de campo em áreas que incluem os Andes Peruanos, a Pan Amazônia e quase todos os estados do Brasil.

Entre 2018 e 2020, foi professor visitante do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA e desde 2015 é professor do Programa de Pós-Graduação em Zoologia, mantido conjuntamente pela UFPA e o MPEG. Atualmente, Pedro é bolsista do Programa de Capacitação Institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi, com pesquisas sobre a diversidade genética e evolução de um grupo de anfíbios Neotropicais.  

Pesquisa e Comunicação – Junto a sua atuação no estudo da diversidade, evolução e conservação de anfíbios, principalmente na Amazônia, Pedro também atua como fotógrafo de natureza e vida selvagem, desenvolvendo projetos e contando histórias que despertem o interesse para questões socioambientais. É um ativo colaborador da National Geographic. Um dos projetos que reúne a capacidade de pesquisa, a habilidade em comunicar e o interesse na conservação da natureza é o DoTS (Documenting Threatened species) que documenta e divulga espécies ameaçadas de extinção no Brasil.

Todo esse trabalho com a biologia e conservação dos anfíbios já é reconhecido mundialmente e lhe rendeu outros prêmios, como o “Future Leader in Amphibian Conservation” (Futuro Líder na Conservação de Anfíbios). O reconhecimento veio em 2019, outorgado pela Amphibian Survival Alliance, uma das maiores organizações globais voltadas à conservação de anfíbios.

“Esses prêmios são um importante reconhecimento do meu esforço e trabalho como biólogo. É uma recompensa por todo o trabalho duro que venho desenvolvendo para estudar a biodiversidade das florestas tropicais, especialmente com anfíbios na Amazônia. É também um estímulo, para que eu continue investindo meu tempo na pesquisa e na conservação”, relata Peloso, que se mostra animado com novos projetos.

Biologia de campo – Descobertas científicas demandam muito tempo e dedicação, e na linha de frente das descobertas sobre a diversidade de vida no planeta, estão os biólogos de campo. Esses profissionais, que muitas vezes se deslocam a lugares de difícil acesso e enfrentam condições de trabalho bastante adversas, são fundamentais para a descoberta de novas espécies e realização de experimentos ecológicos que ajudam a entender a vida na Terra.

A premiação da Maxwell/Hanrahan Foundation para projetos na área de biologia de campo vem da compreensão das dificuldades associadas ao trabalho nessa área e da paixão de seus fundadores por ambientes naturais.

“A pesquisa de campo é fundamental para diversas áreas da biologia. É no campo que são feitas as descobertas mais básicas relacionadas à biodiversidade. Só através do trabalho no campo é possível saber como as espécies se comportam em seu habitat natural ou como reagem a alterações no ambiente. Além disso, diversas espécies novas são descobertas todos os anos através do trabalho de campo de biólogos e ecólogos”, explica Peloso.

Em relação aos desafios de fazer pesquisa no atual cenário brasileiro, considerando a escassez de recursos para a área da ciência, o pesquisador comenta: “É muito difícil fazer qualquer tipo de pesquisa sem investimento, especialmente na formação e fixação de mão de obra especializada. Fazer pesquisa de ponta necessita de pessoas qualificadas, mas nosso país contrata cada vez menos pesquisadores (seja como efetivos ou bolsistas) e também investe cada vez menos em projetos. No Brasil, adiciona-se ainda a dificuldade para a contratação de pesquisadores pelos institutos e os obstáculos na compra de material para a pesquisa. A escassez e burocracia podem, às vezes, fazer com que o pouco recurso existente ainda seja gasto de maneira equivocada. Esses são também alguns dos motivos pelos quais muitos pesquisadores brasileiros resolvem trabalhar no exterior, ou até mesmo desistir completamente da carreira na ciência”, analisa um dos vencedores do prêmio “Individual Award in Field Biology”, da Maxwell/Hanrahan Foundation.

Em clima de alto astral

POR GERSON NOGUEIRA

Matheus Oliveira

A animada presença da torcida no embarque da delegação do Remo, ontem à tarde, para o Rio de Janeiro, onde amanhã enfrenta o Vasco pela penúltima rodada da Série B, surpreendeu positivamente. Mostra que, diferentemente dos sem-noção que xingaram Nicolas no jogo com o Goiás, há uma parcela expressiva da massa torcedora que pensa e enxerga além de tiros de meta e chutes a gol.

O momento do Remo no campeonato é dramático. Tem seis pontos a disputar e precisa ganhar quatro para assegurar a permanência. É muito diferente do que se via há 10 rodadas quando o time tinha tempo e tranquilidade para ir em busca dos pontos necessários.

A banda inteligente da torcida resolveu assumir o papel de incentivar os jogadores, mostrar que está junto nos bons e maus momentos. Se a situação não é das melhores, há razões para acreditar na conquista de um bom resultado diante dos vascaínos, em São Januário.

