Para quebrar o jejum

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 0×1 Goiás-GO (Ronald)

O Remo enfrenta o Vasco, hoje, às 19h, em São Januário (Rio de Janeiro), com a responsabilidade de pontuar. O objetivo maior é, obviamente, vencer. Nas circunstâncias, porém, o empate não é tão ruim assim, desde que Vitória e Londrina não vençam na rodada. Neste momento, mesmo dependendo ainda do próprio esforço, o Leão não pode perder de vista seus concorrentes diretos na luta pela permanência.

Eduardo Baptista já definiu o time que vai começar a partida. A novidade é a entrada de Erick Flores no meio-campo. Sem Felipe Gedoz, principal articulador ofensivo, o time vai precisar de mobilidade na meia-cancha. Flores é um especialista na função. Ainda não está 100% fisicamente – ficou parado por dois meses –, mas a situação exige sua presença.

A linha defensiva, que vacilou muito nas últimas cinco rodadas, com responsabilidade direta pelas derrotas contra Londrina, CSA, Operário e Goiás, está mantida com Kevem e Romércio no centro e Tiago Ennes e Igor pelos lados. Não é a formação ideal, mas Baptista segue as dicas do auxiliar João Neto e avaliações dos poucos treinos realizados.

Marlon, que atuou em vários jogos, não foi mais utilizado ali no meio. Passa mais firmeza e seriedade. Sempre focado, não é de brincar em serviço, nem de adocicar jogadas. Em plena reta decisiva, jogadores desse perfil são fundamentais.

Romércio e Kevem, bons zagueiros, muitas vezes se excedem na preocupação em jogar bonito, matar a bola com categoria e sair jogando. Nem sempre é a melhor receita. Na maioria das vezes, despachar a bola para frente é a solução mais indicada, evitando o risco de um domínio errado ou uma furada, como no jogo com o Goiás.  

Um ponto a ser observado é que, com a chegada de Baptista, o time passou a funcionar de forma mais solidária, com marcação até no campo adversário. Foi o que se viu no primeiro tempo contra o Goiás. Isso permitiu que o Remo tivesse a bola por mais tempo sob seu controle.

Contra um Vasco sem maiores ambições, mas com a vantagem do descompromisso, a preocupação maior deve ser com a compactação e a vigilância. No 4-4-2 clássico, o Remo terá Mateus Oliveira como organizador, revezando-se com Erick Flores na transição ofensiva.

Mateus, como Gedoz, tem bons recursos técnicos, mas peca pelo desligamento excessivo em alguns momentos do jogo. Habilidoso com a bola nos pés, parece pouco efetivo quando precisa auxiliar na marcação. Dependerá dele o funcionamento do ataque: Victor Andrade tem iniciativa, mas Neto Pessoa não entra em ação se a bola não chegar.

Nau vascaína só quer um final de campanha digno

Para encarar o Remo, o Vasco tem a volta do artilheiro German Cano, que cumpriu suspensão automática contra o Vila Nova. Sob a direção do técnico do time sub-20, os planos se limitam a mostrar dignidade na reta final da Série B. A frustração ainda é grande com a perda do acesso, mas os jogadores tentam mostrar serviço de olho na próxima temporada.

Daniel Amorim, que marcou um golaço em Goiânia, é um dos mais entusiasmados com a chance no time titular. Deve ser companheiro de Cano no ataque. Léo Jabá, Zeca, Walber e Andrey já estão afastados, após receber férias antecipadas.

Outros jogadores já discutem saída ou renovação de contratação. Sem aspiração a nada e certamente com pouca torcida, o Vasco mergulhou no clima de fim de festa, o que pode beneficiar o Leão.

STJD “amarela” e passa pano para cartola racista

Depois do constrangedor julgamento no STJD, ontem, o meia Celsinho não escondeu seu desapontamento. Vítima de xingamentos racistas dirigidos a ele por um dirigente do Brusque, ele disse ao blog da jornalista Gabriela Moreira que lamentava o desfecho da sessão do Pleno do tribunal.

“O STJD tinha uma grande oportunidade de mudar tudo. De fazer algo bem positivo. Ficar bem visto por todos e acabou dando um tiro no próprio pé. Ao invés de evoluir, eles retrocederam. Muito vergonhoso. Que grande decepção”, disse Celsinho, que vestia a camisa do Observatório Racial do Futebol (organização que monitora casos de discriminação no futebol).

Importante: Celsinho e seu advogado, Eduardo Vargas, eram os únicos negros na sessão do STJD, cujos auditores variaram entre a omissão e a compreensão excessiva em relação ao racista de Santa Catarina.

No meio do julgamento, o auditor Sergio Martinez teve a pachorra de dizer que não é racista, que não tinha nada contra negros, era amigo de alguns etc. Na hora de votar, 4 a 1 pelo amolecimento da pena. Disse, ainda, que não entendia como racismo os insultos do dirigente catarinense.

Com a recuperação dos três pontos, o Brusque alcançou o 14º lugar na classificação, com 44 pontos, já quase livre do descenso. Deixou a briga para Ponte (43), Remo e Londrina (41) e Vitória (40).

Direto do blog campeão

“Assisti o julgamento pelo site do STJD. Inicialmente, como torcedor, querendo a reversão da pena do Brusque, por algo mais ameno (multa e mando de jogo). Durante o julgamento, ouvindo os argumentos, principalmente da defesa do Brusque, mudei de opinião. Argumentos que naturalizaram o racismo, chegando ao cúmulo de acusar o Celsinho, atleta que sofreu o racismo, se der uma pessoa que estava se repetindo como ‘vítima’, como se isso fosse forma do atleta obter vantagens. Um tribunal de brancos preconceituosos. Às vésperas do Dia da Consciência Negra”. José Marcos Araújo

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 19)

3 comentários em “Para quebrar o jejum

  1. Se um ponto hoje não é ruim, o problema está na dupla de zagueiros que não passa confiança e entrega o jogo. Como o ataque não funciona, segurar o zero a zero seria o ideal. Mas isso é sonho. Força Leão.

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