Um desses motivos é o momento vivido pelo Vasco, que não tem mais qualquer ambição dentro da competição. Não vai subir e nem vai cair. Cumpre tabela, agora sob o comando do técnico da equipe sub-20.

É claro que um time sem perspectivas pode permitir que um adversário focado e determinado alcance seus objetivos. O Remo joga a partida final da Copa do Mundo, vai lutar do princípio ao fim para pontuar – vencer seria a glória, mas o empate serve.

Foram espalhadas placas e bandeiras no aeroporto. Houve tempo também para os torcedores conversarem com os atletas antes da viagem. Foi ressaltado que a torcida vai seguir apoiando, independente do resultado contra o time carioca.

Outro motivo é a mudança exibida pelo Remo na forma de jogar desde que Eduardo Baptista assumiu a equipe. Ao contrário de Felipe Conceição, Baptista defende intensidade o tempo todo e marcação firme desde o campo inimigo. Isso foi visto em grande parte do jogo contra o Goiás.

É óbvio que essa pretensão nem sempre poderá ser cumprida, até porque boa parte do elenco não tem estofo físico para marcar por 90 minutos. Acontece que a simples prioridade a um jogo de característica mais física já torna o Remo atual mais brigador do que aquele dos tempos de Conceição.

Contra o Vasco, o Leão terá baixas importantes, como Felipe Gedoz, que voltou na última partida e é a referência técnica do time. Pingo, de novo lesionado, também não joga. Rafael Jansen também não viajou, bem como Marcos Junior, impedido por cláusula contratual.

Baptista pode lançar mão de alternativas. Jefferson vem atuando bem e pode ser fundamental para um esforço de pressão no 2º tempo. Outra figura que vem pedindo passagem é Ronald, joia da base azulina, que costuma incendiar o time quando entra. Pode ser uma arma interessante para pressionar a defensiva vascaína.

Mais do que nomes, porém, o Remo vai depender de ideias e bom posicionamento. Não pode correr riscos e tem que batalhar incessantemente pelo gol, como se não houvesse amanhã – e na verdade não há, como diria Russo na velha canção.

Fifa deve punir o carniceiro perna-de-pau Otamendi

O carniceiro Nicolás Otamendi, da Argentina, abusou do cinismo e da ironia para explicar (nem precisava) a cotovelada criminosa que deu no rosto do brasileiro Raphinha no clássico disputado anteontem pelas Eliminatórias da Copa 2022, em San Juan.

“Só bola”, escreveu o zagueiro do Benfica respondendo a uma postagem gaiata da emissora TyC nas redes sociais. Com uma foto da agressão, a TyC tem a pachorra de perguntar se houve falta ou não no lance.

Claro que foi falta, muita falta. Por isso mesmo, a Conmebol suspendeu por tempo indeterminado o árbitro uruguaio Andrés Cunha e o assistente de vídeo – também do Uruguai – Esteban Ostojich, bananas que trabalharam no empate em 0 a 0 entre Argentina e Brasil.

A entidade considerou que houve “erro grave” na ausência de punição a Otamendi pela cotovelada. Era caso de expulsão sumária. O uruguaio, tremendo na base, não deu nem falta. Por pouco, não cumprimentou o verdugo.

A CBF promete representar contra o árbitro e contra Otamendi junto ao Conselho Disciplinar da Fifa. Há casos de punição imposta mesmo quando a arbitragem não observa uma infração grave.

Ao final da partida, revoltado, Tite falou que era “impossível não ver a cotovelada”. Tem toda razão. Otamendi merece uma sanção exemplar. Violência não pode ficar impune.

E o jogo mostrou um Brasil desenvolto, tecnicamente aplicado, sem sentir a ausência de Neymar. Deu a firme impressão de que a seleção começa a tomar forma para a Copa do Qatar.

Papão ainda sem time definido para semi da Copa Verde

Como na edição 2020 do torneio, o PSC vai marchar para as semifinais da Copa Verde com um time mesclado de jogadores da base. A vitória sobre o Castanhal, que garantiu a classificação, deu alegrias ao torcedor, mas logo abriu espaço para um cenário de incertezas.

Ninguém fala com clareza sobre as reais intenções do Papão na Copa Verde, mas as atitudes da direção apontam para um conformismo quanto ao desmanche progressivo do elenco que disputou a Série C.

Desde que o Brasileiro terminou, oito jogadores já bateram em retirada e há previsão de novos desligamentos. A realidade impõe um enxugamento de folha salarial, sendo que a maioria dos contratos vai terminar no dia 30 de novembro.

O presidente Maurício Ettinger informou no começo da semana que a diretoria negocia um aditivo de 12 dias nesses contratos para permitir que o clube não fique sem jogadores para enfrentar Remo ou Manaus nas semifinais.

Para tornar a situação mais tortuosa, o PSC só terá direito a usar cinco atletas com contrato de jogador amador, segundo o regulamento da competição. Tal regra pode inviabilizar o aproveitamento da molecada da base em larga escala. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 18)